13 setembro 2007

A visita do Lama...


A visita do Dalai Lama a Portugal que hoje começou é já a segunda que o Chefe espiritual dos Budistas e ex-Chefe de Estado do Tibete no exílio realiza ao nosso país. A última foi há seis anos e, tal como agora, o Governo Português recusou receber o Prémio Nobel da Paz.

Esta situação que se repete é inaceitável por uma questão de ordem política, diplomática e de justiça.
Razão política porque Portugal é uma Democracia, um Estado de Direito e uma Nação soberana. Por essa razão, e porque o Estado é constitucional, os governos e a classe política de uma forma geral deverão reger-se pelas normas dessa Lei fundamental que obriga ao sentido da Justiça, ao reconhecimento do Direito e à defesa dos valores e Direitos Humanos. Um Estado com estas caracteristicas não deve basear a tomada das suas decisões em meras questões de conveniência, mas sempre, no reconhecimento dos valores fundamentais que lhe dão corpo.
Razão diplomática, porque Portugal tem uma História, ainda que a maioria dos seus cidadãos seja ignorante dela. Ainda há quinze anos Portugal liderou aquela que foi provavelmente a sua mais importante batalha diplomática de sempre, que logrou em sucesso e que conduziu à auto-determinação de Timor -Larosae e à sua independência. Durante mais de 20 anos Portugal não manteve relações diplomáticas com a Indonésia, Estado importantissimo do Sudeste asiático, em nome da Defesa dos Direitos Humanos e na exigência que fazia do reconhecimento por parte desta potência do direito à Independência do povo maubere. A memória é curta e hoje a mesma classe política e diplomática não faz a Defesa dos Direitos Humanos nem exige o reconhecimento por parte da China do direito à Independência do povo tibetado, ocupado há mais de 50 anos.
Razão de Justiça porque o Dalai Lama é um Homem de Paz, um chefe de Estado exilado, que foi obrigado pela força a abandonar o seu país e que lutou sempre, por meio pacíficos, pelo direito à justiça e à libertação do seu país e do seu povo. Isso mesmo reconheceu a Academia Sueca quando lhe atribuiu o mais alto galardão com que são distinguidos os mais valorosos!
Como se tudo isso não bastasse, o Dalai Lama é um respeitado Chefe espiritual de milhões de pessoas e um homem admirado em todo o Ocidente.
O meu único consolo, se é que serve de consolo, é que este Homem ficará para a História, ele marca a história, e sobretudo marca os corações humanos que o escutam.
Nenhum dos politicos portugueses, medíocres, que hoje se recusam, por medo, a recebê-lo, terá o seu nome inscrito na mesma tábua!

11 setembro 2007

Foi há 6 anos...

Mas nós nunca esqueceremos...

10 setembro 2007

De pé ó vitimas das FARC!

A revista das FARC, Resistência, não esteve este ano representada no stand colombiano na Festa do Avante!. Como todos os anos, também este ano a festa organizada pelo PCP tinha guardado um espaço para o meio de comunicação e expressão de ideias do grupo que o mundo chama de terrorista, mas os comunistas portugueses insistem em apelidar de revolucionário.Só que este ano a revista não veio.
Na resposta que deu ao DN sobre a polémica, o PC volta a chamar às FARC "uma organização popular armada que há mais de 40 anos prossegue, entre outros objectivos, a luta pela real democracia na Colômbia e por uma justa e equitativa redistribuição da riqueza, dos recursos naturais da Colômbia e da posse e uso da terra". in DN



Mais uma vez lamentável a postura do PCP! Mas também, convenhamos que não há muita novidade nesta matéria. Este é e será sempre o PC saudoso das ditaduras de leste, amigo das diatduras de Cuba, Coreia do Norte e solidário com terroristas como as FARC.



Acontece que com esta postura, o PC não tem qualquer legitimidade para fazer muitos dos discursos que faz, em defesa dos pobres e oprimidos, em defesa da democracia, ou contra o autoritarismo do governo. E ao fazê-los, revela-se de uma hipocrisia total e de uma incoerência sem limites.



O vermelho, cor tradicional do PC, tem toda a lógica. É a lógica do sangue das vitimas das FARC, os ilustres convidados da Festa do Avante...

08 setembro 2007

CML: os domingueiros


"O Terreiro do Paço aos Domingos é das pessoas". A primeira coisa que nos ocorre (pelo menos assim foi comigo) é pensar que nos outros dias será de quem? Dos animais? Temos a sorte e a honra de dispor de uma praça com as características do terreiro onde já existiu o Real Paço da Ribeira destruído a 1 de Novembro de 1755. A frente ribeirinha desta praça foi destruída há uns anos, não por um terramoto, mas por umas obras que irão rapidamente destronar as de Santa Engrácia. Se for permitido irão. Não duvido. Se for...


É característico de uma nova equipa autárquica apresentar um projecto para o Terreiro do Paço (ou Praça do Comércio para alguns). Bom, esta medida está longe de ser um projecto, ou parte de algo passível de estar abrangido por essa denominação. É fácil, não será muito caro e quanto aos milhões só se for de carros que entopem outras vias quando a dita medida é aplicada, pois não é articulada com outras soluções complementares. Em termos de trânsito e não só. Fecha-se e pronto. As morosas e vergonhosas obras lá continuam (e todos os dias da semana). Pelo menos o estaleiro lá está!


A oferta cultural e de lazer é muito reduzida. Participei em tempos em um colóquio onde foi discutido que museus para a cidade de Lisboa. No Terreiro do Paço precisamente, no auditório com entrada pela Rua do Arsenal, no espaço onde em tempos que já lá vão foi a Casa da Índia. Do meu ponto de vista uma área urbana como o Terreiro do Paço, com as suas características presentes e passadas deve tentar uma convivência que se quer saudável entre zona de funcionamento de organismos públicos e zona de actividades culturais e de lazer. Se for só ministérios cumpre a função de centro histórico de poder político e de actividade do funcionalismo público mas perde, e muito, em termos de vida cultural, recreativa e turística. Se for só turismo desvirtua a praça e apresenta uma versão plastificada da vida lisboeta. Já sem falar que não concordo que tudo o que é edifício antigo (para simplificar utilizo este termo) deve ser um museu. Se por vezes pode ser uma boa solução muitas vezes não o é, quer pelo projecto em si quer pela banalização sem qualidade de opções desta natureza. Uma boa combinação entre estas duas valências pode ser uma bom destino.


Pode valorizar-se a história lisboeta e melhorar a oferta cultural da capital com um museu novo ou um núcleo museológico do Museu da Cidade. Áreas cobertas e ao ar livre para exposições e outros eventos culturais que qualifiquem a praça e a sua vida, quer diurna quer nocturna. Pode ser estudada a implementação de infraestruturas turísticas compatíveis com a arquitectura da praça e a sua vida social ( hotel, restauração mais diversificada, etc...). Mas teria de ocupar o espaço parcialmente, havendo paralelamente e sobretudo no período diurno a actividade de alguns ministérios.


Repito, assim a escolha não seria entre uma variante ou outra, mas a combinação desejável das duas.


Em tempos retirou-se, e bem, o inacreditável parque de estacionamento automóvel que rodeava a estátua de S.M. El-Rei D. José I. Concordo que o tráfego automóvel, deve ser retirado, ou pelo menos, condicionado em zonas do centro histórico. Mas tem de ser como resultado de decisões pensadas e programadas e não fruto de um qualquer impulso populista. Que só desorganiza e provoca o caos. E nada resolve, nem provisoriamente. Aqui a escolha também não é entre Terreiro do Paço sem carros ou com carros, pois vamos todos concordar que é melhor sem carros. O Dr. Costa assim deve ter pensado. Vamos agradar a todos. Mas engana-se. Em primeiro lugar não agrada certamente às pessoas que ficam retidas nas filas de trânsito de Domingo, qual período em que uma gigantesca árvore de Natal aí marca presença (outrora cobrindo por completo e sem pudor a estátua de S.M. El-Rei D. João I na vizinha Praça da Figueira). Depois é uma pseudo solução no imediato e quando os lisboetas constatarem que continua tudo na mesma, ou ainda pior em alguns aspectos, espera-se que sejam consequentes com as críticas (o que nem sempre é fácil de verificar no espírito português) e que penalizem os domingueiros que tiveram a sorte (ou não) de ser eleitos para conduzir os destinos políticos da cidade.


O Terreiro do Paço deve ser de todas as pessoas, todos os dias e por muitos anos! E não só aos domingos e tão somente para contemplar as arcadas, o arco, a estátua do Machado de Castro e acompanhar com amargura e pó (e lama no Inverno) os danosos trabalhos das obras do metropolitano.

06 setembro 2007

Luciano Pavarotti














1935 - 2007

04 agosto 2007

Luto no Cinema. A morte de dois Artistas.

Na passada 2ª feira, 30 de Julho, morreram dois nomes de peso da chamada 7ª Arte: Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. É de lamentar e aqui assinalar estes acontecimentos que todos reconhecem empobrecer o mundo das artes e da cultura de uma forma geral.
Não sendo um especialista nem sequer um conhecedor razoável da obra artística, não só cinematográfica, de ambos deixo-vos aqui algumas declarações feitas por João Bénard da Costa, escritor e director da Cinemateca Portuguesa:

"Em declarações à agência Lusa, Bénard da Costa fala de duas mortes "simbólicas", porque desaparece "um cinema moderno que já é clássico".

