22 janeiro 2007

O Beijo de Judas...



A notícia que correu os meios de comunicação social deste fim-de-semana sobre a prevista nomeação de Manuel Maria Carrilho para Embaixador de Portugal na UNESCO é, a ser verdade, matéria da mais profunda condenação.
Um homem que perdeu os poucos créditos públicos e políticos que detinha, pela sua própria conduta mesquinha, traiçoeira e menor, que não deixou saudades no único cargo público que ocupou, que foi como ministro da Cultura do Governo Guterres, é agora nomeado representante dos interesses de Portugal junto da agência das Nações Unidas para a Cultura a Ciência e a Educação?
Um homem que prometeu ainda muito recentemente aos lisboetas e que se apresentava a eleições, distribuindo beijos e flores, como o único candidato com um projecto para a Cidade de Lisboa, e que ao fim de um ano se demite do lugar de vereador alegando incompatibilidade de agenda com o cargo de deputado nacional, é o mesmo que vais defender os interesses da Cultura Portuguesa junto da UNESCO?

Será que o lugar de deputado nacional é compatível com a agenda de Embaixador em Paris?
Este homem não tem limites à sua ambição que é proporcional à sua falta de vergonha. Sobretudo este senhor não é sério!!
Mas a confirmarem-se as notícias, a culpa não é dele. A culpa é do Sr. Primeiro-Ministro, que ainda o ano passado nomeou como embaixador de Portugal na OCDE, justamente na mesma cidade de Paris, outro ilustre socialista, seu antecessor no cargo, o Dr. Ferro Rodrigues.

Tenha tento Sr. Eng. Sócrates!!

18 janeiro 2007

Sugestão...


Apocalypto é o nome que Mel Gibson deu ao seu novo filme. Fui ver e gostei.
Não compreendo contudo a razão da escolha do título. Parto do princípio de que Apocalypto tenha origem na palavra Apocalipse, significando por isso revelação. Pode que o autor tenha associado o nome à ideia de fim do mundo, e se assim for, compreende-se melhor a escolha.
A ideia de revelação é, apesar de tudo, interessante numa abordagem mais especulativa sobre a ideia que o realizador pretendeu transmitir. A crítica cinematográfica não tem sido basta de elogios, mas eu faço aqui a sugestão.
Pela primeira vez no cinema, a América pré-colombiana é tratada como um tema em si mesmo e só por isso o argumento é merecedor de elogio. Na senda de a "A Paixão de Cristo", nenhum dos actores é conhecido do grande público e todo o filme é falado numa língua autóctone - iucateque.
Apocalypto faz-nos um interessante retrato desse outro mundo, ignorado dos europeus até ao final do séc. XV, em que sociedades humanas desconhecedoras ainda do ferro ou da roda, viviam de forma organizada, hierarquizada e possuindo um vasto património cultural.
O tema é tão mais interessante quando compreendemos que aquilo que move o Homem em qualquer época da História, independetemente do seu contexto particular, são os mesmos sentimentos de desejo, medo, ambição, poder, sobrevivência, amor.
Filme violento, Apocalypto traz consigo uma mensagem ideológica subjacente, entre outras, a de que a exploração dos povos americanos e a sua decadência é anterior à chegada dos europeus.
Não serve de desculpa a coisa nenhuma, apenas aniquila a teoria do "Bom Selvagem" reafirmando a ideia de que o Homem é naturalmente dotado para o Bem e para o Mal. O seu desejo de matar e destruir é proporcional à sua força para defender aquilo que acredita ser Bom.
De entre muitas cenas interessantes, permitam-me que destaque uma, dado a actualidade do tema. A determinada altura do filme, uma mãe dá à luz uma criança nas condições mais dificeis e deploráveis, sozinha e sem ajuda, tendo aos seus ombros uma outra criança, por forma a poder sálva-la. Esta cena recordou-me uma outra, bem real, passada em Moçambique em 2001, quando o país foi totalmente dizimado por enormes cheias e uma jovem mãe deu à luz uma criança em cima de uma árvore a que subira para se salvar, sozinha e sem qualquer tipo de apoio.
Se falo nisto, é apenas para recordar aos que defendem a liberalização na questão do aborto com motivo na falta de condições dignas para uma criança nascer e ser educada, que o Homem só começou a nascer em maternidades e a ter acesso a incubadoras, há menos de cinquenta anos, sendo que uma larga percentagem da população mundial, continua a não ter acesso a tais cuidados.

16 janeiro 2007

Os Portugueses III

No passado mês de Novembro, escrevi dois "post" acerca do concurso televisivo que então estava em preparação para a eleição do maior português de sempre.
Teci algumas criticas à realização do concurso e à forma como estava a ser apresentado. Pareceu-me uma ideia originalmente boa, que poderia contribuir de forma muito salutar para o conhecimento da historia nacional e daqueles que a fizeram, no entanto, nunca gostei do método e muito menos das discussões que se geraram acerca da inclusão ou exclusão deste ou daquela personalidade.
O concuso lá decorreu, e eis que ontem assisti em casa aos resultados, ficando desde logo a conhecer o nome daqueles que os portugueses(numa votação muito significativa para um programa televisivo) elegeram como as 10 figuras mais marcantes e importantes da sua história colectiva.
Como havia afirmado anteriormente, temia pelos resultados, contudo, eles foram mais espantosos do que eu imaginava.
Exceptuando as figuras de Camões e de Pessoa, poetas maiores da Língua Portuguesa, do Infante D. Henrique e de Vasco da Gama, pioneiros da expansão ultramarina, sobram dois monarcas: Afonso I, e D. João II e um diplomata/humanista- Aristides de Sousa Mendes. O que resta são políticos...e que políticos!! - Pombal, Salazar, Cunhal...
Compreendo a nomeação de Afonso Henriques, afinal é o fundador da nacionalidade, e também a de D. João II, homem inteligente e de visão que promoveu, na senda dos seus ascendentes, uma solidificação da política de expasão. Aristides de Sousa Mendes foi para mim uma surpresa, mas não acho mal.
O que acho mal, é a nomeação de três políticos que representam, cada um à sua maneira, o poder,as doutrinas e as ideologias do poder tirânico e ditatorial.
Não foi eleito um único democrata, um único político humanista ou liberal. Nada!
Diz-me com quem andas....

