24 setembro 2006

Ratzinger dixit

«O Islão é multiforme, não se pode reduzir à ala terrorista ou à ala moderada. Há interpretações sunitas, xiitas, etc. Culturalmente, existe uma grande diferença entre Indonésia, África ou a Península Arábica, e talvez esteja a formar-se também um Islão com características européias, que aceita elementos de nossa cultura. Em todo caso, para nós, é um desafio positivo a firme fé em Deus dos muçulmanos, a consciência de que estamos todos sob o juízo de Deus, a par de um certo património moral e a observação de algumas normas que demonstram que a fé, para viver, necessita de expressões comuns, algo que perdemos em certa medida».

- Em entrevista ao jornal "La Repubblica", em 2004

(Já agora, também uma sobre os judeus, just in case...)

«Que os judeus são ligados à Deus de uma maneira especial e que Deus não quer que essa ligação falhe é inteiramente óbvio».

Como é que alguém com este historial de intolerância religiosa vai perder uma oportunidade que seja de atacar os crentes de outras religiões?

7 comentários:

104... disse...

Antes que o meu caro DRS prossiga com a sua intensa «postagem» papal, fica um desabafo: quanto mais intensa a defesa, maior a culpabilidade do arguido. Estamos perante um «non-issue». Aconteceu, a parte relevante já esclareceu a sua perspectiva (atenção: sem «pedir desculpa», mas antes «lamentando» as erróneas interpretações da sua intervenção), pelo que acabou. A partir daqui (e indubitavelmente a partir da reunião de hoje no Vaticano) todos os debates sobre o ocorrido - pró ou contra - servirão apenas para alimentar as correntes fundamentalistas islâmicas que procuram avidamente transformar a Cruzada contra o Ocidente numa «cola» para o Islão, ultrapassando as intrínsecas divisões fragilizantes entre xiitas, sunitas, árabes, muçulmanos e asiáticos...
Deixemos, pois, o assunto e viremo-nos para outras questões transcendentais da actualidade: p.ex., ainda não compreendi bem se foi a Merche a romper o namoro ou o Cristiano! E se o Fiúza tem mais hipóteses de ser linchado pelos adeptos do Gil Vicente ou pelo Major Valentim! E o Eusébio: sempre irá para o Panteão?
Deixe-me, se quiser, a resposta a estas perguntas na nossa mesa da Mexicana, mas desta vez veja se não se esquece do «Avante», porque é sempre uma vergonha ter de o retirar dali debaixo do braço antes que contribua para desencaminhar mais algum jovem incauto...

DRS disse...

Credo, 104! Não quero que me apontem o descaminho de jovens incautos por mor da leitura do "Avante!", ou do "Resistência", que é o órgão oficial das FARC.
Quanto ao mais do seu comentário, posto que não lhe tire razão, penso que poderemos contribuir contra o "cruzadismo", venha ele de onde vier, se continuarmos tranquilamente a desenterrar factos. Será que é útil? Não sei... Mas talvez valha a pena continuar a tentar. Talvez isso faça parte daquilo que Raymond Aron designava como «a coragem de ser moderado». Talvez seja a isso que Kipling se refere no seu (imortal)poema "If" quando escreve (mais ou menos isto) «se fores capaz de manter a calma quando todos à tua volta a perdem, e te culpam por isso»...
Que lhe parece?
Quanto ao Panteão, se já lá está a Sr.ª D.ª Amália, por que não o Eusébio, o Figo, o Cristiano Ronaldo e o Deco? Sejamos coerentes, até na falta de critério!

marcela castro disse...

Emmanuel Milingo, el arzobispo emerito de Zambia, famoso exorcista, exorcizado a su vez en Portugal tras su famoso y polemico matrimonio bajo la tambien polemica secta Moon, antiguo integrante del Consejo para los inmigrantes en Roma, con mas de 70 años, fue excomulgado ayer por ordenar obispos a cuatro sacerdotes casados, que tambien quedaron fuera de la Iglesia Catolica.

Creo que la Iglesia tiene un serio problema de tolerancia, porque no tuvo esa misma actitud hacia sus sacerdotes acusados de pedofilia (un acto aun mas contrario a la ley de Dios). Realmente que sea o no intolerante hacia otras creencias es menos controversial, ya que las otras creencias tampoco son muy gentiles con sus criticas hacia la Iglesia, que la excomunion para un ser humano que solo ha hecho lo que la misma Iglesia predica a los laicos: unirse en matrimonio.

marcela castro disse...

