28 dezembro 2007

Al-Qaeda volta a matar...


"Quando se acredita numa causa, é preciso estar disposto a pagar o preço para a alcançar"
Benazir Bhutto (1953-2007)

27 dezembro 2007

Feliz 2008

Desejo a todos os gazeteiros, leitores e comentadores da Gazeta Lusitana um ano de 2008 cheio de participações bloguisticas! Se aproveitarem o ano novo para fazerem o favor de serem felizes melhor ainda.

25 dezembro 2007

12 dezembro 2007

Atentados em Argel (2)

O atentado já terá sido reivindicado pela Alqaeda Magreb. Nada que não se suspeitasse desde logo atendendo ao modus operandi.

Os danos materiais nos locais das explosões foram muito significativos. Pode ver imagens ciclando AQUI.

A manhã de hoje em Argel foi de pânico e confusão generalizada. Até à hora de almoço o barulho de sirenes de polícia, ambulâncias e bombeiros era permanente, bem como o dos inúmeros helicópteros que sobrevoavam as zonas atingidas. As ligações de telemóvel só ficaram restabelecidas totalmente já passavam das 15h00. Durante a tarde permaneciam ainda cortadas as principais ruas das zonas das Embaixadas, Organizações Internacionais, e Estado argelino. O trânsito esteve caótico.

Mas mais marcante ainda foi a tristeza, a angústia e a revolta de um povo, que na sua esmagadora maioria repudia estes atentados e não hesita em condenar firmemente quem os executa. Bastava olhar para eles na rua, falar com eles, para perceber.

Por cada atentado levado a cabo, aumenta ainda mais a já grande separação entre o povo argelino e o fundamentalismo islâmico...

11 dezembro 2007

Atentados em Argel

Argel voltou a ser palco de atentados hoje de manhã. Até ao momento das duas explosões já resultaram 57 mortos e dezenas de feridos.


A violência das explosões foi grande, sendo que pude perfeitamente ouvir uma delas, que ocorreu a cerca de 1 km do meu escritório.
A imagem que publico é dos destroços do Conseil Constitutionnel, um bonito edifício, recentemente inaugurado e que tinha demorado 6 anos a construir.

05 dezembro 2007

Este ano não há presépio...

Lamentamos mas:


- Os Reis Magos lançaram uma OPA sobre a manjedoura e esta foi retirada do estábulo até decisão governamental ;

- Os camelos estão no governo;

- Os cordeirinhos estão tão magros e tão feios que não podem ser exibidos;

- A vaca está louca e não se segura nas patas;

- O burro está na Escola Básica a dar aulas de substituição;

- Nossa Senhora e São José foram chamados à Escola Básica para avaliar o burro;

- A estrelinha de Belém perdeu o brilho porque o Menino Jesus não tem tempo para olhar para ela;

- O Menino Jesus está no Politeama em actividades de enriquecimento curricular e o tribunal de Coimbra ordenou a sua entrega imediata ao pai biológico;

- A ASAE fechou temporariamente o estábulo pela falta da manjedoura e, sobretudo, até serem corrigidas as péssimas condições higiénicas do estábulo, de acordo com as normas da UE.


NOTA: Recebido por e-mail

04 dezembro 2007

Afinal ainda há esperança...


Tive ontem oportunidade de jantar com um amigo sul-americano de viagem a Lisboa.
Ao inicio do jantar disse-me: «Hoje foi daqueles dias que me deu especial gozo despertar. Acordei em Londres às 6h30, apanhei um vôo para Lisboa no meio de um céu azul profundo, raro em Londres, e ao chegar a Portugal soube pelas notícias que Chávez tinha perdido o referendo à Constituição. Afinal, pensei, ainda existe esperança, e a Democracia e o Mundo, apesar das contrariedades lá vai avançando, devagar é verdade, mas a ritmo certo.»

27 novembro 2007

A tradição sindical ainda é o que era

Na próxima 6ª feira, dia 30 de Novembro, ocorre uma greve geral promovida pelos sindicatos portugueses. Mais uma. Mais do mesmo. Acredito que assim será. Estou certo disso. E não tive de enviar agentes da autoridade a sedes sindicais para controlar a situação e a informação. Assim tem sido. Não será certamente diferente agora. A começar pelos dirigentes sindicais que são os mesmos há anos a fio. As mesmas caras, as mesmas estratégias (ou ausência delas), as mesmas reivindicações (poderia ser um sinal que o poder político continua sem dar as devidas respostas aos problemas mas tal seria uma explicação demasiado redutora, não completamente falsa, mas redutora).

É vulgar afirmar-se que o Mundo está em mudança. E está mesmo. Mudanças sempre houve ao longo da História da Humanidade, umas mais profundas do que outras, umas mais radicais do que outras, umas mais lentas, outras mais rápidas, mas os conceitos de continuidade e de ruptura fazem parte da própria essência da História. Agora os ritmos é que são mais acelerados do que nunca. Mudanças, como referi, sempre houve, mas nunca tão rápidas e a esta velocidade vertiginosa. Assim acontece com o universo laboral.

Já não faz qualquer sentido um sindicalismo com a configuração actual. Acções sindicais baseadas nas greves e não na via negocial. Deveriam evitar a todo o custo a visão maniqueísta (os patrões os maus e os trabalhadores os bons claro....) que muitas vezes inviabiliza logo de início qualquer crescimento da margem de negociação. Partem do princípio que o patronato é um bando desqualificado de exploradores das classes trabalhadores (o que em alguns casos não andará longe da verdade dos factos). Colocam-se numa posição de ter direito a tudo e mais alguma coisa mas em termos de deveres o prato da balança já não possui tanto peso, até parece que deveria ficar vazio segundo algumas opiniões...

Um sindicalista tradicionalista (parece contradição mas a esmagadora maioria é de facto tradicionalista) acredita que a tradição sindical ainda é o que era e assim deve continuar a ser. Não há verdadeiras negociações. Eles que são os maus só nos querem explorar, tramar e dificultar a vida, não vamos conseguir nada deles por isso partimos para a greve e mais nada!Poderia ser uma frase saída de uma reunião no sindicato (digo eu, embora nunca tenha participado em nenhuma...também seria difícil pois não estou sindicalizado e não me parece que venha a estar nos próximos tempos). Por isso a greve surge com facilidade e não como recurso extremo. O sentar à mesa das negociações é só uma formalidade que têm de cumprir. O barulho nas ruas, a confusão, os constrangimentos causados aos cidadãos em geral, o contributo para os baixos índices de produtividade parece ser a forma de luta de eleição. "Barulho não é argumento" diz muitas vezes o sr. primeiro-ministro no Parlamento. Tenho de reconhecer que tem razão.

Empregadores e empregados, patronato e trabalhadores, cada um tem o seu papel nos meios económico e social. Uma instituição, uma empresa só existe e só terá sucesso com uma boa articulação e o melhor entendimento possível entre as partes que compõem o todo. Se alguma peça da engrenagem falha toda a máquina pára ou funcionará de forma deficiente. Para que isso não suceda negociar deve ser o mote. Sem ruído, sem radicalismos, sem exigências desequilibradas e desajustadas das realidades contemporâneas, sem utopias desmesuradas. Com elevação, com educação, com pragmatismo, com inconformismo e espírito crítico mas também com a consciência plena do mundo actual, das suas exigências e limitações. Humanismo e Economia não devem e não podem ser inimigos. Muito pelo contrário, devem ser os melhores aliados. Há tradições que não podem continuar a ser o que têm sido.

17 novembro 2007

Por falar em números...

Sequence 1
Vídeo enviado por e5uf2

José Sócrates, na campanha eleitoral de 2005, diz que 7,1% de desemprego são a "marca de uma governação falhada" e de uma "economia mal conduzida". Em Outubro de 2007, com José Sócrates como primeiro-ministro, Portugal tem 8,3% de desempregados e, pela primeira vez em quase 30 anos, a taxa de desemprego é superior à de Espanha.

Ministro queixinhas

O ministro da saúde do governo português vai apresentar queixa junto do Ministério Público contra a Ordem dos Médicos por esta não alterar imediatamente alguns artigos do seu código deontológico referentes à interrupção voluntária da gravidez.
Insiste este membro do governo em querer interferir na esfera privada desta ordem profissional. A Ordem não pretende ter comportamentos ilegais nem tão pouco ser uma entidade colocada à margem da lei como é óbvio. Tem o direito a ter uma determinada deontologia profissional, um código de conduta interno que só deverá ser alterado se a maioria dos seus profissionais assim o entender e desejar. Se um médico desrespeitar a lei geral do país a justiça deve seguir o seu regular curso como é natural. A Ordem dos Médicos não pretende o contrário. É assim numa democracia adulta que cultiva a liberdade com responsabilidade, o pluralismo e a diversidade de opiniões e posições. Assim não o entende o titular da pasta da saúde. Atitude doentia diria eu...

16 novembro 2007

Números

Valem o que valem, certo? São pistas, indicadores, dados, que devem ser interpretados e analisados em um contexto mais vasto. Certo? Forço-me a pensar nestes termos enquanto vou digerindo as notícias sobre o crescimento da economia portuguesa (1,8% em 2007) e a captação de investimento directo estrangeiro em Portugal (aumentou 9,5% face a 2006).

O primeiro número é conseguido contra um clima de recessão e contra as previsões das instâncias internacionais (FMI e OCDE) e da União Europeia (passe a beliscadela no rigor, mas como eurofederalista convicto, não me resigno a designar a UE como mera organização internacional). E está em linha com as previsões do Governo e do Banco de Portugal.

Não nos enganemos. Crescer 1,8% ao ano não é, em absoluto, o melhor resultado possível. Mas, crescer 1,8% é a nossa melhor marca desde 2001 e é conseguida em contexto económico desfavorável: euro forte, crise dos mercados financeiros, concorrência muito forte no mercado do produto, abrandamento do crescimento económico na Europa. Estes 1,8% divergem da média europeia? Decerto que sim. Mas, caminham para a convergência a curto/médio prazo? Parece que sim.