15 janeiro 2007

Sempre sem perdão

Volto a lavrar aqui um magoado protesto contra as execuções no Iraque. Continuo a ser absolutamente contra a pena de morte, seja em que caso for, por mais hediondo que seja o crime, por mais culpado que seja o réu, por mais justo que seja o julgamento, por mais imparciais que sejam os juízes, por mais que o interesse geral ou qualquer outro conceito igualmente abstracto e holístico imponha o sacrifício da vida de outro ser humano. Não tem nem pode ter qualquer espécie de justificação, desculpa, motivo válido, legitimidade. Seria mesmo contra a execução de Hitler, Goering, Himmler, Eichmann, Stalin, Beria, Mao, Ceausescu, Pol Pot ou qualquer desses abortos sanguinários (perdoem-me alguma ausência de vulto e acrescentem a lista à vossa vontade).
...
Estas linhas desoladas são expressão da profunda angústia com que antevejo a aproximação de um tempo em que a vida humana, a existência individual e concreta, tem cada vez menos valor. Venham a pena de morte e a prisão perpétua, o aborto, a banalização da eutanásia e sei lá que mais! Limitem cada vez mais o direito à vida, anteponham-lhe excepções, subalternizem-no, desqualifiquem-no e degradem-no a uma posição periférica. Afinal, somos tantos...

09 janeiro 2007

O Estado Tentacular

Em 1944, Friederich Hayek, ilustre e marcante pensador do século XX, numa das suas mais notáveis obras, “O caminho para a servidão”, faz um veemente alerta para o perigo do totalitarismo das sociedades nazi/fascistas e comunistas, e revela também uma preocupação quanto à resposta que as democracias liberais estavam a dar à expansão dos totalitarismos.
A sua apreensão devia-se ao facto de os governos democráticos estarem eles próprios a desenvolverem caminhos para outras espécies de totalitarismos, ao pretenderem impor soluções globais de organização social que gradualmente viriam a contribuir para o esmagamento da liberdade individual de cada cidadão.

Recentemente em Portugal, dois aspectos concretos em tantos outros, fizeram-me reflectir neste sentido.

1 - O barril de petróleo iniciou a sua descida de preço, estando hoje perto dos 55 US$ e como seria de esperar num mercado dito liberalizado, o preço dos combustíveis deveria ter baixado. Ora, em Portugal no início de Janeiro aconteceu o inverso, e por aumento do ISP a juntar mais 21% de IVA, esse preço aumentou e de forma escandalosa. Neste momento em 10 € de combustível, o estado tentacular fica com mais de 6€! Distorce as regras do mercado, aumenta os impostos e penaliza os consumidores.

2 – Também no início de Janeiro, entrou em vigor uma nova legislação sobre pesca desportiva que decidiu introduzir um conjunto de novos conceitos sobre esta actividade.
Os meus amigos que queiram ir à pesca num qualquer pontão, agora têm de ser detentores de uma licença específica, no mínimo diária, a custo de 3€, à qual se juntam as seguintes obrigações: proibido pescar mais de 10 kg, não podem estar a menos de 10 metros de outro comparsa e se pescarem aquele lúcio manhoso de 30 kg, são obrigados a dar 20kg a uma instituição de beneficência, podendo ficar com os tais 10 kg e a cabeça!!!
Pois bem, é nestas alturas que a imagem de ver o sábio que idealizou esta bela peça legislativa a ser sovado por uma cana, não me parece nada desagradável. O estado tentacular, em nome de princípios e regras decide aumentar o controlo sobre uma actividade que já estava devidamente regulamentada, utilizando sempre as excepções de uma pequena minoria e penalizando a maioria. A liberdade de cada cidadão que por lazer decide praticar esta actividade é assim posta em causa por uma máquina burocrática desejosa de controlar tudo e todos os costumes. O estado tentacular aproveita assim para criar ou aumentar taxas que reverterão para uma Direcção Geral no sentido de custear as despesas que os burocratas irão ter com a nova fiscalização da actividade. Mas fizeram pior. Decidiram que uma parte das novas receitas (sem dar valores é claro) serão transferidas para o fundo de compensação salarial dos pescadores profissionais. Concerteza com o objectivo de agradar a uma classe, que exactamente na mesma altura viu 6 colegas perder a vida a 50 metros de uma praia, por incompetência e falta de meios do mesmo estado que na área da segurança marítima tem falta é de tentáculos.

Já é tempo e de uma vez por todas, se decidir neste país quais as esferas de intervenção do estado e aquelas que são pertença da sociedade livre!

06 janeiro 2007

A palhaçada dos voos da CIA (5)

Ana Gomes relata existência de «coisas estranhas» nas Lajes

A eurodeputada Ana Gomes anunciou na quinta-feira que manteve contactos com pessoas da ilha Terceira que garantem ter assistido a «coisas estranhas» na Base das Lajes e que confirmam a passagem nos Açores de voos da CIA.

In Diário Digital


Já começa a ultrapassar todos os limites...