"Desapareceram todos. Já só resta [Manoel de] Oliveira", lamentou o director o Museu do Cinema.

Sobre os dois realizadores, João Bénard da Costa aponta algumas "coincidências" em termos de carreira cinematográfica, como o ano de 1955, em que se começou a ouvir falar deles, por conta dos prémios conquistados em Cannes e em Veneza, ou o início da década de 1960, quando os dois cineastas embarcaram em duas trilogias.

"Tirando essas duas coincidências, os dois realizadores são muito diferentes", sublinha o responsável.

Desde logo, porque Bergman tinha "uma profunda ligação ao teatro, enquanto Antonioni estava mais ligado à literatura e à pintura".
Antonioni, que morreu aos 94 anos em Roma, "era um cineasta da comunicabilidade, levou para o cinema uma via mais ascética e despojada do melodrama, com um sentido da impossibilidade do amor".

Bergman, que morreu com 89 anos, tinha um "cinema mais masculino, mais marcado pela problemática da metafísica e de Deus", enquanto o cinema de Antonioni "era muito mais do feminino e da mulher, com uma procura do sentido das relações e da vida", comparou.
Bénard da Costa recorda os momentos que privou com Antonioni, "os dias de convívio" por ocasião das duas passagens do realizador por Lisboa, nas décadas de 1980 e 1990, mas lamenta nunca ter conhecido Bergman pessoalmente, porque o cineasta sueco "tinha relutância em viajar".

Apesar da Cinemateca já ter feito retrospectivas das obras dos dois realizadores, Bénard da Costa referiu que o Museu do Cinema irá programar novas inciativas para recordar os autores. Resumindo o significado que estas duas mortes representam para o cinema, Bénard da Costa cita o próprio Antonioni quando, numa carta que lhe escreveu, fala da morte de Roland Barthes.

"Há um pouco menos de doçura e de inteligência no mundo. Quanto mais avançamos neste mundo que regride mortalmente, mais vamos sentir a sua falta. É isto que eu sinto perante a morte de Ingmar Bergman e Antonioni", disse João Bénard da Costa."

TVNET / Lusa

02 agosto 2007

RUA!


A exoneração de Dalila Rodrigues, Directora do Museu Nacional de Arte Antiga é uma vergonha à qual a opinião pública não pode ficar indiferente.
A incompetência, a prepotência e a ignorância da Ministra da Cultura e a nulidade da política cultural deste governo atigiram o grau máximo, a partir do qual o interesse dos cidadãos e os interesses da Res Pública passam a estar em risco.
Dalila Rodrigues é das melhores da sua geração. Consagrou-se na renovação e na dinamização do Museu Grão Vasco, fez uma brilhante carreira como dirigente cultural e desde que ocupou a direcção das Janelas Verdes têm trazido ao MNAA uma nova dinâmica, o apoio de Mecenas como o Millenium BCP e a apresentação pública de colecções e espólios há muito esquecidos.
A sua saída inesperada, fruto da teimosia e preseguição politica que começa a revelar-se preocupante em todos os níveis da administração pública portuguesa é uma humilhação pública que não pode ser permitida.
Faço por isso um apelo à participação numa vígilia, a acontecer hoje pelas 19h à porta do MNAA de apoio a Dalila Rodrigues, que espero, seja o primeiro passo de exigência de uma outra demissão, a de Isabel Pires de Lima.

27 julho 2007

Momentos para desentoxicar II









"Terra Quente" : Trás-os-Montes

24 julho 2007

Educação e disciplina

"O processo disciplinar instaurado a Fernando Charrua foi arquivado pela ministra da Educação, que decidiu não aplicar qualquer sanção ao professor por considerar que o comentário que fez à licenciatura do primeiro-ministro se enquadra no direito à opinião.
Num despacho datado de segunda-feira e divulgado hoje, Maria de Lurdes Rodrigues defende que «a aplicação de uma sanção disciplinar poderia configurar uma limitação do direito de opinião e de crítica política, naturalmente inaceitável» numa sociedade democrática, uma vez que as declarações de Charrua não visavam um «superior hierárquico directo», mas o primeiro-ministro, José Sócrates.
«Assim, determino o imediato arquivamento do processo», refere Maria de Lurdes Rodrigues."

In PortugalDiário.

Esteve bem a Ministra ao decidir arquivar o processo. E para que continue bem, só lhe falta demitir a directora da DREN, Margarida Moreira.

Fica provado que ela prestou um mau serviço à causa pública, utilizando o Estado e os seus serviços para guerras políticas. E isso é absolutamente inaceitável e deve ter consequências para quem assim procede. Só assim se poderá garantir que episódios como este não se voltarão a repetir...

20 julho 2007

Momentos para desentoxicar I




Praia de Moledo


Podiam ser momentos para respirar do "Abrupto" de JPP... Mas não, são mesmo momentos para desentoxicar !
Aproveitem !






Voto obrigado? Não, obrigado!


O Pedro levantou recentemente a questão da obrigatoriedade do voto face ao nível de abstenção nas recentes intercalares para a Câmara de Lisboa.

Sou absolutamente contrário a qualquer obrigatoriedade de votar.

Desde logo, o voto resulta de uma expressão de liberdade individual, não deve portanto ser coercivo.
A essência da Democracia é a liberdade das pessoas e, nessa liberdade, está incluída a possibilidade de não votar.
E o facto de alguns, mesmo que muitos, não votem, não impede que se elejam deputados, câmaras ou presidentes da República. Nem os seus mandatos se tornam ilegítimos ou ficam limitados. Nem as suas decisões deixam de ter relevância ou alcance.

Obviamente que a abstenção é um fenómeno preocupante e que deve levar a classe política a reflectir e a mudar comportamentos de forma a reconquistar a confiança das pessoas. Mas introduzir agora a obrigatoriedade do voto não resolve o problema de fundo e poderá levar a resultados perversos.

Muitas das pessoas que não votam, fazem-no por descrença total, umas no sistema, outras nos partidos tradicionais. E há ainda aquelas que nem sabem o quem é o Presidente da sua Câmara, ou o Primeiro-Ministro, que nunca ligaram à política e não querem saber dela.
E qual seria o seu sentido de voto, se a isso fossem obrigados? Confesso que temo o pior. Imagino logo a eleição de deputados do PNR, do MRPP ou de outros grupelhos de extrema-esquerda, naquilo que seria logicamente um voto anti-sistema. E atendendo ao número de abstencionistas, arriscávamo-nos a que não fossem grupos parlamentares pequenos!

Eu prefiro que haja pessoas que não votem, do que ter milhares de votos de protesto que poderiam trazer sérias complicações à governação do país ou de uma autarquia.

Por outro lado, temos ainda uma constituição que permite a existência de partidos de extrema-esquerda, mas proíbe os de extrema-direita (esclareço desde já que não concordo com esta duplicidade de critérios). Para tornar o voto obrigatório, teria de se proceder a uma alteração constitucional, pois se obrigamos as pessoas a expressarem a sua opinião através do voto, não podemos depois negar-lhes essa possibilidade na prática. Seria uma verdadeira palhaçada.

A Democracia não é um sistema perfeito. Um dos seus princípios básicos é o das pessoas se poderem expressar livremente. Votando ou não votando, mas isso é uma escolha delas, não pode nem deve ser uma imposição de terceiros…

19 julho 2007

Usura...


Fui ver ao cinema um filme italiano que conta a história de António, um antigo frade agostinho que se converte ao franciscanismo e parte para a Itália em busca do fundador daquela Ordem, S. Francisco de Assis - António, cavaleiro de Deus. Popular em todo o mundo cristão, Santo António de Lisboa, é uma personagem pouco conhecida no que concerne aos seus escritos e à sua biografia.
O filme não ajuda muito. O argumento é fraco, os diálogos também. Os cenários menos mal...
Contudo, este filme aborda de forma exaustiva uma questão muito cara a António, a questão da usura. Prática comum em alguns sectores da sociedade no mundo medieval, a usura era considerada crime grave, ainda que os agiotas, por serem normalmente pessoas ricas e bem posicionadas social e politicamente raramente eram alvo de qualquer processo.
Santo António consegue a condenação de alguns ilustres agiotas de Pádua e é aclamado pelo povo daquela cidade como seu justiceiro.
Não querendo discutir questões hagiográficas ou religiosas, o que pretendo ao escrever este "post" é deixar à reflexão esta questão que me parece interessante:
Há cerca de 500 anos, a usura era um crime condenado pela sociedade e pelos tribunais. A luta contra este crime condenou muitos e elevou muitos outros ao púlpito da justiça popular.
Hoje, na nossa sociedade dita civilizada, a usura é praticada amplamente, constituindo mesmo um dos pilares fundamentais da nossa organização económica.O termo "juro" substituiu o termo "usura", mas na prática a sua aplicação é semelhante...
O que significará a nossa aceitação hoje desta prática que tanto indignou os nossos antepassados?

17 julho 2007

Eleições em Lisboa

O Povo de Lisboa falou. Não foram muitos, mas tal não retira importância ao acto ou legitimidade aos eleitos.