O segundo número, que leio lado a lado com o primeiro, é sinal de que alguém anda a trabalhar bem (nomeadamente, Basílio Horta e a sua AICEP).

1,8 e 9,5% são apenas mil passos, tais como os mil passos a caminho da sociedade da informação, a que aludo no post anterior (já que falo nisso, o título do post foi gentilmente cedido por Alberto Caeiro). Mas, serão mil passos na direcção certa? Espero que sim.

13 novembro 2007

Mil passos que desse para isso eram só mil passos

O Programa e.escolas.net vai atingir amanhã (4ª feira) a simpática marca de 40.000 portáteis distribuídos, a preços reduzidos, a alunos do ensino secundário, professores e formandos da iniciativa Novas Oportunidades. Este programa é uma medida do Plano Tecnológico, e vai ser galardoado, também amanhã, com o "Best European Project Award", o mais elevado prémio de mérito conferido pela Toshiba.
Não me demoro em considerações sobre o impacte desta iniciativa no desenvolvimento da sociedade da informação em Portugal - é esse, aliás, o motivo do prémio. Seria ocioso realçar o que é por demais evidente. Porém, não será escusado lembrar que a generalização do acesso à internet de banda larga só se efectivará com a separação da PT e da PTM, da qual depende a criação de concorrência no sector.
Termino com uma pequena história, para me forçar a lembrar que esta iniciativa, posto que fundamental, é ainda e apenas um pequeno passo no longo caminho para a sociedade da informação. Um senhor que faz o favor de ser meu amigo, e que em 1982 estava colocado no Dubai, ao serviço de uma empresa portuguesa, tentou matricular o filho, com o 9º ano terminado em Portugal, no equivalente ao 10º ano de escolaridade. Qual não foi o seu espanto quando a direcção da escola o informou de que apenas podia matricular o filho no 8º ano! Questionando a escola, ouviu esta espantosa explicação: «Ele nem sequer sabe programar em Basic...».
Em que mundo nos deixámos ficar enquanto a História continuou o seu caminho?...

08 novembro 2007

A viagem ao Chile.


O Presidente da República iniciou ontem uma visita oficial ao Chile. Aproveitou a boleia da Cimeira Iberoamericana que este ano se realiza em Santiago, e resolveu responder ao convite da Presidente Chilena Michelle Bachelet. Fez bem. O Chile é um país com o qual Portugal começa a ter interessantes relações comerciais e a aproximação política a este emergente país da América Latina é uma boa novidade na já exaustiva relação Brasília-Lisboa.
Acompanhado de cerca de 100 empresários das mais diversas áreas, Cavaco Silva levou a La Moneda e à Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas a mensagem de que «para Portugal, torna-se particularmente claro que é hora de reafirmar a prioridade estratégica que a América latina deve representar para a União Europeia» e ainda «visto do lado europeu, e tendo em conta as afinidades e convergência de interesses dos países latino-americanos, parece existir um elevado potencial, ainda relativamente inexplorado, em matéria de cooperação e de integração económica regional. Este é, naturalmente, um desafio que cabe aos povos latino-americanos dar resposta», disse.
Sobre a primeira ideia resta-me a pergunta: E Portugal? Que faz Portugal relativamente à sua prioridade estratégica na Comunidade Iberoamericana de Nações da qual é membro fundador, para além de participar nas Cimeiras há mais de dezassete anos? Nada! Não fez nem me parece que esteja interessado em fazer. Para Portugal a Comunidade Iberoamericana é uma formalidade vazia de conteúdo. O único interesse de Portugal tem sido o Brasil com quem mantém uma excelente relação bilateral. Para quê então esta preocupação súbita? Obedece esta visita a alguma política delineada de aproximação de Portugal à América do Pacifico? Não me parece! Terão os nossos diplomatas ou os nossos economistas estudado e pensado uma nova política estratégica de aproximação a este bloco económico? Não me parece! Para quê então este discurso de preocupação ainda para mais em nome da União Europeia?
A segunda ideia conduz-me à dúvida sobre que interesses terá Cavaco Silva na união dos Sul Americanos, ou dos europeus por ele representados em Santiago! Mas provavelmente nem são necessárias grandes especulações.

No fundo, a razão das minhas interrogações e de alguma indignação, tem uma outra raíz. Esta é a terceira visita oficial de Cavaco Silva ao estrangeiro enquanto PR e mais uma vez, infelizmente, o PR não escolheu nenhum país da CPLP como destino. Escrevi o mesmo aquando da visita a Espanha e à Índia. Concluo que o interesse que Portugal dispensa à CPLP é o mesmo que dedica à Comunidade Iberoamericana de Nações. Passa a ir a umas reuniões anuais, integra uma fotos de família e por aí se fica.
Deixei de compreender as prioridades da política externa portuguesa e sobretudo deixei de ser crente nos discursos pró-lusofonia dos políticos portugueses. É tudo uma ilusão! O total non sense!

06 novembro 2007

Ao que isto chegou!

No Diário de Notícias de hoje (dia 6) li uma peça sobre o a preparação de Sócrates e Santana para o debate do Orçamento.
Li e não quis acreditar!
Numa parte da notícia diz então o seguinte:

"O primeiro-ministro preparou-se com afinco. Colaboradores seus andam há semanas a recolher material sobre Pedro Santana Lopes. O staff de Sócrates inclui especialistas em pesquisa de informação, como José Almeida Ribeiro, seu adjunto, quadro do SIS."

Pois é, há um quadro das secretas no gabinete do PM a fazer pesquisa sobre pessoas. Ao que chegou o Governo PS!
E ainda mais extraordinário é que o facto tenha passado despercebido.
Que bem que vai a Democracia Lusitana...

04 novembro 2007

Duas exposições em Lisboa a não perder !


A primeira destas duas a ser inaugurada foi a que está patente na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian desde o dia 28 de Setembro. A exposição intitulada "Os Gregos. Tesouros do Museu Benaki, Atenas" apresenta-nos mais de 150 objectos que ao estarem organizados de forma cronológica nos dão uma visão panorâmica do percurso deste povo, sobretudo em termos de Arte e Cultura, desde o Neolítico (6º milénio a.C.) até à criação do Estado Helénico em 1830. Não se limita, portanto, à Grécia da Antiguidade Clássica oferecendo uma visão mais extensa e completa (ainda que a visita não seja nada exaustiva, percorrendo-se o espaço de uma forma bastante agradável) com bons exemplares representativos de cada período abordado. A Grécia deu à Europa a sua matriz cultural (pelo menos parte substancial dela) em territórios tão vastos quanto a filosofia, a mitologia, o teatro, entre outras expressões artístico-culturais. Boa parceria luso-helénica (mais uma vez uma boa iniciativa cultural pela mão da Fundação Calouste Gulbenkian) a repetir mais vezes certamente e no sentido inverso também! Pode ser visitada até ao dia 6 de Janeiro de 2008.

Uma outra exposição incontornável na actual oferta cultural lisboeta é a que pode ser visitada no espaço da Galeria de Pintura do Rei D. Luís I, na ala norte do Palácio Nacional da Ajuda. Inaugurada a 25 de Outubro, com a presença do presidente russo V. Putin, trouxe até Lisboa cerca de 600 objectos ilustrativos do que foi a Arte e a Cultura no Império Russo durante a dinastia imperial dos Romanov (parte do conjunto de cerca de três milhões de objectos que compõe o acervo do Museu Hermitage).
Organizada, também, de forma cronológica inunda a antiga galeria com arte russa (peso talvez excessivo de pintura, retratos em particular) que nos revela os rostos imperais desde Pedro, o Grande, passando por Catarina II, até Nicolau II. Muita pintura (em muito boas condições de conservação) mas não só... escultura, gravura, ourivesaria, mobiliário entre outras artes decorativas e até instrumentos ligados à ciência e técnica podem ser vistos e fruidos por todos (aqueles que quiserem e puderem pagar 6 €, pouco mais do que um bilhete de cinema vendo bem...) até 17 de Fevereiro de 2008. Esta exposição faz parte de um protocolo do Ministério da Cultura com o museu de São Petersburgo, envolvendo mais duas exposições (2008 e 2009) e a esperada instalação de um pólo em Lisboa daquela instituição museológica em 2010. Parece que desta vez o Ministério da Cultura está de parabéns...Boa iniciativa (é a maior exibição organizada pelo Hermitage no exterior) que vem enriquecer a vida cultural da cidade e do país e que nos deve encher de satisfação e orgulho.
Aproveito o facto do local escolhido ter sido o Palácio Nacional da Ajuda para relembrar a todos, muito particularmente ao Ministério da Cultura (que ainda para mais tem sede naquele edifício), a necessidade de requalificação do palácio em causa, em concreto a ala inacabada do lado da Calçada da Ajuda (poente), e toda a área envolvente. Pelas vicissitudes da História o projecto palaciano para a Ajuda ficou por concluir. Como tal não será certamente nenhuma fatalidade já é mais do que tempo para serem abandonados os lamentos, os esquecimentos e passar-se à acção (há projectos e tudo!).



03 novembro 2007

Jobs for the boys no MNE


Vivem-se dias agitados para os lados do MNE. O Governo prepara-se para alterar leis estruturais da carreira diplomática, numa lógica perversa e contraditória com a sua própria actuação.

Falo da questão dos Cônsules. Actualmente, estes lugares são desempenhados por diplomatas de carreira. E convenhamos, tem toda a lógica que assim seja.

Mas o Governo parece achar que não. Ao que se sabe, está em fase final de preparação um diploma que prevê que estes lugares passem a ser preenchidos por despacho ministerial, não tendo a pessoa designada que ser da carreira diplomática, nem sequer da função pública.
Ou seja, o PS prepara-se para criar nova legislação que o habilite a nomear amigos, camaradas e afins para o desempenho de importantes cargos de protecção de interesses e direitos fundamentais dos cidadãos portugueses no estrangeiro. Um verdadeiro escândalo.
Trata-se de politizar lugares que não o deveriam ser. Trata-se de colocar amigos em bons lugares, sem qualquer critério, mérito ou seja o que for.