04 janeiro 2007

Imperdoável

A vida humana é sagrada! Tenho para mim que este princípio não pode ser excepcionado, nem mesmo para castigar um tirano sanguinário como Saddam Hussein. O que se passou no Iraque foi um ajuste de contas entre clãs rivais, um homicídio legal. Qualquer semelhança com a Justiça é mera coincidência.
...
Já me escuso de comentar as lamentáveis reacções do novel Secrtário-Geral da ONU e do conselheiro nacional de segurança iraquiano. Enfim...

Sampaio na RTP...


A entrevista de hoje de Jorge Sampaio à RTP soube a pouco. A muito pouco mesmo.
Sampaio não conseguiu, uma vez mais, explicar as verdadeiras razões que o levaram a dissolver um Parlamento com uma maioria de governo, a meio da legislatura.
No entanto lá foi dizendo que era necessário relegitimar a dita maioria. Bom, mas se assim fosse, então deveria ter dissolvido logo! Ah pois, estava-me a esquecer que nessa altura o PS não estava em condições de ganhar!
Mas em tempos, o ex-Presidente alegou um conjunto de episódios, que aliás nunca chegou a explicitar, como motivo para a dissolução! Afinal em que ficamos? Era um problema de legitimidade, ou foram episódios? É que se forem episódios, o actual Parlamento já deveria ter sido dissolvido para aí umas 4 vezes... Não é assim sr. Presidente?

02 janeiro 2007

2004: Percepções e Realidade (3)

De novo se colocava a tese da separação entre os cargos de presidente do partido e de primeiro-ministro. Marcelo Rebelo de Sousa admitia ser primeiro-ministro, sendo eu presidente do partido, e levara esta proposta a Durão Barroso logo no dia do anúncio do nome do presidente da Comissão, a 25 de Junho. "Naturalmente" o Expresso teve acesso à conversa que decorreu nesse encontro e dela dá notícia no dia seguinte: "Marcelo teve ontem uma longa conversa com o primeiro-ministro (...) [sobre] o cenário de o professor poder suceder a Barroso no caso de Santana não se opor, já que respeitar a vontade do seu "sucessor natural" é ponto de honra para Durão na condução deste processo. O pior, diz um dirigente do PSD é que, mesmo que Santana aceitassse, no PSD a hipótese de Marcelo seria a guerra total." pag. 43/44
Suficientemente elucidativo para percebermos todo o comportamento de MRS na vigência do XVI Governo Constitucional...

Sejam Bem-Vindos




O dia 1 de Janeiro marca uma importante etapa na história de duas velhas nações europeias, a Bulgária e a Roménia. A partir de hoje, os dois países são integrados formalmente na UE.
Com histórias semelhantes e dramáticas, estes dois povos foram ocupados pelos otomanos durante séculos para se libertarem no séc. XIX ao preço de muitos milhares de vidas. Quando tudo parecia conduzir a uma estabilização política, social e económica, o séc. XX e as suas duas grandes guerras, destroçaram a esperança e a oportunidade de búlgaros e romenos se constituirem como países desenvolvidos. Ocupados pelos nacional-socialistas alemães, acabaram libertados por um inimigo ainda mais poderoso e cruel. Os soviéticos dominaram a politica destes países até 1989, apoiando e sustentando durante mais de 40 anos dois regimes cruéis e ditatoriais. Mais que Dimitrov, o regime de Bucareste liderado por Ceausesco representou o que de pior foi produzido pelo regime soviético na Europa de Leste.
É com especial preocupação da UE que estes dois novos estados-membros se integram agora, devido sobretudo aos atrasos estruturais da Roménia, mas é também com especial expectativa que a estes dois povos se abre esta oportunidade inédita para o seu desenvolvimento, democratização e crescimento económico. Estou absolutamente convencido de que ambos saberão aproveitar da melhor forma este novo ciclo da sua história.

Sejam bem-vindos!

31 dezembro 2006

Bom Ano 2007

Para todos os nossos leitores, comentadores e visitantes...


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30 dezembro 2006

2004: Percepções e Realidade (2)

"Na terceira sucessão - a chefia do Governo de Portugal -, Jorge Sampaio assinaria longamente as suas dúvidas em duas semanas demolidoras para a confiança no futuro Executivo. A mim restava-me esperar o seu veredicto, para só depois preparar a sucessão em Lisboa e a formação do Governo." pag. 43
Esta foi de facto uma situação que objectivamente prejudicou Santana Lopes e o PSD. Atendendo a que Durão Barroso, desde o início do processo, tinha posto Jorge Sampaio ao corrente desta possibilidade, não se percebe a demora do então PR para tomar a sua decisão. Ou se calhar, hoje, percebe-se... Qualquer hesitação pública de Sampaio só se prestava a enfraquecer o futuro Governo e a "dar gás" às oposições.

29 dezembro 2006

O assalto


Assalto ao cidadão!

Impostos fazem aumentar combustíveis em 4 cêntimos.

O duplo aumento previsto no imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) para 2007 vai provocar uma subida do preço dos combustíveis da ordem dos quatro cêntimos por litro, caso seja realizado em simultâneo. O Orçamento do Estado prevê dois aumentos do ISP para 2007, o correspondente à inflação prevista de 2,1%, e a subida de 2,5 cêntimos anuais por litro programada no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC).

27 dezembro 2006

Monarquias do século XXI


Rejubilai, súbditos do Reino de Cuba! O Físico-Mor da Corte veio anunciar que Sua Majestade Revolucionária D. Fidel I, o Castro, não padece de cancro, nem terá de ser sbmetido a nova intervenção cirúrgica. Até ao pronto restabelecimento de D. Fidel, a regência continuará a caber ao príncipe D. Raúl, o Castro, irmão mais velho do monarca reinante. O príncipe já terá sido designado como sucessor, aguardando apenas a confirmação do Comité Central do Partido, que assim se denominam as Cortes lá do sítio.

