04 abril 2007

O Blindado em acção...



Em complemento ao anterior post do PBH, reproduzo na íntegra um post publicado no blog "lisboalisboa2", que ilustra bem as relações perigosas entre este Governo e a Comunicação Social...

'Expresso’ não poupa o Primeiro-Ministro

As teses do ‘Expresso’ são três:
1ª – Sócrates quer controlar a comunicação social. E manda telefonar e telefona.
2ª – Sócrates coloca na banca amigos para controlar ainda mais domínios da vida portuguesa.
3ª – Há dúvidas e irregularidades no processo académico do PM na Independente (um problema que, segundo alguns jornais, está a preocupar alguns socialistas).

Aqui, hoje, interessa-me essencialmente a 1ª tese. De resto, e para todas estas teses, ver o ‘Expresso’, edição impressa. Páginas 2 e 3 (controlar, controlar, controlar) e ainda 10 e 11 (o curso do PM na Independente).

Testemunhos em directo:

1.Licenciatura- Sarsfield Cabral diz que ligaram «várias vezes» do gabinete de Sócrates para ele e para a redacção. O ‘Expresso’ diz que a partir daí deixou de haver referências à notícia. Estava-se a 22. O ‘Público’ tinha referido a dúvida sobre o curso. A RR estava a noticiar isso mesmo.- Ricardo Costa conta que na véspera da divulgação (portanto, a 21 de Março), houve logo telefonemas do gabinete de JS a dizer que aquilo não era notícia.- José Manuel Fernandes assegura que o facto de só a RR ter referido o tema se deve aos contactos afanosos dos membros do gabinete do PM para as rádios.- O ‘Expresso’ apurou que, enquanto durou a investigação, o próprio JS terá ligado pelo menos seis vezes para o jornalista do ‘Público’ que estava a investigar o assunto.

2.Incêndios- Ricardo Costa, que, ficámos a saber, trata por tu o PM, conta que quando JS estava de férias algures fora do país que estava a arder, isso foi notícia na SIC. «O PM ficou furibundo e telefonou-me directamente», diz R. Costa.

3.Em geral- José Manuel Fernandes diz que está farto de ouvir nos aviões, da boca do próprio PM, «bocas» sobre notícias que não lhe agradaram.

03 abril 2007

A Blindagem


Em tempos prometi a um leitor deste Blog que escreveria um "Post" sobre aquilo que eu considerava ser a "blindagem deste governo". A ocasião do recente escândalo que envolve o nome do Primeiro-ministro José Sócrates e a Universidade Independente afigurou-se-me a ocasião ideal para o escrever.
Quando utilizei o termo «blindagem» referia-me ao facto de a comunicação social portuguesa de uma forma geral ignorar desde há dois anos a esta parte inúmeras polémicas, indecisões, más decisões, conflitos e más práticas governativas que o actual governo protagonizou. Sabemos todos que a prática política, nomeadamente a governativa, tem normalmente uma relação tensa com a imprensa. É natural, que uma vez ganhas as eleições por um qualquer partido, por maior que seja a sua representatividade, a comunicação social, e o país em geral, passem a focar a sua atenção nos novos ocupantes dos cargos governativos e nas suas políticas. É natural e é normal que assim suceda.
Se nos primeiros tempos isso acontece menos também é natural, vive-se aquilo a que se considerou designar «período de graça».. O que desde há uns bons meses a esta parte me começou a preocupar é que o «estado de graça» se mantinha indefinidamente. Dirão os meus amigos socialistas que isso se deve ao simples facto de o governo estar a governar bem e não haver por isso razões para polémicas nem desagravos.
Acontece porém, que na atenção que vou dispensando ao país e à política não encontro razão para a manutenção desse status quo.
Todos os governos têm ministros mais competentes que outros. Mais simpáticos, mais visiveis, mais polémicos, e isso é o normal em democracia. Mas este governo, estranhamente, parece ter apenas ministros de excelência, mesmo que se chamem Mariano Gago, Correia de Campos, Maria da Lurdes Rodrigues, Isabel Pires de Lima ou Manuel Pinho.
Depois de muito pensar no assunto penso ter descoberto a razão. A razão é simples e clara curiosamente. O governo liderado por José Sócrates conseguiu a proeza que inúmeros governos antes de si nunca tinham conseguido, criar e fazer funcionar uma agência de comunicação e informação do governo. Significa isto, que através de um muito profissional trabalho junto da comunicação social, o governo foi conseguindo manobrar a seu favor um conjunto muito significativo de informações. À primeira vista parece estranho e até dificil de se conceber que a comunicação social se sujeitasse a tais investidas, afinal a derrocada do governo de Santana Lopes, para aqueles que anda se recordam dos factos, começou precisamente quando o governo de então sugeriu a criação de uma central de comunicação. Caíu o Carmo e a Trindade, e o Marcelo também! Era a censura que aí vinha, era a manipulação, era o abuso de poder, era a afronta maior à democracia. Pois foi! Foi tanto que o governo caíu. O Governo novo, contudo, não perdeu tempo e recuperou o projecto e fê-lo de forma tão profissional que sobre a matéria não se escreveu uma linha.
Não se escreveu até à semana passada! De repente uma derrocada impossível de conter abate-se sobre a figura do próprio Primeiro-ministro. Algo falhou na comunicação. Os jornais não falam de outra coisa senão na hipotética equivalência ao grau de licenciatura feita por José Sócrates na Universidade Independente. A história vem a palco em pleno processo de encerramento compulsivo da UI decretada pelo Ministério da Ciência de Mariano Gago. Os jornalistas incomodam-se, os directores de jornais dizem que não sabiam de nada e a história, pouco a pouco vai saindo cá para fora. Afinal toda a gente sabia!
O jornal Expresso diz que já tinha conhecimento da história há um mês, mas foi o Público que lançou a manchete obrigando o Expresso na semana seguinte a fazer mesmo. No dia da noticia RTP e TVI nem sequer abordam o assunto, excepção feita à SIC , mas a notícia que se queria discreta deixa de o ser e la nave va...
Se dúvidas houvesse o Expreso desta semana acabou com elas. O Primeiro-ministro falou seis vezes directamente ao jornalista do Público que escreve o artigo, os documentos vistos pelo Expresso estão guardados na posse do Reitor da UI Luis Arouca que entretanto é demitido. A UI recebe um ultimatum para nomear novo Conselho Directivo sob pena de encerrar compulsivamente, os assessores do gabinete do PM desfazem-se em comunicados e la nave va...
De uma penada ficamos a saber que o PM fala directamente e por telefone aos jornalistas e que alguns directores de jornais, que consideravam a história sem interesse, de repente fazem dela manchete!
O artigo vai longo e seguramente terá continuidade. Serve este artigo de introdução ao tema da "Blindagem" que por este andar está a perder o aço.

29 março 2007

Grandes Portugueses


Escrevo este primeiro post a partir do meu novo país de residência nos próximos anos, a Argélia. Mas graças às novas tecnologias, designadamente no domínio da televisão, é-me possível ter aqui todos os canais da TV Cabo. Isto, para dizer que, ao contrário do meu amigo PBH, assisti à final do programa Grandes Portugueses no Domingo na RTP 1.

Confesso que o resultado me surpreendeu, essencialmente pela ampla margem de vitória do ex-Presidente do Conselho. Dizia-se um pouco por todo lado que a votação estaria renhida entre o Prof. Oliveira Salazar e o Dr. Álvaro Cunhal.

Não lamento o resultado, nem faço deste concurso o que ele não é. Perguntou-se aos Portugueses quem é que eles achavam que tinha sido o maior Português de sempre, e eles (os que decidiram participar no programa), democraticamente votaram e expressaram a sua opinião. Quando se dá a palavra ao Povo, deve-se respeitá-la, sobretudo tentar percebê-la, e não criar fantasmas onde eles não existem.
Este concurso não foi um comício de políticos mortos ou ideias passadistas, como diz o PBH. Considero até que foi bastante interessante e confesso que até aprendi com alguns dos documentários que consegui ver. (já agora, os programas ainda podem ser vistos no site da RTP).

Mas dizer, como o fez Odete Santos, que o programa, ou o seu resultado é inconstitucional, pois faz a apologia do fascismo, é de uma estupidez sem medida, reveladora de um mau perder, e sobretudo da falta de respeito do PCP pela opinião dos votantes. Mas isso também não é de admirar, o comunismo nunca foi grande amante da liberdade de opinar, e onde governou, e infelizmente ainda governa, continua a silenciar os cidadãos e a perseguir aqueles que ousam discordar.

Quanto às razões deste resultado, elas foram bem expressas, na sua diversidade por Rosado Fernandes e por Paulo Portas. Subscrevo também, na íntegra o comentário do ASD feito no post anterior.

