29 setembro 2007

O senhor que se segue...


Foi com a banda sonora da «Star Wars» que Luis Filipe Menezes entrou esta noite na sala do primeiro andar do Hotel Sheraton em Lisboa.
Num discurso monocórdico, muito ao seu estilo, apelou à unidade do Partido e à construção de um projecto mobilizador para Portugal. Fez a defesa dos jovens, da terceira idade e da classe média. Até agora não há novidade.
Depois da lamentável guerra civil a que o país assistiu tudo se espera do novo líder, nomeadamente a tão proclamada unidade!
Não percebi se a «Star wars» era um tema escolhido em memória do passado ou como projecção do futuro!
A ver vamos...

28 setembro 2007

Parabéns Santana

Bravo!


Interessante lição a de Pedro Santana Lopes ontem à noite na Sic Notícias. Para quem é acusado sistematicamente de falta de sentido de Estado, o ex-Primeiro-Ministro deu mostras de dignidade e seriedade na discussão do assunto de interesse público.
Esteve mal a Sic Notícias, não só pela pausa na entrevista para dar uma notícia sem importância nenhuma, como pelas justificações rídiculas e sem qualquer sentido que posteriormente quiseram dar.
Houvessem mais atitudes destas e provavelmente os média e a política fossem diferentes em Portugal.

Bravo Pedro Santana Lopes!

20 setembro 2007

O esfique...


O féretro de Aquilino Ribeiro foi ontem transladado para o Pateão de Santa Engrácia.
Teve honras de Estado e a presença dos mais altos dignitários da Nação, como convém a uma cerimónia desta importância.Teve hino e teve música...
Aquilino Ribeiro foi seguramente um escritor de mérito. Não li niguém que escrevesse português de forma tão rica e tão graciosa no século XX. Antes dele, só provavelmente Camilo soube utilizar de forma tão fácil e inteligente o articulado da língua de Camões.
O seu mérito literário é inegável e isso seria merecimento suficiente para que os seus restos mortais descansassem ao lado dos de Camilo, Garrett, Guerra Junqueiro e João de Deus em Santa Engrácia.
Contudo, existe uma particularidade que separa Aquilino dos demais homenageados. Aquilino Ribeiro foi membro activo da carbonária e de grupos radicais no príncipo do século em Portugal.
Participou, entre outros, na fabricação de bombas, em conspirações e, mais grave que tudo mais, foi um dos autores, senão material pelo menos moral, do Regícidio!
Colocar no designado Panteão Nacional um homem que assumiu ser autor do Regícidio que vitimou o Rei de Portugal D. Carlos I e o seu filho mais velho D. Luis Filipe em 1908 é um atentado à ética política e de cidadania que deveria conduzir este tipo de decisões por parte do Estado, mais especificamente da Assembleia da República, que é quem decide sobre tais matérias. O extraordinário é que não há registo de que nenhum deputado ( e são necessários os votos de todos os deputados) tenha feito ouvir a sua voz para defender a memória do antigo Chefe de Estado. Nem mesmo os dois deputados do PPM se fizeram ouvir!Prova maior da sua inutilidade!
Estranho é, que o actual Presidente da Assembleia da República, homem culto e conhecido por ter simpatias monárquicas, tenha promovido esta campanha, sem que ele mesmo tenha feito qualquer referência ao percurso menos literário de Aquilino.
Assim, depreende-se que a República pouco se importa com o Portugal anterior a 1910. Essa data parece aniquilar tudo. A revolução legitimou, ao que parece, tudo, mesmo o assasinato de um Chefe de Estado em praça pública.
Na verdade pouca importância tem este facto, a não ser para meia dúzia de pitorescos. Afinal, para além dos escritores mencionados anteriormente, só se encontram neste panteão da República, Amália Rodrigues (personalidade inócua politicamente) e os fundadores do Portugal Novo de 1910; Manuel de Arriaga eTeófilo Braga. A acrescentar a estes, só dois homenageados do Estado Novo, Sidónio Pais e Óscar Carmona; e um homenageado pela facção contrária: Humberto Delgado.
Estão todos bem uns para os outros.

