29 setembro 2006

A palhaçada dos voos da CIA (2)

Os factos:

- 11 de Março de 2004: atentado terrorista em Madrid;

- 7 de Julho de 2005: atentado terrorista em Londres;

- 66% dos europeus consideram o terrorismo como uma ameaça "extremamente importante" (sondagem internacional realizada em 12 países da UE, incluindo Portugal).


A decisão:


Perante tudo isto, o que faz o Parlamento Europeu? Pois bem, cria comissões de inquérito sobre hipotéticos voos da CIA que alegadamente terão passado pela Europa, transportando supostos prisioneiros de guerra sem culpa formada.


Novos factos:

- Membros de uma organização, classificada pela União Europeia como terrorista, entram em Portugal para vir tranquilamente à Festa do Avante;

- No Reino Unido é evitado um ataque terrorista que pretendia fazer explodir uma dezena de aviões comerciais com destino aos Estados Unidos;

- Na Dinamarca foram detidos no passado dia 5 deste mês 9 indivíduos suspeitos de estarem a planear um ataque terrorista naquele país;

- Na Alemanha falhou, em Julho, por motivos técnicos, um atentado terrorista contra 2 comboios;

- Aparecem sucessivos vídeos da Al-Qaeda apelando aos ocidentais para que se convertam ao Islão, caso contrário pagarão um preço muito alto;

- Al-Qaeda recruta, em média, 3 jovens por mês em Espanha, e envia-os para campos de treino onde se preparam para a guerra santa;

- Ameaças ao Papa e ao Vaticano na sequência de umas declarações que irritam o mundo islâmico;

- Al-Qaeda apela a um grupo terrorista argelino para fazer atentados em França (ainda a polémica decisão sobre o uso das burkas naquele país);

- Ópera em Berlim cancelada por receio das reacções dos fanáticos islâmicos.


A indecisão:

No Parlamento Europeu discute-se a possibilidade de chamar, ou não, o Presidente da Comissão Europeia para depor na comissão dos voos da CIA.

28 setembro 2006

Pausa na discussão...




Tenta fotografar o Super-Homem...

A derradeira inveja!



Depois da comentada sondagem do Arqt. Saraiva, da inédita visita do Sr. Presidente da República a Espanha como primeira visita oficial, eis que assistimos na televisão pública a um espectáculo desconsolador com o ex-Presidente do Governo espanhol, José Maria Aznar.
O programa Prós-e-Contras, transmitido no passado dia 25, em que o entrevistado especial da noite era José Maria Aznar, foi profundamente lamentável. Lamentável, não pela escolha do entrevistado, que é um político de reconhecido talento, mas pelos temas das perguntas e pelas afirmações que se fizeram durante a noite, nomeadamente pela jonalista Fátima Campos Ferreira. Assistimos mais uma vez, mas agora a nível televisivo e em directo, com uma assistência de notáveis portugueses das mais diversas áreas na plateia, e na presença de um importante politico espanhol, a um exercício de comiseração nacional.
Aquilo a que nos habituámos a escutar a uma significativa parte da população portuguesa em qualquer mesa de café, sobre o seu ressentimento e inveja em relação aos bens, ao nível de vida, aos caramelos, à gasolina, aos automóveis, ao sucesso económico e às conquistas politicas do país vizinho, passou, definitivamente, para o espaço da discussão pública e constitui-se portanto como um facto assumido e não negligenciável.
Perguntas como: Porque é que as empresas espanholas têm sucesso e as nossas não? Porque é que as empresas espanholas têm sucesso em Portugal e as nossas não saem de cá? Porque é que o Instituto Cervantes tem uma politica cultural agressiva e o Instituto Camões ninguém sabe o que é? Podemos chegar ao Brasil e a África através de Espanha? Qual o segredo do sucesso? Por último ( em derradeiro desejo de compreensão e conforto): Sr. Aznar o que le gusta mais em Portugal? - Todo, me gusta todo!
Pois é, a eles, como a tantos outros," les gusta todo". Mas a nós não!
Assistimos a uma profunda crise de identidade e desorientação. Como disse, e muito bem, Hernâni Lopes, este é um debate conosco próprios!
Qual é a razão profunda desta crise? Será apenas uma questão económica? Política? Social? Não! É sobretudo uma questão mental.
O continuado olhar para o que é exterior a nós, desperta muitas vezes um sentimento de cobiça e de inveja. É aí, mais do que em qualquer outro lugar, que a questão reside.
O desenvolvimento económico em Portugal, não foi acompanhado de um verdadeiro desenvolvimento ao nivel das mentalidades, e isso, reflecte-se quer nos comportamentos sociais, quer na participação política, quer na iniciativa individual.
Colocar o centro das nossas preocupações no que os outros fazem ou deixam de fazer, num continuado exercício de comparação é a pior receita para o progresso. Mas colocá-lo em nós é muito mais complexo. Lá estarão à espera os receios, a dúvida, a incerteza, a decisão, a consciencialização. Assistimos agora à febre espanhola, como assistimos já a tantas outras febres. Os espanhóis, naturalmente, agradecem reconhecidos tanta simpatia e reconhecimento, aproveitando para irem expandindo a sua economia e influência cultural e política, afinal "a ellos les gusta todo", a nós e que só "nos gustan ellos"! A diferença entre nós e eles é exactamente essa, quando se lhes aponta a lua eles vêm-na, nós olhamos para o dedo.
O programa de televisão, mais do que um exercício de comiseração, foi o retrato de um estado de ignorância em que grande parte dos portugueses vivem, quer em relação ao seu país, quer em relação ao país vizinho.
Só a ignorância justifica tanta inveja!

