25 janeiro 2007

Homenagem


O Professor António Henrique Oliveira Marques morreu esta terça-feira aos 73 anos.
Historiador de craveira, introduziu no discurso histórico-cientifico português uma linguagem simples e descomplexada sobre temas muito distintos e muitas vezes polémicos, mas que marcou de forma indelével a nova geração de historiadores portugueses.
AH Oliveira Marques trabalhou sobretudo como medievalista, suscitando muitas vocações nesta área, mas não só, visto que tinha a paixão da história do princípio do século XX como republicano que era.
Tratou temas inéditos ligados à Liga Hanseática e à vida quotidiana, assim como à I República, sendo que praticamente transformou os estudos sobre esta época da história portuguesa que até então era pouco mais que panfletária.
Como director da Biblioteca Nacional deu um impulso importante no trabalho de investigação iconográfica, obtendo inclusivamente importantes colecções que ainda hoje se mantém à guarda daquela instituição.
Para além da sua obra mais conhecida «História de Portugal», publicada em vários volumes e traduzida para várias línguas, Oliveira Marques publicou também, entre outras, «Correspondência política de Afonso Costa», «Figurinos maçónicos oitocentistas», «A primeira República Portuguesa», e «Sociedade Medieval Portuguesa», além de ter coordenado várias obras como «Nova História Portuguesa» e «Dicionário de termos musicais».
Aqui lhe presto esta singela homenagem.

4 comentários:

marcela castro disse...

¿me permites sumarme a tu homenaje? es que fue el primer historiador portugues que lei, y me gusto mucho su estilo de redacción.

ASD disse...

Quero associar-me a esta homenagem ao falecido Prof. Oliveira Marques. Nome importante da historiografia portuguesa contemporânea, cujo percurso já foi bastante bem traçado pelo meu amigo e colega de formação em história PBH. A sua não foi das histórias de Portugal que mais consultei nem os seus estudos aqueles que mais me motivaram um interesse ou gosto particular. Felizmente há outros autores de idêntico nível e de reconhecida qualidade científica. Não podemos ler tudo, mas tudo aquilo que lermos não será em demasia. A velha frase "O saber não ocupa lugar" impõe-se aqui.

A homenagem prestada é mais do que justa, sobretudo no que diz respeito à sua obra, faz parte de um grupo de historiadores com conhecimentos sólidos trasnversais a várias épocas (apesar de ter produzido intensa actividade referente às épocas que PBH menciona), de carácter enciclopédico, de realçar num período em que a especialização é cada vez mais uma realidade; grupo esse onde se destacam outros nomes como os profs. José Mattoso ou Veríssimo Serrão ou ainda João Medina, felizmente para eles e para todos nós ainda entre os vivos e no activo.

Que descanse em paz.

DRS disse...

Sim, requiescat in pace.

Com alguma sorte ainda vai parar ao Panteão. Isto se a Sr.ª D.ª Amália se chegar para o lado e "arranjar um espacinho".

PBH disse...

Se o Doutor Oliveira Marques fosse a enterrar no Panteão, havia muito espaço para ele, afinal está lá tão pouca gente...
Se há coisa que Santa Engrácia não tem é falta de espaço. Deixe lá a Sra. DªAmália descansar em paz!