Já é tempo de em Portugal se começar a fazer uma leitura histórica e imparcial do que foi o Estado Novo, das suas virtudes e defeitos, dos seus aspectos positivos e negativos. Mas volvidos já mais de 30 anos sobre o 25 de Abril, ainda há liberdades que tardam em chegar… Mas só à Direita, porque à Esquerda essa liberdade é total, não só para fazer a apologia das suas ditaduras, como também silenciar as alheias…

27 março 2007

Os Portugueses IV

Em conclusão aos post escritos em Novembro do ano passado e em Fevereiro deste ano, gostava de comentar o resultado do concurso promovido pela RTP que terminou ontem.
Soube esta manhã, porque não vi o programa, que a vitória da eleição do «melhor português de sempre» foi atribuida a António de Oliveira Salazar por parte dos participantes no concurso.
Não posso deixar de lamentar o resultado! Não que atribua demasiada importância ao resultado , fruto naturalmente de paixões pouco reflectidas por parte de votantes que não procuraram outra coisa senão a vitória das suas convicções mais fantasmagóricas. Outra razão não explica que nos três primeiros lugares tenham ficado três figuras representantes de três facções mais ou menos estranhas ao comum dos portugueses ( Salazar, Cunhal e Sousa Mendes).
É estranho e é triste. Aquilo que poderia ter sido um programa interessante para a divulgação da cultura e história nacionais, virou um comício de políticos mortos e ideias passadistas. Nenhum exemplo para o futuro portanto!
Para mim, restam duas conclusões: a primeira é de que a RTP, ou quem dirige o programa, compreendeu finalmente o seu erro ao não incluir a figura de Salazar nos portugueses elegíveis no início do programa, conduzindo por isso, e por reacção, a um movimento de contestação e de apoio por parte de meia dúzia de indíviduos que não encontraram melhor hipótese para reabilitar a figura de Salazar. Erro crasso que espero tenha servido de aprendizagem aos intelectuais que vivem cheios de fantasmas acerca da primeira metade do século XX e do Estado Novo em Portugal.
A segunda, a de que a eleição de Salazar significa a falência intelectual de uma parte do país. Se dúvidas houvesse, ficam dissipadas. Felizmente o país real não é um concurso de televisão e quando os portugueses vão a votos a sério a conclusão é outra.

20 março 2007

A ideia Luminosa...


O Ministro do Ambiente Nunes Correia anunciou que o Governo levantou a proibição de construção em áreas florestais ardidas, quando provado que o fogo se deveu a causas frutuitas, e «em caso de interesse público ou de empreendimentos com relevante interesse geral» (????)
Com o argumento de que a anterior lei era "draconiana" Nunes Correia retira de uma penada aquele que constituía provavelmente um dos maiores obstáculos aos incendiários portugueses altamente especializados a soldo de todo o tipo de interesses.
O que são empreendimentos com relevante interesse geral? Geral ou particular? E quem decide? Já o interesse público serve para tudo...
Será que este ano vamos assistir mais uma vez a uma vaga incendiária de Norte a Sul do país agora mais apetitosa com esta nova lei do Governo?
É ingenuidade minha ou caberia ao Ministro do Ambiente defender os interesses da floresta? Do ordenamento? Dos recursos naturais? A Rede Natura e os Parques Naturais?
Que lei é esta e que interesses defende? Não compreendo.
Não compreendo a lei e não compreendo a blindagem de que este governo goza ao nível da crítica, nomeadamente por parte da comunicação social.

17 março 2007

Na deriva do Império...


A perfeitura do Rio de Janeiro está a preparar para 2008 um conjunto notável de publicações, exposições e efemérides para comemorar a chegada da Corte Portuguesa àquela cidade em 1808, em consequência da invasão de Portugal pelas tropas napoleónicas.
Para além de uma banda desenhada relatando o acontecimento e que vai ser impressa em cerca de três milhoês de exemplares a serem distribuidos pelas ecolas e bibliotecas da cidade, a programação inclui igualmente o lançamento de livros e manuscritos da época, entre eles o estudo inédito do historiador brasileiro Kenneth Light sobre os diários de bordo das embarcações da comitiva real, em Agosto deste ano.
A igreja de Nossa Senhora do Carmo, no centro da cidade, está a sofrer uma reabilitação integral. A igreja foi utilizada por D. João VI desde sua chegada ao Brasil, em 1808, para assinalar momentos importantes da família real portuguesa. Trata-se da única igreja da América que serviu de palco para a sagração de um rei e a coroação de dois imperadores, além do casamento de D. Pedro I e D. Pedro II.
Ainda segundo o calendário de eventos, será lançado em Julho de 2008, em cinemas de todo o Brasil, um filme sobre D. João VI e a cidade do Rio de Janeiro.
Trata-se de facto de um conjunto muito interessante de iniciativas. Desconheço se o governo português, através do Ministério da Cultura, colabora em alguma destas acções, mas seria interessante que o fizesse.
Aproveito este post para sugerir a leitura de um livro publicado em 2004, do inglês Patrick Wilcken - Império à Deriva- que é um interessantíssimo relato do inédito e surpreendente episódio que foi a transferência da corte e do governo português para o Brasil.
Estou certo que a sua leitura irá surpreender pelo realismo da narrativa, pelos números envolvidos nesta gigantesca operação e pelas intrigas políticas e diplomáticas que a rodearam.

Canto Gregoriano


Para informação dos nossos caros leitores, deixo aqui noticia acerca da internacionalização do Coro Gregoriano de Lisboa. Não se trata de nenhum recado da Cúria, mas não queria deixar de informar acerca do interesse que esta antiga forma de expressão cantada pode ter nos dias de hoje, e como contribui para a internacionalização da música portuguesa.
O Coro Gregoriano de Lisboa, fundado em 1989 por um grupo de antigos alunos do Instituto Gregoriano de Lisboa, já editou três álbuns em CD: «Liturgia de Santo António» (1993), «Missa pela Paz» (1997) e «Missa pela Chuva» (1999, ao vivo). Este último não sei se terá alguma reminiscência americana!
O Coro Gregoriano de Lisboa actua a 03 de Junho no 13.º Festival de Música Sacra do Mundo de Fez, Marrocos. O Festival conta ainda com a actuação da soprano norte-americana Barbara Hendricks, a cantora brasileira Tania Maria e o London Gospel Community Choir.
Desejamos uma boa participação dos portugueses neste festival que me parece bastante ecuménico e que seguramente vai atrair muitos mulçulmanos.

A insistência de Bento XVI


O apelo de Bento XVI na sua nova Encíclica para que se realizem mais missas em latim e se promova o canto gregoriano nas celebrações litúrgicas é a prova definitiva, agora por escrito, dos rumores que meses atrás se fizeram ouvir acerca da posição de Bento XVI face às opiniões dos bispos conservadores que defendem este retrocesso formal à celebração da missa católica.
O Sumo Pontífice assume portanto a sua preocupação acerca da forma como os bispos e os párocos celebram a missa nas respectivas comunidades, considerando que o melhor remédio é mesmo voltar às antigas práticas da Igreja, anteriores ao Vaticano II.
Não compreendo a insistência do Papa sobre este assunto. A sua posição só se justifica, dentro da linha que o próprio afirmou ser um dos seus objectivos de pontificado - menos cristãos, melhores cristão. Quanto à primeira premissa, eu não tenho dúvida que este continuado regresso às origens da Contra-Reforma reduzirá cada vez mais o número de cristão católicos praticantes. Quanto à segunda permissa, tenho sérias dúvidas de que aqueles que ficam sejam os mais fiés executores do envangelho.
Em que medida poderão as missas em latim ou o canto gregoriano ( reconheço o valor estético de ambos na celebração de uma missa solene) atrair os católicos às suas paróquias?
Este assunto já foi discutido anteriormente neste Blog, contudo, fiquei surpreendido por esta posição pública do Papa, razão pela qual voltei a escrever sobre a matéria.
Desejo que na próxima visita que Bento XVI fizer , neste caso ao Brasil -9 a 14 de Maio- onde terá oportunidade de visitar o santuário da Virgem da Aparecida, não fique demasiado surpreendido se lhe aparecerem plumas coloridas ou cantares pouco gregorianos (nada próprios dos trópicos) entre os milhões de devotos daquela Virgem, que por sinal são os mesmos que constituem provavelmente a maior comunidade sincrética religiosa da América.

10 março 2007

09 março 2007

Um dia a casa vem abaixo...


A Capela das Albertas, sita no palácio que alberga o Museu Nacional de Arte Antiga, foi encerrada ao público por motivos de segurança devido ao seu avançado estado de degradação, necessitando de obras urgentes na fachada e na cobertura.
Além da capela barroca, decorada em talha e azulejo, situada no primeiro piso do museu, foi igualmente encerrada uma sala no centro do percurso expositivo onde habitualmente fica exposta a baixela Germain, um dos mais importantes conjuntos da colecção de ourivesaria do MNAA. Segundo a Directora do Museu, Dalila Rodrigues «Pelos riscos que corriam, as peças foram retiradas e guardadas em espaço próprio de reserva e estão em segurança».
No mesmo dia, Manuel Bairrão Oleiro, Presidente do Instituto Português de Museus admitiu que existem vários museus nacionais carenciados de obras. «As verbas existentes são limitadas e não se consegue acorrer ao mesmo tempo a todas as necessidades, mas o instituto tem feito um esforço nesse sentido», salientou. Muito bem!
A minha dúvida, entre outras, vai no sentido de compreender duas questões, a meu ver fundamentais: porque é que o Museu Nacional mais importante do país e que alberga as mais importantes colecções do Estado se encontra em tal estado de degradação? Porque se chega ao limite de ter de encerrar duas alas de um museu que só no ano passado recebeu 192.452 mil visitantes?
O MNAA tem um mecenas exclusivo que é o Millenium Bcp e que o ano passado fez uma doação de Eur. 600 mil. O IPM resolveu repartir esta verba, atribuindo apenas 500.000 ao MNAA e os restantes 100.000 ao MNSR no Porto. Este ano, perante uma doação semelhante, o IPM decidiu atribuir apenas Eur. 360.000 ao MNAA. A justificação de Manuel Bairrão Oleiro foi simples«Este ano pensámos que se impunha ser canalizada uma fatia maior para o museu Soares dos Reis» e acrescenta «a distribuição dessas verbas é decidida pelo instituto».
Não compreendo. Se o Millenium Bcp é mecenas exclusivo do MNAA porque razão decide o IPM conceder as verbas originárias do mecenato como mais lhe convém? Fará isso parte do acordo? Não sei, mas tenho dúvidas! Temo que o mecenato sirva para pagar contas da luz e outras coisas que tais nos 29 museus a cargo do Instituto.

O que sei, é que um dia a casa vem abaixo, a das Janelas Verdes e a da Ajuda!

04 março 2007

03 março 2007

Em Santa Comba...