É sem surpresa - assim são as monarquias - que vemos o trono permanecer nas mãos da dinastia Castro, linhagem que, por unâmime e permanente aclamação do povo cubano, é a legítima guardiã da tradição revolucionária cubana. Recorde-se que data de 1959 a deposição do corrupto republicano Fulgêncio Batista por D. Fidel I. A Revolucionaríssima Casa de Castro, chefiada por D. Fidel, goza do invejável crédito de assegurar ao seu povo um elevado nível de vida, graças ao dinheiro que poupam não realizando eleições presidenciais.

Parece-nos, contudo, que Sua Majestade Cubana, ao adiar o Seu passamento, se revela deploravelmente descortês com o Sr. General Pinochet: não seria mais curial que tivessem partido ao mesmo tempo, muito manos, de braço dado, a discutir os respectivos contributos para a Democracia e o Bem-Estar dos Povos?

Tiro no Guterres...

CE aponta Portugal como exemplo a não seguir
A Comissão Europeia (CE) está a utilizar o caso português como exemplo a não seguir no alerta que está a enviar aos futuros países-membros da União Europeia.

A denúncia surge na edição desta quarta-feira do Jornal de Negócios, que cita um artigo publicado pela Direcção-Geral de Economia e Finanças da Comissão Europeia, intitulado «Explosão e recessão em Portugal: lições para os novos membros do euro», no qual são sistematizados os erros cometidos pelo nosso País na fase imediatamente a seguir à entrada na união económica e europeia, em 1999.
Tomando por base estes erros, a CE retira cinco ensinamentos que devem ser seguidos pelos países que vierem a entrar na Zona Euro – em caso de forte crescimento da procura interna, seguir uma política orçamental restritiva; cuidado com os erros de sobreavaliação do crescimento do PIB nas fases altas do ciclo; aproveitar o maior dinamismo da procura interna para acelerar, e não adiar, reformas estruturais; manter controlado o crescimento dos salários; apertar a supervisão prudencial sobre os mercados financeiros.
Recorde-se que a Eslovénia é o próximo país a entrar na Zona Euro, já no próximo dia 1 de Janeiro.
In Diário Digital
Star Wars, Ep. I The Phantom Menace

Continuando a recordar a saga...

24 dezembro 2006

A palhaçada dos voos da CIA (4)

Eurodeputados socialistas deixam Ana Gomes isolada


Presidente da delegação portuguesa no Parlamento Europeu está preocupada com atitude de Ana Gomes.
Ana Gomes está "isolada" na delegação portuguesa do PS no Parlamento Europeu. A garantia é de Edite Estrela, que coloca as investigações aos voos da CIA como algo da "agenda pessoal" da ex-embaixadora. Manuel dos Santos concorda e acusa a sua colega de ter ido "longe de mais" ao criar "uma dificuldade ao Governo" e ao partido. A posição da eurodeputada na Direcção socialista também ficou debilitada, após o confronto com Luís Amado. José Lello já pediu a sua demissão da Comissão Nacional.
In JN.

19 dezembro 2006

O fabuloso mundo de Madame Catarina

Sempre achei que faltava a esta admirável Gazeta, um olhar crítico e atento às novidades culturais do fantástico mundo dos livros. E por isso, sem menosprezar outros actuais e mui importantes temas abordados neste referencial blog, tais como a Monarquia, o referendo sobre a Monarquia e ainda Monarquia Vs uma outra Monarquia é possível, apresento de seguida uma análise literária do mais recente e sobejamente badalado título da época – “Eu Carolina”.

Impressionante, magnânimo, desconcertante, controverso, arrojado, ai está a obra-prima deste período de paz e de concórdia. Madame Carolina levou assim à estampa com audácia e enorme coragem o seu primeiro sucesso literário. (9.90€, nas livrarias Galp ou Repsol)
Ele há, quem já vá dizendo que Madame encetou um novo estilo de escrita mais que criativa, com esta magnífica obra. Uma novela? Um romance histórico? Ou ficção e fantástico? Pois bem, é de tudo um pouco e muito mais.
Trata-se essencialmente de um rol de aventuras, passado no planeta Portugalis Bananis, mais precisamente no perigoso reino Dragonês, onde no calor de um qualquer lupanar, princesa Carolinias luta para encontrar e resgatar o mítico Apito Dourado, símbolo máximo da honra e virilidade do reino Futebolês.
Na sua demanda, Carolinias avança por um enredo fantástico que nos leva a viajar por imagens únicas onde abundam inúmeros e preciosos detalhes do vilão Giorgio Dragonis, dos seus muchachos da aliança de Gondomaris e Nortis e last but not least, fabulosas e ricas batalhas entre dragões azulis e justiceiros de passe social erguido.
Madame surpreende assim tudo e todos, com seu estilo arrojado e prosa apaixonante e por isso, já há quem a chame – Carolina “a potter”.
Mas para não haver qualquer dúvida sobre este novo génio linguístico da praça, aqui deixo algumas passagens deste épico excitante.

"Há que limpá-lo", disse Pinto da Costa relativamente a Ricardo Bexiga, vereador socialista da Câmara Municipal de Gondomar”… “O serviço custava 10 mil euros, dinheiro que me entregou sempre em notas e que retirou de uma grande gaveta da cómoda do nosso quarto, na Madalena, gaveta que, para meu espanto, estava sempre a abarrotar de dinheiro vivo"
“Jorge N. tendo problemas de flatulência [...] de vez em quando descuidava-se [...] em cerimónias oficiais, levando-me a acender, de imediato, um cigarro para disfarçar o odor.”

