
As eleições para a CML aproximam-se. Os candidatos estão definidos desde hoje, com a entrega da última candidatura à edilidade.
Concorrem a estas eleições um número considerável de listas (12) o que é curioso, visto serem estas eleições intercalares. Nenhum partido quis ficar de fora ( CDS/PP, PPD/PSD, PS, CDU, BE, PPM, MPT, MRPP, PND, PNR,) e ainda dois movimentos de independentes - Helena Roseta e Carmona Rodrigues. Podemos dar-nos por felizes, no desejo de que todas estas candidaturas e candidatos produzam ideias e programas que beneficiem a cidade e os lisboetas. Bem precisamos de empenho e de ideias, seriedade e bom senso!
A pré-campanha, contudo, revela já algumas posturas pouco sérias e demasiado politiqueiras, quando aquilo de que necessitamos com urgência é de um debate político sério.
Telmo Correia avança em nome do CDS/PP com poucas possibilidades de ser eleito, assim como qualquer um dos pequenos partidos. CDS/PP e BE correm o risco de ficar de fora do próximo executivo. A quantidade de listas em disputa, nomeadamente as quatro do «Bloco Central» tornam muito dificil, senão emsmo impossível a eleição de vereadores dos partidos limitrofes. A ver vamos. Para já Telmo Correia tem feito uma campanha tranquila e sem grandes ataques pessoais, o que só lhe fica bem depois do CDS ter participado na gestão autárquica dos últimos dois anos. Já José Sá Fernades deveria ser mais discreto. A campanha de que o «Zé faz falta» conduz-me à interrogação: Faz falta a quem? Será que alguém se lembrará de perguntar ao antigo vereador sem pelouro porque necessitava ele de 11 assessores? O grande crítico das despesas da edilidade e dos erros de gestão é o mesmo que conduziu à paragem das obras do túnel do Marquês durante 3 anos, com custos de milhões de euros para a autarquia. Espero que alguém se lembre disto e sobretudo de pedir contas ao Zé!
A CDU mantém-se igual a si mesma. Pede tudo, exige tudo e não faz nada! A cassete do costume que não obriga a grandes raciocinios nem interrogações, quanto muito apenas algumas exclamações. Achava curioso que também a CDU não elegesse nenhum vereador. Seria inédito desde o 25 de Abril e um bom recado aos comunistas e à sua insistência em não adaptarem o discurso politico a 2007.
Fernando Negrão desilude. Homem respeitado e até agora inócuo, consensual no meio político, decidiu vestir a camisola que lhe mandaram. Acabou mal em Setúbal, onde depois de uma quase total ausência das reuniões de Câmara, deixou a cidade sem uma palavra aos seus eleitores, que foram bastantes! Chegou a Lisboa mal também. Atacou de forma vil o anterior Presidente Carmona Rodrigues, esquecendo-se o deputado de que o Partido e os vereadores que o acompanharam e elegeram, são os mesmos que agora lidera. Fica-lhe mal, muito mal. E fica mal também, que depois dessas cr´ticas violentas e sem sentido, inclua na sua lista dois antigos vereadores de Carmona, Lippari e António Prôa. Erro crasso que lhe valeu a quase desistência da sua mandatária Manuela Ferreira Leite, e a crítica generalizada dos comentadores da praça. Não vai longe!
Helena Roseta igual a si mesma, já falou na criação de um Comité de Salvação da Cidade. A romântica eterna julga que ainda estamos no PREC. Ao menos é sincera e sobretudo tem feito uma campanha limpa, sem ataques pessoais e apresentando propostas. Disparatadas algumas, mas ainda assim!
António Costa está em grande. As sondagens dão-lhe a vitória certa. Até agora nada de novo. Nem mesmo relativamente à OTA. Quando todos os candidatos clamam pela manutenção da Portela, Costa defende o seu desaparecimento. Vamos ver que resultado lhe traz a defesa dos interesses do governo central que acabou de abandonar. Foi para isso que o fizeram candidato, afinal João Soares era contra a OTA e por isso ficou em casa...Ota e Lei da administração local prometem ser os seus dois calcanhares de Aquiles...
Por fim Carmona Rodrigues, o último a entrar na corrida, mas de quem se espera ouvir quase tudo nesta campanha. Tem estado bem. Sem criticas pessoais, sem cartazes, sem marketing. A campanha invisivel, que é também inédita e curiosa,mas que é capaz de dar frutos. Mesmo com o total abandono do PSD conseguiu manter o seu núcleo de apoio e apresentou a sua lista apoiada, tal como há dois anos por um número significativo de artistas e intelectuais da cidade. Anda pelas ruas a falar com as pessoas. E as pessoas têm gostado...
A sorte está lançada. Que vença o melhor e sobretudo que ganhe Lisboa.
A campanha promete. Há muito que não se via uma disputa deste calibre à Capital
Aguardemos!