Recorde-se que, actualmente, os lugares de cônsules são preenchidos por diplomatas, aquando do movimento ordinário desta carreira especial da Administração Pública. Tal colocação obedece a um processo, com regras, e no qual os “pares” reunidos em Conselho Diplomático após análise, debate e ponderação submetem uma proposta de colocações no estrangeiro ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, para que este a homologue.

Por outro lado, é incompreensível esta atitude do Governo quando no passado o ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros Freitas do Amaral, ministro deste mesmo Governo, declarou publicamente ser um escândalo a existência de lugares nas embaixadas (carreira do pessoal especializado) que careciam apenas de despacho ministerial para a colocação, e que mais não eram do que lugares de refúgio para diversos aparatchiks políticos.
Aliás, Freitas reduziu, enquanto Ministro, 1/3 desses lugares, e preparou legislação para criar regras claras e imparciais de acesso a esses lugares, através de concurso público. Infelizmente esse processo foi parado pelo actual MNE.
Hoje percebe-se porquê.

Além dos lugares de preenchimento político que já havia, o PS prepara-se para criar mais. Afinal de contas foram prometidos 150.000 empregos em campanha. Só não disseram era para quem…

26 outubro 2007

A Vitória Extraordinária!


Por desafio de um comentador anónimo da Gazeta Lusitana que a propósito do entendimento entre os 27 Estados Membros da UE sobre o novo Tratado Europeu classificou o feito como «mais uma vitória extraordinária» do Primeiro- Ministro José Sócrates, e, considerando eu que o passo em frente, apesar de muito louvável, não só não é definitivo como está condicionado pelo processo de ratificação e, considerando igualmente o epíteto exagerado e fora de contexto, decidi responder através de um conjunto de «post» sobre outras «extraordinárias vitórias» do actual governo. Estes textos surgem como resposta ao desafio. Os temas elegidos são da sugestão do mesmo comentador anónimo que espero seja um participante activo na defesa/discussão da sua tese.

Dos temas propostos decidi começar pelo tema da "Reforma na Educação".
A Educação é um tema basilar para a discussão pública/política portuguesa. Em nenhum outro país da Europa Ocidental os desafios sobre esta matéria têm contornos tão preocupantes como em Portugal. País históricamente alheio à Escola e à formação, Portugal continua a sofrer os estigmas de uma educação insuficiente. Trabalhadores pouco qualificados, mão de obra barata, democracia deficitária, cultura cívica primária.
O problema da educação é transversal a toda a sociedade portuguesa e é-o também a todos os governos portugueses.
Não existe provavelmente matéria mais importante sobre a qual devesse haver Pactos de Regime do que esta.
Ao contrário do que afirma o nosso comentador, o actual governo não fez aprovar nenhuma Reforma da Educação. A última Reforma de que há memória e que se encontra em vigor é a do Eng. Roberto Carneiro, Ministro da Educação dos Governos de Cavaco Silva e que tem já mais de 15 anos.
O que o actual governo tem feito é tomar medidas governativas de gestão e a aprovação de determinados diplomas na AR. Isto é muito diferente de uma Proposta de Reforma. Para haver Reforma, seja onde for, é preciso saber em primeiro lugar o que se quer e qual o objectivo a atingir. Uma Reforma é um plano estruturado a longo prazo que obdece a determinados critérios previamente discutidos e aprovados em amplo consenso.
Ora, o que este governo tem tido em matéria de Educação é precisamente a falta de consenso. Dos professores, dos pais, dos alunos, das Instituições...Não existe nenhuma Reforma socialista da educação! O que existe, isso sim, é um descontentamento generalizado e transversal a todo o sistema de ensino. Mas se fosse apenas um problema de descontentamento, poderíamos alegar que as medidas não tinham consenso mas apresentavam resultados.
Vejamos os resultados: Ontem mesmo foi apresentado o Ranking anual das escolas portuguesas. No Top 20 da classificação apenas se encontra uma escola secundária de Coimbra. Tudo o resto é ensino privado. As escolas do ME são as que ocupam todos os lugares finais da escala.
Quanto a uma outra questão mais grave, que é a do abandono escolar, Portugal não sofreu praticamente alteração. De 1996 para 2006 apenas houve uma diminuição de 0,1%. Ou seja, passou-se de 40,1 % para 40% de abandono escolar no ensino secundário. Em termos comparativos, enquanto que toda a UE baixa este índice, Portugal vê-lo crescer ao ritmo de 3,6% ao ano. Os números, retirados do Eurostat, mostram, igualmente, que a percentagem de população adulta envolvida em acções de formação-educação diminuíram entre os anos 2000 e 2005ao contrário da tendência europeia.
A acrecentar a estes números assustadores, a actual política de restrição orçamental tem conduzido a um encerramento sistemático de escolas do ensino básico e secundário por todo o país. Razões economicistas fundamentam a decisão, que afecta sobretudo o interior do país, naquilo que se revela uma política desastrosa na manutenção das populações no interior.
É verdade que o Parque escolar em Portugal sofreu melhorias consideráveis nos últimos anos, mas isso em nada alterou os resultados.
Num país que brada que é de Doutores e Engenheiros, estamos muito longe de atingir a média de um qualquer país da UE. Anualmente, os índices da ONU sobre desenvolvimento e sustentabilidade apontam uma taxa de 80% (??) de iletrados em Portugal. Isto significa, que se no tempo do Estado Novo possuíamos uma vergonhosa taxa de analfabetismo, hoje, face a tais números, 80% dos portugueses, perante uma questão de carácter político, filosófico, religioso ou cientifico não sabe responder.
Não há Democracia que resista!
Esta é sem dúvida uma das «vitórias extraordinárias» do Eng. José Sócrates, o mesmo que faz o elogio do inglês no ensino básico mas que não fala inglês. O mesmo que defende o acesso ao Ensino Superior Público mas que apresenta uma duvidosa licenciatura ao país!

24 outubro 2007

Assim se vê a democracia do PC! (2)

A luta continua! Ou o melhor os despejos continuam!

Aquele que se auto-intitula o campeão da liberdade, da democracia e das lutas por estas causas (leia-se o Partido Comunista) voltou a fazer das suas. Desta vez na Marinha Grande.

Decidiu o PCP, no seu alto critério, que o Presidente da Câmara da Marinha Grande, por si eleito em Outubro de 2005, deveria retirar-se e dar lugar a outro camarada. E as razões invocadas são estas:

O afastamento de Barros Duarte é visto pelo PCP como uma «necessidade» para a realização de «um trabalho mais articulado, mais dinâmico e mais colectivo por parte dos vereadores da CDU para dar um novo impulso à gestão autárquica com vista à concretização dos objectivos programáticos e à resolução mais célere dos problemas da população». (in Lusa).

Depois de Setúbal, a Marinha Grande. E amanhã camaradas?

Mais uma vez o PCP revela uma total falta de respeito, não só pelos seus autarcas, mas sobretudo pelos eleitores. Pelos vistos a vontade de um pequeno comité central prevalece sobre uma escolha legítima e democrática.

O eleitorado faz o seu julgamento de 4 em 4 anos nas autárquicas, mas o PC faz o seu quando quer e bem lhe apetece. Foi Setúbal ao fim de um ano, foi a Marinha Grande ao fim de 2. Serão seguramente resquicios de uma veia justicialista que conheceu o seu auge nos tristes e célebres "julgamentos de Moscovo".

Tendo em conta este cenário, que pelos vistos se vai repetindo em autarquias ganhas pelo PC, que confiança poderão merecer os candidatos a Presidente de Câmara apresentados por este partido político em 2009? Nenhuma!

E mais, de que servirá elegê-los? Para nada!

22 outubro 2007

O Jardim III




Termino esta pequena série de três "post" sobre alguns jardins lisboetas com o exemplo mais deplorável do que é a degradação do património histórico/natural na cidade de Lisboa.
Era meu objectivo ao escrever estes textos, não só dar a conhecer um pouco da realidade dos três mais importantes espaços verdes da capital (à excepção naturalmente de Monsanto e de alguns jardins de Bairro, sendo o mais significativo o da Estrela) que são muito pouco conhecidos e vividos pelos lisboetas.
Era também minha intenção mostrar que o discurso político é muitas vezes alheio à realidade do país. Só isso justifica que nas últimas eleições para a CML nenhum candidato, ao falar de espaços verdes mencionasse qualquer um destes lugares. Falam portanto de cor. Nenhum destes jardins está sob a tutela directa da CML é verdade; mas sendo que constituem os mais significativos espaços verdes da capital, e dado o seu estado de degradação, seria importante e necessária uma intervenção.
A Tapada das Necessidades é o mais notável jardim Lisboeta. É-o por várias razões. Porque está hoje no centro da cidade, porque constitui a maior propriedade murada do séc XVIII em Lisboa, porque foi construido como jardim adjacente ao Paço das Necessidades e por essa razão usufruido como Jardim Real, porque possuíu em tempos o maior conjunto de raridades botânicas e foi, ao tempo do rei D. Fernando II o laboratório onde nasceu o Parque Nacional da Pena. É notável ainda pelo conjunto de pavilhões, estatuária, fontes, lagos e estufas, todos eles do tempo em que o Palácio das Necessidades era o Palácio Real de Lisboa.
Quaisquer adjectivos seriam limitadores para classificar o estado de degradação deste espaço.
Quase nada está de pé, quase nada existe já com esplendor. Não há arruamentos decentes, não há água nos lagos ou nas fontes, não há preservação da flora, não há pessoas.
Aquele que foi em tempos o mais bonito, o mais importante e o mais simbólico jardim de Lisboa e provavelmente do país é hoje coisa nenhuma.
Não tenho memória de qualquer país da Europa Ocidental onde os jardins dos respectivos palácios reais não estejam arranjados, sejam utilizados e usufruidos pelos cidadãos!
Lisboa é uma excepção que envergonha todos os lisboetas!