“Promiscuidade é o que existe no mundo do futebol, onde é moda, fica bem e dá status ter relações extraconjugais e quase todos as têm.”

“Confessou-me que tinha encetado uma relação com a jornalista Maria Elisa [...] que já terminara [...] devido ao consumismo extremo de que ela padecia.”

“Cortava-lhe as unhas dos pés e aparava-lhe os pêlos das orelhas.”

16 dezembro 2006

Esta nem o Friedman...

O que significa a transformação de seis escolas secundárias em empresas públicas?
Os estatutos desta nova entidade "Parque escolar E.P.E" , ja aprovados em Conselho de Ministros, prevê que o seu capital seja realizado com o património das Escolas Pedro Nunes, D. Dinis e D. João de Castro em Lisboa, e Rodrigues de Freitas e Oliveira Martins no Porto.
Alguém me sabe explicar que palhaçada é esta???

14 dezembro 2006

Milton Friedman 5



«Political freedom means the absence of coercion of a man by his fellow men. The fundamental threat to freedom is power to coerce, be it in the hands of a monarch, a dictator, an oligarchy, or a momentary majority. The preservation of freedom requires the elimination of such concentration of power to the fullest possible extent and the dispersal and distribution of whatever power cannot be eliminated — a system of checks and balances.»
...
Admiro Friedman porque enfatiza a liberdade individual. Afirma que um sistema capitalista, com economia de mercado descentralizada e sistema de preços livres dificulta a existência de um Poder que limite a liberdade individual, de um Estado que controle a sociedade. É preciso não esquecer que a actividade económica é uma das mais importantes expressões de afirmação social e individual.

Passatempo

Aqui segue o endereço de um passatempo interessante: votar os monumentos portugueses favoritos de cada um, de uma lista já um pouco rarefeita ( só de pode votar nos 21 finalistas) mas mesmo assim vale a pena!


www.7maravilhas.pt

13 dezembro 2006

Mais um contributo para o debate

Cerca de 350 mil portuguesas já terão feito um aborto
Os resultados do estudo da APF indicam que cerca de 350 mil mulheres em idade fértil já terão abortado em Portugal, onde o retrato do aborto clandestino mudou. O estudo já está a desencadear polémica entre as associações partidárias do "não" na despenalização do aborto. in público

Milton Friedman 4



«Because we live in a largely free society, we tend to forget how limited is the span of time and the part of the globe for which there has ever been anything like political freedom: the typical state of mankind is tyranny, servitude, and misery. The nineteenth century and early twentieth century in the Western world stand out as striking exceptions to the general trend of historical development. Political freedom in this instance clearly came along with the free market and the development of capitalist institutions. So also did political freedom in the golden age of Greece and in the early days of the Roman era. History suggests only that capitalism is a necessary condition for political freedom. Clearly it is not a sufficient condition».
...
Ou seja, o capitalismo não garante a liberdade individual, mas é seguro (a História assim o demonstra) que a liberdade individual é maior em sistemas capitalistas.

12 dezembro 2006

A não perder....


Integrada nas Comemorações dos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian, está patente até ao dia 14 de Janeiro de 2007 a exposição Amadeo de Souza-Cardoso - Diálogo de Vanguardas.
Trata-se de uma exposição notável, que reúne a maior mostra de pintura alguma vez realizada sobre o trabalho do pintor de Amarante, assim como de 36 artistas estrangeiros seus contemporâneos, com obras oriundas de inúmeros museus internacionais e colecções privadas, entre os quais Modigliani, Sonia e Robert Delaunay, Malévitch, Brancusi, Olga Rozanova ou Pablo Picasso.
A mostra que conta com 190 pinturas e desenhos do artista português, abrange todo o período de produção de Amadeo, entre 1908 e 1918, e conta com o Alto Patrocínio da Comissão Europeia.
Estão de parabéns os organizadores pela qualidade e quantidade de obras reunidas, algumas delas inéditas como é o caso dos 20 desenhos realizados em 1912 para o livro de Flaubert- La légende de Saint Julien l’Hospitalier.
A visita a esta exposição, considerada já a mais visitada de sempre, permite a compreensão do excepcional trabalho deste percursor do cubismo, que fez igualmente incurssões no impressionismo e no expressionismo, e que embora tardiamente reconhecido, é um dos mais notáveis pintores portugueses do Séc. XX e um dos mais emblemáticos modernistas europeus.
Nascido em 1887 , iniciou-se como caricaturista, partindo aos 19 anos para Paris onde reside até ao eclodir da Grande Guerra. Depois de participar numa exposição nos Estados Unidos, em 1913, voltou a Portugal, onde teve a ousadia de realizar duas exposições, respectivamente no Porto e em Lisboa, causando escândalo entre os seus compatriotas. Amadeo morre permaturamente aos 31 anos vítima de pneumonia, contudo, a sua produção, de apenas 10 anos, é hoje um legado inestimável. Fernando Pessoa e Almada Negreiros, seus contemporâneos, reconheceram-lhe cedo o talento e a mestria, afirmando que Amadeo era "a primeira descoberta dos portugueses no séc. XX" . Uma descoberta que nos cabe hoje redescobrir.

Parabéns à Gulbenkian, na data do seu jubileu, por um contributo inegualável e ininterrupto de 50 anos à Cultura, à Língua, aos Artistas, à Arte e ao Património Português.
Bem hajam!