R.I.P

19 setembro 2007

Mendes vs Menezes : o debate...






Niilismo: O niilismo (ou nihilismo), do latim nihil (nada), é uma corrente filosófica que, em princípio, concebe a existência humana como desprovida de qualquer sentido.

17 setembro 2007

O Jardim...


Depois de uma pequena ausência para férias, regresso à Gazeta com algumas reflexões de verão.
Aproveitei alguns dos dias que passei em Lisboa durante o mês de Agosto para visitar alguns dos principais jardins da Cidade. No início do Verão escutámos os vários candidatos à CML discursar sobre a falta de espaços verdes na cidade e os problemas que isso trazia aos cidadãos. É uma ideia chave numa época em que é politicamente correcto defender o ambiente mas infelizmente não passe de um "lugar comum". Ouvir políticos a falar de espaços verdes em Lisboa é uma grande lição de demagogia, proporcional à ignorância que da cidade têm esses ilustres vereadores. Decidi portanto ir pelo meu próprio pé fazer uma visita àqueles que considero serem os mais emblemáticos espaços verdes alfacinhas e retirar desses passeios as minhas próprias conclusões.
Iniciei as minhas visitas pelo Jardim Botânico do Princípe Real. Este jardim notável é um espaço imenso localizado em pleno coração da Cidade de Lisboa. Insere-se no que é hoje o Museu Nacional de História Natural. As actuais instalações do Museu ocupam (em conjunto com o Museu de Ciência e com o Instituto Geofísico Infante D. Luis) uma área que no século XVII correspondia à cerca do Noviciado da Cotovia com o seu horto. Extinto o Noviciado, foi fundado no mesmo espaço o Colégio Real dos Nobres (1761-1837), a que se sucederam a Escola Politécnica (1837-1911) e a Faculdade de Ciências (1911-1985).
O conjunto é notável, assim como a imensa variedade da colecção arbórea e está na dependência da Universidade de Lisboa e sob a tutela do Ministério da Ciência e do Ensino Superior.
Quem, como eu, fizer uma visita àquele jardim que se estende do Principe Real às cercanias do Parque Mayer depressa se depara com um cenário desolador. A começar pelo estado de conservação do edificio do MNHN, do IG Infante D. Luis e do observatório, este último em avançado estado de degradação. Os arruamentos quase deixaram de existir, as ervas e o lixo ocupam grande parte dos canteiros, os lagos mantém uma água estagnada e suja, os pequenos ribeiros deixaram há muito de correr.
O Jardim encontra-se praticamente deserto. Alguns turistas, um grupo familiar em piquenique, meia dúzia de crianças. O único espaço que concentra alguma animação é o borboletário que apresenta de uma forma bastante didática a forma de reprodução e o habitat de uma variedade de borboletas.
Um jardim que foi criado para investigação botânica e para tornar conhecidas espécies vegetais trazidas dos cinco continentes e dos locais mais remotos das antigas colónias portuguesas é hoje um espaço de coisa nenhuma.
Estou convicto de que a maioria dos lisboetas não conhece, não vive e não usufrui deste magnifico espaço em pleno centro da cidade. Contudo, isso não é razão para o estado de abandono e degradação em que se encontra. Os mais directos responsáveis deveriam ser chamados à atenção, mas isso de pouco servirá se os cidadãos não se preocuparem por um espaço que é comum, não o viverem, não o preservarem.
Deixo, desde já, o convite para que os leitores da Gazeta se desloquem a este jardim e possam avaliar pelos seus próprios olhos as minhas palavras.

13 setembro 2007

A visita do Lama...


A visita do Dalai Lama a Portugal que hoje começou é já a segunda que o Chefe espiritual dos Budistas e ex-Chefe de Estado do Tibete no exílio realiza ao nosso país. A última foi há seis anos e, tal como agora, o Governo Português recusou receber o Prémio Nobel da Paz.