20 outubro 2007

PPD/PSD: o que realmente importa!



Em relação ao Partido Popular Democrático/Partido Social Democrata vamos ao que realmente interessa!
Será que Ribau Esteves pinta o cabelo? Será que Luís Filipe Menezes é mesmo adúltero? E o agora presidente (do grupo parlamentar) laranja Santana Lopes tinha um gabinete só para ele ou era partilhado? Se era partilhado... com quem? E ainda, como não podia deixar de ser, qual a marca do gel de cabelo de Santana?

São questões quase metafísicas para as quais os portugueses anseiam por respostas!

19 outubro 2007

Parabéns!


O acordo hoje alcançado em Lisboa sobre o futuro Tratado Europeu é o culminar de anos de negociações entre os Estados- Membros da União Europeia. A partir de agora, e com a assinatura desde Tratado a 13 de Dezembro, a UE ganha uma nova dinâmica insitucional com reflexos muito especiais numa política externa comum. É um instrumento fundamental para a modernização e agilidade das decisões que permite ao velho continente responder aos desafios do mundo global com uma nova força e consistência. Falta apenas saber como vai correr o processo de ratificação por parte dos 27 Estado- Membros.
Está por isso de parabéns a Presidência Portuguesa que depois da cimeira UE - Brasil alcança mais uma vitória para a diplomacia portuguesa e europeia. Resta agora o calcanhar de Aquiles em que se está a transformar a Cimeira UE- África. Com o alinhamento conhecido hoje da Suécia e da Finlândia ao lado do governo inglês sobre a presença de Mugabe em Lisboa tudo pode acontecer. Se nenhum destes constrangimentos, contudo, impedir a realização da Cimeira, então a Presidência Portuguesa da UE passa a constituir um marco na política externa portuguesa e uma das mais notáveis presidências dos últimos anos dentro da UE.
É para os portugueses um orgulho que tal aconteça quando o Conselho Europeu e a Comissão Europeia são institições dirigidas por dois portugueses.
Parabéns!

18 outubro 2007

Correia de Campos: a Ordem na ordem!

O ministro da saúde do governo português, mais uma vez, foi a imagem da arrogância e da prepotência do governo encabeçado por José Sócrates ao intimar a Ordem do Médicos a fazer alterações no seu código deontológico nos artigos referentes à prática da interrupção voluntária da gravidez.

Não contesto obviamente, nem sequer o próprio bastonário, que qualquer entidade ou instituição nacional deva estar obrigada a cumprir a legislação portuguesa em vigor. A Ordem dos Médicos e a sua relação com a lei do aborto não é certamente excepção a esta regra vital de um Estado de direito democrático. O que já não é consensual é a atitude por parte do governo, precipitada, desnecessária e em tom hóstil, indicando à ordem profissional em questão que procedesse com urgência à rectificação do seu próprio código deontológico. A Ordem dos Médicos não deseja que regulamentos internos produzidos por si contrariem a lei geral do país, nem tão pouco fazer deste assunto um cavalo de batalha junto do governo. O ministro da saúde com excesso de zelo e com um gesto de arrogância quer passar por guardião da lei e do interesse público. Pena é não ser assim em relação a outros assuntos na área da saúde que em nada contribuem positivamente para a mesma nem para um maior desenvolvimento e fixação de populações em zonas do interior português.

Representa este acto mais uma prova de que o Estado (este primeiro-ministro parece rever-se inteiramente nisto) quando quer estar em todo o lado, quando é excessivamente grande e extravasa a sua esfera de acção, acaba por desferir um golpe na Liberdade enquanto valor, na sociedade civil enquanto potenciadora de iniciativa privada e em particular numa instituição que se tem por responsável e cumpridora da lei, que tem por norma geral da sua actividade a protecção da vida, uma sólida ética e não o desrespeito da lei.

Pela sua saúde senhor ministro!

08 outubro 2007

Apertar o cinto... e a bexiga!




Hoje passei pela ingrata tarefa de ir a uma repartição de finanças. Por necessidade naturalmente. Não, estejam descansados caras e caros leitores, não fui alvo de nenhum acesso de masoquismo. Na expectativa (não defraudada) de uma espera algo morosa fui literal e literariamente prevenido. Fiz-me acompanhar de um livro cuja leitura avancei substancialmente. Durante o tempo de espera aconteceu-me algo que acontece a todas as pessoas com o organismo a funcionar dentro da normalidade. Procurei as designadas "I.S." ou "Instalações Sanitárias". Escada acima escada abaixo e nada de I.S. Achei estranho e acabo por perguntar a um funcionário pelo tão ambicionado espaço. Com educação (ao menos isso!) e um ar pesaroso fez-me saber que não havia I.S para o público. Só para funcionários... e se fosse mesmo urgente me deixaria usá-las, apontando para a sua localização. Respondi-lhe que tal era extraordinário e que urgente, urgente ainda não era mas que seria simpático ter disponível tal divisão tão utilitária e básica nos dias que correm.
Em seguida agradeci a amabilidade e voltei para a minha espera reflectindo um pouco no sucedido. Temo-nos habituado nos últimos tempos a associar as finanças à já gasta expressão "apertar o cinto". Pois então não é que agora nos contactos com as ditas somos também forçados a apertar a bexiga! E se tal prática, infelizmente, se tornar recorrente teremos depois de nos lançar no serviço nacional de saúde onde mais esperas nos aguardam certamente!
Uma instituição pública, um edifício onde estão sediados serviços públicos no início do séc. XXI não possui um simples "W.C." para os contribuintes! Se tal acontecesse no meio do nada (com todo o respeito e uma certa admiração pelos nadas que ainda subsistem e resistem neste país) algures no desertificado interior português seria de igual forma reprovável. Mas ainda para mais em uma repartição de finanças do lisboeta bairro de Alvalade! É completamente inadmissível! Modernidade onde estás tu!? Marcel Duchamp volta estás perdoado! Como terias dado tanto jeito naquela situação com a tua "Fonte".
Valeu-me ter conseguido resolver e esclarecer as questões que me levaram a uma repartição de finanças. Menos mal.

Dois pesos e duas medidas

Os telejornais divulgaram hoje uma carta aberta de Mário Machado, líder de um grupo de extrema-direita, a propósito da sua situação de “prisão preventiva”.

Com a entrada em vigor do novo código penal, o país assistiu atónito à libertação por excesso de prisão preventiva, de inúmeros acusados de assaltos, violação, pedofilia, homicídio, etc.

Mas o sistema judicial português, através de uma sua Procuradora, decerto muito preocupada com a segurança do Povo português, arranjou maneira de travar a libertação de Mário Machado, que à luz da nova legislação, já excedia, também, o tempo permitido de prisão preventiva.

Mas ficamos todos muito mais calmos e tranquilos ao saber que todos os outros estão cá fora, mas Mário Machado continua preso!

Triste país este em que a justiça se comporta assim. Pelos vistos em Portugal, nem todos são iguais perante a lei. Como dizia Orwell, há uns mais iguais que outros.

Já sabíamos que a Justiça em Portugal era lenta e consequentemente muitas vezes ineficaz.
Hoje sabemos que, além do mais, ela é tendenciosa.
Mas também, que esperar de um país e de um sistema que é tolerante com a extrema-esquerda como se viu na história do campo de milho, e que amnistia organizações terroristas de extrema-esquerda como as FP-25?
Nada! A não ser mão dura com a extrema-direita. É lógico!

03 outubro 2007

Petição


Mais uma vez se apela à conservação do nosso património edificado.
Desta vez trata-se da reabilitação do salão Nobre do Conservatório Nacional em Lisboa, em avançado estado de degradação e que necessita obras urgentes.
Apesar de já por mais que uma vez terem sido publicados concursos públicos e lançados inúmeros alertas, a verdade é que este espaço continua sem uma única obra de beneficiação desde os anos 40 do século passado. A tutela anda distraida ou interessa-se pouco pelo ensino artistico em Portugal. Há mais de meio século que é assim, pelo que se deduz que se trata de um problema crónico. Talvez a pastilha de uma petição ajude a aliviar os sintomas.

Aqui deixo o endereço electrónico para quem se interessar em assinar esta petição.


02 outubro 2007

O Jardim II


Depois da visita ao Jardim Botânico do Príncipe Real, decidi fazer uma outra visita, desta feita ao Jardim Botânico Tropical.
Este magnífico jardim situado em Belém, por detrás da fábrica dos famosos pastéis, é outro espaço verde monumental que a Cidade de Lisboa possúi, mas que infelizmente, a par dos seus congéneres, não é vivido pelos alfacinhas nem é motivo de grande preocupação por parte dos mais directos responsáveis.
O Jardim Museu Agrícola Tropical (JMAT) foi criado em 25 de Janeiro de 1906 por Decreto Régio, no contexto da organização dos serviços agrícolas coloniais e do Ensino Agronómico Colonial no Instituto de Agronomia e de Veterinária, tendo-se denominado então Jardim Colonial. Servia nessa altura como espaço sobretudo didáctico, numa época em que despertava o interesse pelas ciências biológicas e botânicas em particular.
Aquando da Exposição do Mundo Português em 1940, este Jardim sofreu uma profunda remodelação e fez parte integrante da exposição. Aí se encontravam vários pavilhões que ilustravam a vida nas colónias, a botânica e inclusivamente alguns animais vindos das partes mais longínquas. Ainda hoje, um passeio atento por este espaço permite observar alguns dos elementos decorativos e esculturais desse período, nomeadamente um conjunto muito diversificado de bustos de africanos que rematam as entradas dos principais espaços do Jardim.
O estado geral de conservação do jardim não é muito mau, comparativamente com os seus congéneres, contudo, muitas das antigas estufas, para não dizer a sua totalidade, encontram-se em avançado estado de degradação. De igual forma, os vários pavilhões estão ou abandonados ou degradados. É interessante verificar o belíssimo estado de conservação dos jardins do Palácio de Belém, do outro lado do muro, e fazer uma comparação com o lado de cá!
O caso de maior incúria parece estar, no entanto, no espaço que foi em tempos uma curiosa recriação de um jardim de Macau. Este espaço, construido minunciosamente entre pequenas pontes, ribeiros e vegetação oriental termina num pequeno pavilhão chinês, hoje vazio de qualquer elemento humano.
Através de uma pequena investigação, descobri que este jardim, que está sob a tutela do IICT, tem uma Liga de Amigos. Fazem parte dessa desinteressada liga nomes como o do Director do CCB, Mega Ferreira, o Chefe da Casa Civil do PR ou administradores do Citigroup, numa lista que se pode consultar on-line. O mais curioso no entanto, é não se compreender que, com este elenco de luxo, que são os tão distintos Amigos do Jardim, este se encontre em tal estado de conservação.
Mais uma vez sugiro aos leitores da Gazeta um passeio a este jardim para verificarem com os seus próprios olhos, aquilo que acabei de escrever. Depois tentem inscrever-se na Liga, se nisso tiverem interesse e digam-me se forem aceites!