O PS ganhou, não que considere uma vitória histórica, mas ganhou e por isso está de parabéns.

Estão ainda de parabéns os “supostos” independentes Carmona e Roseta. O primeiro conseguiu a proeza de ficar em segundo lugar, a segunda a de ficar à frente das restantes forças de esquerda.

PC e Bloco resistiram, PSD e CDS foi a desgraça total.

Quanto ao CDS, a não eleição de Telmo Correia era expectável. O CDS tem sistematicamente descido em Lisboa. Dos 7% de Portas em 2001, passou para os 5,7% de Zézinha em 2005 e acabou nos 3,7 de Telmo. O CDS foi um dos grandes prejudicados com o fenómeno dos independentes e a dispersão de votos.

No que respeita ao PSD, este foi o pior resultado de sempre. 15% e atrás de Carmona Rodrigues. Pior era impossível.
Está agora à vista de todos o resultado da acção de Marques Mendes e Paula Teixeira da Cruz em Lisboa.
Está agora à vista de todos o que acontece quando se tenta governar os Paços do Concelho a partir da S. Caetano à Lapa, quando a oposição ao executivo camarário vem da própria distrital, quando se põe e dispõe de lugares eleitos em função de jogos partidários. A derrota de Lisboa tem 2 rostos sociais-democratas: Marques Mendes e Paula Teixeira da Cruz. A Fernando Negrão reconheça-se a coragem de dar a cara para resolver os problemas que outros criaram, quando mais ninguém quis esta missão de sacrifício.
O PSD, pós eleições de Lisboa, não poderá voltar a ser o mesmo, sob pena de em 2009 o cenário se repetir. E para histórias dramáticas, já bastou esta.

16 julho 2007

Será Lisboa a vencedora?


As minha primeiras palavras aqui expressas são para felicitar os vencedores: o PS e António Costa. A grande vencedora da noite não merece qualquer felicitação, muito pelo contrário o mais adequado é um veemente repúdio perante tamanha abstenção. É inaceitável que quem tem o direito de ser cidadão não tenha plena consciência que tal implica direitos e DEVERES! Ainda não tenho opinião formada sobre o voto obrigatório, mas enquanto hipótese plausível não deve ser desprezada. Depois do sucedido temos um presidente de câmara eleito por um em cada nove eleitores do concelho de Lisboa! Temos um presidente de câmara eleito por 29,54 % dos 37,39 % dos 524248 eleitores que perfazem os 100% ! É o mais votado e é o novo edil lisboeta democraticamente eleito. Não estou a negar isso. Agora que é vergonhoso para a nossa sociedade civil, para a nossa consciência cívica e de cidadania e para a própria democracia é algo de indesmentível.

Abstenção... e coligação é um outro termo que deve vincar o que resulta deste acto eleitoral. Os lisboetas, aqueles que são eleitores e que foram depositar o seu voto na urna, determinaram que não dariam uma maioria absoluta a um só partido ou força política. Coligação é pois a palavra de ordem. Irá ser suficiente para por ordem? E que coligação e com que abrangência? É verdade o "Zé" foi eleito, desceu a votação, mas lá continua. Há, de facto, alguém que acha que ele faz falta. Costa também achará? O BE só elegeu um... pois... assim não fará falta a Costa. Pelo menos o "Zé" sozinho. Costa não quer Portela+1 mas quererá Roseta (2)+Zé (1)? A resposta não deve tardar e só António Costa a pode dar. A ver vamos... é preciso aguardar.

Bons resultados dos "independentes" sobretudo se tivermos em linha de conta que as máquinas partidárias em campanha eleitoral são sempre hegemónicas, esmagadoras mesmo. Três mandatos para Carmona e dois para Roseta é bem bom. Se bem que no caso de Carmona estamos a falar do anterior presidente de câmara que passa a vereador, mas que de qualquer forma tinha nessa altura o apoio da máquina laranja que deixou de ter. Também Negrão o teve e ficou em terceiro. É fraco o resultado. Arrasador mesmo. Apesar dos três vereadores. É o início ( diria antes a continuação) do percurso de Mendes para o abismo, para o deserto, para um deserto...

O CDS/PP não elegeu nenhum vereador pela primeira vez na sua história alfacinha. É triste. É mau. Para o partido e para a cidade. E não me venham dizer que era previsível. Mesmo com tão grande número de candidatos e com a dispersão de votos. Mas é verdade, aconteceu embora não tenha faltado muito. Não há volta a dar. Há que reflectir e agir em conformidade. O PSD vai fazer o mesmo. Espera-se. O CDS/PP também, ainda que por outras vias. Espera-se. Podem resultar decisões importantes para o percurso futuro do centro-direita não só em Lisboa, mas sobretudo a nível nacional.

Vamos ver e acompanhar o desempenho deste novo presidente de câmara nas suas novas funções, acabadinho de sair do governo, defensor do aeroporto na Ota e do garrote financeiro às autarquias locais, agora a conduzir os destinos da maior do país. E pejada de radares...

Chegará a barcaça a bom porto? Será Lisboa a vencedora?

Alea Jacta Est III


Por fim os resultados.

Poderia ter ido para bruxo em vez de gazeteiro! Mas o destino assim quis, e aqui me encontro de novo a rematar os comentários sobre o resultado das intercalares em Lisboa.
Tal como previ, Costa ganhou, e grandes trabalhos o aguardam. Queria maioria absoluta, mas só conseguiu seis vereadores. Carmona obteve um resultado inesperado para alguns, mas pelo qual eu aguardava. Não era o resultado que eu desejava, mas foi o possível, e dadas as circunstâncias foi louvável.
O PSD obteve o pior resultado da sua história na autarquia de Lisboa. Mendes começa a arrumar as malas. Só me vem à memória a célebre frase dos antigos latinos- Roma não paga a traidores!
A CDU obteve o resultado justo, assim como Roseta. O «Zorro» lá conseguiu os votos suficientes para ser eleito. É pena, mas agora o Costa que o ature!
Quanto ao CDS, os resultados falam por si. Tenho pena que não haja nenhum vereador popular na CML, mas só quem não olhasse com olhos de ver, poderia iludir-se quanto à sua eleição.
Por fim a abstenção! A vergonha da cidadania.
Cada vez mais me convenço que deveria ser aprovada uma lei pelo Parlamento que tornasse o voto obrigatório. Quem não votar deverá justificar ao Estado a razão, e quem não justificar deverá pagar uma multa, e pesada. Penso ser a única forma de acabar com este desleixo perante as obrigações mais elementares. Em Democracia o voto não é um direito, é uma OBRIGAÇÃO!

Boas vindas

Hoje, tenho o prazer de dar as boas vindas a mais um blogger, aqui na Gazeta.

Ao João Barros, aqui ficam os votos de muitos e bom posts.

