22 setembro 2006

Folclore europeu sem carros

Para os mais distraídos, hoje comemora-se mais um dia europeu sem carros.

Faremos o balanço e algumas considerações sobre este evento folclórico nos próximos dias...

6 comentários:

PBH disse...

O folcolore em Portugal é mal visto. É um problema de identidade nacional! Contudo, adoramos o folcolore dos outros. É por isso que as meninas educadas deste país vão aprender, não o vira, mas sevilhanas.Como quase sempre, temos vergonha do que somos, mas adoramos o que os outros são!Eles não! Gostam do que são e por isso vivem o folcolore com a naturalidade normal de quem não tem medo nem vergonha. Deve ser pela mesma razão, que em Portugal, o dia europeu sem carros é visto como uma questão folcolórica. Não percebi se é por medo, se por vergonha, ou, simplesmente, porque não dá jeito!

RMG disse...

A utilização do termo folclórico deveu-se ao facto de não querer repetir o termo palhaçada, pois já o usei e voltarei em breve a fazê-lo, a propósito da telenovela dos voos da CIA.
Mas poderia ter usado outros termos para qualificar o dia sem carros, como por exemplo, tristeza, incoerência, demagogia, circo, e outros tantos.
Mal tenha tempo para me sentar e escrever explicarei porquê...

PBH disse...

Triste, incoerente e demagógico é os governos defenderem no papel e nos discursos grandes planos de políticas ambientais que nunca saem do papel. É uma questão estética e politicamente correcta, mas não deixa de ser uma palhaçada.

Voos da CIA? Esse tema parece-me interessante. Sobretudo depois das declarações da eurodeputada Ana Gomes, afirmando que o governo português não tem nada a temer nessa matéria. Nem tem, nem terá. Depois das declarações de George W. Bush sobre a matéria, temer o quê? Está tudo dito.

104... disse...

Não resisto a clarificar o seguinte: o «folclore» tem uma origem etimológica germânica, provindo da palavra «volk» que, em alemão, quer dizer «povo». Conhecerão seguramente o Volkswagen que, literalmente, mais não é do que o carro do povo...
Tecnicamente, o folclore é, portanto, um hábito do povo, que não me pareceu denegrido no post original. É que por estar tradicionalmente associado a danças do povo (do nosso e de outros), o folclore pretende exacerbar artisticamente aquilo que são os hábitos da população a que respeita, quer por meio dos fatos, quer dos timbres de vozes, quer da própria coreografia. Assim, acaba por redundar às vezes em exageros premeditados, de tal forma que podem aparecer como ridículos aos olhos de quem assiste. Nesse sentido me parece que vinha utilizada a expressão no post original.
Mas, já agora PBH: conhece alguma escola que dê aulas de vira? ou de corridinho, de pauliteiros, de bailinho da Madeira?! é que, contrariamente aos vizinhos espanhóis que vendem as suas danças como ginjas e a bom preço, em Portugal tem de aderir a um rancho para poder aprendê-las... se calhar por isso há maior propensão às escapadelas...

PBH disse...

A forma como o termo folclore foi utilizado neste post denuncia uma certa depreciação do mesmo. Isso é visivel quando no comentário seguinte, o RMG lhe atribui como possível sinónimo, a palavra "palhaçada".
Em Portugal, infelizmente, assistimos quotidianamente ao abandono, quando não mesmo à destruição, de signos, caracteres e representações da nossa cultura popular e erudita. Não admira que num país em que a taxa de abandono escolar apresenta índices aterradores, a defesa da cultura também não tenha grande relevância.
Os portugueses são envergonhados de si, e além de envergonhados são invejosos. É por isso que depreciam o seu folclore, portanto a sua cultura, e têm dela uma imagem negativa. São envergonhados porque são ignorantes, e são invejosos porque vêm muita televisão. Vivem portanto no mundo das imagens, não da realidade.
É por essa razão que dançam sevilhanas e não dançam o vira, tal como dançam samba no carnaval, no mês de Fevereiro em pleno Inverno.
O povo miudo, tanto ou mais ignorante, mas talvez porque vê menos televisão, dança o vira e o corridinho sem vergonha. Vive mais na realidade do que nas imagens e é por isso mais genuíno.
Deixe portanto o folclore, com os seus exageros populares, livre de vergonha e livre também do mundo das imagens irreais.

104... disse...

desta vez, injustamente me acusa a mim de criticar o folclore, que considero (o nosso, como o dos outros) uma das manifestações mais evidentes do verdadeiro Portugal (e não da capital alfacinha ou da indústria tripeira, que servem normalmente de base para certas sondagens que critica). O que lhe tentava assinalar é que se as dondocas portuguesas preferem aprender sevilhanas ou flamenco em vez do vira ou do corridinho, isso não significa necessariamente vergonha do que é nacional, mas antes maior acessibilidade de ensino daquelas danças. é que acabou por não me responder se conhecia alguma escola de vira, mas se quiser posso indicar-lhe diversas de sevilhanas e de flamenco em plena Lisboa! (até do ventre, que é o folclore indiano e árabe...)