29 setembro 2007

O senhor que se segue...


Foi com a banda sonora da «Star Wars» que Luis Filipe Menezes entrou esta noite na sala do primeiro andar do Hotel Sheraton em Lisboa.
Num discurso monocórdico, muito ao seu estilo, apelou à unidade do Partido e à construção de um projecto mobilizador para Portugal. Fez a defesa dos jovens, da terceira idade e da classe média. Até agora não há novidade.
Depois da lamentável guerra civil a que o país assistiu tudo se espera do novo líder, nomeadamente a tão proclamada unidade!
Não percebi se a «Star wars» era um tema escolhido em memória do passado ou como projecção do futuro!
A ver vamos...

28 setembro 2007

Parabéns Santana

Bravo!


Interessante lição a de Pedro Santana Lopes ontem à noite na Sic Notícias. Para quem é acusado sistematicamente de falta de sentido de Estado, o ex-Primeiro-Ministro deu mostras de dignidade e seriedade na discussão do assunto de interesse público.
Esteve mal a Sic Notícias, não só pela pausa na entrevista para dar uma notícia sem importância nenhuma, como pelas justificações rídiculas e sem qualquer sentido que posteriormente quiseram dar.
Houvessem mais atitudes destas e provavelmente os média e a política fossem diferentes em Portugal.

Bravo Pedro Santana Lopes!

20 setembro 2007

O esfique...


O féretro de Aquilino Ribeiro foi ontem transladado para o Pateão de Santa Engrácia.
Teve honras de Estado e a presença dos mais altos dignitários da Nação, como convém a uma cerimónia desta importância.Teve hino e teve música...
Aquilino Ribeiro foi seguramente um escritor de mérito. Não li niguém que escrevesse português de forma tão rica e tão graciosa no século XX. Antes dele, só provavelmente Camilo soube utilizar de forma tão fácil e inteligente o articulado da língua de Camões.
O seu mérito literário é inegável e isso seria merecimento suficiente para que os seus restos mortais descansassem ao lado dos de Camilo, Garrett, Guerra Junqueiro e João de Deus em Santa Engrácia.
Contudo, existe uma particularidade que separa Aquilino dos demais homenageados. Aquilino Ribeiro foi membro activo da carbonária e de grupos radicais no príncipo do século em Portugal.
Participou, entre outros, na fabricação de bombas, em conspirações e, mais grave que tudo mais, foi um dos autores, senão material pelo menos moral, do Regícidio!
Colocar no designado Panteão Nacional um homem que assumiu ser autor do Regícidio que vitimou o Rei de Portugal D. Carlos I e o seu filho mais velho D. Luis Filipe em 1908 é um atentado à ética política e de cidadania que deveria conduzir este tipo de decisões por parte do Estado, mais especificamente da Assembleia da República, que é quem decide sobre tais matérias. O extraordinário é que não há registo de que nenhum deputado ( e são necessários os votos de todos os deputados) tenha feito ouvir a sua voz para defender a memória do antigo Chefe de Estado. Nem mesmo os dois deputados do PPM se fizeram ouvir!Prova maior da sua inutilidade!
Estranho é, que o actual Presidente da Assembleia da República, homem culto e conhecido por ter simpatias monárquicas, tenha promovido esta campanha, sem que ele mesmo tenha feito qualquer referência ao percurso menos literário de Aquilino.
Assim, depreende-se que a República pouco se importa com o Portugal anterior a 1910. Essa data parece aniquilar tudo. A revolução legitimou, ao que parece, tudo, mesmo o assasinato de um Chefe de Estado em praça pública.
Na verdade pouca importância tem este facto, a não ser para meia dúzia de pitorescos. Afinal, para além dos escritores mencionados anteriormente, só se encontram neste panteão da República, Amália Rodrigues (personalidade inócua politicamente) e os fundadores do Portugal Novo de 1910; Manuel de Arriaga eTeófilo Braga. A acrescentar a estes, só dois homenageados do Estado Novo, Sidónio Pais e Óscar Carmona; e um homenageado pela facção contrária: Humberto Delgado.
Estão todos bem uns para os outros.

R.I.P

19 setembro 2007

Mendes vs Menezes : o debate...






Niilismo: O niilismo (ou nihilismo), do latim nihil (nada), é uma corrente filosófica que, em princípio, concebe a existência humana como desprovida de qualquer sentido.

17 setembro 2007

O Jardim...


Depois de uma pequena ausência para férias, regresso à Gazeta com algumas reflexões de verão.
Aproveitei alguns dos dias que passei em Lisboa durante o mês de Agosto para visitar alguns dos principais jardins da Cidade. No início do Verão escutámos os vários candidatos à CML discursar sobre a falta de espaços verdes na cidade e os problemas que isso trazia aos cidadãos. É uma ideia chave numa época em que é politicamente correcto defender o ambiente mas infelizmente não passe de um "lugar comum". Ouvir políticos a falar de espaços verdes em Lisboa é uma grande lição de demagogia, proporcional à ignorância que da cidade têm esses ilustres vereadores. Decidi portanto ir pelo meu próprio pé fazer uma visita àqueles que considero serem os mais emblemáticos espaços verdes alfacinhas e retirar desses passeios as minhas próprias conclusões.
Iniciei as minhas visitas pelo Jardim Botânico do Princípe Real. Este jardim notável é um espaço imenso localizado em pleno coração da Cidade de Lisboa. Insere-se no que é hoje o Museu Nacional de História Natural. As actuais instalações do Museu ocupam (em conjunto com o Museu de Ciência e com o Instituto Geofísico Infante D. Luis) uma área que no século XVII correspondia à cerca do Noviciado da Cotovia com o seu horto. Extinto o Noviciado, foi fundado no mesmo espaço o Colégio Real dos Nobres (1761-1837), a que se sucederam a Escola Politécnica (1837-1911) e a Faculdade de Ciências (1911-1985).
O conjunto é notável, assim como a imensa variedade da colecção arbórea e está na dependência da Universidade de Lisboa e sob a tutela do Ministério da Ciência e do Ensino Superior.
Quem, como eu, fizer uma visita àquele jardim que se estende do Principe Real às cercanias do Parque Mayer depressa se depara com um cenário desolador. A começar pelo estado de conservação do edificio do MNHN, do IG Infante D. Luis e do observatório, este último em avançado estado de degradação. Os arruamentos quase deixaram de existir, as ervas e o lixo ocupam grande parte dos canteiros, os lagos mantém uma água estagnada e suja, os pequenos ribeiros deixaram há muito de correr.
O Jardim encontra-se praticamente deserto. Alguns turistas, um grupo familiar em piquenique, meia dúzia de crianças. O único espaço que concentra alguma animação é o borboletário que apresenta de uma forma bastante didática a forma de reprodução e o habitat de uma variedade de borboletas.
Um jardim que foi criado para investigação botânica e para tornar conhecidas espécies vegetais trazidas dos cinco continentes e dos locais mais remotos das antigas colónias portuguesas é hoje um espaço de coisa nenhuma.
Estou convicto de que a maioria dos lisboetas não conhece, não vive e não usufrui deste magnifico espaço em pleno centro da cidade. Contudo, isso não é razão para o estado de abandono e degradação em que se encontra. Os mais directos responsáveis deveriam ser chamados à atenção, mas isso de pouco servirá se os cidadãos não se preocuparem por um espaço que é comum, não o viverem, não o preservarem.
Deixo, desde já, o convite para que os leitores da Gazeta se desloquem a este jardim e possam avaliar pelos seus próprios olhos as minhas palavras.

13 setembro 2007

A visita do Lama...


A visita do Dalai Lama a Portugal que hoje começou é já a segunda que o Chefe espiritual dos Budistas e ex-Chefe de Estado do Tibete no exílio realiza ao nosso país. A última foi há seis anos e, tal como agora, o Governo Português recusou receber o Prémio Nobel da Paz.