Olvidaba señalar que en la excomunion se aplico el Derecho Canónico, parte VI. De las sanciones de la Iglesia, Capítulo 2: De las penas para cada uno de los delitos, Parte II De las penas para cada uno de los delitos, Título I De los delitos contra la religión y la unidad de la Iglesia

Canon 1364.
C1364 P1 El apóstata de la fe, el hereje o el cismático incurren en excomunión latae sententiae, quedando firme lo prescrito en el can. 194, P1, n. 2; el clérigo puede ser castigado además con las penas enumeradas en el can. 1336, P1, nn. 2 y 3.
P2 Si lo requiere la contumacia prolongada o la gravedad del escándalo, se pueden añadir otras penas, sin exceptuar la expulsión del estado clerical.

Un verdadero terrorista para la Iglesia por haberse casado.

DRS disse...

Cara Marcela,
Como católico, acho a excomunhão muito desagradável. Mas, penso que os dois casos que refere são diferentes, e a reacção que motivam envolve mais do que a respectiva gravidade intrínseca.
Vejamos.
Se o arcebispo ordenou bispos casados, está a desafiar publica e ostensivamente a Igreja Católica, que proíbe essa prática. Ou seja, estava a pedi-las! Por isso, não desaprovo a punição do desafio, ainda que seja favorável ao casamento dos sacerdotes.
O segundo caso é muito diferente. O que os padres pedófilos (quer dizer, julgados e condenados com tal) fizeram foi muito grave, mas a Igreja, que prega a misericórdia divina perante o arrependimento do pecador, não pode abrir uma excepção neste caso. Deve obter o arrependimento dos sacoedotes faltosos, afastá-los do contacto de crianças (obviamente) e conceder o perdão. O que fizeram é gravíssimo, mas a Igreja tem de ser coerente e praticar a doutrina que defende.
De resto, a Igreja tem um sério problema de tolerância, é verdade. Mas, como comunidade de homens, tem virtudes e falhas humanas.

marcela castro disse...

Lo que dices es muy cierto, DRS, tengo clara la diferencia. Se que fue un desafio lo que hizo Milingo, mas grave aun porque ya antes se le habia dado la oportunidad de retractarse.

Pero discrepo contigo sobre el asunto de los sacerdotes pedofilos. Lo siento, pero mi postura contra esa gente (y me refiero a los pedofilos) la expuse claramente en un articulo sobre la Corte Penal. Que sean homosexuales no me preocupa, lo que haga un adulto con otro adulto en la intimidad es asunto de ellos. Con esto me declaro en contra del celibato. Pero un pedofilo SIENTE PLACER VIOLANDO NIÑOS. No es un homosexual, no pide sexo consentido, ES UN VIOLADOR. Y la misericordia de la Iglesia es tan infinita que impide que esa gentuza sea enjuicida publicamente, por los tribunales nacionales. Los juzga ella misma, en tribunales privados, SIN TESTIGOS, SIN DAR ACCESO A LA INFORMACION. ¡Por todos los cielos, violaron a niños de y en sus parroquias! NIÑOS.

Cuando se conocieron casos en Chile, no solo fueron los hechos lo que horrorizo, sino un dato que fue devastador: sacerdotes acusados en otros paises estaban ejerciendo en Chile. Y no solo en ese pais, en Mexico, Costa Rica... Dime, ¿que clase de misericordia es esa? Eso es IMPUNIDAD.

Milingo actuo mal. Pero la Iglesia es cruel contra los sacerdotes que se casan, y muy compasiva con los violadores de niños. Eso no podre entenderlo nunca

DRS disse...

Não quero desculpar os padres pedófilos. Considero a pedofilia gravíssima, particularmente abominável, e chocam-me todos os abusos cometidos contra crianças, particularmente quando os autores desses abusos têm o dever de as proteger. Mas a Igreja não pode escolher que pecados perdoar; não pode perdoar apenas aqueles pecados que nenhum de nós tem dificuldade em perdoar, até porque facilmente os cometemos. Se um padre pedófilo demonstrar arrependimento a Igreja deve perdoar e ter com ele uma atitude compassiva. Mesmo que seja um monstro, não está excluído do perdão.
Claro que isto ocorre apenas no plano espiritual; nada autoriza o encobrimento do crime, a sonegação de provas e a impunidade dos criminosos. Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus!