25 setembro 2006

O Sol de Espanha...


O mais recente semanário português, brinda-nos, logo na sua segunda edição, com uma interessante sondagem. Afirma o jornal do arq. José António Saraiva que mais de 20% dos portugueses gostariam de ser espanhóis. Outra sondagem, simultânea, afirma que muitos portugueses têm nostalgia do Império Colonial. Os resultados não deixaram de me surpreender. Mas mais do que os resultados, foi mesmo o tema da sondagem. Porque razão se faz uma sondagem a perguntar quantos portugueses querem ser espanhóis? Será que na próxima semana nos vão perguntar quantos de nós gostariamos de ser nigerianos? chineses? peruanos? É capaz de ser um exercicio interessante, mas não vejo a utilidade. Antigamente, no jornal Expresso, apareciam, de quando em vez, estudos semelhantes.
Será o Arq. Saraiva um iberista?
Se existem 20% de portugueses que querem ser espanhóis, então porque é que não são? Emigrem para o país vizinho! Afinal, isto é mais governável com 8 milhões!
Curioso ainda, é o facto de a maioria dos que afirmam a sua convicção na nacionalidade castelhana, afirmarem de seguida que o regime político em que gostariam de viver seria uma República!!
Ora nem mais; não só emigram como começam logo por dar cabo das instituições de nuestros hermanos, atacando a pessoa de Sua Majestade Católica!! além de invejosos ( porque afinal só a inveja muito lusa justifica tal sondagem) são bombistas!
Portugueses desses quem os quer? Levem-nos a todos! Isto ficava mais sossegado e os castelhanos que os aturassem. Já agora se quiserem também lhes oferecemos o semanário...
Olé!

18 comentários:

marcela castro disse...

Si puedes descarga una canción de un grupo musical chileno llamado Los Prisioneros titulada "Por qué no se van del país" Los portugueses no son los unicos que tienen el problema de gente que les gustaria ser de otro pais, y ese grupo, ya en los 80's, dio la misma respuesta que la tuya a los chilenos que se la daban de "europeos"

DRS disse...

Mas o que o PBH critica é apenas o exemplo da missão civilizadora dos portugueses no mundo. Nada mais natural para um português que pretender instaurar uma forma de governo evoluída e democrática como a república. Qual o espanto?
E talvez essa preferência antecipasse a maroteira que a Casa Real espanhola nos fez, ao anunciar o nascimento do segundo filho dos príncipes das Astúrias durante a visita oficial do nosso Presidente da República.
(Apesar desse deslize, continuo ant.º admirador, atento e obrigado de S.M. El Rey D. Juan Carlos)

PBH disse...

Missão civilizadora instaurar uma República? Ainda por cima por portugueses, esse grandes especialistas em regimes evoluidos e democráticos?
Existem três visões possiveis:
A nacionalista que é a de que tal ideia antecipava de forma vertiginosa a queda dos castelhanos e do mundo hispânico tal como o conhecemos hoje. O que para os Portugueses nacionalistas é visto como a maneira mais fácil de atingir a supremacia peninsular.

A terrorista: Segundo a qual a queda da Casa de Bourbon abriria caminho a um novo confronto fraticida entre os povos peninsulares, o que, em última análise prejudicaria todos esses povos, portugueses incluidos.

A cool: Porque ser republicano é fixe. Quase tão fixe como ser bloquista-previligiado-com-estudos-que-vira-comuna-só-para-chatear-os-paizinhos-.

Não sei em qual delas o DRS se incluí, visto que aquela do governo evoluido e democrático não serve. Nessa matéria, os republicanos portugueses têm muito que aprender com Sua Magestade Católica!

PBH disse...

Quantos aos deslizes...Pois é! Mas também ninguém o mandou lá ir. Ainda gostava de saber qual a razão que motivou a primeira visita de Estado do Sr. Presidente da República a Espanha.Pode ser que o convidem para padrinho, seguramente não recusaria!
Outros deslizes, que se vão dizendo por essa Alemanha fora, e bem mais consequentes, não receberam por parte do DRS o epiteto de "maroteira".
Deslizes!!