Esta situação que se repete é inaceitável por uma questão de ordem política, diplomática e de justiça.
Razão política porque Portugal é uma Democracia, um Estado de Direito e uma Nação soberana. Por essa razão, e porque o Estado é constitucional, os governos e a classe política de uma forma geral deverão reger-se pelas normas dessa Lei fundamental que obriga ao sentido da Justiça, ao reconhecimento do Direito e à defesa dos valores e Direitos Humanos. Um Estado com estas caracteristicas não deve basear a tomada das suas decisões em meras questões de conveniência, mas sempre, no reconhecimento dos valores fundamentais que lhe dão corpo.
Razão diplomática, porque Portugal tem uma História, ainda que a maioria dos seus cidadãos seja ignorante dela. Ainda há quinze anos Portugal liderou aquela que foi provavelmente a sua mais importante batalha diplomática de sempre, que logrou em sucesso e que conduziu à auto-determinação de Timor -Larosae e à sua independência. Durante mais de 20 anos Portugal não manteve relações diplomáticas com a Indonésia, Estado importantissimo do Sudeste asiático, em nome da Defesa dos Direitos Humanos e na exigência que fazia do reconhecimento por parte desta potência do direito à Independência do povo maubere. A memória é curta e hoje a mesma classe política e diplomática não faz a Defesa dos Direitos Humanos nem exige o reconhecimento por parte da China do direito à Independência do povo tibetado, ocupado há mais de 50 anos.
Razão de Justiça porque o Dalai Lama é um Homem de Paz, um chefe de Estado exilado, que foi obrigado pela força a abandonar o seu país e que lutou sempre, por meio pacíficos, pelo direito à justiça e à libertação do seu país e do seu povo. Isso mesmo reconheceu a Academia Sueca quando lhe atribuiu o mais alto galardão com que são distinguidos os mais valorosos!
Como se tudo isso não bastasse, o Dalai Lama é um respeitado Chefe espiritual de milhões de pessoas e um homem admirado em todo o Ocidente.
O meu único consolo, se é que serve de consolo, é que este Homem ficará para a História, ele marca a história, e sobretudo marca os corações humanos que o escutam.
Nenhum dos politicos portugueses, medíocres, que hoje se recusam, por medo, a recebê-lo, terá o seu nome inscrito na mesma tábua!

11 setembro 2007

Foi há 6 anos...

Mas nós nunca esqueceremos...

10 setembro 2007

De pé ó vitimas das FARC!

A revista das FARC, Resistência, não esteve este ano representada no stand colombiano na Festa do Avante!. Como todos os anos, também este ano a festa organizada pelo PCP tinha guardado um espaço para o meio de comunicação e expressão de ideias do grupo que o mundo chama de terrorista, mas os comunistas portugueses insistem em apelidar de revolucionário.Só que este ano a revista não veio.
Na resposta que deu ao DN sobre a polémica, o PC volta a chamar às FARC "uma organização popular armada que há mais de 40 anos prossegue, entre outros objectivos, a luta pela real democracia na Colômbia e por uma justa e equitativa redistribuição da riqueza, dos recursos naturais da Colômbia e da posse e uso da terra". in DN



Mais uma vez lamentável a postura do PCP! Mas também, convenhamos que não há muita novidade nesta matéria. Este é e será sempre o PC saudoso das ditaduras de leste, amigo das diatduras de Cuba, Coreia do Norte e solidário com terroristas como as FARC.



Acontece que com esta postura, o PC não tem qualquer legitimidade para fazer muitos dos discursos que faz, em defesa dos pobres e oprimidos, em defesa da democracia, ou contra o autoritarismo do governo. E ao fazê-los, revela-se de uma hipocrisia total e de uma incoerência sem limites.



O vermelho, cor tradicional do PC, tem toda a lógica. É a lógica do sangue das vitimas das FARC, os ilustres convidados da Festa do Avante...

08 setembro 2007

CML: os domingueiros


"O Terreiro do Paço aos Domingos é das pessoas". A primeira coisa que nos ocorre (pelo menos assim foi comigo) é pensar que nos outros dias será de quem? Dos animais? Temos a sorte e a honra de dispor de uma praça com as características do terreiro onde já existiu o Real Paço da Ribeira destruído a 1 de Novembro de 1755. A frente ribeirinha desta praça foi destruída há uns anos, não por um terramoto, mas por umas obras que irão rapidamente destronar as de Santa Engrácia. Se for permitido irão. Não duvido. Se for...


