12 julho 2007

Alea Jacta est II


Depois de ter escrito um "post" no ínicio da campanha para as intercalares de Lisboa, volto agora a tecer alguns comentários sobre a matéria.
Não compreendo o silêncio dos vários gazeteiros sobre este tema, devo ser provavelmente o único que não tem militância política e simultâneamente o único a escrever sobre eleições! Mas cada um saberá da defesa que faz ou não faz dos projectos nos quais acredita.
Tal como previ há um mês, o discurso político sério foi praticamente inexistente.
Ao contrário do que afirmei há um mês também, excluo agora, ao parecer-me por demasiado evidente o irrealismo e a inacreditável falta de bom-senso e sentido de ética política, algumas das candidaturas por considerar que não devem merecer discussão pública, a saber: PNR, PPM, PND.
Quanto às restantes, gostaria de fazer uma nota acerca da candidatura do PCTP-MRPP e do MPT. Ainda que sejam pequenos partidos, distinguem-se dos demais seus pares pela coerência do discurso e pela apresentação de um programa eleitoral digno.
Ainda que o eterno candidato Garcia Pereira apresente propostas pouco realistas, a verdade é que soube fazer uma campanha honesta, sem ataques pessoais, sem polémicas inúteis e disponibilizando-se para o debate público sério. O mesmo se aplica ao MPT, que apesar de pequeno, é um partido que nos vem habituando desde sempre a um programa coerente, de propostas inovadoras e com utilidade, felicito por isso Pedro Quartim Santos pelo seu desempenho.
Quanto às «Magnas Candidaturas», a minha previsão não está longe da realidade.
Telmo Correia fez uma forte campanha, marcada por algumas polémicas, mas apresentando um programa equilibrado e saindo à rua na esperança de ser eleito. Não acredito que o seja, o que seguramente não agradará a Paulo Portas, que soma desta feita duas derrotas eleitorais desde que voltou para o Caldas.
O «Zé» fez o que sabe fazer, isto é, nada! Levantou mais meia-dúzia de suspeitas, fez algumas insinuações, apanhou por tabela, e acabou a choramingar apelando ao voto daqueles que lhe reconhecem o papel de «Zorro». Não me parece que seja eleito!
Ruben de Carvalho, em representação da CDU, surpreendeu pela positiva! O candidato revelou ser aquele que melhor conhece os dossiers da CML e impôs por diversas vezes a seriedade e a correcção dos números na mesa da discussão. Deverá conseguir um ou dois mandatos, assegurando assim o tradicional lugar para os comunistas.
Helena Roseta não surpreendeu. A sua imagem cândida, associada a um novo socialismo de faceta romântica é capaz de recolher bons votos, mas apresentou poucas propostas, e esqueceu-se que apelar ao consenso evitando a polémica nem sempre é a melhor estratégia política. Esteve bem no conhecimento das matérias e teve razão nos ataques que desferiu à comunicação social. O resultado que vai obter é uma incógnita, mas estou seguro que surpreenderá pela positiva.
O PSD cometeu suicídio. Depois de elouquecer, o maior partido português decidiu enverdar pela insanidade. Foi uma péssima prestação que terá resultados fatais para a actual liderança e para o partido no futuro. O tom da campanha de Fernando Negrão é insustentável do ponto de vista político. Não trouxe nenhuma solução positiva para os problemas da cidade e deixou-se levar de polémica em polémica em tom duvidoso. Negrão, o bem-quisto magistrado de Setúbal, acrescentou a isso um total desconhecimento das mais elementares realidades da Cidade de Lisboa, das suas instituições, das suas freguesias, dos seus problemas. Um total desastre, que prevejo traga ao PSD o seu pior resultado de sempre na CML depois do 25 de Abril.
António Costa sente-se bem. As sondagens são unânimes em conceder-lhe a vitória e soube evitar as polémicas. Apresentou um programa largo mas pouco coerente, uma lista de vereadores semi-consistente e um grupo de ilustres que o apoiam. Soube descolar-se das polémicas, mas as polémicas não se descolaram dele. Primeiro a OTA, depois Manuel Salgado, mais recentemente o mandatário Júdice. Entre fazer da Portela um Jardm, defender a intervenção do Governo na CML ou apresentar um Simplex em versão Costiniana, tudo valeu.
É bem capaz de ganhar as eleições, sem maioria, mas a tarefa vai pesar-lhe.
Por fim Carmona Rodrigues. O edil que foi obrigado a abandonar as suas funções a meio do mandato conduziu a candidatura ao seu estilo, sem nada dever a ninguém. Não entrou em polémicas, não falou dos outros candidatos, ninguém o viu a levantar suspeitas, nem a substimar adversários. Defendeu o seu programa, que poucas alterações teve relativamente a 2005, o que seria de esperar. Manteve-se coerente e apresentou uma equipa profissional. Quase não fez campanha de cartazes e foi melhor recebido pelos lisboetas do que se poderia imaginar.
As razões que levaram a que o PSD lhe retirasse a confiança politica começam a ser arquivadas pelos Tribunais, o que prova a sua razão!
Porque nunca o escondi, votarei no próximo domingo em Carmona Rodrigues. Fi-lo em 2005 e volto a fazê-lo conscientemente. Considero-o um homem íntegro, independente, e com um projecto para Lisboa, sem ambições políticas que ultrapassem esta candidatura. Considero ainda, que é de toda a justiça que possa terminar o seu mandato tranquilamente e responder perante o eleitorado em 2009 de acordo com as regras da Democracia. Foi um exemplo de seriedade política e de bom-senso durante a campanha eleitoral. Estou convencido de que terá um resultado surpreendente, que provará que a dignidade e a honestidade em política ainda compensam!