27 setembro 2006

Se alguém ainda tinha dúvidas....



Guerra no Iraque agravou a ameaça terrorista global in DN


Ó Paulo, desculpe lá....


O imparável Paulo Coelho dá hoje à estampa mais um livro. Não nos bastava o fundamentalismo religioso, o buraco na camada de ozono, o déficit, o Apito Dourado, o terrorismo e outros males quejandos; ainda nos faltava esta!

É caso para dizer, parafraseando João Pereira Coutinho, que não li e não gostei do último livro de Paulo Coelho...

O Sol de Espanha II

Diz que a próxima sondagem do jornal do arqt. Saraiva consiste na seguinte pergunta:

Quantos espanhóis gostariam de continuar a ser espanhóis?

Aguardamos ansiosos os resultados!

Ópera em Berlim cancelada...

A representação de uma ópera de Mozart foi cancelada em Berlim. Porquê? Temiam as reacções islâmicas ao espectáculo dado que existe uma cena em que aparacem as cabeças cortadas de Buda, Jesus e Maomé.
Lamentável, sem dúvida, mas revelador do estado das coisas!
Aguarda-se a qualquer momento a criação, na Europa, do Centro de Censura Islâmica... Pela Paz, claro!

26 setembro 2006

Obrigado Prof. Carmona 2

Mas há mais….
A zona em questão não tem um único parque de estacionamento alternativo e os mais próximos estão no Martim Moniz, na Praça da Figueira e nas portas do Sol.
Agora vejamos os preços destes parques – Praça da Figueira – Pagamento à hora = 1ª – 1,20€, 2ª – 1,30€, 3ª – 2,40€, 4ª – 2,50€; Máximo diurno 17€; Martim Moniz – Pagamento à hora = 1ª – 1,20€, 2ª – 1,20€, 3ª – 1,30€, 4ª – 1,40€; Máximo diurno 16€; Largo das Portas do Sol – Pagamento à hora = 1ª – 1,5€, 2ª – 1,80€, 3ª – 2,00€, 4ª – 2,50€; Máximo diurno 27,50€.
Desculpem a maçada com estes números, mas talvez assim já podemos começar a fazer as contas ao dia ou ao mês do custo deste estacionamento. Além disso esteve prevista a reconversão para silo automóvel do antigo mercado do chão do loureiro, mas na bruma dos mistérios autárquicos, o concurso público foi anulado e hoje, apenas tem uma garagem que só serve convenientemente as viaturas do CDS/PP. Enfim….

Não se pense que eu sou daqueles que adoram a sua máquina e não podem viver sem ela, defendo a redução dos carros nas cidades e quase todas as medidas ecológicas para podermos viver melhor. Mas também sei a rede de transportes é deficitária, que existem pessoas que precisam de se deslocar de carro em virtude dos seus tipos de emprego, etc. Também partilho da ideia, que existe algo chamado liberdade de escolha, direito à mobilidade e que muitas vezes a solução não passa por virar as pessoas umas contra as outras, mas sim criar soluções sensatas e equilibradas que possam servir a maioria.