104... disse...

folgo em constatar que o novo adjectivo composto que lancei continua presente nos subconscientes dos gazeteiros lusitanos... ainda assim, peço que lhe mantenham a pureza linguística, porque são «bloquistas PRIVILEGIADOS», e não previligiados que até me arrepia escrever...
em todo o caso, estarei a delirar ou denoto uma tendência monárquica em PBH?! o convicto democrata, anti-oligarquias geográficas do poder?! afinal revela-se pró-regime de ius sanguinis?! onde nunca há escolha (e consequente veto) popular?!
Aí está um tema sobre o qual mais me interessaria a sua opinião, PBH: como compatibiliza a monarquia com os ideais democráticos que tão fervorosamente propugna?! o povo (o tal do folclore) deve ser afastado da escolha do símbolo máximo da sua Nação?! E porque razão?
Quanto ao DRS, que não porventura não está habituado a MAROTICES, não existe a palavra maroteira... e mesmo assim, a marotice da Casa Real espanhola foi bem capitalizada pelas diplomáticas enhorabuenas do nosso Presidente, feliz por ver a sua visita associada a tão importante acontecimento!

DRS disse...

Caro 104,
A propósito do seu reparo (que muito agradeço), tem por aí à mão o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo? Faça o favor de abrir o vol. II e procurar a entrada «maroteira». Diz-lhe o eminente dicionarista que é o acto próprio ou a qualidade de maroto. Já agora, que lhe diz sobre «marotice»? Nada, não é?
Mas, encha-se de pachorra e folheie o vol. XVI da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira em busca da voz «maroteira». Mais uma vez, lá tem o significado, com uma citação, e da sua "marotice", nada. Por esta altura já vai percebendo que a diferença entre "marotice" e maroteira é a mesma que vai de "asnice" a asneira, que é o que o meu amigo fez ao tentar corrigir-me sem estar bem seguro do que dizia.
Agora que arrumámos a «marotice», que tresanda a brasileirismo, aliás, permita que lhe devolva a gentileza, e que procure expurgar os seus escritos de um erro muito comum. Quando escreve «compatibiliza a monarquia com os ideiais monarquicos» está a repetir escusadamente o «com», que é o prefixo de compatibilizar. Escreva antes «compatibilizar a monarquia E os ideiais monárquicos». Se, no entanto, quiser persistir, erra em boa companhia. Mas, se me der razão, não concorda comigo - concordamos ambos.
Agora, depois de perceber que é o único culpado desta prosa inútil - prosa de gabardina - faça o favor de passar ao comentário seguinte, para tratarmos do monarquismo do PBH.

DRS disse...

É forçoso reconhecer que a república é o corolário lógico do princípio democrático, pelas razões que o caro 104 aduz muito a propósito. A monarquia implica uma entorse ao princípio electivo, pilar da democracia, mas sobretudo ao princípio de limitação temporal do poder, não menos importante. Pode argumentar-se sempre que o monarca reina (ainda que simbolicamente)com sanção popular - admito que sim; mas nunca respeitará a plenitude do segundo princípio.
Portanto, caro PBH, a visão não é nacionalista, nem terrorista, nem cool: é apenas democrática.

Juan Carlos disse...

Brilhante, meu caro DRS.

PBH disse...

Monarquia e Democracia são conceitos distintos, porém não são incompatíveis. Do mesmo modo, República e Democracia, sendo conceitos distintos não são semelhantes. Os primeiros
(Monarquia e República) são formas de governo dos Estados, dentro dos quais o exercicio do poder poderá estar organizado de muitas e variadas formas. Assim temos a democracia directa, indirecta e popular, a aristocracia, a oligarquia, a ditadura etc...
Nas Monarquias ocidentais e democráticas ( penso não valer a pena dar exemplos dos inúmeros Estados europeus que sendo monarquias constitucionais, vivem a democracia nos mais pequenos actos públicos e civicos desde há muitos anos)o poder do Rei é sancionado pelo povo,em sede de parlamento. Umas vezes com mais folcolore do que outras, tal como na República, como tão bem lembraram o DRS e o 104.
Talvez deva recordar que em Portugal o Rei era aclamado nas cortes antes de jurar a Carta Constitucional.
Se alguma incompatibilidade existe entre os dois conceitos, não entre o de Democracia e Monarquia, mas entre este e o de República, é que ao segundo, subjaz a ideia de que a sociedade delega nos seus representantes o governo da nação por um tempo determinado. Com efeito, em Monarquia, o tempo não é determinado a não ser pela vida da pessoa do Rei. É um principio que os monárquicos aceitam, e que não é original no mundo politico, feito de convenções, e, portanto, de aceitação.
Contudo, ao contrário do que afirma o 104, o veto é perfeitamente possivel num regime monárquico. Exemplos, existem vários, assim como de monarquias electivas!
Talvez fosse também interessante lembrar que em Portugal a Democracia é indirecta, isto é, um regime em que o povo delega o exercício do poder soberano nos seus representantes eleitos. O povo, não exerce por isso, o poder de uma forma directa.A não ser que o caro 104 seja um defensor das democracias populares!
Relembro ainda que, e para que não haja perfídia ao confundir os conceitos de Democracia e República, que os Presidentes da I República eram eleitos, não pelo povo, mas pelo Senado. A primeira excepção a essa regra deu-se com Sidónio Pais, eleito por sufrágio universal e directo, e cujo resultado foi por demais infeliz!