12 julho 2007

Alea Jacta est II


Depois de ter escrito um "post" no ínicio da campanha para as intercalares de Lisboa, volto agora a tecer alguns comentários sobre a matéria.
Não compreendo o silêncio dos vários gazeteiros sobre este tema, devo ser provavelmente o único que não tem militância política e simultâneamente o único a escrever sobre eleições! Mas cada um saberá da defesa que faz ou não faz dos projectos nos quais acredita.
Tal como previ há um mês, o discurso político sério foi praticamente inexistente.
Ao contrário do que afirmei há um mês também, excluo agora, ao parecer-me por demasiado evidente o irrealismo e a inacreditável falta de bom-senso e sentido de ética política, algumas das candidaturas por considerar que não devem merecer discussão pública, a saber: PNR, PPM, PND.
Quanto às restantes, gostaria de fazer uma nota acerca da candidatura do PCTP-MRPP e do MPT. Ainda que sejam pequenos partidos, distinguem-se dos demais seus pares pela coerência do discurso e pela apresentação de um programa eleitoral digno.
Ainda que o eterno candidato Garcia Pereira apresente propostas pouco realistas, a verdade é que soube fazer uma campanha honesta, sem ataques pessoais, sem polémicas inúteis e disponibilizando-se para o debate público sério. O mesmo se aplica ao MPT, que apesar de pequeno, é um partido que nos vem habituando desde sempre a um programa coerente, de propostas inovadoras e com utilidade, felicito por isso Pedro Quartim Santos pelo seu desempenho.
Quanto às «Magnas Candidaturas», a minha previsão não está longe da realidade.
Telmo Correia fez uma forte campanha, marcada por algumas polémicas, mas apresentando um programa equilibrado e saindo à rua na esperança de ser eleito. Não acredito que o seja, o que seguramente não agradará a Paulo Portas, que soma desta feita duas derrotas eleitorais desde que voltou para o Caldas.
O «Zé» fez o que sabe fazer, isto é, nada! Levantou mais meia-dúzia de suspeitas, fez algumas insinuações, apanhou por tabela, e acabou a choramingar apelando ao voto daqueles que lhe reconhecem o papel de «Zorro». Não me parece que seja eleito!
Ruben de Carvalho, em representação da CDU, surpreendeu pela positiva! O candidato revelou ser aquele que melhor conhece os dossiers da CML e impôs por diversas vezes a seriedade e a correcção dos números na mesa da discussão. Deverá conseguir um ou dois mandatos, assegurando assim o tradicional lugar para os comunistas.
Helena Roseta não surpreendeu. A sua imagem cândida, associada a um novo socialismo de faceta romântica é capaz de recolher bons votos, mas apresentou poucas propostas, e esqueceu-se que apelar ao consenso evitando a polémica nem sempre é a melhor estratégia política. Esteve bem no conhecimento das matérias e teve razão nos ataques que desferiu à comunicação social. O resultado que vai obter é uma incógnita, mas estou seguro que surpreenderá pela positiva.
O PSD cometeu suicídio. Depois de elouquecer, o maior partido português decidiu enverdar pela insanidade. Foi uma péssima prestação que terá resultados fatais para a actual liderança e para o partido no futuro. O tom da campanha de Fernando Negrão é insustentável do ponto de vista político. Não trouxe nenhuma solução positiva para os problemas da cidade e deixou-se levar de polémica em polémica em tom duvidoso. Negrão, o bem-quisto magistrado de Setúbal, acrescentou a isso um total desconhecimento das mais elementares realidades da Cidade de Lisboa, das suas instituições, das suas freguesias, dos seus problemas. Um total desastre, que prevejo traga ao PSD o seu pior resultado de sempre na CML depois do 25 de Abril.
António Costa sente-se bem. As sondagens são unânimes em conceder-lhe a vitória e soube evitar as polémicas. Apresentou um programa largo mas pouco coerente, uma lista de vereadores semi-consistente e um grupo de ilustres que o apoiam. Soube descolar-se das polémicas, mas as polémicas não se descolaram dele. Primeiro a OTA, depois Manuel Salgado, mais recentemente o mandatário Júdice. Entre fazer da Portela um Jardm, defender a intervenção do Governo na CML ou apresentar um Simplex em versão Costiniana, tudo valeu.
É bem capaz de ganhar as eleições, sem maioria, mas a tarefa vai pesar-lhe.
Por fim Carmona Rodrigues. O edil que foi obrigado a abandonar as suas funções a meio do mandato conduziu a candidatura ao seu estilo, sem nada dever a ninguém. Não entrou em polémicas, não falou dos outros candidatos, ninguém o viu a levantar suspeitas, nem a substimar adversários. Defendeu o seu programa, que poucas alterações teve relativamente a 2005, o que seria de esperar. Manteve-se coerente e apresentou uma equipa profissional. Quase não fez campanha de cartazes e foi melhor recebido pelos lisboetas do que se poderia imaginar.
As razões que levaram a que o PSD lhe retirasse a confiança politica começam a ser arquivadas pelos Tribunais, o que prova a sua razão!
Porque nunca o escondi, votarei no próximo domingo em Carmona Rodrigues. Fi-lo em 2005 e volto a fazê-lo conscientemente. Considero-o um homem íntegro, independente, e com um projecto para Lisboa, sem ambições políticas que ultrapassem esta candidatura. Considero ainda, que é de toda a justiça que possa terminar o seu mandato tranquilamente e responder perante o eleitorado em 2009 de acordo com as regras da Democracia. Foi um exemplo de seriedade política e de bom-senso durante a campanha eleitoral. Estou convencido de que terá um resultado surpreendente, que provará que a dignidade e a honestidade em política ainda compensam!


A Cimeira...




Ainda que tarde, não gostaria de deixar passar a oportunidade de elogiar a forma como decorreu a Cimeira UE-BRASIL. Correu bem para ambos os lados e constituiu um importante passo na aproximação ao gigante sul-americano por parte dos europeus.
Ainda que os membros da Mercosul não tenham gostado muito da ideia, e tenham feito chegar os seus protestos às instância comunitárias, os trabalhos decorreram de forma pacífica e frutífera.
O Governo Português está de parabéns pela forma como soube conduzir este dossier e pelo facto de ter dado um impulso decisivo a esta cimeira, que teve, para além de outros méritos, o facto de ter tido a Língua Portuguesa como idioma oficial do encontro.

Aguardemos os resultados!


10 julho 2007

Boas Recordações (10): Espaço 1999

Vaias e apupos

No final da inauguração da nova ponte da Lezíria, e a propósito da vaia que recebeu no Estádio da Luz, Sócrates disse:
«Como político tenho de lidar com as vais e apupos ou com os aplausos»
São boas notícias para os "apupantes", pelos vistos o PM não os tenciona processar. Ainda assim, à cautela, é melhor manterem-se longe de um blog...

04 julho 2007

SOPHIA


Já passaram três anos sobre a morte física de Sophia. Não acredito na vida para além da morte, pelo menos como é apresentada tradicionalmente pela Igreja Católica. De Sophia permanecem a memória e a obra. É através destas formas que continua viva em cada um de nós. Sou e continuarei a ser um sophiano.
Ontem, 3 de Julho, no Centro Nacional de Cultura, um pequeno filme de proximidade e intimista de João César Monteiro (quando este se autodenominava João César Santos) sobre Sophia, no qual esta foi a actriz principal e uma intervenção profunda, emocionante e emocionada de um amigo da poeta, Alberto Vaz da Silva assinalaram a data evocada. No ano passado a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna promoveu uma homenagem sentida e muito válida, através de sessões ao longe de meses, nas quais foi lida na íntegra a obra poética de Sophia.
Entrar no seu universo poético é fazer um percurso sensorial, onde todos os cinco sentidos actuam, a Natureza e o Homem partilham o mesmo espaço, o tempo da Antiguidade Clássica, da Grécia Antiga está bem presente, pois seus valores, como o equilibrio e a harmonia, são intemporais e perenes. Os aromas, os paladares, as cores, as proporções e dimensões, a arte, as atitudes, as emoções, a luz, as sombras, os valores, o carácter, o Eu profundo e o Outro próximo tomam corpo, anima e vida, adquirem um significado real muito próprio na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Esta portuguesa, poeta, escritora, contista, ensaísta, cidadã, mulher e mãe apresenta uma combinação singular de características e qualidades que devem encher de orgulho e admiração todos.

02 julho 2007

In Memoriam...


Cumpre-se hoje o 75º aniversário da morte de S.M.F. o Rei D. Manuel II.

A data será evocada com uma missa na Igreja de S. Vicente de Fora, seguida de uma homenagem ao Monarca, junto ao seu túmulo, no Panteão da Casa de Bragança no mesmo Mosteiro.
O último monarca português morreu a 2 de Fevereiro de 1932 em Fulwell Park, sua residência londrina, aos 42 anos, inesperadamente e precocemente, deixando um importante legado politico e cultural.
A homenagem que hoje se presta à sua memória é justa, apesar de tardia.
Por sua disposição testamentária, os seus bens, as suas colecções e os seus trabalhos de investigação literários, constituem hoje a Fundação da Casa de Bragança, que apesar de todas as contrariedades históricas, tem sabido manter a sua independência, a preservação da memória do seu fundador e prestar um trabalho de mecenato cultural e social de uma qualidade e filantropia raras em Portugal.
Aqui lhe presto a minha singela homenagem!

A Presidência...


Inicia-se hoje a Presidência Portuguesa do Conselho Europeu. É uma responsabilidade grande que Portugal assume pela terceira vez desde que em 1986 aderiu à CEE.
O momento é dificil e o projecto é ambicioso, desde já pela questão do Tratado Constitucional, que divide os 27 e que é urgente clarificar, mas também pelos temas da agenda e das Cimeiras propostas de UE/ Brasil e UE/ África.
Desejo que Portugal cumpra, como lhe é exigido, o seu papel, que a máquina diplomática portuguesa esteja bem preparada e que o Governo, nomeadamente o Primeiro-ministro saibam conduzir com responsabilidade os trabalhos do Conselho.
Não gostei do mote que o PM lançou hoje no Porto « Europa mais forte, para um Mundo melhor» é pobre e vago, mas ainda a procissão está no adro.
Que a ambição se revele um projecto maior para a Europa e para Portugal. Assim o desejemos todos!

24 junho 2007

Novo Museu num "Velho" Espaço em Lisboa

Abre amanhã ao público, numa festa "24 horas non-stop", o Museu Colecção Berardo. De acesso gratuito ao público em geral... nessas 24 horas! Mas também permanentemente gratuita aos domingos, a menores de 18 anos e em Julho e Agosto, às 6ª feiras e sábados das 18h às 22h. O melhor é mesmo consultar o tarifário, pois ainda há mais entradas gratuitas e descontos!
Grande parte da colecção de Joe Berardo (ou da sua fundação) de arte contemporânea (e não só) vai ocupar o centro de exposições do CCB. Após a polémica em torno do acordo, aliás já comentado aqui na Gazeta, entre esta fundação privada e o Estado Português surge o mais recente espaço museológico da cidade de Lisboa. A qualidade artística e o valor cultural da colecção só a alguns suscitam dúvidas. É, efectivamente, uma colecção, nomeadamente a de arte contemporânea, transversal aos principais movimentos artísticos que marcaram o século XX e de dimensão verdadeiramente internacional.
Polémicas à parte, vem enriquecer o parque museológico lisboeta e o panorama cultural da cidade. Os lisboetas e os visitantes desta urbe à beira Tejo plantada podem assim usufruir e fruir tão vasta e rica colecção de pintura, escultura, instalação e outras formas de expressão artística tão ecléticas e inovadoras. Espero que venha a ser um contributo de peso para uma melhoria na articulação entre turismo e cultura e que coloque, com um outro destaque, Lisboa na rota do turismo cultural e de qualidade em termos internacionais.