11 dezembro 2006

Milton Friedman 3


«I am in favor of cutting taxes under any circumstances and for any excuse, for any reason, whenever it's possible. The reason I am is because I believe the big problem is not taxes, the big problem is spending. The question is, "How do you hold down government spending?" Government spending now amounts to close to 40% of national income not counting indirect spending through regulation and the like. If you include that, you get up to roughly half. The real danger we face is that number will creep up and up and up. The only effective way I think to hold it down, is to hold down the amount of income the government has. The way to do that is to cut taxes. »

Quem fala assim não é gago.

A morte do General Pinochet


Morreu este domingo o general Augusto Pinochet.

Para todos aqueles que acusaram o antigo dirigente do Chile de estar a dramatizar e a fazer encenações sobre o seu verdadeiro estado de saúde, a questão ficou, definitivamente, esclarecida!
Na imprensa portuguesa todos falam da morte do ex-ditador do Chile, mas, curiosamente, são os mesmos que quando se referem a Fidel Castro, falam do líder cubano.
É esta duplicidade de critérios de designação que nunca entederei...

10 dezembro 2006

Milton Friedman 2


«There are four ways in which you can spend money. You can spend your own money on yourself. When you do that, why then you really watch out what you’re doing, and you try to get the most for your money. Then you can spend your own money on somebody else. For example, I buy a birthday present for someone. Well, then I’m not so careful about the content of the present, but I’m very careful about the cost. Then, I can spend somebody else’s money on myself. And if I spend somebody else’s money on myself, then I’m sure going to have a good lunch! Finally, I can spend somebody else’s money on somebody else. And if I spend somebody else’s money on somebody else, I’m not concerned about how much it is, and I’m not concerned about what I get. And that’s government. And that’s close to 40% of our national income. »
Digam-me lá se este homem não era um senhor!

Mais uma brilhante de Marques Mendes


"A CP, Metro de Lisboa, Carris, Transtejo e STCP tiveram prejuízos acumulados de 4 mil milhões de euros em quatro anos”, revelou Marques Mendes, afirmando que no mesmo período de tempo o endividamento destas empresas ascendeu aos 9 mil milhões de euros.
O líder social-democrata propôs que o Executivo de José Sócrates privatize ou conceda a gestão destas empresas a privados, salientando que os portugueses não têm de pagar os “elevados prejuízos de empresas de transporte que nem conhecem e raramente usam." in Correio da Manhã

Então os portugueses não conhecem nem usam estas empresas de transportes?!? Privatizar? Mas alguém compraria uma empresa nestas condições financeiras?

O transporte público, ou concessionado a privados, é absolutamente necessário ao funcionamento da sociedade portuguesa. Pode e deve ser melhor gerido, mas trará sempre um encargo ao Estado, nem que seja por via das indemnizações compensatórias pelos preços praticados.

Mais uma vez MM perdeu uma boa oportunidade para ficar calado!

A palhaçada dos voos da CIA (3)

Volto a este assunto em virtude do que se passou recentemente em Portugal.
Estes ilustres pseudo-inspectores europeus resolveram vir a Lisboa, tentar falar com não sei quantas pessoas, numa tentativa de obter esclarecimentos sobre vôos da CIA que por aqui teriam passado em anos recentes.
Considero esta comissão de inquérito pateta e acho que não vai resolver nem esclarecer absolutamente nada. Para além do mais, se são devidas explicações sobre este assunto, elas deverão ser dadas ao Parlamento Português!
Posto isto, acho que os ex-ministros Paulo Portas e Figueiredo Lopes fizeram muitíssimo bem em ter recusado o convite da comissão. Acho que o Ministro Luis Amado esteve muito bem ao recebê-los sem lhes dar grande importância, ao que parece, numa pequena sala do MNE que nem chegava para todos. Acho que o SIS fez bem em não falar com a comissão. Jaime Gama devia ser condecorado pelo episódio das salas.
Esta comissão que regresse às suas origens e vá mas é trabalhar pelo projecto europeu, que tanto precisa.
Pela minha parte só posso afirmar que fico muito sossegado com o facto de haver vôos da CIA a sobrevoar Portugal. Já ficaria preocupado se se tratassem de vôos da Alquaeda ou desviados por terroristas com o intuito de chocar com as torres das Amoreiras...

09 dezembro 2006

Encompassing the Globe

Vai realizar-se em Washington, no prestigiado Smithsonian Institution, a exposição "Encompassing the Globe: Portugal and the World in the 16th and 17th century", de 23 de Junho a 11 de Setembro. A exposição integra 300 peças oriundas de Portugal e de culturas com as quais a expansão portuguesa se cruzou.
A exposição é financiada pelo Ministério da Cultura (420 mil euros e cedência de 30 peças do Museu Nacional de Arte Antiga) e por mecenas como o BCP, o Santander e... Joe Berardo. O Ministério da Economia angariou patrocinadores e peças para a exposição.
Tudo isto é muito positivo e representa um esforço notável de projecção e internacionalização da história e da cultura portuguesas. Ainda por cima, o modelo escolhido parece-me correcto, uma vez que combina financiamento público e privado. Deixo aqui assinalado o meu apreço pela iniciativa e pela colaboração (relativamente pouco usual) entre os Ministérios da Economia e da Cultura, cujos responsáveis, aliás, não têm sido brilhantes (a parte final é eufemística).
Não resisto a finalizar exprimindo uma profunda convicção, que é também um solene pedido à Sr.ª Ministra da Cultura: por favor, menos pelintrices como a Festa da Música no CCB e mais exposições no Smithsonian Institution!

Mais uma sondagem...