PBH disse...

Agradeço ao simpático gazeteiro 104 os seus comentários e as suas dúvidas. Agradeço ainda que me reconheça como um Democrata, o que considero um elogio!
O facto de eu afirmar que a justiça praticada pelo TPI é selectiva e que se baseia numa geografia do poder, não faz de mim um "anti-oligarquias geográficas do poder". A geografia do poder é tão real como o poder em si mesmo. Existe e convive em frágeis equilibrios. Se a justiça praticada pelo TPI se baseia nessa mesma geografia, ela é tão frágil como a primeira.
Quanto à democraticidade da escolha do Chefe de Estado, considero absolutamente legítimo o poder do parlamento eleito, reconhecendo-lhe consequentemente o poder para aclamar o chefe de Estado.
Não tenho o menor desejo de ser eleito Presidente da República, ambição que, reconheço, é suficientemente importante na defesa da forma de regime por parte dos políticos republicanos.
Mais importante ainda, considero que não existe qualitativa diferença entre as virtudes do Mérito e da Nobreza. Ambas são importantes e necessárias à boa condução dos assuntos públicos. Se privilegio a segunda, é porque acredito que o valor da excelência do respeito e da admiração são essenciais ao desempenho da mais alta magistratura da Nação. Mais ainda, porque estou convencido que não pode, nem deve, haver uma separação emocional e de identidade entre quem representa e quem é representado. O regime político que até hoje melhor soube desempenhar esta missão, de forma supra-partidária e independente, e portanto mais livre, foi a Monarquia Constitucional.

PSG disse...

Caro PBH,

Estamos de acordo quanto à ideia que, se alguns portugueses querem ser espanhóis, então hasta la vista. Historicamente como se sabe, o nosso país esteve sempre dividido entre a corrente dos pessimistas lusos e aqueles patriotas que sempre acreditaram no nosso engenho para construir um Portugal melhor. Esta divisão ancestral, nunca se deveu a qualquer natureza de regime, mas sim à genética cultural e à existência ou não de formação cívica.

No entanto, a monarquia constitucional ou não, pouco se dedicou ao longo de séculos a criar um espírito de coesão nacional, assente na educação generalizada para todos os seus súbditos. Pelo contrário, a elite cortesã que rodeava a coroa e por esta alimentada, representava uma percentagem ínfima da nossa população e todavia controlava a esmagadora maioria da riqueza nacional e sua distribuição.
Até 1910 os índices de analfabetismo, mortalidade infantil, desemprego, etc., em Portugal, eram dos mais altos da dita civilização europeia. Com excepção na posse de colónias ultramarinas, Portugal, tinha muito pouco a ver com as outras monarquias.

O que noto é, que talvez PBH, não esteja muito convicto do modelo político oferecido pelas monarquias, mas antes saudade, do ideário de tempos idos, que estas oferecem. Do sábio rei, da política dinástica, da corte culta e exemplar, das conferências de soberanos que entre uma chávena de chá e um charuto, decidiam novas fronteiras ou inventavam novos conflitos.
Nem quero acreditar que o nosso Dom PBH, acredite nessa solução representativa da espinha dorsal da monarquia e que reside tão-somente na convicção do Homem providencial. Daquele que nasce iluminado, o único que nos pode guiar, o salvador da pátria, o defensor dos pobres e desvalidos, o orgulho da nação, ou seja, o perigoso factor emocional e subjectivo de união, que cimenta as relações nas sociedades.
Se só um pode ser o monarca, na república qualquer um pode ser presidente ou outra coisa qualquer. Todos nós podemos e temos o direito e a obrigação de zelar para que não haja abuso de poder, utilizando para tal o nosso voto secreto e individual.