Ao que parece, os ânimos andam exaltados para os lados de Santa Comba Dão.

Tudo porque a autarquia decidiu criar um centro de estudos e um museu dedicado ao Dr. Salazar e ao Estado Novo.

A História não se apaga, nem se altera. Temos de saber olhar para ela e retirar os bons ensinamentos para o futuro. Um Povo sem História, é um Povo sem futuro.

É óbvio que num país como o nosso, uma proposta destas levanta logo polémica. E lá tinham que vir os auto-proclamados "democratas de serviço", valentes "anti-fascistas" para condenar a criação deste museu, alegando tratar-se de uma iniciativa saudosista.

Confesso que cada vez tenho menos pachorra para esta gente. Desde logo, muitos deles, ainda hoje dão vivas a Fidel Castro ou choram o desabamento do império soviético, numa dualidade de critérios de apreciação de regimes que fala só por si.

O desespero nestas tropas deve ser ainda maior depois de conhecerem o top 10 dos Grandes Portugueses...
Vamos ver como vai evoluir esta nova novela...

Boas Recordações (3) Tom Sawyer

02 março 2007

Volver...


O antigo líder do CDS/PP Paulo Portas, veio hoje anunciar ao país a sua disponiblidade para se recandidatar à liderança do partido. O movimento era esperado, depois dos vários sinais dados, tanto no interior do partido e do grupo parlamentar, como fora dele. Curiosamente, hoje também, tivemos oportunidade de ouvir as opiniões do Dr. Menezes, e até do Dr. Santana Lopes, que defendeu a ideia de realizar um refrendo nacional sobre a construção do Aeroporto da OTA. Para intervenções destas, mas valia que não as fizesse, porém é interessante verificar como a Direita portuguesa se mostrou e disse alguma coisa durante um dia. Ficamos a saber que não desapareceram de todo.
A dúvida que fica é esta: Que tem ou que traz o Dr. Paulo Portas de novo à política portuguesa?
Um homem que liderou durante sete anos o CDS/PP, que alcançou para o partido o governo do país, que ocupou durante tempo recorde a pasta da Defesa Nacional, que mais ideias ou projectos trará?
É estranho este fenómeno da política portuguesa. Os partidos não têm capacidade de produzir projectos nem líderes. O que é um partido que é liderado durante sete anos pela mesma pessoa e que de repente não tem capacidade para produzir novos quadros dirigentes? Sei bem que não é fácil conseguir encontrar líderes que unam junto de si pessoas e vontades, num verdadeiro espírito de liderança, mas sete anos é muito tempo. Se o CDS/PP não possui entre os seus dirigentes, nenhum com capacidade de apresentar um projecto válido e mobilizador, então é bom que feche as portas.
Não tenho dúvidas, de que se o Dr. Paulo Portas vencer a corrida à presidência do CDS/PP se torna facilmente no principal protagonista da oposição, tão ineficaz e superficial ela se encontra, entregue nas mãos do Dr. Mendes e do Dr. Louçã. Mas... e depois?
Se os resultados das próximas eleições legislativas forem como penso, ou seja, uma vitória do Partido Socialista com uma maioria relativa, pensará o Dr. Portas estar em condições de integrar o governo juntamente com Sócrates? Não me parece! Será seu plano voltar à política do queijo limiano? Esperamos que não!
Aguardemos a reacção da oposição interna do PSD a esta nova conjuntura, contudo não auguro nada de bom. Antes de tudo, falta ao Dr. Portas ganhar o Congresso e sobre isso tenho algumas dúvidas.
O regresso do Dr. Paulo Portas à liderança do CDS/PP é a prova definitiva da falência do partido enquanto tal.
Portugal tem sede de políticas e de políticos novos. De novos projectos mobilizadores e de novos líderes capazes. A Democracia portuguesa necessita ver-se livre desta rotatividade de discursos e de lideranças e se disso não for capaz, morre nos passos perdidos.

01 março 2007

Há ópera na rua

O Teatro Nacional São Carlos, magistralmente dirigido por Paolo Pinamonti, e no seguimento da trilogia de Wagner “O anel do Nibelungo” iniciada em 2006, volta a brindar-nos com outra grande produção, desta vez a ópera Die Walküre.

Após o grande sucesso do “Ouro do Reno” que originou a colocação de um ecran gigante virado para a praça do teatro e que em directo transmitiu a referida ópera para todos aqueles que não tiveram a possibilidade de adquirir um bilhete, o TNSC volta a oferecer a todos mais três noites históricas.

Desta vez os apreciadores poderão assistir em directo nos dias 8, 9 e 10 de Março, a duas transmissões da ópera Die Walküre e à projecção da ópera Das Rheingold e do respectivo documentário para o Largo de S. Carlos em ecrã de 20 m².


Aqui fica o programa da festa.


Dia 8 de Março, quinta-feira


13:30h – Projecção do documentário RTP sobre Das Rheingold
16:00h – Projecção do documentário RTP sobre Das Rheingold
18:30h – Transmissão em directo da ópera Die Walküre (com legendas)


Dia 9 de Março, sexta-feira


13:30h – Projecção do documentário RTP sobre Das Rheingold
16:00h – Projecção do documentário RTP sobre Das Rheingold
20:00h – Projecção da produção Das Rheingold na íntegra, com legendas.


Dia 10 de Março, sábado

13:30h – Projecção do documentário RTP sobre Das Rheingold
16:00h – Projecção do documentário RTP sobre Das Rheingold
18:30h – Transmissão em directo da ópera Die Walküre (com legendas)

Parabéns S. Carlos e bom espectáculo!

27 fevereiro 2007

Por fim...


Há décadas que o mundo se debate pelos problemas ambientais. O crescimento exponencial das economias e das actividades industriais, aliadas ao consumo desenfreado das sociedades contemporâneas criou um situação insustentável do ponto de vista ecológico e da sustetabilidade energética, dos solos, da atmosfera, da água e dos demais elementos naturais. Em 200 anos os frutos da I Revolução Industrial conseguiram alterar profundamente a face do planeta, a forma como olhamos para a economia, a tecnologia, a política, o consumo, a liberdade, o desejo, as crenças religiosas. A tecnologia desenvolvida nos últimos 200 anos, supera em larga escala todos os avanços da ciência nos anteriores 2.500.000 anos desde que o Homo Sapiens dominou a técnica do fogo e se expandiu no povoamento do planeta. É extraordinário perceber, do ponto de vista histórico e temporal, como tão profundas alterações se deram num tão curto espaço de tempo.
A factura desta descoberta maravilhosa que nos conduziu na senda da velocidade e da informação, do consumo e do conforto, é enorme. A ecologia, vive de equilibrios frágeis, e os recursos para alimentar e proporcionar bem-estar a 6.000.000.000 de pessoas são escassos.
Ao fim de décadas de discussão sobre os efeitos nocivos que este status quo provoca no meio ambiente a nível global, parece que as preocupações ecológicos começam a entrar definitivamente no discurso dos líderes mundiais.
O Presidente da Comissão Europeia anunciou uma proposta para uma política energética comum, declarando que "a Europa está a preparar uma grande revolução industrial". Declara-se convencido de que a proposta da Comissão, a discutir a 08 e 09 de Março na Cimeira da Primavera, vai ser aprovada pela maioria dos Estados.
Antecipando um «conselho europeu histórico», Durão Barroso mostra-se convencido de que a energia e o clima são o «grande motivo para a integração europeia no século XXI» e que a sua proposta vai «mudar o modelo de desenvolvimento económico, baseado no carbono de baixo custo». Para Durão Barroso, a energia e as alterações climáticas são hoje «a questão central europeia», pelo que é essencial a Europa trabalhar em conjunto.
Também esta semana, assistimos a um acontecimento inédito. O antigo vice-presidente norte-americano Al Gore subiu ao palco das estrelas de cinema para receber um Óscar da Academia das Artes Cinematográficas. Fê-lo por duas vezes, e por duas vezes defendeu a necessidade de mudança na política energética e ambiental. Independentemente das questões eleitoralistas ou de promoção política subjacentes ao seu discurso e aparição pública em Los Angeles, a verdade é que as suas palavras têm impacto ao nível do discurso político.
Portugal infelizmente não está a desenvolver os esforços necessários e desejáveis para cumprir as directivas comunitárias de redução de emissões de C02 até 2010. Se há alguns anos estávamos aquém de atingir a nossa quota de emissões, hoje somos excedentários, afastando-nos das metas propostas. A nossa factura petrolífera cresceu 19% no ano passado e o desenvolvimento de uma real política de incremento de energias renováveis está longe de ser uma realidade. Apesar de tudo alguma coisa tem sido feita.
A consciência de que o actual modelo de desenvolvimento é insustentável são boas noticias, porquanto essa consciência nos conduzirá à alteração de comportamentos e de opções.

Penso que a real mudança se faz em cada um de nós, enquanto cidadãos e decisores, e é das opções individuais que nascem os modelos políticos gerais. É por isso que deixo aos caros leitores da Gazeta Lusitana, um pequeno exercício para verificarem das suas opções do dia-a-dia e de como isso pode afectar a sustentabilidade ecológica. É um exercício simples e fácil, designado de «pegada ecológica» e os resultados podem ser surpreendentes.

E agora o Irão...


Depois de algum tempo de ausência, trago à discussão na Gazeta um assunto de alguma preocupação. O Irão anunciou no último Domingo que não irá abandonar o seu programa nuclear. Fê-lo no mesmo dia em que anunciou ter lançado com êxito um foguetão com fins científicos , capaz de se erguer a 150km de altitude antes de regressar à Terra.