6 comentários:

RM disse...

Curioso post este, caro PBH, nao pela novidade do discurso mas pela repetiçao demagócica do mesmo... e refiro-me particularmente a duas frases que escreve.

A primeira, quando se refere ao PSD como o maior partido português... nem vale a pena perguntar-lhe maior que sentido ou em que direcçao, mas se quiser estender-se na definiçao...

A segunda, quando afirma que as suspeitas que levaram à demissao do Sr. Carmona Rodrigues começam a ser arquivadas pelos tribunais... que eu me recorde, o Sr. Carmona Rodrigues demitiu-se de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa depois de ter sido constituido arguido num processo de corrupçao que envolvia a empresa Bragaparques e que eu saiba esse processo de arquivado nao tem nada...

A maior verdade do seu texto é, curiosamente, aquela em que se refere ao PSD como um partido suicida... mas olhe que o assassino nao se chama Fernando Negrao...

Anónimo disse...

há sempre quem goste e quem não goste e não me senti ofendida pela definição do PSD ser o maior, tal como não me ofendo se dizem que o Benfica é o maior e isto não me ralando nada com um ou outro, mas a verdade é que gostei bastante da interpretação das candidaturas e considero Pedro BH um dos melhores e mais explícitos intervenientes deste blog, parabens e escreva sempre.

RM disse...

Cara anónima,

Certamente que eu nada tenho a apontar à escrita do caro PBH, quanto à sua forma ou modelação... aquilo que me apraz comentar é unica e exclusivamente o conteúdo. E, quanto a esse, reservo-me o direito de realçar aquele que mais me interessa comentar...

E desengane-se se julga que eu me ofendi com tal afirmação, apenas a achei curiosa e levantou-me a dúvida de onde teria vindo semelhante interpretação ou ideia...

Só para a localizar: o PSD NÃO é o partido mais antigo de Portugal; o PSD NÃO é o partido com maior número de anos à frente do Governo e da Presidência da República em Portugal; o PSD NÃO é o partido com maior número de vitórias acumuladas em todos os actos eleitorais realizados em Portugal; o PSD NÃO é não é o partido com a maioria da Assembleia da República, neste momento, em Portugal... decididamente, o PSD NÃO É O MAIOR PARTIDO PORTUGUÊS!