Boa visita!

21 junho 2007

O Demagogo...


Manuel Monteiro, líder do PND, não perde oportunidade de tentar brilhar e criar situações inauditas para receber atenção por parte dos média e dos eleitores. O candidato à CML bate todos os recordes de demagogia esta semana em que nos resolveu brindar com três polémicas inúteis e breves.
A primeira diz respeito à suposta venda em Feiras Internacionais de terrenos em Lisboa destinados à Habitação Social por parte da EPUL. Rapidamente foi desmentido e o Presidente da dita instituição veio a público explicar o teor dessas participações da empresa pública. Manuel Monteiro ao saber da existência de maquetes nos stands deduziu que se estava a proceder a vendas de terrenos. Informou-se mal...e fez má figura.
Ontem acusou em alto e bom som, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de «tachismo», só a expressão é reveladora do calibre do orador, por ter nomeado um embaixador para as Sheychelles. O que o dr. Manuel Monteiro não sabe é que Portugal tem embaixador nas Sheychelles como tem em todos os países do mundo, só que esses embaixadores não são residentes. Existe uma diferença inequívoca entre ambas, mas mais uma vez, informou-se mal e fez má figura. Ele e o jornal "Público" que sem se informar publicou a notícia e hoje veio pedir desculpas e acusar Monteiro de falta de informação. A lata...
Por fim, Manuel Monteiro brinda-nos com um espetáculo público no Chiado em que, por meio de um actor insular, resolveu fazer sátira. O actor representava o papel de "candidato a assessor da CML". O Dr. Manuel Monteiro brinca com coisas sérias, ele e muitos outros. Agora resolveu-se banalizar o papel do assesssor. É mais uma banalização que vem contribuir para desprestigiar a política e os políticos, mas é pena. O lugar de assessor é um lugar de trabalho sério e de responsabilidade em todos os orgãos da administração pública. Brincar com esta matéria é brincar com centenas de funcionários que todos os dias dão o seu melhor para o regular e eficaz funcionamento do aparelho do Estado.
O dr. Manuel Monteiro, além de mal informado, torna-se por auto-criação o rosto da demagogia a que chegaram certos sectores da política portuguesa. Seria bom que desaparecesse e se dedicasse a qualquer outra coisa que não a politica.
Esperemos que o PND não eleja um único vereador e sobretudo que o dr. Manuel Monteiro não nos obrigue a escutar mais barbaridades durante os proximos dias de campanha!

Portela + 1

O PS rejeitou ontem, na Assembleia da República a possibilidade de, no âmbito do novo aeroporto, ser estudada a hipótese "Portela+1". Toda a oposição votou a favor.

Se dúvidas houvesse da má fé do Governo nesta questão, elas estão dissipadas. Por que razão o Governo não aceita sequer estudar essa hipótese? Segundo João Soares, que é insuspeito de ser anti-governo, a afirmação de que a Portela estará esgotada a curto prazo é pura e simplesmente mentira. Vários especialistas dizem aliás o mesmo. Porquê esta teimosia do executivo em rejeitar esta possibilidade?

Resta-nos a esperança de ver brevemente o Ministro Mário Lino a dizer que a Portela é um mini-deserto, e que "Portela+1" jamais! É sinal de que a curto prazo se estudará a hipótese...

20 junho 2007

Putin: a ostra fechada


Vladmir Putin recebeu um prémio alemão denominado "Ostra Fechada". É organizado pela Netzwerk Recherche e foi a primeira vez que foi atribuido a um não alemão. Tem como objectivo chamar a atenção para situações e personalidades que criam barreiras à liberdade de imprensa. Durante o mandato de Putin já foram assassinados 14 jornalistas, incluindo Anna Politkovskaya cuja morte ainda está por esclarecer.




A Rússia é uma democracia, felizmente longe dos tempos de Estaline. Mas em certas práticas estará assim tão longe? É uma democracia mas é mesmo uma democracia? Sem uma Liberdade plena, ou seja, universal e responsável, não há verdadeira democracia. Haverá então tão poucas democracias no mundo? Em bom rigor, é Portugal uma democracia? A democracia como sistema político e modelo de sociedade criado e praticado pelo Homem nunca será perfeita é certo. Mas quais as diferenças entre uma democracia muito imperfeita e uma autarcia? Porventura as fronteiras são ténues. Uma coisa julgo ser ponto assente, com meias democracias ou autarcias com pele de democracia dificilmente se chegará à mais preciosa das pérolas: a Liberdade.

19 junho 2007

A agenda de Sócrates

José Sócrates tem tempo para fazer campanha em Lisboa, mas já não tem quando é para ir à tomada de posse do Governo Regional da Madeira.

Assim vai a agenda do Primeiro-Ministro...

18 junho 2007

Ainda o aeroporto...

Continua a ouvir-se falar da localização do aeroporto como centro deste debate. Passámos a estar perante um governo disponível e aberto ao diálogo nesta matéria. Afinal a Ota pode não ser a melhor solução... Espero sinceramente que a aceitação do estudo sobre a localização em Alcochete não seja uma manobra de diversão do governo para se revelar dialogante e não dogmático na questão da localização e passados os ditos seis meses decidir pela Ota, sem um debate sério baseado em estudos comparativos rigorosos. E espero também que o estudo "Alcochete" aborde a questão em termos da tipologia aeroportuária mais adequada e daí a consequência ter sido o seu posicionamento na região de Alcochete. Se assim for mantenho os votos de felicitação pela realização do estudo pela CIP. Um grupo de empresários tais como Carlos Barbosa, Joe Berardo, Alexandre Patrício Gouveia financiaram este estudo. Garantem não ter quaisquer interesses económicos ou patrimoniais na zona. Se assim for é mais um contributo positivo da sociedade civil para esta discussão, sem lugar a polémicas inúteis e a questões mesquinhas.
Será que passará a estar em cima da mesa e em posição central o tipo de aeroporto que melhor servirá os interesses do país, em concreto da região de Lisboa ( a norte, a sul, a este e a oeste! e a cidade de Lisboa em si já agora!). Interesses estratégicos e relevantes como o ambiente e ordenamento do território, o turismo, a utilização geo-estratégica, entre outros factores que os especialistas apontam mas que de pouco têm servido enquanto elementos determinantes neste debate. A relação entre todos estes aspectos com os custos da obra deve ditar uma decisão mais ponderada e adequada (incluindo naturalmente a localização).
A decisão política deve ser suportada por argumentos de ordem técnica. Penso que todos concordarão. Concordará o governo? Será essa a realidade futura? Lets wait and see... (o jamais já passou a peut-être por isso...)

Onda azul em França (2)

Não foi com a dimensão que se esperava, mas ainda assim uma vitória clara da UMP e de Sarkozy.
Começou um novo ciclo em França...

17 junho 2007

15 junho 2007

Valley Park...


Em Setembro do ano passado, o ministro da Saúde, Correia de Campos, disse à agência Lusa que o governo estava a procurar um terreno em Lisboa ou fora da cidade para transferir o Instituto Português de Oncologia e justificou a mudança com as limitações físicas do actual edifício, junto à Praça de Espanha. Nada mais se soube, e o assunto seguiu os trâmites habituais.
Na semana passada, o astuto Presidente de Oeiras, Isaltino Morais, anuncia, aparentemente sem conselho governamental, ter recebido uma «resposta favorável» do Governo quanto ao projecto das novas instalações do IPO em Barcarena, num terreno de 12,5 milhões a ser adquirido pela autarquia.
A polémica desde logo se instalou, nomeadamente junto dos candidatos à CML que logo vieram defender em uníssono a necessidade de manutenção daquela unidade hospitalar na Capital.
Entretanto, Isaltino acusa os candidatos de «incapacidade e fraca ambição» porque «manifestaram preocupações sem sentido». Afinal Oeiras pertence à Área Metropolitana de Lisboa.
Enquanto estes acontecimentos se desenrolam ao longo da Av. Marginal, eis que um outro autarca, mais jovem mas nem por isso menos astuto, decide também ele apresentar publicamente a disponibilização de um terreno para a construção do novo IPO.
Paulo Caldas, Presidente da Câmara Municipal do Cartaxo informou a agência Lusa, logo na sexta-feira, «que ainda hoje fará chegar ao ministro da Saúde uma missiva dando conta da disponibilidade do seu concelho para acolher as novas instalações do IPO, tendo em conta que o processo está ainda «em fase de decisão» no Ministério.
Estranha-se que uma preocupação manifestada pelo Ministério da Saúde há um ano seja agora alvo de tantas e tão rápidas manifestações de interesse!
Mas a explicação pode até nem ser complexa.
Segundo o autarca, ao contrário de Oeiras, que se disponibilizou para adquirir um terreno para instalar o IPO, a autarquia cartaxense pode disponibilizar 12 hectares de terreno de forma quase imediata, se o projecto for considerado de interesse nacional, permitindo ultrapassar a burocracia na aprovação do projecto Valley Parque. O terreno em causa insere-se nos 15 hectares destinados à instalação de um «parque de ciência e tecnologia» de uma área de 130 hectares cujo plano de pormenor se encontra em análise na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, explicou. O Valley Parque, que tem parte dos terrenos já adquiridos, inclui ainda uma área residencial (40 hectares), uma área para instalação de indústrias e serviços (60 hectares) e espaço para instalação de uma sede e serviços sociais e de apoio.
Será ingenuidade do edil ou sou eu que não compreendo bem as explicações de Paulo Caldas?
A sua oferta «gratuita» de um terreno para a instalação do IPO "pode ser imediata se o projecto for considerado de interesse nacional"? Qual projecto? O do IPO ou do seu Valley Park? É que o IPO só necessita de 12 hectares, e o Valley Park tem 130. Terá em mente o edil cartaxense ultrapassar as dificuldades administrativas na aprovação do seu projecto magalómano atraindo o IPO para o Concelho?
A ideia não está mal pensada não senhor!!
Esperemos, contudo, que o IPO não se instale a 60 km de Lisboa e que se mantenha na Capital e que o Dr. Caldas cumpra a lei sem muitas ideias originais, sob pena de um dia ir parar a um qualquer Valley por ordem do Tribunal!

