25 maio 2007

Uma má decisão e um mau serviço....


O Governo decidiu recentemente pela extinção do Conselho Superior de Obras Públicas. Tal decisão não se compreende, na prespectiva em que é este orgão, sob tutela directa do Ministro das Obras Públicas, o responsável pela emissão de pareceres de carácter técnico nos domínios das obras públicas, transportes, ordenamento do território e da indústria da construção.
O CSOPT é um organismo de carácter técnico destinado a coadjuvar o Governo na resolução de problemas relativos a obras públicas e transportes, cabendo-lhe emitir pareceres sobre assuntos que, por imposição legal ou por determinação do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, sejam submetidos à sua apreciação.
É verdadeiramente extraordinário que este organismo que existe há mais de 150 anos, criado pelo grande obreiro da Regeneração, António Maria Fontes Pereira de Melo, seja agora extinto pelo governo do Sr. Sócrates. É ainda extraordinário, que a Ordem dos Engenheiros Portuguesese não tenha mostrado público repúdio por tal decisão que atinge de forma grave o prestígio e os interesses da sua ciência.
Uma decisão destas só se pode justificar, tal como chamou a atenção António Barreto em artigo publicado no jornal Público a 25 de Março, como um sinal inequívoco de que o governo não quer que a sua decisão politica seja limitada por considerações de ordem técnica.E, sobretudo, não quer que a sua vontade seja condicionada por estudos independentes ou reflexão isenta.
Não nos esquecemos ainda das palavras de Mário Lino há uns meses atrás, afirmando que quem tem ideias contrários ao governo « presta um mau serviço ao país»!

24 maio 2007

Obviamente demitam-no!



Cá está a última pérola na discussão sobre o aeroporto da OTA:


«Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas», disse Mário Lino durante um almoço debate sobre «O Novo Aeroporto de Lisboa», promovido pela Ordem dos Economistas.


Este ministro, depois de gozar com o Primeiro-Ministro, vem agora gozar com os portugueses...
Está na altura de o mandar pregar... para o deserto!

06 maio 2007

O último grito...

Carmona Rodrigues surpreendeu muita gente com o recente discurso que fez, numa "reprise" do slogan "eu fico!"
Tenho de confessar que também eu fiquei surpreendido. Mas ao contrário do meu amigo PBH, pela negativa.

CR não tem manifestamente qualidades de liderança, e isso ficou bem patente ao longo deste ano e meio em que liderou a Câmara. Desde cedo, aliás ainda antes das eleições, CR cedeu inúmeras vezes às ordens de Marques Mendes, tendo de recuar naquilo que eram as suas intenções. Relembro aqui o episódio com o partido da Nova Democracia: CR tinha fechado um acordo com Manuel Monteiro, que passava pela inclusão de Jorge Ferreira nas listas do PSD para a Assembleia Municipal. MM não gostou nem autorizou e CR teve de dar o dito por não dito, prometendo então à Nova Democracia um lugar nas empresas municipais. Tudo isto foi devidamante publicado na imprensa e foi o 1º caso que envolveu CR.

No que concerne à composição das listas, nomeadamente para a CML, foi a mesma coisa, chegando-se posteriormente a uma divisão 4-4 nos primeiros lugares.

Já no decorrer do mandato, CR, contra a sua vontade, aceitou imposições e vetos de nomes por parte de Marques Mendes na constituição de diversas equipas municipais. Foi incapaz de lutar para manter uma coligação que lhe era essencial para garantir a governabilidade da Câmara, e que certos sectores do PSD, liderados por Paula Teixeira da Cruz, não descansaram enquanto não a romperam.

O discurso é pois surpreendente na medida em que rompe com uma atitude de subserviência que se vinha registando há muito.

Esse aceitar das imposições de MM teve ainda 2 actos não muito distantes: as suspensões de mandato de Gabriela Seara e Fontão de Carvalho. Ambas contra a vontade de Carmona, ambas por exigência de Mendes. Nesta medida, surpreende pela incoerência o discurso de CR. Os seus colaboradores tiveram de suspender os mandatos, ainda que contra a vontade de CR que teve de se conformar, mas quando toca ao próprio a postura já é outra? Com que coerência? com que autoridade?

Há muito que CR deveria ter batido o pé à DN do PSD, e nas poucas vezes em que o fez, acabou por ter de recuar, dizendo o contrário do que tinha afirmado na véspera. Fazer um discurso destes depois de tudo o que se passou, é patético. É querer mostrar uma liderança que nunca teve, é querer mostrar uma autoridade que nunca exerceu.

Eu não sou adepto do "é arguído, tem que suspender". Mas CR aceitou desde sempre essa regra, aliás sabia que era uma das bandeiras de MM no PSD. Deixou mesmo que a aplicassem a 2 colaboradores seus. Se CR discordava desta postura, devia tê-lo afirmado em tempo oportuno, e não quando o problema lhe bateu à porta!