Simultaneamente reúnem-se em Londres os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU em nova tentativa de redigir uma resolução sobre o Irão.
As sanções aprovadas no fim de 2006- interdição de transferencia de tecnologias e congelamento de bens de pessoas e empresas- estão a conseguir resultados, segundo os norte-americanos, que por isso defendem a manutenção da pressão.
No Domingo também, o jornal britânico The Sunday Times, noticia que alguns dos mais destacados comandantes militares dos E.U. A. estão determinados a demitirem-se dos seus cargos se o Presidente George Bush ordenar um ataque militar ao Irão, por considerarem que não têm capacidade militar para enfrentar o Irão de forma significativa.
O cenário é preocupante. Por um lado, verifica-se um crescente sentimento de insegurança no Médio Oriente, por outro, a inabilidade de resposta da comunidade internacional.
O Afeganistão continua a ser um problema por resolver, o Iraque, como era previsivel, não tem solução na actual conjuntura, o Irão por seu lado, revela-se temerário.

Há muito tempo que o governo norte-americano vem dando sinais de querer interferir no Irão. Já passaram alguns anos desde que o actual Presidente dos E.U.A. iniciou aquilo que designou como sendo uma cruzada contra o eixo-do-mal. O Irão, desde princípio, ocupa lugar cimeiro neste filão.
Ao contrário do Iraque, sobre quem o Secretário da Defesa Colin Powell jurava em pleno Conselho de Segurança possuir armas de destruição massiva, razão que serviu de pretexto à invasão do país e que até hoje não se encontraram, o Irão mostra ao mundo as suas armas para quem as quiser ver. Não só mostra como brada orgulhosamente um programa nuclear do qual não pretende abdicar.
E agora que fazer?
Depois de gastarem biliões de dólares no Afeganistão e no Iraque, sem resultados visiveis, como pretenderão resolver esta crise os E.U.A? O Irão não é o Iraque, todos sabemos isso e os generais americanos também, razão pela qual ameaçam abandonar os seus postos caso seja dada luz verde a qualquer operação naquele país. Mas então que fazer? Estarão os paises ocidentais na disposição de perder a face perante a arrogância persa? E se não fizerem nada como será o futuro do Médio Oriente?

Infelizmente, o único cenário que prevejo é o pior de todos eles. Um crescendo de tensão que conduzirá inevitavelmente a um conflito bélico entre o mundo Ocidental e o bastião do mundo Chiíta. Este caminho de loucura vem sendo desenhado há bastante tempo, e todos os episódios até agora verificados o tornam cada vez mais real. De um lado e de outro da barricada as posições não cedem. Os mulçulmanos não estão dispostos s fazer mais cedências nem pretendem baixar os braços a não ser pela força das armas. O Irão é o berço orgulhoso da maior e mais forte comunidade mulçulmana do mundo e a sua queda não se faz sem a perda e transformação do mundo que conhecemos. Temo sinceramente, estarmos mais perto do que julgamos daquilo que sabemos inevitável mas que não queremos nem desejámos ver.
Não pretendo ser alarmista mas penso que devemos começar a olhar para este problema com olhos de ver. A instabilidade que se vive entre o Islão e as potencias ocidentais é de um crescendo significativo desde há pelo menos 10 anos . Sadam Hussein era um sunita num país maioritariamente chiíta. O seu desaparecimento seguramente agradou a muitos opositores dentro do próprio país. O Irão é diferente. O Irão dos Ayatolas é um símbolo de mulçulmanos de todo o mundo, desde a Indonésia a Marrocos. A sua sublevação pode significar um inimaginável conflito mundializado.
Estejamos atentos, o Irão é muito diferente...

15 fevereiro 2007

O Grande Momento de Chirac...


Pierre Péon editou um livro intitulado «L`inconnu de L`Elysée» baseado em entrevistas a Jacques Chirac. Nestas entrevistas, o Presidente francês faz algumas revelações curiosas sobre a sua vida privada e sobre o seu percurso político de quarenta anos.
De entre as várias afirmações extraordinárias a que os media franceses deram destaque, do livro que será publicado no próximo sábado, existe uma curiosissima.
Afirma o Presidente francês que a chegada de Cristovâo Colombo à América «não é um grande momento da história». Assegurando ter uma «visão geral do mundo» e assinalando que «cada cultura traz à Humanidade algo básico», afirma sobre a presença espanhola na América «não tenho admiração por essas hordas que foram para destruir».
Ao relatar um episódio sobre um convite que as autoridades espanholas lhe fizeram a determinado momento para participar nos 500 anos do "lo de 1492" e ao expôr a sua recusa, revelou que recebeu um telefonema do monarca espanhol «surpreendido» por essa atitude.
É na resposta a Juan Carlos de Borbón que Chirac defende a sua tese: a chegada de Cristóvão Colombo à América «não é um grande momento da História, os vikings chegaram a este território cinco séculos antes», e continua «Os vikings não causaram tanto alvoroço e, além disso, tiveram a elegância de se destruírem a eles mesmos», salienta o chefe de Estado francês.

Pois é, Jacques Chirac tem uma «visão geral do mundo» falta-lhe agora a visão específica!
Será alguma dor na zona entre o braço e o antebraço?
Talvez o Presidente francês faça a elegância...

13 fevereiro 2007

12 fevereiro 2007

A vitória do SIM


Votantes: 43.61%



SIM 59.25%


NÃO 40.75%

10 fevereiro 2007

No Domingo, todos a votar

Terminou a campanha e entrámos no chamado período de reflexão.

No Domingo, exerça o seu direito, cumpra o seu dever e vote.

Seja qual for o seu sentido de voto,

VOTE !

E já agora, bom fim de semana!

09 fevereiro 2007

Eu voto SIM


Porque acredito que uma mulher só recorre ao aborto em última instância e em estado de última necessidade.

Porque acredito que as mulheres não recorrerão ao aborto como método anti-conceptivo.

Porque acredito que uma mulher que aborta no início da gravidez não deve ser julgada, condenada e presa.

Porque acredito que a actual lei não é eficaz pois quem quiser fazer um aborto em segurança vai a Espanha e fá-lo sem problemas.

Porque acredito que a vitória do "Não" não resolve nada, tal como não resolveu há 9 anos.

Porque não faz sentido ter uma lei a dizer que é crime e depois ninguém querer aplicar a respectiva sanção prevista.

Porque acredito que não estamos perante um homicídio qualificado ou premeditado.

Porque acredito numa regulamentação séria da lei, que obrigue ao aconselhamento, estipule apoios, e procure envolver o Pai nos casos em que tal seja possível.

Porque não estamos perante uma liberalização, mas uma despenalização.

Porque as 10 semanas são um prazo absolutamente razoável e bastante inferior aos que vigoram na maioria dos países da União Europeia.

08 fevereiro 2007

Reviver o passado

«O documento que segue é a transcrição de um editorial da edição clandestina portuguesa do Jornal «Avante!» - Órgão do Partido Comunista (4ª Semana de Novembro de 1937)

Editorial

Resposta da Direcção

PORQUE É PROIBIDO O ABORTO NA URRS?
Damos imediata resposta a esta pergunta, formulada por algumas operárias do Barreiro. O aborto é um acto inteiramente anormal e perigoso, que tem roubado não poucas vidas e tem feito murchar não poucas juventudes. O aborto é um mal terrível. Mas, na sociedade capitalista, o aborto é um mal necessário, inevitável, benfazejo até. Na sociedade capitalista um filho significa, para os trabalhadores, mais uma fonte de privações, de tristezas e de ameaças. Quem tem filhos — diz-se — tem cadilhos. Pode-se imaginar algo mais doloroso que uma família de operários obrigados a sustentar, dos seus miseráveis salários, 5 ou 6 filhos? É a fome, o raquitismo, a tuberculose, a tristeza da vida, vivida em promiscuidade. E que futuro espera essas crianças? Serem uns desgraçados… como dizem as nossas mulheres. Por isso a mulher do [?] capitalista é obrigada a sacrificar o doce sentimento da maternidade , é obrigada a recorrer, tantas vezes com o coração sangrando, ao aborto. Por isso, a proibição do aborto, na sociedade capitalista, é uma hipocrisia e uma brutalidade. Na URSS, a situação é tão diferente como é diferente a noite do dia. Na URSS não há desemprego, não há miséria; há abundância de produtos. Tanto a mulher como o homem recebem salários que satisfazem as necessidades. A mulher grávida tem 4 meses de férias durante o período da gravidez, com os salários pagos. Há maternidades, creches, jardins de infância e escolas por toda a parte. O Governo soviético dá prémios que vão até 5 mil rublos para as mães que tenham mais de 5 filhos, etc. Ser mamã é uma das maiores aspirações das jovens soviéticas. ?E onde há uma esposa que não quisesse ser mamã sabendo que o mundo floria para acolher o seu menino? Sabendo que o seu filho não seria um desgraçado mas um cidadão livre da grande República do Socialismo? A criança, na URSS, deixou de ser um motivo de preocupações, para se tornar numa fonte luminosa de alegria e de felicidade. O aborto perdeu portanto a sua única justificação; tornou-se desnecessário. Por isso, o Governo Soviético resolveu propor ao povo trabalhador, a abolição da liberdade de praticar o aborto — liberdade essa concedida a título provisório, nos primeiros tempos da República Soviética quando esta gemia sob o peso da fome e da peste, ocasionadas pela guerra e pela contra revolução capitalista. Depois de discutirem amplamente a lei proposta pelo Governo Soviético, as mulheres e todo o povo trabalhador aprovaram essa lei que correspondia inteiramente às condições de existência livre e feliz que gozam os que trabalham na grande Pátria do Socialismo triunfante. . »

06 fevereiro 2007

Anatomia do meu Não

Voto NÃO, porque despenalizar o aborto até às 10 semanas...