Por isso, Sr. Prof. deixe-me que lhe diga que acreditaria nas suas boas intenções, se ao menos a própria CML desse o exemplo. Ou seja, gostaria de ver o Sr. Prof. e os seus pares a abdicarem das suas viaturas conduzidas por motoristas, bem como assistir ao desaparecimento dos parques próprios das viaturas da CML por toda a cidade. Talvez assim, todos seríamos cidadãos em perfeita igualdade de oportunidades, além é claro do contributo mútuo para a protecção ambiental. Mas a ver pelas últimas notícias do burgo, “CML propõe-se gastar 5 M€ no aluguer de 379 carros” in Diário Digital, acho que mais depressa alguém nos “Pina” o blog do que contribui para uma cidade mais limpa e ecológica.

Obrigado Prof. Carmona 1


Com pompa e sem circunstância, o nosso Engº/Prof. Mayor de Lisboa, determinou o encerramento ao trânsito da zona do Castelo. Depois de se ter espatifado na sua bicla de downhill, aquando da vinda desta prova internacional de ciclismo radical, o Prof. pediu ao seu braço armado, a EMEL, que instalasse nessa zona o célebre sistema de acesso por pino, que sobe e desce só para quem tem identificador. Assim os moradores da zona passaram a ter o exclusivo de acesso ao local e um lugar de estacionamento por habitação, enquanto que os “estrangeiros” só podem entrar para cargas e descargas ou 30 minutos de estacionamento. É um facto que os moradores daquela zona merecem todo o respeito e o direito a poderem estacionar a sua viatura com comodidade, mas o nosso sábio Prof., concerteza pelo voluntarismo de quem quer mostrar qualquer coisa além de buracos financeiros, esqueceu-se de alguns detalhes…

A ver,

Existem centenas de pessoas que trabalham nesta zona, gente que muitas vezes não escolheu este local para trabalhar porque essa foi uma decisão dos seus patrões.
Há também comerciantes que escolheram esta nobre zona para estabelecerem os seus negócios vai para muitos anos e serviços de várias espécies a que muitos recorrem, entre outros.
Julgo que o Prof. Poderia ter pensado um pouco mais nestas pessoas todas, nas suas vidas e nas suas dificuldades para conseguirem chegar todos os dias aos seus empregos.
Esta é mais uma medida cega, que ignora o bom senso e que revela a maior das insensibilidades pelos munícipes e não munícipes.
Teria sido mais justo e equilibrado condicionar a zona a estacionamento organizado e misto, porque os moradores saem de manhã e voltam ao final da tarde e quem lá trabalha vem de manhã e sai ao final da tarde. Ninguém incomodava os moradores, os comerciantes podiam continuar a ter os seus clientes, e a zona, amplamente conhecida pela sua insegurança, voltava a ter vida e gente.

25 setembro 2006

O Sol de Espanha...


O mais recente semanário português, brinda-nos, logo na sua segunda edição, com uma interessante sondagem. Afirma o jornal do arq. José António Saraiva que mais de 20% dos portugueses gostariam de ser espanhóis. Outra sondagem, simultânea, afirma que muitos portugueses têm nostalgia do Império Colonial. Os resultados não deixaram de me surpreender. Mas mais do que os resultados, foi mesmo o tema da sondagem. Porque razão se faz uma sondagem a perguntar quantos portugueses querem ser espanhóis? Será que na próxima semana nos vão perguntar quantos de nós gostariamos de ser nigerianos? chineses? peruanos? É capaz de ser um exercicio interessante, mas não vejo a utilidade. Antigamente, no jornal Expresso, apareciam, de quando em vez, estudos semelhantes.
Será o Arq. Saraiva um iberista?
Se existem 20% de portugueses que querem ser espanhóis, então porque é que não são? Emigrem para o país vizinho! Afinal, isto é mais governável com 8 milhões!
Curioso ainda, é o facto de a maioria dos que afirmam a sua convicção na nacionalidade castelhana, afirmarem de seguida que o regime político em que gostariam de viver seria uma República!!
Ora nem mais; não só emigram como começam logo por dar cabo das instituições de nuestros hermanos, atacando a pessoa de Sua Majestade Católica!! além de invejosos ( porque afinal só a inveja muito lusa justifica tal sondagem) são bombistas!
Portugueses desses quem os quer? Levem-nos a todos! Isto ficava mais sossegado e os castelhanos que os aturassem. Já agora se quiserem também lhes oferecemos o semanário...
Olé!