"O PS voltaria a vencer as eleições legislativas com maioria absoluta, caso o escrutínio se realizasse hoje, enquanto o PSD mantém a tendência de queda, de acordo com uma sondagem Renascença/SIC/Expresso.

O PS alcançaria 44,4 por cento das intenções de voto, numa projecção em que se presume que quem responde «não sabe ou não responde» opta pela abstenção.

Por seu lado, o PSD obteria 31,3 por cento, a CDU 8,8 por cento e o Bloco de Esquerda 8 por cento. O partido menos votado seria o CDS-PP, com 4,7 por cento dos votos. " in Portugaldiário...
Não sei porquê mas veio-me à memória uma frase de Marques Mendes na noite das últimas legislativas: "o PSD tem, rapidamente, de mudar de vida"...

O pós referendo...

A discussão já está instalada, em diversos movimentos e blogs, sobre o que fazer com o resultado do referendo ao aborto caso a participação dos eleitores seja inferior a 50%. Ou seja, o que fazer se o resultado não fôr vinculativo...
Confesso que estranho esta questão. Para mim é por demais evidente que se deve respeitar a vontade dos eleitores, mesmo que que o resultado não seja vinculativo.
Aliás foi o que aconteceu com o referendo de 1998. O "não" ganhou e não era vinculativo. Na Assembleia da República havia uma maioria de deputados que defendia o "sim". No entanto, e por respeito à vontade manifestada pelos portugueses que votaram em referendo, o Parlamento não alterou a lei.
E o mesmo se deverá passar com o próximo referendo. Independentemente de votarem mais ou menos de 50% dos eleitores, se o "não" ganhar, não se deverá alterar a lei, se o "sim" vencer, então altere-se em conformidade.
Parece-me óbvio!

Pausa na discussão...



Cá está um coelho, no mínimo original. Não, não é um peluche, é bem verdadeiro e estava na lojas dos animais da Gare do Oriente...

06 dezembro 2006

Não está mal...



O meu estimado e nunca assaz louvado amigo PBH, que tem a cargo, na Gazeta Lusitana, a crónica das nomeações pontifícias, deixou passar esta - anda ocupado a terçar armas pela monarquia e outras questões momentosas.
O Papa nomeou o brasileiro D. Frei Cláudio Cardeal Hummes, franciscano, como prefeito da Congregação para o Clero. Conservador em questões religiosas, D. Cláudio Hummes alinha à esquerda em questões sociais e destacou-se sempre pela defesa dos direitos dos trabalhadores. Notável pela sua contestação à ditadura militar brasileira.
Soma-se mais um homem inteligente e mais uma presença da lusofonia na Cúria Papal.

Paradoxo de Russell

O barbeiro barbeia todos os homens que não se barbeiam a si próprios.

Pergunto: o barbeiro pode barbear-se?

Barbeando-se, o barbeiro deixa de integrar o conjunto dos homens que não se barbeiam a si próprios; portanto, de acordo com a definição, o barbeiro não pode barbear-se.

Não se barbeando, o barbeiro passa a integrar o conjunto dos homens que não se barbeiam a si próprios e, ipso facto, tem de se barbear.
Conclui-se que o barbeiro não pode barbear-se nem pode não se barbear.
Alguém discorda?

Embrulha!!!

Aprovada a Lei das Finanças Regionais.

05 dezembro 2006

04 dezembro 2006

Festa da Música no CCB

Aqui segue, para aqueles que se interessarem, o endereço on-line de uma petição pública contra o fim da festa da Música no Centro Cultural de Belém.

http://www.petitiononline.com/musica/

03 dezembro 2006

Star Wars em Portugal (3)


Deixo aqui o link para o site da exposição que está patente no museu da electricidade...

2004: Percepções e Realidade

O livro de Pedro Santana Lopes revelou-se um verdadeiro êxito de vendas. Em pouco mais de 2 semanas o livro já esgotou 3 edições, cada uma de 5 mil exemplares. Isto apesar dos detractores habituais do regime que rapidamente vieram criticar o livro e o seu autor.
Como aqui tinha dito, já comprei o livro e a leitura vai se processando à medida do tempo disponível, que não é muito. Considero-o um livro interessante e esclarecedor do que muito se disse e publicou naquela altura a propósito do XVI governo constitucional.
Iniciarei em breve um conjunto de posts baseados em citações do livro e que me parecem importantes e elucidativos sobre aquele breve período da nossa história recente.

01 dezembro 2006

OE 2007, pela contra informação (2)

Outra genial!

OE 2007: um mau orçamento.. aprovado

O Orçamento do Estado para 2007 foi aprovado, em votação final na Assembleia da República, com os votos favoráveis do PS e contra dos restantes partidos!
Em vários posts neste blog, procurei demonstrar que este orçamento é fictício, atendendo ao cenário macro-económico que lhe está subjacente, e traduz opções erradas como diversos aumentos da carga fiscal. Já não vou à violação dos diversos compromissos eleitorais do PS, atendendo a que o assunto já foi debatido à exaustão, ficando claro para a generalidade das pessoas que tal corresponde à verdade.
Ao longo do ano de 2007, cá estaremos para ver a execução orçamental, a transparência das contas ou o recursos aos truques contabilísitcos... Mas sobretudo cá estaremos para ver a evolução da economia e das nossas finanças públicas atentas as opções do Governo.
Desde ja considero que esta foi uma má notícia para o país, não pelo facto de ter um orçamento aprovado, mas pelo facto de ter este orçamento!

Referendo ao aborto

O Presidente da República anunciou ao país a convocação do referendo sobre a despenalização da interrupçção voluntária da gravidez para o dia 11 de Fevereiro.
A campanha decorrerá de 20 de Janeiro a 9 de Fevereiro.
Em breve escreverei sobre o assunto, anunciando aquele que será o meu voto, antevendo desde já uma discussão interessante...