... significa reduzir ainda mais a protecção da vida, que deve estar tão perto quanto possível da protecção absoluta, abrangendo mesmo as formas embrionárias de vida humana.
... não é um mal necessário. Como todos os males necessários, não é necessário e será sempre um mal. A gravidez, ao contrário das doenças e outras fatalidades, depende exclusivamente do comportamento humano. Logo, um comportamento sexual consciente e responsável é a melhor forma de evitar uma gravidez - e não um aborto. A liberdade de decisão deve estar no início do processo e não a meio.
... é um incentivo a utilizar o aborto como meio contraceptivo e um desincentivo ao planeamento familiar, à aposta em uma política de educação sexual, à adopção de um comportamento sexual responsável. Infelizmente, muitos defensores do Não, incluindo a Igreja Católica, têm pesadas responsabilidades pela ausência de progressos nestas áreas.
... é uma rendição, um reconhecimento da impotência e da falência do Estado e da Sociedade perante a tarefa de fazer compreender a todos os indivíduos que a prática de actos sexuais tem consequências. Até quando vamos aceitar que a ignorância e irresponsabilidade em matéria sexual são inevitáveis?
... para além de não acabar com o aborto clandestino, faz aumentar exponencialmente o número de abortos, legais ou não. Todo o aborto é indesejável e não apenas o clandestino.
... significa reconhecer que o aborto é um problema da consciência individual, o que não podia merecer mais o meu repúdio. Fixar os limites da vida é um problema de todos nós, de todos os cidadãos; à esfera da consciência individual pertencem as decisões tomadas entre as quatro paredes de um quarto.
... com todo o respeito devido aos meus concidadãos que defendam opinião contrária, não é a única solução, não é a melhor solução e não é sequer uma solução.

05 fevereiro 2007

Não!

Hesitei durante muito tempo em entrar nesta discussão. O tema não me agrada, as posições a que tenho vindo a assistir durante a campanha para o Referendo, de um lado e de outro da barricada, não me agradam, a pergunta não me agrada, o posicionamento dos partidos não me agrada.
No entanto, e porque defendo que todos devem ter uma opinião e tomar partido nas decisões que a sociedade democrática nos impõe, decidi escrever este post e tomar a minha posição.

A questão do Referendo à interrupção voluntária da gravidez coloca-nos perante dois conceitos fundamentais e essenciais, políticos e éticos: O conceito de defesa da vida humana, e o conceito de Liberdade! Decidir sobre um em desfavor do outro é, não só praticamente impossível, como traz consigo complexas consequências.

Apelar ao voto no "SIM" alegando que se trata de uma despenalização e descriminalização justa de uma condenação terrível é razoável. De facto, exceptuando alguns fundamentalistas sem expressão, não conheço ninguém que aprove a condenação à prisão de mulheres que tenham praticado o aborto. Não só não conheço ninguém que promova tal condenação, como para prová-lo estão as cadeias portuguesas, que não têm como reclusas mulheres condenadas pela prática de tal crime!
Mas então porque não descriminalizar de todo? Porque não se assume a defesa do valor da Liberdade na sua totalidade e se promove o aborto livre, sem limites temporais?
O argumento de que até às 10 semanas é válido e depois deixa de o ser é profundamente demagógico e incoerente. Porque razão uma vida humana só existe a partir de determinado momento decidido pela lei? Parece-me uma ideia básica. Ou existe, ou não existe! Nada mais há a acrescentar. Se se decide que existe desde a concepção, então é sempre uma vida humana, se se decide que só é vida humana após o nascimento então que se assuma.
Não tenho qualquer dúvida, de que a aprovação da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas é o primeiro passo para a liberalização total do aborto. Mais tarde ou mais cedo assim será. E já não será decidido em referendo, mas em sede de Parlamento.
Outro dos argumentos dos defensores do "SIM" prende-se com a questão da liberdade da mulher. Tenho ouvido e lido de tudo. Que a mulher pode, que a mulher decide, que à mulher compete, que à mulher assistem direitos. Não tenho ouvido, contudo, nenhuma defesa da liberdade daquele que é o mais afectado com esta decisão. A criança concebida.
Temos, portanto, do lado do "SIM" a defesa de uma ideia intimamente ligada ao conceito de liberdade. Liberdade de decisão.

Pelo lado do "Não" outro valor ressalta na discussão. O da defesa do direito à vida.
Ninguém tem dúvidas de que o valor da vida humana é o bem mais precioso sobre o qual se erguem todos os conceitos filosóficos, políticos, religiosos e sociais. A sociedade existe porque existem Homens! A defesa da sua integridade, a promoção dos seus direitos, a exigência dos seus deveres, é a base da construção social humanista que defendemos enquanto democratas.
O Homem é a base. Não há outra. A ciência que não serve o Homem, a política que não serve o Homem, a filosofia que não defende e promove o Homem, não existem como tais!
O argumento de que a vida humana existe desde o momento da sua concepção é para mim válido e não concebo outro diferente deste. Se assim não fosse, se se impusessem limitações temporais ao conceito de vida humana então um largo conjunto de situação tinham porta aberta para serem discutidas e promovidas.
Condeno profundamente a ausência de políticas concretas de Educação Sexual nas escolas, que deveria existir, como disciplina obrigatória há 20 anos, a falta de uma real política de planeamento familiar, incentivos reais à maternidade e à paternidade, o apoio a orfãos e a lentidão dos processos de adopção. Mas tudo isto, felizmente ou não, ainda está nas nossas mãos melhorar. Haja vontade e coragem!

Em que ficamos? Defendemos a nossa Liberdade enquanto cidadãos ou defendemo-nos das limitações à nossa própria existência que se nos impôe? Parece complexo.

Tenho por adquirido, pelas razões enumeradas, de que não há sociedades humanas sem Homens. A sua liberdade, política, religiosa, social é um pilar que demorou séculos a conquistar, mas que não é perene. A história tem-nos ensinado isso, e por vezes a que preço!
Mas as liberdades vão e vêm, existem e não existem consoante as conjunturas. É uma luta constante e permanente de cada um e de todos em conjunto.
Em nome dessa Liberdade, coloco-me ao lado daqueles que menos têm visto os seus direitos defendidos neste debate. O seres Humanos concebidos. Não recuso os direitos dos pais, mas esses têm com que se defender. E não só as mulheres, porque não acredito nessa ideia de que à mulher são devidos todos os direitos. Desculpem-me, mas não fui eu que inventei as regras da natureza. A concepção implica três pessoas e não uma. Uma mãe, um pai e um feto.
Ao defender a Liberdade destes Seres indefesos, defendo também a ideia primordial do direito à vida.
Pela mesma razão que defendo intransigentemente a condenação da pena de morte, o Estado de Direito, a Liberdade dos cidadãos e a promoção de valores humanistas, tomo a defesa dos mais fracos ( permitam-me o tom de paladino) e votarei NÃO neste referendo.
Não há sociedade humana que sobreviva à defesa da Liberadde só de uns, quando aqueles que padecem são os que, com mais razão, deveriam ser defendidos!
O Estado de Direito, defensor primeiro das liberdades e garantias dos cidadãos só pode tomar para si a defesa de todos. Por igual.
A igualdade começa com a VIDA!

30 janeiro 2007

Hesitação referendária...

Tinha prometido, em tempos, um post sobre a questão do próximo referendo ao aborto. Nele procuraria explicar o meu sentido de voto, e atendendo às posições já expressas neste blog, seria mais um contributo para a discussão.

Acontece que chegado a este momento, ainda hesito sobre o meu sentido de voto.

Há oito anos, votei “não” no referendo. Passado este tempo todo, quase 10 anos, constato que pouco ou nada mudou.

O País continua sem uma verdadeira política de educação sexual, os incentivos à maternidade/paternidade são a mesma miséria de sempre, os benefícios fiscais às famílias mais numerosas são ridículos, os processos de adopção continuam a demorar eternidades, o Estado não é capaz de garantir a segurança e o bem estar das crianças órfãs ou abandonadas nas suas instituições, vide caso Casa Pia e outros que lhe seguiram, etc.

Por outro lado subsiste sempre a questão da vizinha Espanha.
Basta percorrer uns quantos quilómetros e estamos em terras de Suas Majestades os Reis Católicos, onde calmamente e em segurança se pode abortar em clínicas especializadas para o efeito.

Nos últimos anos, sempre que têm ocorrido julgamentos de casos de aborto, discute-se a penalização do mesmo, e raros são os responsáveis, políticos e não só, que vêm dizer que apoiam os julgamentos. Bem pelo contrário.

Não falo já das questões complicadas de pais que abusam sexualmente dos seus próprios filhos ou que lhes infligem maus-tratos que por vezes conduzem à morte. Tudo isto mais uma vez perante a impotência ou mesmo incompetência das autoridades. Nem me refiro mesmo às dezenas de bebés que todos os anos são abandonados em caixotes do lixo ou à porta de instituições sociais, frequentemente apenas com uma réstia de vida.

Perante este panorama que vos descrevo, estava determinado a votar “sim” neste referendo. Não que ache que isso resolva completamente o problema, como é óbvio, mas a actual legislação também se tem mostrado totalmente ineficaz. E o Estado não tem cumprido a sua parte e a sua responsabilidade acrescida pelo resultado do referendo de 1998.

No entanto, há uma questão que me tem suscitado dúvidas, e que se prende com uma das premissas da pergunta: “por opção da mulher”.

Quer isto dizer que a mulher, desde que seja essa a sua vontade, poderá realizar um aborto. Então e o pai? Não tem nada a dizer? Se são precisos 2 para fazer, por que razão há de ser só 1 para desfazer?

Em conversa recente com um amigo meu, que é jurista, ele demonstrava-me, por absurdo, o caricato da situação a que poderemos chegar:
Eu, que sou casado em regime de comunhão de adquiridos, se quiser vender o carro (comprado após o casamento) tenho de pedir o consentimento da minha mulher. Já ela, se pretender abortar de um filho nosso, eu não sou tido nem achado! Não acho normal!