24 setembro 2006

Ratzinger dixit

«O Islão é multiforme, não se pode reduzir à ala terrorista ou à ala moderada. Há interpretações sunitas, xiitas, etc. Culturalmente, existe uma grande diferença entre Indonésia, África ou a Península Arábica, e talvez esteja a formar-se também um Islão com características européias, que aceita elementos de nossa cultura. Em todo caso, para nós, é um desafio positivo a firme fé em Deus dos muçulmanos, a consciência de que estamos todos sob o juízo de Deus, a par de um certo património moral e a observação de algumas normas que demonstram que a fé, para viver, necessita de expressões comuns, algo que perdemos em certa medida».

- Em entrevista ao jornal "La Repubblica", em 2004

(Já agora, também uma sobre os judeus, just in case...)

«Que os judeus são ligados à Deus de uma maneira especial e que Deus não quer que essa ligação falhe é inteiramente óbvio».

Como é que alguém com este historial de intolerância religiosa vai perder uma oportunidade que seja de atacar os crentes de outras religiões?

Qual liberdade de expressão?

Acho que a liberdade de expressão não é para aqui chamada, tal como não era para aquele caso infeliz dos cartoons dinamarqueses. Se, por exemplo, durante uma discussão, eu quiser exprimir-me livremente e chamar nomes feios à mãe do meu interlocutor, nem por isso estou a ser menos ofensivo ou tenho mais justificação para o fazer. Portanto, não se trata de questionar a existência da liberdade de expressão e sim o uso que fazemos dela.
Pergunto: o chefe da Igreja Católica usou a sua liberdade de expressão para ofender o Islão e os muçulmanos? Não me parece.

Durão critica europeus por não apoiarem Bento XVI


Durão Barroso saiu em defesa do papa Bento XVI, numa entrevista ao jornal alemão Die Welt.

O presidente da Comissão Europeia criticou os políticos ocidentais por não terem defendido a liberdade de opinião e o papa Bento XVI.

Segundo Durão Barroso, esta reserva dos dirigentes europeus está relacionada com o receio de um eventual confronto e com uma opção por uma postura politicamente correcta.

«Só somos tolerantes quando valorizamos a opinião dos outros, em detrimento da nossa», afirmou.

«O problema não são as declarações do papa, mas as reacções dos extremistas», disse Durão Barroso ao jornal alemão.
in Diário Digital.

22 setembro 2006

A denúncia

Aqui há uns tempos marquei um encontro secreto com o anónimo que colocou o 9º comentário ao post "Basta!". Compareci na pastelaria Mexicana, à hora marcada, de sobretudo, com as golas levantadas, óculos escuros e jornal debaixo do braço. Lembra-se, amigo? Avistei-o, trocámos o sinal combinado, e entre olhadelas furtivas para os lados, sentei-me à mesa e atirei de chofre: «Tenho um plano! Vou juntar-me a outros bloquistas-privilegiados-com-estudos-que-viraram-comunas-só-para-chatear-os-paizinhos-porque-é-fixe e formar um BLOG DE EXTREMA ESQUERDA».
Você tremeu, amigo! e murmurou estas palavras, em voz sumida: «Prudência, prudência...».
E eu, com os olhos esbugalhados, raiados de sangue, continuei: «Está tudo pensado, há-de chamar-se Gazeta Lusitana. Vamos actuar sob o disfarce de uns reaccionários que escrevem a malhar no PCP e nas FARC, na Coreia do Norte, no Louçã, que denunciam os crimes do bloco soviético e escrevem a defender o Papa e a chamar palhaçada aos vôos da CIA. Na realidade, é tudo uma conspiração para minar os alicerces desta sociedade burguesa e instaurar uma ditadura do proletariado».
Dito isto, levantei-me e regressei à clandestinidade.
Você tinha-me jurado segredo, amigo anónimo, e agora vem revelar tudo no seu comentário. Isso é coisa que se faça? Estava tudo a correr tão bem, os comentários da Marcela Castro estavam quase a provocar uma revolução, ia começar uma gigantesca onda de greves selvagens e manifestações! Você merecia... ser julgado no TPI!
Ah, mas não fica a rir-se. Já tenho a minha vingança. Estava a blogoesfera em peso esmagada pela sua perspicácia, pelo seu olho de lince. Já se comentava: «Apre, que o tipo é uma raposa! Como é que ele descobriu, contra toda a evidência, que aquilo da Gazeta Lusitana era obra de comunas? Livra, temos ali um novo Nuno Rogeiro! Qual quê, um Marcelo Rebelo de Sousa!»
Como vê, a sua fama durou pouco. Aí tem o seu castigo. E nunca mais lhe conto um segredo. Juro-o pelos bigodes do camarada Stálin!

A propósito de comentários neste Blog...