Menos um...


Luis Paes Antunes pediu a demissão de Vice-Presidente do PPD/PSD. O antigo Secretário de Estado e responsável no PSD pelas áreas da Saúde e da Segurança Social demite-se, segundo o «expresso on-line» por «divergências de fundo relativamente à forma como a direcção do PSD tem conduzido alguns processos, nomeadamente a crise na Câmara de Lisboa».
É menos um na Direcção do Partido, que se supõe aumentará as fileiras adversárias a Marques Mendes.
Será que a razão de mais uma demissão está na recente sondagem que não dá ao PSD mais que um ou dois vereadores nas próximas eleições intercalares para a CML?
Gaivotas a voar para terra é sinal de tempestade no mar....
Quem acabará borda fora?
A ver vamos!

14 junho 2007

Os velhos dos Marretas


Confesso que já me enerva este filme de 5ª categoria, que mais parece uma "never ending story".


Um, depois de perseguir, prender, quiça matar, arrasta-se agora, mais para lá do que para cá, alimentando a esperança do regresso ao poder.


O outro, é visita regular lá de casa, e de cada vez vai com uma novidade pior. A desta visita é o encerramento de uma televisão privada na Venezuela porque.... lhe apeteceu! E o aviso, em tom de ameaça, à outra estação televisiva privada de que poderia ir pelo mesmo caminho.


Enfim, devem ser essas pequenas alegrias que animam a vida de Fidel e Chávez. O pior é o preço dessa felicidade pago por esses dois povos...


12 junho 2007

Onda azul em França


Projecção do próximo parlamento francês, na sequência da 1ª volta das legislativas

11 junho 2007

Afinal havia outra...



Afinal havia outra localização possivel e exequível para a construção do novo Aeroporto de Lisboa. A CIP prestou um bom serviço ao País e foi entregar em mão ao Chefe de Estado um estudo, encomendado pela própria CIP e que tem a colaboração de uma dezena de professores universitários. A resposta do governo foi imediata e fez-se através de uma pausa ao lançamento do concurso internacional para a OTA. Menos mal. Afinal a decisão não estava tomada irremediávelmente. Mais vale tarde que nunca!
Estranho é que nunca Alcochete tivesse sido equacionado ou estudado como uma alternativa à Portela por nenhum governo. Estranho porque afinal as suas condições geográficas são as melhores, os terrenos são do Estado, está mais perto de Lisboa que qualquer uma das outras localizações apontadas, tem acessos recentes, sem necessidade de grandes alterações (A12, A13, Ponte Vasco da Gama). É verdade que a sua proximidade com os estuários do Tejo e do Sado pode criar algum tipo de constrangimento ambiental, mas segundo o estudo da CIP nenhum deles é irremediável.
A CIP fez bem o trabalho de casa e propôs não uma, mas sim seis alternativas possiveis na mesma região de Alcochete.
Esperemos a decisão política e a análise técnica, com rigor e isenção, a bem do interesse nacional !

10 junho 2007

Oásis na margem sul...


É verdade! Afinal a margem sul não é só deserto como disse o nosso ilustre Ministro das Obras Públicas. Também lá temos um oásis, onde o Presidente da República esteve ontem no âmbito das comemorações do 10 de Junho...

09 junho 2007

08 junho 2007

Novo visual(2)

A pedido de várias famílias, alterei novamente o visual do Blog...

06 junho 2007

Boas vindas

Desejo ao novo gazeteiro André SD as Boas Vindas a este Blog que necessita de novos textos e novos debates. Seja portanto Bem-Vindo! Cá o aguardo para umas cavaqueiras e umas bengaladas, quando disso for caso!

05 junho 2007

Penitência...(2)

E ainda falta outro, do meu companheiro Luis Cirilo: Depois Falamos

Penitência...

Tenho de me penitenciar aqui, por só hoje ter reparado que há 2 blogs que faltam na nossa lista de links. São eles "o insecto" e o tenho dito".

Não só porque são blogs que eu visito com alguma regularidade, como também exibem a Gazeta Lusitana nos seus links.

A partir de hoje está cumprido o princípio da reciprocidade, e corrigida esta falha.

Novo visual

No pacote das novidades que anunciei recentemente, está também esta mudança de visual.

Espero que também seja do agrado dos nossos visitantes...

Boas vindas

Aqui deixo as boas vindas ao André, com votos de muitos e bons posts.

Em breve, outros cronistas vão aparecer...

Cheguei, vou ver, observar, analisar e contribuir para que Portugal vença

É como muito prazer e honra que inicio a minha participação enquanto gazeteiro residente. Procurarei corresponder e estar à altura deste desafio que me foi colocado. Irei escrever e opiniar enquanto cidadão português e do mundo, lisboeta incansável e pessoa atenta à realidade, com particular incidência em assuntos culturais no seu conceito mais lato. Não invalida, de maneira alguma, a abordagem de temas, assuntos ou factos de outras naturezas. Esta é uma Gazeta onde tudo pode e deve ser discutido, assim continuará no que depender da minha colaboração.
Saudação muito especial aos meus caros amigos e colegas de gazeta e outra igualmente especial aos meus actuais e futuros (espero...) leitores.



P.S. - Declaração de interesses: Monárquico, Conservador Liberal, Ateu e Benfiquista. Sempre que se justificar procurarei intervir com isenção e objectividade, socorrendo-me da minha formação historiográfica. Sempre que se justificar, irei de igual forma, ser parcial e subjectivo. Afinal não é isso (não só mas também) opinar e debater?

Alea Jacta est...


As eleições para a CML aproximam-se. Os candidatos estão definidos desde hoje, com a entrega da última candidatura à edilidade.
Concorrem a estas eleições um número considerável de listas (12) o que é curioso, visto serem estas eleições intercalares. Nenhum partido quis ficar de fora ( CDS/PP, PPD/PSD, PS, CDU, BE, PPM, MPT, MRPP, PND, PNR,) e ainda dois movimentos de independentes - Helena Roseta e Carmona Rodrigues. Podemos dar-nos por felizes, no desejo de que todas estas candidaturas e candidatos produzam ideias e programas que beneficiem a cidade e os lisboetas. Bem precisamos de empenho e de ideias, seriedade e bom senso!
A pré-campanha, contudo, revela já algumas posturas pouco sérias e demasiado politiqueiras, quando aquilo de que necessitamos com urgência é de um debate político sério.
Telmo Correia avança em nome do CDS/PP com poucas possibilidades de ser eleito, assim como qualquer um dos pequenos partidos. CDS/PP e BE correm o risco de ficar de fora do próximo executivo. A quantidade de listas em disputa, nomeadamente as quatro do «Bloco Central» tornam muito dificil, senão emsmo impossível a eleição de vereadores dos partidos limitrofes. A ver vamos. Para já Telmo Correia tem feito uma campanha tranquila e sem grandes ataques pessoais, o que só lhe fica bem depois do CDS ter participado na gestão autárquica dos últimos dois anos. Já José Sá Fernades deveria ser mais discreto. A campanha de que o «Zé faz falta» conduz-me à interrogação: Faz falta a quem? Será que alguém se lembrará de perguntar ao antigo vereador sem pelouro porque necessitava ele de 11 assessores? O grande crítico das despesas da edilidade e dos erros de gestão é o mesmo que conduziu à paragem das obras do túnel do Marquês durante 3 anos, com custos de milhões de euros para a autarquia. Espero que alguém se lembre disto e sobretudo de pedir contas ao Zé!
A CDU mantém-se igual a si mesma. Pede tudo, exige tudo e não faz nada! A cassete do costume que não obriga a grandes raciocinios nem interrogações, quanto muito apenas algumas exclamações. Achava curioso que também a CDU não elegesse nenhum vereador. Seria inédito desde o 25 de Abril e um bom recado aos comunistas e à sua insistência em não adaptarem o discurso politico a 2007.
Fernando Negrão desilude. Homem respeitado e até agora inócuo, consensual no meio político, decidiu vestir a camisola que lhe mandaram. Acabou mal em Setúbal, onde depois de uma quase total ausência das reuniões de Câmara, deixou a cidade sem uma palavra aos seus eleitores, que foram bastantes! Chegou a Lisboa mal também. Atacou de forma vil o anterior Presidente Carmona Rodrigues, esquecendo-se o deputado de que o Partido e os vereadores que o acompanharam e elegeram, são os mesmos que agora lidera. Fica-lhe mal, muito mal. E fica mal também, que depois dessas cr´ticas violentas e sem sentido, inclua na sua lista dois antigos vereadores de Carmona, Lippari e António Prôa. Erro crasso que lhe valeu a quase desistência da sua mandatária Manuela Ferreira Leite, e a crítica generalizada dos comentadores da praça. Não vai longe!
Helena Roseta igual a si mesma, já falou na criação de um Comité de Salvação da Cidade. A romântica eterna julga que ainda estamos no PREC. Ao menos é sincera e sobretudo tem feito uma campanha limpa, sem ataques pessoais e apresentando propostas. Disparatadas algumas, mas ainda assim!
António Costa está em grande. As sondagens dão-lhe a vitória certa. Até agora nada de novo. Nem mesmo relativamente à OTA. Quando todos os candidatos clamam pela manutenção da Portela, Costa defende o seu desaparecimento. Vamos ver que resultado lhe traz a defesa dos interesses do governo central que acabou de abandonar. Foi para isso que o fizeram candidato, afinal João Soares era contra a OTA e por isso ficou em casa...Ota e Lei da administração local prometem ser os seus dois calcanhares de Aquiles...
Por fim Carmona Rodrigues, o último a entrar na corrida, mas de quem se espera ouvir quase tudo nesta campanha. Tem estado bem. Sem criticas pessoais, sem cartazes, sem marketing. A campanha invisivel, que é também inédita e curiosa,mas que é capaz de dar frutos. Mesmo com o total abandono do PSD conseguiu manter o seu núcleo de apoio e apresentou a sua lista apoiada, tal como há dois anos por um número significativo de artistas e intelectuais da cidade. Anda pelas ruas a falar com as pessoas. E as pessoas têm gostado...
A sorte está lançada. Que vença o melhor e sobretudo que ganhe Lisboa.
A campanha promete. Há muito que não se via uma disputa deste calibre à Capital
Aguardemos!