É característico de uma nova equipa autárquica apresentar um projecto para o Terreiro do Paço (ou Praça do Comércio para alguns). Bom, esta medida está longe de ser um projecto, ou parte de algo passível de estar abrangido por essa denominação. É fácil, não será muito caro e quanto aos milhões só se for de carros que entopem outras vias quando a dita medida é aplicada, pois não é articulada com outras soluções complementares. Em termos de trânsito e não só. Fecha-se e pronto. As morosas e vergonhosas obras lá continuam (e todos os dias da semana). Pelo menos o estaleiro lá está!


A oferta cultural e de lazer é muito reduzida. Participei em tempos em um colóquio onde foi discutido que museus para a cidade de Lisboa. No Terreiro do Paço precisamente, no auditório com entrada pela Rua do Arsenal, no espaço onde em tempos que já lá vão foi a Casa da Índia. Do meu ponto de vista uma área urbana como o Terreiro do Paço, com as suas características presentes e passadas deve tentar uma convivência que se quer saudável entre zona de funcionamento de organismos públicos e zona de actividades culturais e de lazer. Se for só ministérios cumpre a função de centro histórico de poder político e de actividade do funcionalismo público mas perde, e muito, em termos de vida cultural, recreativa e turística. Se for só turismo desvirtua a praça e apresenta uma versão plastificada da vida lisboeta. Já sem falar que não concordo que tudo o que é edifício antigo (para simplificar utilizo este termo) deve ser um museu. Se por vezes pode ser uma boa solução muitas vezes não o é, quer pelo projecto em si quer pela banalização sem qualidade de opções desta natureza. Uma boa combinação entre estas duas valências pode ser uma bom destino.


Pode valorizar-se a história lisboeta e melhorar a oferta cultural da capital com um museu novo ou um núcleo museológico do Museu da Cidade. Áreas cobertas e ao ar livre para exposições e outros eventos culturais que qualifiquem a praça e a sua vida, quer diurna quer nocturna. Pode ser estudada a implementação de infraestruturas turísticas compatíveis com a arquitectura da praça e a sua vida social ( hotel, restauração mais diversificada, etc...). Mas teria de ocupar o espaço parcialmente, havendo paralelamente e sobretudo no período diurno a actividade de alguns ministérios.


Repito, assim a escolha não seria entre uma variante ou outra, mas a combinação desejável das duas.


Em tempos retirou-se, e bem, o inacreditável parque de estacionamento automóvel que rodeava a estátua de S.M. El-Rei D. José I. Concordo que o tráfego automóvel, deve ser retirado, ou pelo menos, condicionado em zonas do centro histórico. Mas tem de ser como resultado de decisões pensadas e programadas e não fruto de um qualquer impulso populista. Que só desorganiza e provoca o caos. E nada resolve, nem provisoriamente. Aqui a escolha também não é entre Terreiro do Paço sem carros ou com carros, pois vamos todos concordar que é melhor sem carros. O Dr. Costa assim deve ter pensado. Vamos agradar a todos. Mas engana-se. Em primeiro lugar não agrada certamente às pessoas que ficam retidas nas filas de trânsito de Domingo, qual período em que uma gigantesca árvore de Natal aí marca presença (outrora cobrindo por completo e sem pudor a estátua de S.M. El-Rei D. João I na vizinha Praça da Figueira). Depois é uma pseudo solução no imediato e quando os lisboetas constatarem que continua tudo na mesma, ou ainda pior em alguns aspectos, espera-se que sejam consequentes com as críticas (o que nem sempre é fácil de verificar no espírito português) e que penalizem os domingueiros que tiveram a sorte (ou não) de ser eleitos para conduzir os destinos políticos da cidade.


O Terreiro do Paço deve ser de todas as pessoas, todos os dias e por muitos anos! E não só aos domingos e tão somente para contemplar as arcadas, o arco, a estátua do Machado de Castro e acompanhar com amargura e pó (e lama no Inverno) os danosos trabalhos das obras do metropolitano.

06 setembro 2007