Quanto ao Benfica, está efectivamente correcto quando se lhe chama o maior clube portugues, aliás, fique a saber, que está inclusivamente correcto chamar-lhe o maior clube do mundo... claro que para isso é preciso explicar em que sentido, que foi o que perguntei relativamente ao PSD. No caso do Benfica, merece tal título, que aliás lhe está reconhecido no Guiness Book of Records, por ser o clube com o maior numero de sócios do mundo.

André SD disse...

Concentro o meu comentário nos seguintes aspectos:

- Acredito que Carmona seja um homem honesto e tecnicamente competente mas revelou-se (fatalmente)sem perfil de liderança política e de coordenação de uma equipa que deveria ter conduzido de uma outra forma os destinos da capital do país. Seria de evitar a forma como fala da gestão da cidade como se não tivesse sido o último presidente de câmara eleito.

- António Costa já viu que não são favas contadas e que a ambicionada maioria absoluta do PS no executivo camarário será algo que não passará de um desejo seu... e do governo Sócrates! Uma miragem no deserto (ainda que na margem norte do Tejo...)portanto. Não vai ter a vida nada fácil. Em democracia não há vitórias antecipadas, muito menos maiorias absolutas.

- Por falar em Tejo...Sr.candidato do PSD Tejo é o nome do rio que banha a cidade de Lisboa. Pode até ser um bom magistrado mas deixe Lisboa a quem dela perceba.


- Roseta, bem intencionada mas falsa independente, zangada com o PS que preferiu Costa e não a ela. O seu carácter "romântico", como diz o Pedro BH, não se enquadra no perfil que a CML, sobretudo neste momento, exige.

-Telmo Correia. Boa aposta do CDS/PP num político já experiente, inclusivamente enquanto autarca em Lisboa, o que, efectivamente, dá jeito numa eleição desta natureza. Postura realista, prioridades bem organizadas, compatíveis com o carácter intercalar e singular das eleições e da situação da autarquia. Convive desde o início com certas vozes de velhos do Restelo (o Pedro BH parece querer mudar-se para essas bandas quando for senhor de idade mais avançada)que alvitram sobre a sua não eleição. O CDS/PP vai estar representado, e bem, no executivo lisboeta. "Falar claro, Fazer bem". Eu voto Telmo Correia.


Mais observações e comentários reservo-me para os tornar públicos nesta nossa Gazeta nos dias posteriores às eleições. Entretanto há uma campanha para continuar e acabar. O ambiente é escaldante, tórrido. Quem ficará derretido pelo caminho a ver vamos.

Um último apelo aos eleitores lisboetas para não faltarem a este acto eleitoral. Independentemente do seu sentido de voto participem!
Só assim a qualidade da nossa democracia pode melhorar e a cidade ser de todos e vivida por todos!

Pedro BH disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro BH disse...

Caro RM

A resposta à sua duvida é simples. O Partido Social Democrata é o maior partido português porque é simplesmente o que maior número de militantes possuí.
Como deve ter compreendido pelo meu "Post", o adjectivo que utilizei não poderia ser entendido de outra maneira.
Que fácil foi o seu racíocinio relativamente ao SLB e que complexo aquele que destinou à minha afirmação.

Cara Anónima

Muito agradeço as suas palavras.
Apareça mais vezes e comente mais.
Se achar por bem, deixe o anonimato!
Até breve.

Caro André SD

Velho do restelo por acreditar que o candidato do CDS/PP não vai ser eleito? Ora essa!
Ser velho do restelo, significaria que teria algum desejo íntimo de que tal não acontecesse, e na verdade não tenho.
As quatro candidaturas do «Bloco Central» somadas à boa performance de Ruben de Cravalho parecem-me colocar em grandes trabalhos o Dr. Telmo Correia, assim como o «Zorro».
Em todo o caso, desejo as maiores felicidades ao seu candidato e à sua campanha.
Tenho pena que não tenha escrito mais sobre estas eleições, assim como lamento a total ausência de textos dos restantes gazeteiros.
Mas...La nave va...