Por fim mui ilustre PBH, deixe-me fazer uma pequena e sem menos importante rectificação. No nosso país convivem dois fundamentais sistemas electivos, a votação plurinominal através de listas de representantes para inúmeros órgãos, e a votação uninominal, universal e directa para a eleição de sua Excelência, o Presidente da República. A bem da verdade e do rigor histórico, Sidónio Pais nunca foi eleito para Presidente, pertenceu sim a uma junta revolucionária, que ao arrepio dos valores republicanos e democráticos, o indicou como titular do mais alto cargo desta nossa nação, e sem dúvida, cujo resultado foi por demais infeliz!

PBH disse...

Caro PSG;
Fazer uma comparação entre o Portugal de 1910 e o Portugal de 2006, ou mesmo de 1950, não faz sentido pela razão lógica de que a evolução natural das sociedades, da economia, da política, dos costumes, da cultura, da própria participação cívica é muito distinta. Extraordinário era se assim não fosse!
Dizer que o Portugal de 1910 era atrasado e pobre, analfabeto e sem participação cívica, onde a cultura era privilégio de alguns, assim como a riqueza, é o mesmo que dizer que no tempo de D. João V só uns quantos compatriotas tinham coche particular, usavam talheres,ou assistiam a uns concertos na Ópera! Pois sim, e que conclusão histórica tira o PSG disto?
A História deve ser compreendida dentro do seu contexto!
Acha o PSG que Portugal em 1910 era o pior dos seus parceiros europeus! Muito bem. Que evolução nota para 2006? Em História comparada, compreenda-me!
Olhe, não vá mais longe, em matéria de código penal já tinhamos feito algumas conquistas civilizacionais, que alguns comentadores deste blog acham inadmissiveis em 2006!
Acha o PSG que a I República Portuguesa trouxe grandes mudanças ao progresso do país? Não trouxe! E sabe porquê? Porque os políticos de um regime, são os mesmos do outro. A esperança foi grande, mas infelizmente nada se fez. Mudou o Chefe de Estado, mas não mudaram os responsáveis pelos destinos do país, isto é, a classe política! O Rei em 1910 mandava tanto como o Sr.Arriaga em 1911.
O que lhe posso dizer, é que na Suécia, Inglaterra, Noruega, Bélgica, Holanda de 1911 a participação cívica estava já bastante avançada, em relação à jovem República Portuguesa!

Não tenho qualquer nostalgia de um tempo que não vivi! A Monarquia, situa-se, para mim, no mundo das ideias políticas, e não nos salões de chá. Se a visão é platónica, talvez, mas nem por isso deixa de ser válida.

Permita-me ainda fazer uma pequena correcção, a bem da História!
De facto, Sidónio Pais liderou uma revolta em Dezembro de 1917 com o apoio de algumas unidades militares e de uma parte significativa da população. Presidiu, depois, a uma Junta Revolucionária e instaurou uma ditadura militar com o apoio do Partido Unionista. Contudo,
a 28 de Abril de 1918 realizaram-se em Portugal, pela primeira vez, eleições presidenciais directas e por sufrágio universal, que havia sido decretado a 11 de Março do mesmo ano. O Candidato era único, é certo, e o sufrágio universal foi abandonado após a morte de Sidónio, mas isso, meu caro PSG, foram as consequências naturais dos grandes principios democráticos que nortearam, na sua consideração, a implantação da Republica e o republicanismo em Portugal.
O tema dava pano para mangas, mas fiquemos por aqui, não nos venhamos a arrepiar com os valores republicanos e democratas dos homens de 1910, 1911, 1917, 1926, 1933....

marcela castro disse...

Al margen de las opiniones, que dejo que uds juzguen porque no se nada de politica interna portuguesa y a mi me parece que antes de unirse a España o a Portugal, dependiendo del punto de vista, los españoles deberian preocuparse de por que los catalanes quieren abandonar al Estado español, quisiera comentar algo: ¿1000? ¿encuestaron a 1000 personas y de esas 28% quieren ser españolas? ¿1000? ¿280 portugueses quieren sr españoles de un universo de mas de 10 millones y se preocupan por eso? ¡Por Dios! Eso no es ni remotamente una encuesta seria, ni representa la opinion de 20% de la poblacion. Solo significa que 280 tienen mal gusto. O que el equipo que la hizo no sabe de estadistica.

Una encuesta de 10.000 portugueses tal vez podria ser un tema, pero que 280 quieran ser españoles basta conque les compren el pasaje y listo. Aunque antes, muestrenles el nivel de debate que tienen los politicos. Segun una informacion aparecida en www.20minutos.es "El diputado de CiU Antoni Fernández Teixidó y el de ICV-EUiA Jordi Miralles mantienen estos días un debate sobre la tendencia política del superhéroe Superman." Y no es broma.