04 junho 2007

Novidades

Muito em breve teremos várias novidades por estas bandas...

02 junho 2007

27 maio 2007

Nova geografia...


25 maio 2007

Uma má decisão e um mau serviço....


O Governo decidiu recentemente pela extinção do Conselho Superior de Obras Públicas. Tal decisão não se compreende, na prespectiva em que é este orgão, sob tutela directa do Ministro das Obras Públicas, o responsável pela emissão de pareceres de carácter técnico nos domínios das obras públicas, transportes, ordenamento do território e da indústria da construção.
O CSOPT é um organismo de carácter técnico destinado a coadjuvar o Governo na resolução de problemas relativos a obras públicas e transportes, cabendo-lhe emitir pareceres sobre assuntos que, por imposição legal ou por determinação do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, sejam submetidos à sua apreciação.
É verdadeiramente extraordinário que este organismo que existe há mais de 150 anos, criado pelo grande obreiro da Regeneração, António Maria Fontes Pereira de Melo, seja agora extinto pelo governo do Sr. Sócrates. É ainda extraordinário, que a Ordem dos Engenheiros Portuguesese não tenha mostrado público repúdio por tal decisão que atinge de forma grave o prestígio e os interesses da sua ciência.
Uma decisão destas só se pode justificar, tal como chamou a atenção António Barreto em artigo publicado no jornal Público a 25 de Março, como um sinal inequívoco de que o governo não quer que a sua decisão politica seja limitada por considerações de ordem técnica.E, sobretudo, não quer que a sua vontade seja condicionada por estudos independentes ou reflexão isenta.
Não nos esquecemos ainda das palavras de Mário Lino há uns meses atrás, afirmando que quem tem ideias contrários ao governo « presta um mau serviço ao país»!

24 maio 2007

Obviamente demitam-no!



Cá está a última pérola na discussão sobre o aeroporto da OTA:


«Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas», disse Mário Lino durante um almoço debate sobre «O Novo Aeroporto de Lisboa», promovido pela Ordem dos Economistas.


Este ministro, depois de gozar com o Primeiro-Ministro, vem agora gozar com os portugueses...
Está na altura de o mandar pregar... para o deserto!

16 maio 2007

06 maio 2007

O último grito...

Carmona Rodrigues surpreendeu muita gente com o recente discurso que fez, numa "reprise" do slogan "eu fico!"
Tenho de confessar que também eu fiquei surpreendido. Mas ao contrário do meu amigo PBH, pela negativa.

CR não tem manifestamente qualidades de liderança, e isso ficou bem patente ao longo deste ano e meio em que liderou a Câmara. Desde cedo, aliás ainda antes das eleições, CR cedeu inúmeras vezes às ordens de Marques Mendes, tendo de recuar naquilo que eram as suas intenções. Relembro aqui o episódio com o partido da Nova Democracia: CR tinha fechado um acordo com Manuel Monteiro, que passava pela inclusão de Jorge Ferreira nas listas do PSD para a Assembleia Municipal. MM não gostou nem autorizou e CR teve de dar o dito por não dito, prometendo então à Nova Democracia um lugar nas empresas municipais. Tudo isto foi devidamante publicado na imprensa e foi o 1º caso que envolveu CR.

No que concerne à composição das listas, nomeadamente para a CML, foi a mesma coisa, chegando-se posteriormente a uma divisão 4-4 nos primeiros lugares.

Já no decorrer do mandato, CR, contra a sua vontade, aceitou imposições e vetos de nomes por parte de Marques Mendes na constituição de diversas equipas municipais. Foi incapaz de lutar para manter uma coligação que lhe era essencial para garantir a governabilidade da Câmara, e que certos sectores do PSD, liderados por Paula Teixeira da Cruz, não descansaram enquanto não a romperam.

O discurso é pois surpreendente na medida em que rompe com uma atitude de subserviência que se vinha registando há muito.

Esse aceitar das imposições de MM teve ainda 2 actos não muito distantes: as suspensões de mandato de Gabriela Seara e Fontão de Carvalho. Ambas contra a vontade de Carmona, ambas por exigência de Mendes. Nesta medida, surpreende pela incoerência o discurso de CR. Os seus colaboradores tiveram de suspender os mandatos, ainda que contra a vontade de CR que teve de se conformar, mas quando toca ao próprio a postura já é outra? Com que coerência? com que autoridade?

Há muito que CR deveria ter batido o pé à DN do PSD, e nas poucas vezes em que o fez, acabou por ter de recuar, dizendo o contrário do que tinha afirmado na véspera. Fazer um discurso destes depois de tudo o que se passou, é patético. É querer mostrar uma liderança que nunca teve, é querer mostrar uma autoridade que nunca exerceu.

Eu não sou adepto do "é arguído, tem que suspender". Mas CR aceitou desde sempre essa regra, aliás sabia que era uma das bandeiras de MM no PSD. Deixou mesmo que a aplicassem a 2 colaboradores seus. Se CR discordava desta postura, devia tê-lo afirmado em tempo oportuno, e não quando o problema lhe bateu à porta!


Olhando para isto tudo, vem-me à memória um provérbio: "quem com ferros mata, com ferros morre".
E Carmona morreu, às mãos daqueles a quem se aliou para conseguir o lugar que ocupa. Este foi o seu último grito...

05 maio 2007

Pressões II

Os comentadores deste Blog, alfacinhas militantes, andam muito calados estes últimos dias.
Será que sofrem de algum tipo de pressão também? Ou será que a blindagem também chegou à Gazeta Lusitana?

03 maio 2007

Lá vai Lisboa...