Resumidamente: se a mãe quiser ter a criança e o pai não, ela nasce. Se a mãe não quiser ter a criança e o pai quiser, ela não nasce! Não acho normal!

Perante tudo isto, acho que irei mesmo votar “em Branco”… Mas ainda estou na dúvida...

Obviamente SIM!

Entrámos hoje em campanha de esclarecimento para o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez de 11 de Fevereiro. Todos somos chamados a participar, e é nosso direito e obrigação dar a nossa opinião.
É isso que agora faço.

Porém antes de continuar, gostaria de balizar o resto do texto com pergunta que vai a referendo, e que é a seguinte – "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

Em meu entender é isto que está em causa. Despenalizar e descriminalizar a interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas.

Responder SIM à pergunta é acabar de uma vez por todas com a vergonha de ver mulheres serem denunciadas, perseguidas, acusadas de assassinas e julgadas em tribunal.

Muitos daqueles convertidos de última hora à protecção de alguns direitos das mulheres, dirão que se está a fazer uma descriminação entre as mulheres que irão recorrer à interrupção até às 10 semanas e as outras que continuarão a ser criminalizadas após as 10 semanas.
Pois bem, o Direito a limites e a prazos obriga, como também foi este o limite que a comunidade médica e científica adoptou como sensato e ainda aquele que o Tribunal Constitucional considerou como equilibrado e legal.

O limite que vai à consideração dos portugueses é substancialmente mais baixo do que aquele existente e legal na esmagadora maioria dos países europeus. A média comunitária está nas 12 semanas e importa mencionar o caso do Reino Unido que permite a IVG até às 24 semanas.

O Portugal moderno e europeu que defendo, não pode continuar a manter uma lei que se situa e trata as mulheres, mais perto do século XIX do que do século XXI.

Votar SIM é dar uma oportunidade a milhares de mulheres de poderem praticar uma interrupção voluntária da gravidez segura, num estabelecimento de saúde legal e em condições.
Não votar SIM é manter tudo na mesma! É manter a actual situação tenebrosa de lançar as mulheres para o aborto clandestino em qualquer vão de escada, a pagar para sofrer e em grande parte dos casos ir parar a um estabelecimento de saúde legal a esvair-se em sangue e quem sabe… morrer!

O SIM não impõe nada a ninguém, quem não quiser fazer uma interrupção da gravidez não é obrigada a fazê-lo.
O SIM combate o aborto clandestino porque dá uma solução concreta para um problema real e permite que pelo menos até às dez semanas, a mulher possa ser apoiada e a sua vida defendida.
O SIM permite acabar com uma das maiores ultrajantes vergonhas da nossa sociedade democrática, que permite que se lancem para a prisão, mulheres que já muito sofreram na pele, na sua consciência e intimidade, e que sentem que já se auto-condenaram.
O SIM dá dignidade às mulheres, trata-as como iguais e sem paternalismos, combate a hipocrisia e a vergonha de continuar a assistir à aplicação de uma lei que não funciona há 23 anos, a não ser na perseguição e penalização.
O SIM é a única opção para quem entende que estamos perante uma questão séria de saúde pública à qual não podemos virar as costas.

Mas seja qual seja o resultado de dia 11, só espero que TODOS de uma vez por todas exijam de facto em Portugal e digam SIM, a uma educação sexual séria, a um planeamento familiar real e à promoção do uso total de métodos contraceptivos.

29 janeiro 2007

Pausa na discussão...


Portugal no seu melhor...

O regresso argelino...

Após algum tempo de ausência, regresso à blogoesfera, desde estas simpáticas terras da Argélia, onde estou há praticamente uma semana.

Atendendo a que vi hoje, aqui em Argel, no canal Euronews, uma reportagem sobre a manifestação que decorreu ontem em Lisboa promovida pelas organizações que defendem o "não" no próximo referendo sobre o aborto, parece-me oportuno ultimar e postar o meu artigo, em tempos prometido, sobre esta temática.


Será caso para dizer, "longe da vista, perto da discussão"...

27 janeiro 2007

Por fim...


Na mesma semana em que o IPPAR decidiu conceder 150.ooo Eur. (30 mil continhos) para a recuperação do Convento de Jesus em Setúbal, obra notável do manuelino da autoria de Boitaca, e que está a cair há decadas, necessitando de obras estruturais quer no interior, quer no exterior do edifício; e em que o Secretário de Estado da Cultura garantiu finalmente que o Teatro Nacional de S. Carlos e a Companhia Nacional de Bailado vão ter direcções artísticas distintas ( o que parecia lógico aos olhos de todos), eis que a Ministra da Cultura lança a primeira pedra para a construção do Museu de Vale do Côa. Esperámos dez anos, mas lá decidiram arrancar com a obra...

O Parque Arqueológico do Vale do Côa é o mais importante conjunto de figurações paleolíticas até hoje conhecidas no mundo. Em 1995, em reconhecimento do interesse patrimonial e cultural de todo este conjunto de achados, foi decidido criar na região o Parque Arqueológico do Vale do Côa. Esta decisão foi tomada na sequência de um debate público, nacional e internacional, que culminou com a decisão das autoridades portuguesas de suspender as obras da barragem em construção no local. A classificação dos núcleos de gravuras rupestres como Património da Humanidade, pela Unesco, em Dezembro de 1998, foi o culminar de um processo que marcaria indelevelmente em Portugal o estatuto da Arte Rupestre, da arqueologia e do património cultural.
A criação de um museu, ideia desde logo defendida por muitos, por permitir não só a exposição, mas o estudo em condições condignas e acessiveis a investigadores nacionais e internacionais deste património único, recebe agora um impulso definitivo, com a adjudicação da obra, que se prevê esteja terminada em 2008.
O Museu, para além de ser um pólo cultural de inegável valor, vai permitir o desenvolvimento turistico de toda aquela região do Vale do Côa, que abrange dez concelhos da Guarda e de Bragança. Assim saibam aproveitar a oportunidade!
Dez anos depois o Museu...Quem espera desespera...mas sempre alcança!

25 janeiro 2007

Homenagem


O Professor António Henrique Oliveira Marques morreu esta terça-feira aos 73 anos.
Historiador de craveira, introduziu no discurso histórico-cientifico português uma linguagem simples e descomplexada sobre temas muito distintos e muitas vezes polémicos, mas que marcou de forma indelével a nova geração de historiadores portugueses.
AH Oliveira Marques trabalhou sobretudo como medievalista, suscitando muitas vocações nesta área, mas não só, visto que tinha a paixão da história do princípio do século XX como republicano que era.
Tratou temas inéditos ligados à Liga Hanseática e à vida quotidiana, assim como à I República, sendo que praticamente transformou os estudos sobre esta época da história portuguesa que até então era pouco mais que panfletária.
Como director da Biblioteca Nacional deu um impulso importante no trabalho de investigação iconográfica, obtendo inclusivamente importantes colecções que ainda hoje se mantém à guarda daquela instituição.
Para além da sua obra mais conhecida «História de Portugal», publicada em vários volumes e traduzida para várias línguas, Oliveira Marques publicou também, entre outras, «Correspondência política de Afonso Costa», «Figurinos maçónicos oitocentistas», «A primeira República Portuguesa», e «Sociedade Medieval Portuguesa», além de ter coordenado várias obras como «Nova História Portuguesa» e «Dicionário de termos musicais».
Aqui lhe presto esta singela homenagem.

24 janeiro 2007

A "filha" dos portugueses

Talvez daqui a uns tempos a pequena … hoje com 5 anos, poderá perceber o que se passou no seu país durante aquele Janeiro frio e solarengo de 2007.

O caso é conhecido da esmagadora maioria dos portugueses. Mas vamos a factos.
Uma mãe desesperada entrega a sua filha de três meses a um casal que decide cuidar dela, enquanto o pai biológico até aí incógnito e após rocambolescas dúvidas, decide requer a paternidade dela.
Um ilustre tribunal atribui-lhe esse direito, sem consultar a família que a acolheu, ignorando a mãe biológica, além do processo de adopção a correr noutro tribunal.
Por fim, o tribunal intima a família “pré-adoptiva” a entregar a criança ao pai biológico, coisa que não cumprem, e como tal, à segunda intimação não cumprida o colectivo de juízes decide aplicar uma pena de seis anos de prisão ao pai “adoptivo”, assim como a obrigação de indemnizar o pai biológico em 30.000€.

Não relato estes acontecimentos para aumentar o rol de indignados ou de justiceiros, nem para invalidar a seriedade e importância deste caso. Faço-o porque considero importante analisar um conjunto de efeitos que estão a ser desencadeados por uma espécie de teledrama.
E começo por aqui. A comunicação social desde a primeira reportagem, deu a perspectiva de uma injustiça pronta a ser cometida. Um pai adoptivo, militar de profissão, estava em risco de ser preso por não entregar a sua “filha” a um pai biológico que transpirava a mau carácter e pecuniário interesse. A certa altura já era o caso do “Militar que é preso por amor”, sem nunca dar a conhecer o que aconteceu nos últimos 5 anos, nem tão pouco qual a história do processo judicial.

Depois da sua condenação, veio a avalanche de notícias diversas sobre a incompetência e desumanidade da justiça portuguesa, os directos com a indignação dos populares no melhor estilo de “cada cabeça sua sentença” e até as fascinantes reportagens em plena aldeia do pai biológico, com entrevistas aos vizinhos e imagens da pobre e humilde casa da família.
Chegou ao ponto do programa “prós e contra” da RTP fazer um debate dedicado à questão da Adopção, mas a única coisa de que se falou em horas de emissão foi apenas este caso concreto. A Fátima Campos Ferreira, faltou isenção, objectividade e imparcialidade na condução do programa, ignorando que em Portugal a questão da adopção não só é importante, como representa uma solução para somente 2% das crianças que estão em todo o género de centros juvenis.