Esta situação que se repete é inaceitável por uma questão de ordem política, diplomática e de justiça.
Razão política porque Portugal é uma Democracia, um Estado de Direito e uma Nação soberana. Por essa razão, e porque o Estado é constitucional, os governos e a classe política de uma forma geral deverão reger-se pelas normas dessa Lei fundamental que obriga ao sentido da Justiça, ao reconhecimento do Direito e à defesa dos valores e Direitos Humanos. Um Estado com estas caracteristicas não deve basear a tomada das suas decisões em meras questões de conveniência, mas sempre, no reconhecimento dos valores fundamentais que lhe dão corpo.
Razão diplomática, porque Portugal tem uma História, ainda que a maioria dos seus cidadãos seja ignorante dela. Ainda há quinze anos Portugal liderou aquela que foi provavelmente a sua mais importante batalha diplomática de sempre, que logrou em sucesso e que conduziu à auto-determinação de Timor -Larosae e à sua independência. Durante mais de 20 anos Portugal não manteve relações diplomáticas com a Indonésia, Estado importantissimo do Sudeste asiático, em nome da Defesa dos Direitos Humanos e na exigência que fazia do reconhecimento por parte desta potência do direito à Independência do povo maubere. A memória é curta e hoje a mesma classe política e diplomática não faz a Defesa dos Direitos Humanos nem exige o reconhecimento por parte da China do direito à Independência do povo tibetado, ocupado há mais de 50 anos.
Razão de Justiça porque o Dalai Lama é um Homem de Paz, um chefe de Estado exilado, que foi obrigado pela força a abandonar o seu país e que lutou sempre, por meio pacíficos, pelo direito à justiça e à libertação do seu país e do seu povo. Isso mesmo reconheceu a Academia Sueca quando lhe atribuiu o mais alto galardão com que são distinguidos os mais valorosos!
Como se tudo isso não bastasse, o Dalai Lama é um respeitado Chefe espiritual de milhões de pessoas e um homem admirado em todo o Ocidente.
O meu único consolo, se é que serve de consolo, é que este Homem ficará para a História, ele marca a história, e sobretudo marca os corações humanos que o escutam.
Nenhum dos politicos portugueses, medíocres, que hoje se recusam, por medo, a recebê-lo, terá o seu nome inscrito na mesma tábua!

11 setembro 2007

Foi há 6 anos...

Mas nós nunca esqueceremos...

10 setembro 2007

De pé ó vitimas das FARC!

A revista das FARC, Resistência, não esteve este ano representada no stand colombiano na Festa do Avante!. Como todos os anos, também este ano a festa organizada pelo PCP tinha guardado um espaço para o meio de comunicação e expressão de ideias do grupo que o mundo chama de terrorista, mas os comunistas portugueses insistem em apelidar de revolucionário.Só que este ano a revista não veio.
Na resposta que deu ao DN sobre a polémica, o PC volta a chamar às FARC "uma organização popular armada que há mais de 40 anos prossegue, entre outros objectivos, a luta pela real democracia na Colômbia e por uma justa e equitativa redistribuição da riqueza, dos recursos naturais da Colômbia e da posse e uso da terra". in DN



Mais uma vez lamentável a postura do PCP! Mas também, convenhamos que não há muita novidade nesta matéria. Este é e será sempre o PC saudoso das ditaduras de leste, amigo das diatduras de Cuba, Coreia do Norte e solidário com terroristas como as FARC.



Acontece que com esta postura, o PC não tem qualquer legitimidade para fazer muitos dos discursos que faz, em defesa dos pobres e oprimidos, em defesa da democracia, ou contra o autoritarismo do governo. E ao fazê-los, revela-se de uma hipocrisia total e de uma incoerência sem limites.



O vermelho, cor tradicional do PC, tem toda a lógica. É a lógica do sangue das vitimas das FARC, os ilustres convidados da Festa do Avante...

08 setembro 2007

CML: os domingueiros


"O Terreiro do Paço aos Domingos é das pessoas". A primeira coisa que nos ocorre (pelo menos assim foi comigo) é pensar que nos outros dias será de quem? Dos animais? Temos a sorte e a honra de dispor de uma praça com as características do terreiro onde já existiu o Real Paço da Ribeira destruído a 1 de Novembro de 1755. A frente ribeirinha desta praça foi destruída há uns anos, não por um terramoto, mas por umas obras que irão rapidamente destronar as de Santa Engrácia. Se for permitido irão. Não duvido. Se for...


É característico de uma nova equipa autárquica apresentar um projecto para o Terreiro do Paço (ou Praça do Comércio para alguns). Bom, esta medida está longe de ser um projecto, ou parte de algo passível de estar abrangido por essa denominação. É fácil, não será muito caro e quanto aos milhões só se for de carros que entopem outras vias quando a dita medida é aplicada, pois não é articulada com outras soluções complementares. Em termos de trânsito e não só. Fecha-se e pronto. As morosas e vergonhosas obras lá continuam (e todos os dias da semana). Pelo menos o estaleiro lá está!


A oferta cultural e de lazer é muito reduzida. Participei em tempos em um colóquio onde foi discutido que museus para a cidade de Lisboa. No Terreiro do Paço precisamente, no auditório com entrada pela Rua do Arsenal, no espaço onde em tempos que já lá vão foi a Casa da Índia. Do meu ponto de vista uma área urbana como o Terreiro do Paço, com as suas características presentes e passadas deve tentar uma convivência que se quer saudável entre zona de funcionamento de organismos públicos e zona de actividades culturais e de lazer. Se for só ministérios cumpre a função de centro histórico de poder político e de actividade do funcionalismo público mas perde, e muito, em termos de vida cultural, recreativa e turística. Se for só turismo desvirtua a praça e apresenta uma versão plastificada da vida lisboeta. Já sem falar que não concordo que tudo o que é edifício antigo (para simplificar utilizo este termo) deve ser um museu. Se por vezes pode ser uma boa solução muitas vezes não o é, quer pelo projecto em si quer pela banalização sem qualidade de opções desta natureza. Uma boa combinação entre estas duas valências pode ser uma bom destino.


Pode valorizar-se a história lisboeta e melhorar a oferta cultural da capital com um museu novo ou um núcleo museológico do Museu da Cidade. Áreas cobertas e ao ar livre para exposições e outros eventos culturais que qualifiquem a praça e a sua vida, quer diurna quer nocturna. Pode ser estudada a implementação de infraestruturas turísticas compatíveis com a arquitectura da praça e a sua vida social ( hotel, restauração mais diversificada, etc...). Mas teria de ocupar o espaço parcialmente, havendo paralelamente e sobretudo no período diurno a actividade de alguns ministérios.


Repito, assim a escolha não seria entre uma variante ou outra, mas a combinação desejável das duas.


Em tempos retirou-se, e bem, o inacreditável parque de estacionamento automóvel que rodeava a estátua de S.M. El-Rei D. José I. Concordo que o tráfego automóvel, deve ser retirado, ou pelo menos, condicionado em zonas do centro histórico. Mas tem de ser como resultado de decisões pensadas e programadas e não fruto de um qualquer impulso populista. Que só desorganiza e provoca o caos. E nada resolve, nem provisoriamente. Aqui a escolha também não é entre Terreiro do Paço sem carros ou com carros, pois vamos todos concordar que é melhor sem carros. O Dr. Costa assim deve ter pensado. Vamos agradar a todos. Mas engana-se. Em primeiro lugar não agrada certamente às pessoas que ficam retidas nas filas de trânsito de Domingo, qual período em que uma gigantesca árvore de Natal aí marca presença (outrora cobrindo por completo e sem pudor a estátua de S.M. El-Rei D. João I na vizinha Praça da Figueira). Depois é uma pseudo solução no imediato e quando os lisboetas constatarem que continua tudo na mesma, ou ainda pior em alguns aspectos, espera-se que sejam consequentes com as críticas (o que nem sempre é fácil de verificar no espírito português) e que penalizem os domingueiros que tiveram a sorte (ou não) de ser eleitos para conduzir os destinos políticos da cidade.


O Terreiro do Paço deve ser de todas as pessoas, todos os dias e por muitos anos! E não só aos domingos e tão somente para contemplar as arcadas, o arco, a estátua do Machado de Castro e acompanhar com amargura e pó (e lama no Inverno) os danosos trabalhos das obras do metropolitano.

06 setembro 2007

04 agosto 2007

Luto no Cinema. A morte de dois Artistas.

Na passada 2ª feira, 30 de Julho, morreram dois nomes de peso da chamada 7ª Arte: Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. É de lamentar e aqui assinalar estes acontecimentos que todos reconhecem empobrecer o mundo das artes e da cultura de uma forma geral.
Não sendo um especialista nem sequer um conhecedor razoável da obra artística, não só cinematográfica, de ambos deixo-vos aqui algumas declarações feitas por João Bénard da Costa, escritor e director da Cinemateca Portuguesa:

"Em declarações à agência Lusa, Bénard da Costa fala de duas mortes "simbólicas", porque desaparece "um cinema moderno que já é clássico".

"Desapareceram todos. Já só resta [Manoel de] Oliveira", lamentou o director o Museu do Cinema.

Sobre os dois realizadores, João Bénard da Costa aponta algumas "coincidências" em termos de carreira cinematográfica, como o ano de 1955, em que se começou a ouvir falar deles, por conta dos prémios conquistados em Cannes e em Veneza, ou o início da década de 1960, quando os dois cineastas embarcaram em duas trilogias.

"Tirando essas duas coincidências, os dois realizadores são muito diferentes", sublinha o responsável.

Desde logo, porque Bergman tinha "uma profunda ligação ao teatro, enquanto Antonioni estava mais ligado à literatura e à pintura".
Antonioni, que morreu aos 94 anos em Roma, "era um cineasta da comunicabilidade, levou para o cinema uma via mais ascética e despojada do melodrama, com um sentido da impossibilidade do amor".

Bergman, que morreu com 89 anos, tinha um "cinema mais masculino, mais marcado pela problemática da metafísica e de Deus", enquanto o cinema de Antonioni "era muito mais do feminino e da mulher, com uma procura do sentido das relações e da vida", comparou.
Bénard da Costa recorda os momentos que privou com Antonioni, "os dias de convívio" por ocasião das duas passagens do realizador por Lisboa, nas décadas de 1980 e 1990, mas lamenta nunca ter conhecido Bergman pessoalmente, porque o cineasta sueco "tinha relutância em viajar".