Face a alguns comentários tecidos a propósito do Post “basta”, da minha autoria, importa salientar o seguinte:

Este é um blog livre e aberto à discussão. Todos os comentários aos Post são, também, livres e nem sequer carecem de autorização prévia dos autores do blog para serem publicados. Outros blogs há em que não são permitidos comentários ou estes têm de ir a aprovação prévia. Mas a nossa intenção é precisamente suscitar e possibilitar o debate nos comentários. “Tudo deve ser discutido” é o nosso mote.

A liberdade que possibilitamos aos leitores que entendam por bem fazer comentários, é total, desde que haja respeito. O preço que pagamos por essa liberdade, é o preço que pagam também as sociedades democráticas e livres, bem ilustrado numa frase que ficou célebre: “em Democracia a asneira é livre”.

Neste blog não se aplica a lógica do “quem cala consente”, aliás tal é impossível dada a diversidade de sensibilidades dos seus autores. Este é um blog plural e os seus autores não têm que comentar tudo. Aliás outros posts há que, na prática, constituem respostas a alguns comentários.

Quanto às ilações sobre as tendências políticas do blog, elas estão totalmente erradas. Este blog é plural, com sensibilidades à esquerda e à direita, não havendo ninguém de extrema esquerda (o que me parece aliás muito saudável!).
No que me diz respeito, posso inclusive esclarecer que sou militante do PSD em Lisboa.

TPI...Portugal...e as Perpétuas...


O tema é antigo. Muitos seguramente já nem dele se lembrarão; mas a adesão de Portugal ao Tribunal Penal Internacional abriu caminho a que na ordem juridica portuguesa regressasse a figura da "prisão perpétua". Os negociadores portugueses, assim como as maiorias parlamentares do PS e do PSD, Presidente da República incluido, ficaram muito orgulhosos desta adesão de Portugal ao TPI, olvidando completamente o velho orgulho luso de terem sido pioneiros na abolição da pena de morte e da prisão perpétua. Uma matéria que pertencia ao dominio dos valores, passou, em menos de nada, a uma mera questão juridica...Mas Portugal não queria ficar para trás, não podia ficar para trás, e então, esqueçam-se os velhos principios humanistas, outrora apanágio de legisladores e juristas.
Não sou jurista, e não pretendo discutir o assunto como tal. Mas acho estranho, porque sempre pensei que o objectivo das penas de prisão era o da reabilitação dos criminosos. Afinal, um dos principios que nós, ocidentais, e em particular os europeus, tanto defendemos é o da nossa superioridade moral ao defendermos a limitação da violência socialmente consentida ao Estado - e uma pena de prisão é uma violência - dentro da nossa ideia da "dignidade humana". A mesma que esteve na origem da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Foi assim que, durante séculos, nos foi possivel acabar com a tortura, os maus tratos, e nalguns países, como Portugal, com a prisão prepétua e a pena de morte.
Quem não é contra os crimes contra a Humanidade?? Todos somos! Mas isso não nos obriga a andar para trás em matéria civilizacional. Curioso recordar que quem assinou a adesão de Portugal ao TPI foi um governo de esquerda, sempre tão cioso dos seus valores humanistas! Mas assim está bem. Está bem entregue o destino desta e de outras nações, porque a vaidade, sempre domina os grandes principios ideológicos, daqueles que estão bem longe - e lá se mantêm- dos valores civilizacionais.

Folclore europeu sem carros

Para os mais distraídos, hoje comemora-se mais um dia europeu sem carros.

Faremos o balanço e algumas considerações sobre este evento folclórico nos próximos dias...

20 setembro 2006

Sócrates e as preocupações africanas...