Em segundo lugar e em meu entender, todo este desenrolar de eventos potenciou as reacções emocionais genuínas de milhares e milhares de cidadãos que rapidamente e como há muito não se via (desde o episódio - Timor) activaram redes de contactos, assinaram petições por todo o país e deram voz à sua indignação. Em boa verdade concedo a dúvida, que muitos se sentiram um pouco, pais e mães daquela criança.

Por fim, algumas notas e dúvidas soltas.

Em que medida neste caso, a objectividade e a sensatez estão a ser substituídas por um gigantesco coro de juízos de valor e emoções exacerbadas?

O facto do pai adoptivo ser militar contribui para a nossa empatia? Será que a farda ainda produz nos subconscientes a ideia de seriedade e conduta honrosa? E qual a razão dos media usarem constantemente a expressão “militar” em vez do seu nome próprio?

Poderemos estar a entrar numa nova era de cidadania participativa em que a pressão popular pode condicionar decisivamente a aplicação da justiça?

Alguém sabe ao menos o nome da criança? Em tanto folhetim mediático julgo que ninguém se lembra ao certo porque o nome próprio é constantemente substituído pelos termos, criança, menina ou menor. A justiça deve ser cega e rigorosa, mas será que está a tornar-se fria e desumana?

E quando este teledrama for substituído por outro, espero sinceramente que a Ana Filipa tenha a melhor vida possível e que um dia compreenda o que se passou naquele Janeiro frio e solarengo de 2007.




O caminho para a Índia...

Parabéns ao Senhor Presidente da República pelo êxito da viagem de Estado à Índia.
Parece que correu tudo bem e não houve incidentes de maior, exceptuando aqueles protagonizados pelas declarações do Secretário de Estado da Cooperação, João Gomes Cravinho, a que infelizmente já nos vamos habituando.
Os contactos políticos foram bons e decorreram de forma salutar, o Presidente recebeu um Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Goa, o que não deixa de ser significativo, apesar dos protestos dos nacionalistas, sendo que foi o primeiro atribuido por esta universidade indiana. Assinou-se igualmente um Acordo para a extradição judicial entre os dois Estados, o que facilita importantes tramites legais. Culturalmente as prestações foram interessantes, sobretudo a da fadista Kátia Guerreiro que obteve enorme êxito nas suas actuações em Goa, mas também em Nova Delhi, assim como a exposição promovida entre a Presidência e a Gulbenkian apresentada na capital do país. Assinou-se um Acordo Cultural, pela mão da Presidente do Instituto Camões, o que é sempre de louvar, apesar do Centro Cultural Português na Índia sofrer das mesmas primárias carências financeiras e de pessoal de todos os outros centros culturais espalhados pelo mundo. A ver vamos...
Mas a grande atenção da viagem foi dedicada à economia e não à política. Prova disso foi a quantidade de empresários de topo que acompanharam Cavaco Silva. O Presidente pôde fazer o discurso inaugural do importante encontro económico internacional " The Partnership Summit 2007" organizado pela Confederação da Indústria Indiana, manter variadissimos contactos com os empresários locais e visitar empresas de alta tecnologia em Bangalore.
Tudo parece ter corrido bem, contudo, esta viagem não dissipou, antes acentuou duas dúvidas que tenho relativas à politica externa portuguesa. Em primeiro lugar não compreendo a insistência que os memorandos dos nossos diplomatas fazem, e que transparece depois nos discursos dos nossos políticos, de que Portugal tem um papel fundamental na ligação do resto do mundo a África e ao Brasil. Cabe na cabeça de alguém ir dizer na Índia que Portugal é uma porta de entrada para os mercados brasileiros e africanos? Acaso precisará a Índia de Portugal para entrar com as suas empresas e tecnologia nesses países? Não se compreende. É um discurso tão calcinado como é, infelizmente, a visão de muitos dos nossos diplomatas que não saem dos gabinetes. Promovam-se as parcerias, promovam-se os produtos, promovam-se as iniciativas e o investimento, reforme-se urgentemente o ICEP, mas não promovam ideias antigas, que os indianos sabem por experiência própria não corresponder à verdade e que não podem naturalmente levar a sério.
Em segundo lugar, continuo sem compreender as razões que levam Cavaco Silva a não eleger um país de Língua Portuguesa para fazer uma visita de Estado. Critiquei a escolha da primeira visita e não posso deixar de lamentar a segunda. Para quando uma visita a um país lusófono?
Depois querem que o mundo acredite que somos os senhores " ...d' aqui e d'além mar,conquista, navegação e comércio da Etiópia, Pérsia e Arábia..."
Pois sim!

22 janeiro 2007

O Beijo de Judas...



A notícia que correu os meios de comunicação social deste fim-de-semana sobre a prevista nomeação de Manuel Maria Carrilho para Embaixador de Portugal na UNESCO é, a ser verdade, matéria da mais profunda condenação.
Um homem que perdeu os poucos créditos públicos e políticos que detinha, pela sua própria conduta mesquinha, traiçoeira e menor, que não deixou saudades no único cargo público que ocupou, que foi como ministro da Cultura do Governo Guterres, é agora nomeado representante dos interesses de Portugal junto da agência das Nações Unidas para a Cultura a Ciência e a Educação?
Um homem que prometeu ainda muito recentemente aos lisboetas e que se apresentava a eleições, distribuindo beijos e flores, como o único candidato com um projecto para a Cidade de Lisboa, e que ao fim de um ano se demite do lugar de vereador alegando incompatibilidade de agenda com o cargo de deputado nacional, é o mesmo que vais defender os interesses da Cultura Portuguesa junto da UNESCO?

Será que o lugar de deputado nacional é compatível com a agenda de Embaixador em Paris?
Este homem não tem limites à sua ambição que é proporcional à sua falta de vergonha. Sobretudo este senhor não é sério!!
Mas a confirmarem-se as notícias, a culpa não é dele. A culpa é do Sr. Primeiro-Ministro, que ainda o ano passado nomeou como embaixador de Portugal na OCDE, justamente na mesma cidade de Paris, outro ilustre socialista, seu antecessor no cargo, o Dr. Ferro Rodrigues.

Tenha tento Sr. Eng. Sócrates!!

18 janeiro 2007

Sugestão...


Apocalypto é o nome que Mel Gibson deu ao seu novo filme. Fui ver e gostei.
Não compreendo contudo a razão da escolha do título. Parto do princípio de que Apocalypto tenha origem na palavra Apocalipse, significando por isso revelação. Pode que o autor tenha associado o nome à ideia de fim do mundo, e se assim for, compreende-se melhor a escolha.
A ideia de revelação é, apesar de tudo, interessante numa abordagem mais especulativa sobre a ideia que o realizador pretendeu transmitir. A crítica cinematográfica não tem sido basta de elogios, mas eu faço aqui a sugestão.
Pela primeira vez no cinema, a América pré-colombiana é tratada como um tema em si mesmo e só por isso o argumento é merecedor de elogio. Na senda de a "A Paixão de Cristo", nenhum dos actores é conhecido do grande público e todo o filme é falado numa língua autóctone - iucateque.
Apocalypto faz-nos um interessante retrato desse outro mundo, ignorado dos europeus até ao final do séc. XV, em que sociedades humanas desconhecedoras ainda do ferro ou da roda, viviam de forma organizada, hierarquizada e possuindo um vasto património cultural.
O tema é tão mais interessante quando compreendemos que aquilo que move o Homem em qualquer época da História, independetemente do seu contexto particular, são os mesmos sentimentos de desejo, medo, ambição, poder, sobrevivência, amor.
Filme violento, Apocalypto traz consigo uma mensagem ideológica subjacente, entre outras, a de que a exploração dos povos americanos e a sua decadência é anterior à chegada dos europeus.
Não serve de desculpa a coisa nenhuma, apenas aniquila a teoria do "Bom Selvagem" reafirmando a ideia de que o Homem é naturalmente dotado para o Bem e para o Mal. O seu desejo de matar e destruir é proporcional à sua força para defender aquilo que acredita ser Bom.
De entre muitas cenas interessantes, permitam-me que destaque uma, dado a actualidade do tema. A determinada altura do filme, uma mãe dá à luz uma criança nas condições mais dificeis e deploráveis, sozinha e sem ajuda, tendo aos seus ombros uma outra criança, por forma a poder sálva-la. Esta cena recordou-me uma outra, bem real, passada em Moçambique em 2001, quando o país foi totalmente dizimado por enormes cheias e uma jovem mãe deu à luz uma criança em cima de uma árvore a que subira para se salvar, sozinha e sem qualquer tipo de apoio.
Se falo nisto, é apenas para recordar aos que defendem a liberalização na questão do aborto com motivo na falta de condições dignas para uma criança nascer e ser educada, que o Homem só começou a nascer em maternidades e a ter acesso a incubadoras, há menos de cinquenta anos, sendo que uma larga percentagem da população mundial, continua a não ter acesso a tais cuidados.