As declarações esta noite do Presidente da CML Prof. Carmona Rodrigues de que fica à frente da edilidade são a todos os níveis surpreendentes. Fui um apoiante da candidatura de Carmona Rodrigues à capital. Ao contrário de parte dos meus amigos mais politizados, sempre defendi a inclusão de independentes nas listas e a sua condução e nomeção para cargos públicos. Carmona Rodrigues era um independente, professor universitário, que havia sido vereador na CML ao tempo de Santana Lopes e posteriormente Ministro das Obras Públicas do governo Barroso. Figura simpática e cordial, fora dos meios político-partidários granjeou a simpatia de grande parte dos militantes do PSD e mais tarde dos lisboetas, que lhe concederam uma vitória eleitoral inédita até então para o partido. A sua vida política nos últimos tres anos tem sido, contudo, marcada por imensos conflitos e contrariedades.
Depois da demissão de Durão Barroso, Carmona Rodrigues volta à CML, ocupando o cargo deixado vago por Pedro Santana Lopes. A oposição contestou mas nada conseguiu. Carmona tornou-se Presidente e nada o demoveu, nem mesmo a queda de Santana Lopes e o seu desejo de regressar à CML. Carmona não saiu e eu considerei, na altura, a posição justa. Não só porque havia assumido a responsabilidade dos destinos da edilidade quando lhe foi pedido e os havia conduzido a bom porto, como, na minha lógica, não fazia qualquer sentido que Santana Lopes voltasse à CML.
A oposição interna a Carmona, leia-se PSD próximo a Santana, considerou o gesto uma traição! Criticou, contestou, difamou, intrigou...Ao chegar à data de novas eleições autárquicas, Marques Mendes, então eleito líder do PSD, talvez como retaliação a Santana e santanistas resolve apoiar a candidatura de Carmona Rodrigues à capital. Nova contestação, novas críticas, novas difamações, novas intrigas...E, para surpresa de todos, santanistas, mendistas, socialistas, comunistas e outros que tais, Carmona vence as eleições em Lisboa com um resultado inédito para o PSD na capital. Sozinho e independente!
Passam-se dois anos, mas as intrigas de corredor não terminam. O PSD não gosta de independentes e não gosta de Mendes. Carmona não gosta que o macem, não gosta muito do PSD e não acha graça a Mendes. Mendes por sua vez não gosta de parte do PSD, aquela que não gosta de Mendes e começa a não gostar de Carmona. Carmona está entalado entre o PSD que não gosta de Mendes e que não gosta dele por ser o candidato de Mendes, e entre Mendes e aqueles que o querem segurar no PSD. À cabeça destes está nada mais nada menos que a sua Presidente da Assembleia Municipal e Presidente do PSD Lisboa, Paula Teixeira da Cruz.
Entretanto aparecem imensas noticias nos jornais. Há intrigas e há corrupção em todo o lado. Todos querem dar cabo da CML e de Carmona. Mendistas, Santanistas, Teixeiristas e a guerra civil instala-se.
Dois vereadores, entre eles o vice-presidente da autarquia, são indiciados por crimes de corrupção. Suspendem os seus mandatos e aguardam que a justiça actue.
Entretanto também Carmona acaba arguido no processo BragaParques.
Quando todos os partidos se preparam para eleições e a oposição interna afia facas para a proxima batalha, eis que Carmona diz EU FICO!
E estas hem??
Para independente acusado de fraco e de negligente, parece que o Prof. é mais teso do que parecia! O discurso não podia ser melhor. Entalou todos. O PS e o PP provavelmene agradecem, pois eleições agora em Lisboa não davam muito jeito...Os santanistas ficaram certamente surpreendidos, mas agradados pela machadada que isso representa em Mendes. Só falta saber o que vão fazer com Carmona nas mãos...
Por último Carmona com a sua decisão desautoriza publicamente o líder do PSD assinando com isso a sentença de morte do líder que ontem lhe retirou o apoio. Cá se fazem, cá se pagam....
Independentemente do resultado de tudo isto, Carmona assume o comando do navio de forma inesperada para a política portuguesa
Para independente não está mal....

27 abril 2007

Assim se vê a democracia do PC!



"Ninguém chora pela morte dos lacaios. A não ser que, com lágrimas de crocodilo, pretendam os patrões encorajar novos lacaios a servi-los com a mesma perfeição que os defuntos. Vem isto a propósito das lacrimejantes prosas que jornais e televisões, a mando dos seus amos e proprietários, verteram ao anunciarem a morte de Boris Ieltsin." - Leandro Martins, in Avante.


Estes tipos não aprendem! E depois andam com o maior dos descaramentos a passear por Lisboa, de cravo ao peito, a dar vivas à Liberdade!! É de uma hipocrisia sem limites. E ainda estamos, os verdadeiros democratas, à espera que eles peçam desculpa por terem apoiado (e terem saudades) do regime político que mais mortes provocou nos últimos tempos...

26 abril 2007

Pressões

Há 2 autores deste blog que há muito não escrevem.

Será que eles também andam a ser pressionados pelo gabinete do Primeiro-Ministro?

Ainda o Túnel...

Primeira manhã sem congestionamentos


Nas primeiras horas da manhã, o trânsito não tem apresentado problemas nesta nova entrada em Lisboa. Às 9h00, não existia qualquer dificuldade nem na descida de Monsanto, a parte final da A5, nem no viaduto Duarte Pacheco. Também não existiam filas no acesso pela Ponte 25 de Abril.Nas saídas do Túnel do Marquês, as únicas paragens eram ditadas pelos semáforos e as filas não ultrapassavam os dez carros.
(Publicado no Blog Crónicas Alfacinhas)

O Túnel...


A inauguração do novo túnel que faz a ligação entre a Rotunda do Marquês de Pombal e a A5 é uma boa noticia para a cidade de Lisboa. Obra polémica desde o seu início, custou aos lisboetas, mais do que o dinheiro envolvido, três anos de pó e de trânsito. A sua abertura ao público é por isso uma boa noticia.
Devo reconhecer que fiquei impressionado pela dimensão da obra, que em grande parte da sua extensão tem três faixas de rodagem em cada sentido, boa sinalética e iluminação. Não sou engenheiro, mas sou automobilista e não considerei a inclinação que diziam muitissimo acentuada nada de anormal ou de preocupante. Gostei muito e penso ser uma mais valia importante para a cidade, nomeadamente ao nível dos seus acessos e descongetionamento do trânsito cada vez mais caótico.
Felicito por isso a CML na pessoa do seu antigo presidente - Pedro Santana Lopes, por na altura certa ter tomado esta decisão!

25 abril 2007

Obrigado



A este homem devemos o fim efectivo da União Soviética. Para a História ficará também o seu papel primordial na luta contra o golpe comunista de 1991 que mais não queria do que voltar à ortodoxia vermelha de outros tempos.

Extraordinária foi a reacção do PCP pela voz do camarada Jerónimo. Excusando-se a fazer grandes comentários pois fica mal atacar os mortos, percebeu-se que o PC português ainda hoje chora a queda de um dos regimes mais criminosos que o mundo já viu...

24 abril 2007

A Blindagem II

Em continuação do Post anterior, decidi voltar a escrever sobre o tema da blindagem.
Os acontecimentos das últimas semanas falam por si. A imagem do Primeiro-ministro de Portugal está inequivocamente ameaçada. Apesar disso, a blindagem não terminou.
Continuamos sem ver debate sobre as opções do Ministro das Finanças e surgem dúvidas quanto aos relatórios apresentados pelo Banco de Portugal, coisa que até então nunca se tinha posto em causa!
A Ministra da Cultura continua na Ajuda e não se prevê que de lá saia. O Ministro Mariano Gago também. Não só não explica convenientemente as razões que o levam a decretar o encerramento compulsivo da Universidade Independente, como também ainda não explicou a questão do MIT e da demissão em bloco da Comissão encarregada de elaborar o Plano Tecnológico.
O Ministro da Economia, apesar dos números preocupantes e das opções duvidosas também não dá sinais de melhora. O Ministro das Obras Públicas Mário Lino ainda não veio a público explicar a opção OTA. As questões são muitas e o debate público é pobre.
As atenções têm estado concentradas na figura de José Sócrates, que, já se percebeu, perdeu a imunidade na comunicação social.
Portugal assume dentro de dois meses a enorme responsabilidade da Presidência da UE. É lamentável que a nível interno o caos se sobreponha. Quero acreditar que durante os seis meses da Presidência o clima abrande e Portugal cumpra com o seu papel como lhe é exigido e com a qualidade a que habituou os seus parceiros no desempenho de tais funções.
É imperativo, contudo, que o país fique esclarecido sobre as matérias em que está envolvido o PM e que o ligam à Universidade Independente.
Como cidadão não me importo de esperar por Dezembro e pelo fim da Presidência. Não esquecerei o tema apesar disso. Espero que os jornais e os tribunais também não!

23 abril 2007

Mon Président...


14 abril 2007

O Governo da mentira...

Não é meu hábito reproduzir posts de outros blogues aqui. Mas desta vez vai ter que ser. Vale a pena.

A minha alma está parva!...

Como ando com as leituras atrasadas, só agora li no último Expresso que, de acordo com informações prestadas pelo próprio Ministério das Finanças, as “receitas extraordinárias” de 2006 ascenderam a mais de 2.121 milhões de euros, a saber: antecipação de impostos sobre o tabaco(300 milhões), vendas de património(439 milhões), dividendos extraordinários e antecipados(REN-60 milhões), dividendos extraordinários (GALP-124 milhões), recuperações de créditos líquidas de adicionais da operação de titularização(1.198 milhões). Estas receitas extraordinárias equivalem a 1,4% do PIB!...Não fossem essas receitas extraordinárias, que Sócrates e os Socialistas tanto criticaram a Manuela Ferreira Leite, e o défice de 2006 seria 8.176 milhões de euros, correspondentes não a 3,9%, mas a 5,3% do PIB. Este valor é superior ao valor apurado para 2004, era Bagão Félix Ministro das Finanças, que foi de 5,2% (2,9% com receitas extraordinárias)!...Perante este quadro, e por muito que custe à propaganda e comentadores oficiais, conclui-se que não melhorámos nada em relação a 2004, o que até a mim me espantou, e que o progresso no défice não se deveu à contenção da despesa.A segunda conclusão, já a sabia; quanto à primeira, a minha alma ficou parva!...

11 abril 2007

Atentados em Argel


Hoje de manhã ocorreram 2 atentados em Argel. Um junto ao aeroporto, outro junto ao gabinete do Primeiro-Ministro, no centro da capital. Estimativas até ao momento apontam para cerca de 17 mortos e para cima de 60 feridos.
Aqui, em minha casa, consegui ouvir o barulho de uma das explosões. Confesso que era uma experiência que não estava à espera de viver, nomeadamente apenas 3 semanas depois de cá ter chegado...