José Sócrates discursa amanhã ( 21.09.06) na Assembleia Geral da Nações Unidas. Antes disso, o primeiro-ministro português compartilhará com Luis Amado e António Guterres um jantar, visitará os funcionários lusos da ONU e o pessoal diplomático acreditado em N.Y.
Depois do encontro agendado com Kofi Anan, logo pela manhã, Sócrates discursará e elogiará o trabalho do Secretário Geral na ONU, que termina o seu mandato a 31 de Dezembro, falando perante a Assembleia. Segundo fonte governamental, o discurso de Sócrates pretende defender o diálogo entre culturas e civilizações ( whatever that means!) sublinhar a importância da CPLP (???) e apelar a um aumento da ajuda pública ao desenvolvimento do continente africano.
Interessante o programa... Resta-nos a pergunta: apelar ao aumento da ajuda pública para o desenvolvimento? Importância da CPLP? Das duas, uma, ou o Primeiro-Ministro está mal assessorado ou não faz ideia nenhuma do que fala.
Curioso ver o primeiro-ministro português a falar destas matérias! Terá porventura conhecimento o Sr. Primeiro-Ministro do trabalho que tem sido realizado pela sua Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação? Pelo IPAD? Da total alienação da politica portuguesa face à CPLP?
Talvez fosse importante, antes de mais, avaliar o trabalho destes organismos, mudar de Secretário de Estado, reformar o IPAD e pensar realmente o que pretende o governo português da CPLP. Depois da estratégia delineada e do exemplo dado, venham então os discursos, não vão alguns parceiros da cooperação portuguesa, com representação na ONU, pensar que o PM português está baralhado, nomeadamente o Brasil, Espanha, Itália ou mesmo os EUA, que em matéria de cooperação com os Palop's já nos ultrapassaram faz muito tempo.

Declaração inicial

Perante tamanha grandiosidade e sapiência intelectual dos escribas a que me juntei, não é fácil cumprir esta minha tarefa de pensar e escrever mais alto, analisar o quotidiano ou mesmo perspectivar soluções para o futuro.
No entanto, gostaria de fazer nestas breves linhas a minha declaração de intenções editoriais. Entendo que este desafio é um enorme estímulo e as bases que me fizeram aceitar o convite para colaborar neste forum e com esta equipa de comentadores residentes, residem na convicção em que o livre pensamento e o debate democrático constituem não só a essência da nossa sociedade, mas todavia os pilares de uma civilização crítica, tolerante e activa.
Nada deve obstar a liberdade de expressão, a diversidade de opiniões, a postura criativa.
A cegueira do intelecto, a cultura da ignorância, a escravidão mental, a difusão do obscurantismo, a moda dos lugares comuns e das fáceis banalidades, são por isso adversários permanentes.
Tudo deve ser discutido, mas toda a discussão deve ter consequências.
Vamos a isso!

A propósito de "Volver"


O novo filme do realizador manchego Pedro Almodôvar, não sendo o seu melhor filme, faz-me reflectir em algumas questões. Num crescendo que se confirma a cada nova metragem, a fotografia de "Volver" é excepcional. A arte dos ângulos, das cores, das perspectivas, da paisagem, é de uma riqueza notável. O tema é o retrato de uma mentalidade espanhola, por demais trabalhada por Almodôvar, e que neste novo filme ganha contornos de uma trama complexa, envolvendo a vida de uma familia de quatro mulheres.
A pergunta que me suscita o filme, e que justifica este texto é a seguinte: Será que se um realizador português trabalhasse a realidade nacional e provinciana do Portugal profundo e do bas-fonds do urbano, mas também do rural, de uma forma semelhante a Almodôvar, será que esse mesmo realizador teria algum êxito entre o nosso público? Certo que Almodôvar tem tanto de genialidade como de polémica entre o público espanhol, e nem todos os seus compatriotas são seus admiradores, mas o seu lugar na sétima arte está garantido para a história do cinema espanhol.
E Portugal? Imaginemos um cineasta que retratasse a vida beata, mesquinha até, pobre e saloia de uma aldeia portuguesa ou dos arredores de uma grade cidade; as suas personagens, as paixões, os segredos, as superstições, os vicios... Será que o filme teria êxito? Responderão alguns, se ele tivesse a genialidade de Almodôvar...Talvez!
Lembro-me de assistir no cinema, há um par de anos, ao filme de João Canijo " Ganhar a vida". Gostei imenso daquele retrato frio e objectivo da vida dos emigrantes portugueses em França. Duro sem dúvida, mas de um realismo surpreendente!
Ouvi depois comentários de muita gente indignada. O filme dava uma péssima imagem dos portugueses e sobretudo dos emigrantes!!
Penso que uma das razões do enorme êxito que o cinema espanhol conheceu nos últimos anos, e que é hoje uma referência, se deve ao facto de o público espanhol ter aprendido a viver com a sua própria imagem, de a absorver, de a ironizar, de brincar com ela, de a viver. Os portugueses, ao contrário, estão demasiado apegados a uma imagem, não à sua, mas àquela que gostavam de ser. No mundo actual, que é o das imagens, o deslumbramento e o desejo de pertencer a uma imagem perfeita, sem mácula, sem dor, sem vergonha, vale tudo. O importante é estar dentro, é não ser excluído, mesmo que o preço seja a própria realidade.