16 janeiro 2007

Os Portugueses III

No passado mês de Novembro, escrevi dois "post" acerca do concurso televisivo que então estava em preparação para a eleição do maior português de sempre.
Teci algumas criticas à realização do concurso e à forma como estava a ser apresentado. Pareceu-me uma ideia originalmente boa, que poderia contribuir de forma muito salutar para o conhecimento da historia nacional e daqueles que a fizeram, no entanto, nunca gostei do método e muito menos das discussões que se geraram acerca da inclusão ou exclusão deste ou daquela personalidade.
O concuso lá decorreu, e eis que ontem assisti em casa aos resultados, ficando desde logo a conhecer o nome daqueles que os portugueses(numa votação muito significativa para um programa televisivo) elegeram como as 10 figuras mais marcantes e importantes da sua história colectiva.
Como havia afirmado anteriormente, temia pelos resultados, contudo, eles foram mais espantosos do que eu imaginava.
Exceptuando as figuras de Camões e de Pessoa, poetas maiores da Língua Portuguesa, do Infante D. Henrique e de Vasco da Gama, pioneiros da expansão ultramarina, sobram dois monarcas: Afonso I, e D. João II e um diplomata/humanista- Aristides de Sousa Mendes. O que resta são políticos...e que políticos!! - Pombal, Salazar, Cunhal...
Compreendo a nomeação de Afonso Henriques, afinal é o fundador da nacionalidade, e também a de D. João II, homem inteligente e de visão que promoveu, na senda dos seus ascendentes, uma solidificação da política de expasão. Aristides de Sousa Mendes foi para mim uma surpresa, mas não acho mal.
O que acho mal, é a nomeação de três políticos que representam, cada um à sua maneira, o poder,as doutrinas e as ideologias do poder tirânico e ditatorial.
Não foi eleito um único democrata, um único político humanista ou liberal. Nada!
Diz-me com quem andas....

15 janeiro 2007

Sempre sem perdão

Volto a lavrar aqui um magoado protesto contra as execuções no Iraque. Continuo a ser absolutamente contra a pena de morte, seja em que caso for, por mais hediondo que seja o crime, por mais culpado que seja o réu, por mais justo que seja o julgamento, por mais imparciais que sejam os juízes, por mais que o interesse geral ou qualquer outro conceito igualmente abstracto e holístico imponha o sacrifício da vida de outro ser humano. Não tem nem pode ter qualquer espécie de justificação, desculpa, motivo válido, legitimidade. Seria mesmo contra a execução de Hitler, Goering, Himmler, Eichmann, Stalin, Beria, Mao, Ceausescu, Pol Pot ou qualquer desses abortos sanguinários (perdoem-me alguma ausência de vulto e acrescentem a lista à vossa vontade).
...
Estas linhas desoladas são expressão da profunda angústia com que antevejo a aproximação de um tempo em que a vida humana, a existência individual e concreta, tem cada vez menos valor. Venham a pena de morte e a prisão perpétua, o aborto, a banalização da eutanásia e sei lá que mais! Limitem cada vez mais o direito à vida, anteponham-lhe excepções, subalternizem-no, desqualifiquem-no e degradem-no a uma posição periférica. Afinal, somos tantos...

09 janeiro 2007

O Estado Tentacular

Em 1944, Friederich Hayek, ilustre e marcante pensador do século XX, numa das suas mais notáveis obras, “O caminho para a servidão”, faz um veemente alerta para o perigo do totalitarismo das sociedades nazi/fascistas e comunistas, e revela também uma preocupação quanto à resposta que as democracias liberais estavam a dar à expansão dos totalitarismos.
A sua apreensão devia-se ao facto de os governos democráticos estarem eles próprios a desenvolverem caminhos para outras espécies de totalitarismos, ao pretenderem impor soluções globais de organização social que gradualmente viriam a contribuir para o esmagamento da liberdade individual de cada cidadão.

Recentemente em Portugal, dois aspectos concretos em tantos outros, fizeram-me reflectir neste sentido.

1 - O barril de petróleo iniciou a sua descida de preço, estando hoje perto dos 55 US$ e como seria de esperar num mercado dito liberalizado, o preço dos combustíveis deveria ter baixado. Ora, em Portugal no início de Janeiro aconteceu o inverso, e por aumento do ISP a juntar mais 21% de IVA, esse preço aumentou e de forma escandalosa. Neste momento em 10 € de combustível, o estado tentacular fica com mais de 6€! Distorce as regras do mercado, aumenta os impostos e penaliza os consumidores.

2 – Também no início de Janeiro, entrou em vigor uma nova legislação sobre pesca desportiva que decidiu introduzir um conjunto de novos conceitos sobre esta actividade.
Os meus amigos que queiram ir à pesca num qualquer pontão, agora têm de ser detentores de uma licença específica, no mínimo diária, a custo de 3€, à qual se juntam as seguintes obrigações: proibido pescar mais de 10 kg, não podem estar a menos de 10 metros de outro comparsa e se pescarem aquele lúcio manhoso de 30 kg, são obrigados a dar 20kg a uma instituição de beneficência, podendo ficar com os tais 10 kg e a cabeça!!!
Pois bem, é nestas alturas que a imagem de ver o sábio que idealizou esta bela peça legislativa a ser sovado por uma cana, não me parece nada desagradável. O estado tentacular, em nome de princípios e regras decide aumentar o controlo sobre uma actividade que já estava devidamente regulamentada, utilizando sempre as excepções de uma pequena minoria e penalizando a maioria. A liberdade de cada cidadão que por lazer decide praticar esta actividade é assim posta em causa por uma máquina burocrática desejosa de controlar tudo e todos os costumes. O estado tentacular aproveita assim para criar ou aumentar taxas que reverterão para uma Direcção Geral no sentido de custear as despesas que os burocratas irão ter com a nova fiscalização da actividade. Mas fizeram pior. Decidiram que uma parte das novas receitas (sem dar valores é claro) serão transferidas para o fundo de compensação salarial dos pescadores profissionais. Concerteza com o objectivo de agradar a uma classe, que exactamente na mesma altura viu 6 colegas perder a vida a 50 metros de uma praia, por incompetência e falta de meios do mesmo estado que na área da segurança marítima tem falta é de tentáculos.

Já é tempo e de uma vez por todas, se decidir neste país quais as esferas de intervenção do estado e aquelas que são pertença da sociedade livre!

06 janeiro 2007

A palhaçada dos voos da CIA (5)

Ana Gomes relata existência de «coisas estranhas» nas Lajes

A eurodeputada Ana Gomes anunciou na quinta-feira que manteve contactos com pessoas da ilha Terceira que garantem ter assistido a «coisas estranhas» na Base das Lajes e que confirmam a passagem nos Açores de voos da CIA.

In Diário Digital


Já começa a ultrapassar todos os limites...

04 janeiro 2007

Imperdoável

A vida humana é sagrada! Tenho para mim que este princípio não pode ser excepcionado, nem mesmo para castigar um tirano sanguinário como Saddam Hussein. O que se passou no Iraque foi um ajuste de contas entre clãs rivais, um homicídio legal. Qualquer semelhança com a Justiça é mera coincidência.
...
Já me escuso de comentar as lamentáveis reacções do novel Secrtário-Geral da ONU e do conselheiro nacional de segurança iraquiano. Enfim...

Sampaio na RTP...


A entrevista de hoje de Jorge Sampaio à RTP soube a pouco. A muito pouco mesmo.
Sampaio não conseguiu, uma vez mais, explicar as verdadeiras razões que o levaram a dissolver um Parlamento com uma maioria de governo, a meio da legislatura.
No entanto lá foi dizendo que era necessário relegitimar a dita maioria. Bom, mas se assim fosse, então deveria ter dissolvido logo! Ah pois, estava-me a esquecer que nessa altura o PS não estava em condições de ganhar!
Mas em tempos, o ex-Presidente alegou um conjunto de episódios, que aliás nunca chegou a explicitar, como motivo para a dissolução! Afinal em que ficamos? Era um problema de legitimidade, ou foram episódios? É que se forem episódios, o actual Parlamento já deveria ter sido dissolvido para aí umas 4 vezes... Não é assim sr. Presidente?

02 janeiro 2007

2004: Percepções e Realidade (3)

De novo se colocava a tese da separação entre os cargos de presidente do partido e de primeiro-ministro. Marcelo Rebelo de Sousa admitia ser primeiro-ministro, sendo eu presidente do partido, e levara esta proposta a Durão Barroso logo no dia do anúncio do nome do presidente da Comissão, a 25 de Junho. "Naturalmente" o Expresso teve acesso à conversa que decorreu nesse encontro e dela dá notícia no dia seguinte: "Marcelo teve ontem uma longa conversa com o primeiro-ministro (...) [sobre] o cenário de o professor poder suceder a Barroso no caso de Santana não se opor, já que respeitar a vontade do seu "sucessor natural" é ponto de honra para Durão na condução deste processo. O pior, diz um dirigente do PSD é que, mesmo que Santana aceitassse, no PSD a hipótese de Marcelo seria a guerra total." pag. 43/44
Suficientemente elucidativo para percebermos todo o comportamento de MRS na vigência do XVI Governo Constitucional...

Sejam Bem-Vindos




O dia 1 de Janeiro marca uma importante etapa na história de duas velhas nações europeias, a Bulgária e a Roménia. A partir de hoje, os dois países são integrados formalmente na UE.
Com histórias semelhantes e dramáticas, estes dois povos foram ocupados pelos otomanos durante séculos para se libertarem no séc. XIX ao preço de muitos milhares de vidas. Quando tudo parecia conduzir a uma estabilização política, social e económica, o séc. XX e as suas duas grandes guerras, destroçaram a esperança e a oportunidade de búlgaros e romenos se constituirem como países desenvolvidos. Ocupados pelos nacional-socialistas alemães, acabaram libertados por um inimigo ainda mais poderoso e cruel. Os soviéticos dominaram a politica destes países até 1989, apoiando e sustentando durante mais de 40 anos dois regimes cruéis e ditatoriais. Mais que Dimitrov, o regime de Bucareste liderado por Ceausesco representou o que de pior foi produzido pelo regime soviético na Europa de Leste.
É com especial preocupação da UE que estes dois novos estados-membros se integram agora, devido sobretudo aos atrasos estruturais da Roménia, mas é também com especial expectativa que a estes dois povos se abre esta oportunidade inédita para o seu desenvolvimento, democratização e crescimento económico. Estou absolutamente convencido de que ambos saberão aproveitar da melhor forma este novo ciclo da sua história.

Sejam bem-vindos!