Olhando para isto tudo, vem-me à memória um provérbio: "quem com ferros mata, com ferros morre".
E Carmona morreu, às mãos daqueles a quem se aliou para conseguir o lugar que ocupa. Este foi o seu último grito...

05 maio 2007

Pressões II

Os comentadores deste Blog, alfacinhas militantes, andam muito calados estes últimos dias.
Será que sofrem de algum tipo de pressão também? Ou será que a blindagem também chegou à Gazeta Lusitana?

03 maio 2007

Lá vai Lisboa...


As declarações esta noite do Presidente da CML Prof. Carmona Rodrigues de que fica à frente da edilidade são a todos os níveis surpreendentes. Fui um apoiante da candidatura de Carmona Rodrigues à capital. Ao contrário de parte dos meus amigos mais politizados, sempre defendi a inclusão de independentes nas listas e a sua condução e nomeção para cargos públicos. Carmona Rodrigues era um independente, professor universitário, que havia sido vereador na CML ao tempo de Santana Lopes e posteriormente Ministro das Obras Públicas do governo Barroso. Figura simpática e cordial, fora dos meios político-partidários granjeou a simpatia de grande parte dos militantes do PSD e mais tarde dos lisboetas, que lhe concederam uma vitória eleitoral inédita até então para o partido. A sua vida política nos últimos tres anos tem sido, contudo, marcada por imensos conflitos e contrariedades.
Depois da demissão de Durão Barroso, Carmona Rodrigues volta à CML, ocupando o cargo deixado vago por Pedro Santana Lopes. A oposição contestou mas nada conseguiu. Carmona tornou-se Presidente e nada o demoveu, nem mesmo a queda de Santana Lopes e o seu desejo de regressar à CML. Carmona não saiu e eu considerei, na altura, a posição justa. Não só porque havia assumido a responsabilidade dos destinos da edilidade quando lhe foi pedido e os havia conduzido a bom porto, como, na minha lógica, não fazia qualquer sentido que Santana Lopes voltasse à CML.
A oposição interna a Carmona, leia-se PSD próximo a Santana, considerou o gesto uma traição! Criticou, contestou, difamou, intrigou...Ao chegar à data de novas eleições autárquicas, Marques Mendes, então eleito líder do PSD, talvez como retaliação a Santana e santanistas resolve apoiar a candidatura de Carmona Rodrigues à capital. Nova contestação, novas críticas, novas difamações, novas intrigas...E, para surpresa de todos, santanistas, mendistas, socialistas, comunistas e outros que tais, Carmona vence as eleições em Lisboa com um resultado inédito para o PSD na capital. Sozinho e independente!
Passam-se dois anos, mas as intrigas de corredor não terminam. O PSD não gosta de independentes e não gosta de Mendes. Carmona não gosta que o macem, não gosta muito do PSD e não acha graça a Mendes. Mendes por sua vez não gosta de parte do PSD, aquela que não gosta de Mendes e começa a não gostar de Carmona. Carmona está entalado entre o PSD que não gosta de Mendes e que não gosta dele por ser o candidato de Mendes, e entre Mendes e aqueles que o querem segurar no PSD. À cabeça destes está nada mais nada menos que a sua Presidente da Assembleia Municipal e Presidente do PSD Lisboa, Paula Teixeira da Cruz.
Entretanto aparecem imensas noticias nos jornais. Há intrigas e há corrupção em todo o lado. Todos querem dar cabo da CML e de Carmona. Mendistas, Santanistas, Teixeiristas e a guerra civil instala-se.
Dois vereadores, entre eles o vice-presidente da autarquia, são indiciados por crimes de corrupção. Suspendem os seus mandatos e aguardam que a justiça actue.
Entretanto também Carmona acaba arguido no processo BragaParques.
Quando todos os partidos se preparam para eleições e a oposição interna afia facas para a proxima batalha, eis que Carmona diz EU FICO!
E estas hem??
Para independente acusado de fraco e de negligente, parece que o Prof. é mais teso do que parecia! O discurso não podia ser melhor. Entalou todos. O PS e o PP provavelmene agradecem, pois eleições agora em Lisboa não davam muito jeito...Os santanistas ficaram certamente surpreendidos, mas agradados pela machadada que isso representa em Mendes. Só falta saber o que vão fazer com Carmona nas mãos...
Por último Carmona com a sua decisão desautoriza publicamente o líder do PSD assinando com isso a sentença de morte do líder que ontem lhe retirou o apoio. Cá se fazem, cá se pagam....
Independentemente do resultado de tudo isto, Carmona assume o comando do navio de forma inesperada para a política portuguesa
Para independente não está mal....