Apesar da Cinemateca já ter feito retrospectivas das obras dos dois realizadores, Bénard da Costa referiu que o Museu do Cinema irá programar novas inciativas para recordar os autores. Resumindo o significado que estas duas mortes representam para o cinema, Bénard da Costa cita o próprio Antonioni quando, numa carta que lhe escreveu, fala da morte de Roland Barthes.

"Há um pouco menos de doçura e de inteligência no mundo. Quanto mais avançamos neste mundo que regride mortalmente, mais vamos sentir a sua falta. É isto que eu sinto perante a morte de Ingmar Bergman e Antonioni", disse João Bénard da Costa."

TVNET / Lusa

02 agosto 2007

RUA!


A exoneração de Dalila Rodrigues, Directora do Museu Nacional de Arte Antiga é uma vergonha à qual a opinião pública não pode ficar indiferente.
A incompetência, a prepotência e a ignorância da Ministra da Cultura e a nulidade da política cultural deste governo atigiram o grau máximo, a partir do qual o interesse dos cidadãos e os interesses da Res Pública passam a estar em risco.
Dalila Rodrigues é das melhores da sua geração. Consagrou-se na renovação e na dinamização do Museu Grão Vasco, fez uma brilhante carreira como dirigente cultural e desde que ocupou a direcção das Janelas Verdes têm trazido ao MNAA uma nova dinâmica, o apoio de Mecenas como o Millenium BCP e a apresentação pública de colecções e espólios há muito esquecidos.
A sua saída inesperada, fruto da teimosia e preseguição politica que começa a revelar-se preocupante em todos os níveis da administração pública portuguesa é uma humilhação pública que não pode ser permitida.
Faço por isso um apelo à participação numa vígilia, a acontecer hoje pelas 19h à porta do MNAA de apoio a Dalila Rodrigues, que espero, seja o primeiro passo de exigência de uma outra demissão, a de Isabel Pires de Lima.

27 julho 2007

Momentos para desentoxicar II









"Terra Quente" : Trás-os-Montes

24 julho 2007

Educação e disciplina

"O processo disciplinar instaurado a Fernando Charrua foi arquivado pela ministra da Educação, que decidiu não aplicar qualquer sanção ao professor por considerar que o comentário que fez à licenciatura do primeiro-ministro se enquadra no direito à opinião.
Num despacho datado de segunda-feira e divulgado hoje, Maria de Lurdes Rodrigues defende que «a aplicação de uma sanção disciplinar poderia configurar uma limitação do direito de opinião e de crítica política, naturalmente inaceitável» numa sociedade democrática, uma vez que as declarações de Charrua não visavam um «superior hierárquico directo», mas o primeiro-ministro, José Sócrates.
«Assim, determino o imediato arquivamento do processo», refere Maria de Lurdes Rodrigues."

In PortugalDiário.

Esteve bem a Ministra ao decidir arquivar o processo. E para que continue bem, só lhe falta demitir a directora da DREN, Margarida Moreira.

Fica provado que ela prestou um mau serviço à causa pública, utilizando o Estado e os seus serviços para guerras políticas. E isso é absolutamente inaceitável e deve ter consequências para quem assim procede. Só assim se poderá garantir que episódios como este não se voltarão a repetir...

20 julho 2007

Momentos para desentoxicar I




Praia de Moledo


Podiam ser momentos para respirar do "Abrupto" de JPP... Mas não, são mesmo momentos para desentoxicar !
Aproveitem !






Voto obrigado? Não, obrigado!


O Pedro levantou recentemente a questão da obrigatoriedade do voto face ao nível de abstenção nas recentes intercalares para a Câmara de Lisboa.

Sou absolutamente contrário a qualquer obrigatoriedade de votar.

Desde logo, o voto resulta de uma expressão de liberdade individual, não deve portanto ser coercivo.
A essência da Democracia é a liberdade das pessoas e, nessa liberdade, está incluída a possibilidade de não votar.
E o facto de alguns, mesmo que muitos, não votem, não impede que se elejam deputados, câmaras ou presidentes da República. Nem os seus mandatos se tornam ilegítimos ou ficam limitados. Nem as suas decisões deixam de ter relevância ou alcance.

Obviamente que a abstenção é um fenómeno preocupante e que deve levar a classe política a reflectir e a mudar comportamentos de forma a reconquistar a confiança das pessoas. Mas introduzir agora a obrigatoriedade do voto não resolve o problema de fundo e poderá levar a resultados perversos.

Muitas das pessoas que não votam, fazem-no por descrença total, umas no sistema, outras nos partidos tradicionais. E há ainda aquelas que nem sabem o quem é o Presidente da sua Câmara, ou o Primeiro-Ministro, que nunca ligaram à política e não querem saber dela.
E qual seria o seu sentido de voto, se a isso fossem obrigados? Confesso que temo o pior. Imagino logo a eleição de deputados do PNR, do MRPP ou de outros grupelhos de extrema-esquerda, naquilo que seria logicamente um voto anti-sistema. E atendendo ao número de abstencionistas, arriscávamo-nos a que não fossem grupos parlamentares pequenos!

Eu prefiro que haja pessoas que não votem, do que ter milhares de votos de protesto que poderiam trazer sérias complicações à governação do país ou de uma autarquia.

Por outro lado, temos ainda uma constituição que permite a existência de partidos de extrema-esquerda, mas proíbe os de extrema-direita (esclareço desde já que não concordo com esta duplicidade de critérios). Para tornar o voto obrigatório, teria de se proceder a uma alteração constitucional, pois se obrigamos as pessoas a expressarem a sua opinião através do voto, não podemos depois negar-lhes essa possibilidade na prática. Seria uma verdadeira palhaçada.

A Democracia não é um sistema perfeito. Um dos seus princípios básicos é o das pessoas se poderem expressar livremente. Votando ou não votando, mas isso é uma escolha delas, não pode nem deve ser uma imposição de terceiros…

19 julho 2007

Usura...


Fui ver ao cinema um filme italiano que conta a história de António, um antigo frade agostinho que se converte ao franciscanismo e parte para a Itália em busca do fundador daquela Ordem, S. Francisco de Assis - António, cavaleiro de Deus. Popular em todo o mundo cristão, Santo António de Lisboa, é uma personagem pouco conhecida no que concerne aos seus escritos e à sua biografia.
O filme não ajuda muito. O argumento é fraco, os diálogos também. Os cenários menos mal...
Contudo, este filme aborda de forma exaustiva uma questão muito cara a António, a questão da usura. Prática comum em alguns sectores da sociedade no mundo medieval, a usura era considerada crime grave, ainda que os agiotas, por serem normalmente pessoas ricas e bem posicionadas social e politicamente raramente eram alvo de qualquer processo.
Santo António consegue a condenação de alguns ilustres agiotas de Pádua e é aclamado pelo povo daquela cidade como seu justiceiro.
Não querendo discutir questões hagiográficas ou religiosas, o que pretendo ao escrever este "post" é deixar à reflexão esta questão que me parece interessante:
Há cerca de 500 anos, a usura era um crime condenado pela sociedade e pelos tribunais. A luta contra este crime condenou muitos e elevou muitos outros ao púlpito da justiça popular.
Hoje, na nossa sociedade dita civilizada, a usura é praticada amplamente, constituindo mesmo um dos pilares fundamentais da nossa organização económica.O termo "juro" substituiu o termo "usura", mas na prática a sua aplicação é semelhante...
O que significará a nossa aceitação hoje desta prática que tanto indignou os nossos antepassados?

17 julho 2007

Eleições em Lisboa

O Povo de Lisboa falou. Não foram muitos, mas tal não retira importância ao acto ou legitimidade aos eleitos.

O PS ganhou, não que considere uma vitória histórica, mas ganhou e por isso está de parabéns.

Estão ainda de parabéns os “supostos” independentes Carmona e Roseta. O primeiro conseguiu a proeza de ficar em segundo lugar, a segunda a de ficar à frente das restantes forças de esquerda.

PC e Bloco resistiram, PSD e CDS foi a desgraça total.

Quanto ao CDS, a não eleição de Telmo Correia era expectável. O CDS tem sistematicamente descido em Lisboa. Dos 7% de Portas em 2001, passou para os 5,7% de Zézinha em 2005 e acabou nos 3,7 de Telmo. O CDS foi um dos grandes prejudicados com o fenómeno dos independentes e a dispersão de votos.

No que respeita ao PSD, este foi o pior resultado de sempre. 15% e atrás de Carmona Rodrigues. Pior era impossível.
Está agora à vista de todos o resultado da acção de Marques Mendes e Paula Teixeira da Cruz em Lisboa.
Está agora à vista de todos o que acontece quando se tenta governar os Paços do Concelho a partir da S. Caetano à Lapa, quando a oposição ao executivo camarário vem da própria distrital, quando se põe e dispõe de lugares eleitos em função de jogos partidários. A derrota de Lisboa tem 2 rostos sociais-democratas: Marques Mendes e Paula Teixeira da Cruz. A Fernando Negrão reconheça-se a coragem de dar a cara para resolver os problemas que outros criaram, quando mais ninguém quis esta missão de sacrifício.
O PSD, pós eleições de Lisboa, não poderá voltar a ser o mesmo, sob pena de em 2009 o cenário se repetir. E para histórias dramáticas, já bastou esta.

16 julho 2007

Será Lisboa a vencedora?


As minha primeiras palavras aqui expressas são para felicitar os vencedores: o PS e António Costa. A grande vencedora da noite não merece qualquer felicitação, muito pelo contrário o mais adequado é um veemente repúdio perante tamanha abstenção. É inaceitável que quem tem o direito de ser cidadão não tenha plena consciência que tal implica direitos e DEVERES! Ainda não tenho opinião formada sobre o voto obrigatório, mas enquanto hipótese plausível não deve ser desprezada. Depois do sucedido temos um presidente de câmara eleito por um em cada nove eleitores do concelho de Lisboa! Temos um presidente de câmara eleito por 29,54 % dos 37,39 % dos 524248 eleitores que perfazem os 100% ! É o mais votado e é o novo edil lisboeta democraticamente eleito. Não estou a negar isso. Agora que é vergonhoso para a nossa sociedade civil, para a nossa consciência cívica e de cidadania e para a própria democracia é algo de indesmentível.