104... disse...

Volto à carga, por curiosidade acrescida, com PBH, segundo quem: «considero que não existe qualitativa diferença entre as virtudes do Mérito e da Nobreza. Ambas são importantes e necessárias à boa condução dos assuntos públicos. Se privilegio a segunda, é porque acredito que o valor da excelência do respeito e da admiração são essenciais ao desempenho da mais alta magistratura da Nação. Mais ainda, porque estou convencido que não pode, nem deve, haver uma separação emocional e de identidade entre quem representa e quem é representado.»
Questão: no caso português, parece-lhe que haveria alguma possibilidade de retrocesso (no mero sentido histórico) a um regime monárquico com a actual dinastia? e não lhe parece que o regicídio foi uma demonstração (algo violenta, é certo) de democracia, motivada precisamente pela falta de identificação da população para com os seus representantes máximos?

104... disse...

Cara Marcela, numa linha mais descontraída, encaminhe este link às bancadas parlamentares da CiU e da ICV, que seguramente irão apreciar o jogo!
(Aliás, é tão viciante que ontem me inibiu mesmo de visitar o vosso blog...)
http://hk.promo.yahoo.com/movie/superman/Stop_Press_Game/

104... disse...

ss_Game/

104... disse...

ainda ao DRS, com desculpas pelo atraso na retractação (já explicado pelo carácter viciante do jogo do Superhomem...): «chapeau»! Embora a palavra marotice seja aceite em várias fontes (designadamente nos dicionários da Porto Editora), a palavra maroteira é a que consta oficialmente do Dicionário da Academia das Letras de Lisboa, pelo que deverá ser privilegiada... A confusão, contudo, não foi por asnice, mas com malandrice, conceito a que mais frequente recorro do que a maroteira.
quanto ao verbo conjugar, por ser transitivo, e não pela redundância do recurso à preposição «com» (que poderia ser encarada como figura de estilo), igualmente lhe reconheço toda a razão. Já quanto a concordar, efectivamente «ambos concordamos» (sujeito, e não complemento directo+predicado). Contudo, ambos concordamos COM alguma coisa. Neste caso, discordamos DE algo, já que o verbo concordar assume a modalidade intransitiva quando pretende significar: 1. estar de acordo; 2. ter concordância; 3. condizer. E, nessa vertente, exige a preposição com.
E com outro galicismo termino: «touché!» e até breve!

PBH disse...

Caro 104,
Não encaro sequer a possibilidade de Portugal poder voltar a ser, nos tempos próximos, uma Monarquia Constitucional. Infelizmente a dinastia reinante portuguesa desapareceu em 1932 com a morte do Sr.D.Manuel II. Contudo, e porque a história dá muitas voltas, essa possibilidade pode sempre ser considerada.
Seja como for, e como tive oportunidade de referir, a questão monárquica é, para mim, uma questão pertencente ao mundo das ideias políticas. A Monarquia é mais do que a pessoa do Rei.É uma forma de governo.

Quanto ao regicidio de 1908, pois sim. A morte do Rei, assim como do inocente D. Luiz Filipe, foi seguramente um acto de falta de identificação de uns quantos com o regime.O acto, que nunca poderá ser entendido como democrático ( sob pena de passarmos a andar de coldre cada vez que vamos para o Parlamento, como nos idos de 1911, 1917, 1928)foi um acto terrível, mas onde o Rei não era inocente.
Infelizmente D. Carlos tomou o partido errado ao nomear João Franco para o Governo. Um Rei constitucional não pode nunca defender um ditadura, seja ela qual for, sob pena de deixar de ser o garante das instituições que jurou defender!
E assim aconteceu!
O raciocinio dos republicanos regicidas estava correcto, isto é, não matar João Franco, mas sim quem lhe deu a posse do governo,e que poderia voltar a fazê-lo com qualquer outro líder partidário.
Contudo, estou convencido que D. Carlos era o mal menor de toda a classe política portuguesa daquela época. Qualquer que fosse o partido político a que pertencessem, regeneradores, progressistas, socialistas, republicanos, a farinha era toda a mesma. Como várias vezes afirmou descaradamente José Maria Alpoim, "a mim interessa-me o poder pelo poder"...Assim foram todos e o regime caiu. Inventaram um novo, livre e democrático, diziam...mas eles eram os mesmos. O Rei, esse, ficou no Terreiro do Paço...