Abstenção... e coligação é um outro termo que deve vincar o que resulta deste acto eleitoral. Os lisboetas, aqueles que são eleitores e que foram depositar o seu voto na urna, determinaram que não dariam uma maioria absoluta a um só partido ou força política. Coligação é pois a palavra de ordem. Irá ser suficiente para por ordem? E que coligação e com que abrangência? É verdade o "Zé" foi eleito, desceu a votação, mas lá continua. Há, de facto, alguém que acha que ele faz falta. Costa também achará? O BE só elegeu um... pois... assim não fará falta a Costa. Pelo menos o "Zé" sozinho. Costa não quer Portela+1 mas quererá Roseta (2)+Zé (1)? A resposta não deve tardar e só António Costa a pode dar. A ver vamos... é preciso aguardar.

Bons resultados dos "independentes" sobretudo se tivermos em linha de conta que as máquinas partidárias em campanha eleitoral são sempre hegemónicas, esmagadoras mesmo. Três mandatos para Carmona e dois para Roseta é bem bom. Se bem que no caso de Carmona estamos a falar do anterior presidente de câmara que passa a vereador, mas que de qualquer forma tinha nessa altura o apoio da máquina laranja que deixou de ter. Também Negrão o teve e ficou em terceiro. É fraco o resultado. Arrasador mesmo. Apesar dos três vereadores. É o início ( diria antes a continuação) do percurso de Mendes para o abismo, para o deserto, para um deserto...

O CDS/PP não elegeu nenhum vereador pela primeira vez na sua história alfacinha. É triste. É mau. Para o partido e para a cidade. E não me venham dizer que era previsível. Mesmo com tão grande número de candidatos e com a dispersão de votos. Mas é verdade, aconteceu embora não tenha faltado muito. Não há volta a dar. Há que reflectir e agir em conformidade. O PSD vai fazer o mesmo. Espera-se. O CDS/PP também, ainda que por outras vias. Espera-se. Podem resultar decisões importantes para o percurso futuro do centro-direita não só em Lisboa, mas sobretudo a nível nacional.

Vamos ver e acompanhar o desempenho deste novo presidente de câmara nas suas novas funções, acabadinho de sair do governo, defensor do aeroporto na Ota e do garrote financeiro às autarquias locais, agora a conduzir os destinos da maior do país. E pejada de radares...

Chegará a barcaça a bom porto? Será Lisboa a vencedora?

Alea Jacta Est III


Por fim os resultados.

Poderia ter ido para bruxo em vez de gazeteiro! Mas o destino assim quis, e aqui me encontro de novo a rematar os comentários sobre o resultado das intercalares em Lisboa.
Tal como previ, Costa ganhou, e grandes trabalhos o aguardam. Queria maioria absoluta, mas só conseguiu seis vereadores. Carmona obteve um resultado inesperado para alguns, mas pelo qual eu aguardava. Não era o resultado que eu desejava, mas foi o possível, e dadas as circunstâncias foi louvável.
O PSD obteve o pior resultado da sua história na autarquia de Lisboa. Mendes começa a arrumar as malas. Só me vem à memória a célebre frase dos antigos latinos- Roma não paga a traidores!
A CDU obteve o resultado justo, assim como Roseta. O «Zorro» lá conseguiu os votos suficientes para ser eleito. É pena, mas agora o Costa que o ature!
Quanto ao CDS, os resultados falam por si. Tenho pena que não haja nenhum vereador popular na CML, mas só quem não olhasse com olhos de ver, poderia iludir-se quanto à sua eleição.
Por fim a abstenção! A vergonha da cidadania.
Cada vez mais me convenço que deveria ser aprovada uma lei pelo Parlamento que tornasse o voto obrigatório. Quem não votar deverá justificar ao Estado a razão, e quem não justificar deverá pagar uma multa, e pesada. Penso ser a única forma de acabar com este desleixo perante as obrigações mais elementares. Em Democracia o voto não é um direito, é uma OBRIGAÇÃO!

Boas vindas

Hoje, tenho o prazer de dar as boas vindas a mais um blogger, aqui na Gazeta.

Ao João Barros, aqui ficam os votos de muitos e bom posts.

12 julho 2007

Alea Jacta est II


Depois de ter escrito um "post" no ínicio da campanha para as intercalares de Lisboa, volto agora a tecer alguns comentários sobre a matéria.
Não compreendo o silêncio dos vários gazeteiros sobre este tema, devo ser provavelmente o único que não tem militância política e simultâneamente o único a escrever sobre eleições! Mas cada um saberá da defesa que faz ou não faz dos projectos nos quais acredita.
Tal como previ há um mês, o discurso político sério foi praticamente inexistente.
Ao contrário do que afirmei há um mês também, excluo agora, ao parecer-me por demasiado evidente o irrealismo e a inacreditável falta de bom-senso e sentido de ética política, algumas das candidaturas por considerar que não devem merecer discussão pública, a saber: PNR, PPM, PND.
Quanto às restantes, gostaria de fazer uma nota acerca da candidatura do PCTP-MRPP e do MPT. Ainda que sejam pequenos partidos, distinguem-se dos demais seus pares pela coerência do discurso e pela apresentação de um programa eleitoral digno.
Ainda que o eterno candidato Garcia Pereira apresente propostas pouco realistas, a verdade é que soube fazer uma campanha honesta, sem ataques pessoais, sem polémicas inúteis e disponibilizando-se para o debate público sério. O mesmo se aplica ao MPT, que apesar de pequeno, é um partido que nos vem habituando desde sempre a um programa coerente, de propostas inovadoras e com utilidade, felicito por isso Pedro Quartim Santos pelo seu desempenho.
Quanto às «Magnas Candidaturas», a minha previsão não está longe da realidade.
Telmo Correia fez uma forte campanha, marcada por algumas polémicas, mas apresentando um programa equilibrado e saindo à rua na esperança de ser eleito. Não acredito que o seja, o que seguramente não agradará a Paulo Portas, que soma desta feita duas derrotas eleitorais desde que voltou para o Caldas.
O «Zé» fez o que sabe fazer, isto é, nada! Levantou mais meia-dúzia de suspeitas, fez algumas insinuações, apanhou por tabela, e acabou a choramingar apelando ao voto daqueles que lhe reconhecem o papel de «Zorro». Não me parece que seja eleito!
Ruben de Carvalho, em representação da CDU, surpreendeu pela positiva! O candidato revelou ser aquele que melhor conhece os dossiers da CML e impôs por diversas vezes a seriedade e a correcção dos números na mesa da discussão. Deverá conseguir um ou dois mandatos, assegurando assim o tradicional lugar para os comunistas.
Helena Roseta não surpreendeu. A sua imagem cândida, associada a um novo socialismo de faceta romântica é capaz de recolher bons votos, mas apresentou poucas propostas, e esqueceu-se que apelar ao consenso evitando a polémica nem sempre é a melhor estratégia política. Esteve bem no conhecimento das matérias e teve razão nos ataques que desferiu à comunicação social. O resultado que vai obter é uma incógnita, mas estou seguro que surpreenderá pela positiva.
O PSD cometeu suicídio. Depois de elouquecer, o maior partido português decidiu enverdar pela insanidade. Foi uma péssima prestação que terá resultados fatais para a actual liderança e para o partido no futuro. O tom da campanha de Fernando Negrão é insustentável do ponto de vista político. Não trouxe nenhuma solução positiva para os problemas da cidade e deixou-se levar de polémica em polémica em tom duvidoso. Negrão, o bem-quisto magistrado de Setúbal, acrescentou a isso um total desconhecimento das mais elementares realidades da Cidade de Lisboa, das suas instituições, das suas freguesias, dos seus problemas. Um total desastre, que prevejo traga ao PSD o seu pior resultado de sempre na CML depois do 25 de Abril.
António Costa sente-se bem. As sondagens são unânimes em conceder-lhe a vitória e soube evitar as polémicas. Apresentou um programa largo mas pouco coerente, uma lista de vereadores semi-consistente e um grupo de ilustres que o apoiam. Soube descolar-se das polémicas, mas as polémicas não se descolaram dele. Primeiro a OTA, depois Manuel Salgado, mais recentemente o mandatário Júdice. Entre fazer da Portela um Jardm, defender a intervenção do Governo na CML ou apresentar um Simplex em versão Costiniana, tudo valeu.
É bem capaz de ganhar as eleições, sem maioria, mas a tarefa vai pesar-lhe.
Por fim Carmona Rodrigues. O edil que foi obrigado a abandonar as suas funções a meio do mandato conduziu a candidatura ao seu estilo, sem nada dever a ninguém. Não entrou em polémicas, não falou dos outros candidatos, ninguém o viu a levantar suspeitas, nem a substimar adversários. Defendeu o seu programa, que poucas alterações teve relativamente a 2005, o que seria de esperar. Manteve-se coerente e apresentou uma equipa profissional. Quase não fez campanha de cartazes e foi melhor recebido pelos lisboetas do que se poderia imaginar.
As razões que levaram a que o PSD lhe retirasse a confiança politica começam a ser arquivadas pelos Tribunais, o que prova a sua razão!
Porque nunca o escondi, votarei no próximo domingo em Carmona Rodrigues. Fi-lo em 2005 e volto a fazê-lo conscientemente. Considero-o um homem íntegro, independente, e com um projecto para Lisboa, sem ambições políticas que ultrapassem esta candidatura. Considero ainda, que é de toda a justiça que possa terminar o seu mandato tranquilamente e responder perante o eleitorado em 2009 de acordo com as regras da Democracia. Foi um exemplo de seriedade política e de bom-senso durante a campanha eleitoral. Estou convencido de que terá um resultado surpreendente, que provará que a dignidade e a honestidade em política ainda compensam!