30 novembro 2006

1º de Dezembro








A evocação do 1º de Dezembro, data comemorativa da independência e da soberania nacional, é uma data importante na memória colectiva dos portugueses, ainda que muitos, hoje em dia, não lhe prestem demasiada atenção.
Foi em 1640 que um grupo de portugueses decidiu pôr termo ao governo estrangeiro de Felipe IV, reconquistando definitivamente a independência do povo português. Esses homens, sob a liderança do então Duque de Bragança D. João, criaram um movimento de unidade que conduziu o país a uma guerra de mais de 30 anos que custou a vida a milhares de portugueses, mas que repôs, apesar dos elevados custos, a dignidade e a soberania nacionais.
Esses conjurados, dignos da nossa homenagem, estão hoje esquecidos, assim como estão esquecidos todos aqueles que morreram nos campos de batalha da guerra da Restauração.
Quero prestar aqui uma singela homenagem a esses homens e mulheres!

Aproveito ainda este "post" para expressar um desejo e prestar mais uma homenagem.

O desejo vai para o Princípe da Beira, D. Afonso de Santa Maria, que ao cumprir 10 anos de idade, entra pela primeira vez no mundo protocolar das comemorações do 1º de Dezembro.
Como herdeiro de D. João IV, desejo que o jovem Príncipe possa sempre,a partir de hoje, cumprir com zelo e dedicação a missão que lhe foi destinada. Desejo que possa crescer como um cidadão exemplar e um arreigado defensor da portugalidade nas suas mais amplas expressões; um democrata e um digno representante dos portugueses.

A homenagem vai para os milhões de vítimas do HIV/SIDA em todo mundo, neste dia que é também, o Dia Mundial de Luta Contra a SIDA.
A todos eles a minha homenagem e o meu silêncio.

Quem diria?...



A visita de Sua Santidade o Papa à Turquia não corre mal, pois não? O êxito é uma recompensa merecida pela coragem em realizar a visita, após a (injustificada) polémica sobre as declarações de Ratisbona.
O ex-Grande Inquisidor, mudado em peregrino apostólico, demonstra à cristandade e ao mundo o compromisso que o liga, não à defesa da pureza doutrinal e da disciplina eclesiástica e sim ao ecumenismo. Visita a um país de maioria muçulmana, aproximação aos cristãos ortodoxos, encontro com o grão-rabino turco: Bento XVI colheu os ensinamentos de João XXIII (o meu papa dilecto, que levantou a excomunhão dos judeus) e de Paulo VI (que celebrou missa com o patriarca ortodoxo Atenágoras I) e segue-lhes as pisadas.
Finalmente, o mesmo papa que defende a matriz cristã da Europa e que, curiosamente, escolheu designar-se pelo nome do padroeiro da Europa, assume corajosamente a defesa de outra causa - a entrada da Turquia na União Europeia. Está um verdadeiro progressista, o nosso papa! Que desilusão para aqueles que persistem em acorrentá-lo a uma imagem de ultra-conservadorismo e intolerância! Já ouço ranger de dentese afiar de facas!...

Parece...

...que vem aí um novo plano nacional de luta contra a SIDA. Será algo que preste? Espero que sim, e que contribua para enfrentar um flagelo que vitima 30 mil pessoas em Portugal. Será aceitável que este número tenha permanecido praticamente inalterado ao longo dos anos? Aguardemos o que se segue...

29 novembro 2006

Parabéns!


Parabéns ao português José Manuel Durão Barroso, ex-primeiro-ministro e actual Presidente da Comissão Europeia pela sua eleição como "Europeu do Ano", numa iniciativa promovida pelo semanário European Voice.
É um bom sinal a eleição do Presidente da Comissão Europeia, não só para a União como para Portugal em particular, representado deste modo ao mais alto nível no cenário europeu.

28 novembro 2006

Monarquia? Referendo, já!

O debate sobre a monarquia está longe de ser relevante, actual, decisivo ou sequer pertinente para Portugal; não está presente no quotidiano, não influi decisivamente no destino do País. Não importa enquanto tal, importa por ser debate. Subsiste, alimentado e estimulado por partidários ardorosos, apenas porque uma disposição profundamente anti-democrática da nossa Constituição impede que esse debate seja aprofundado levado às últimas consequências: a discussão e votação pelo povo soberano, que decide destes debates em última instância.
Penso que a discussão é, na realidade, muito simples: qual, república ou monarquia, é a mais democrática? Formulada a pergunta, podemos escolher se lhe queremos dar resposta ou se preferimos iludir o debate com questões acessórias. A república não é menos democrática por ter origem (remota) no regicídio - acto odioso, bárbaro e condenável - tal como os assassínios do conde Andeiro e de Miguel de Vasconcelos não tornam menos democrática a monarquia. A monarquia funda-se na tradição. Então que monarquia pode orgulhar-se de não ter na sua génese (ou em mudanças de dinastia) homicídios, pior, parricídios, fratricídios, uxorricídios, bastardias, adultérios ou outros actos condenáveis?
Outra questão acessória é a dos custos. O que interessa não é saber se o Rei de Espanha gasta 7 milhões e o Presidente português 13; são valores que podem mudar ao sabor da conjuntura. O que interessa não é contabilizar os custos do acto eleitoral, que tão depressa podem ser 5 milhões de euros como insignificantes se for adoptado o voto electrónico ou o voto pela Internet. O que interessa é saber se queremos ou não pagar mais para ter mais democracia. E se a república for mais democrática eu não deixo de a escolher por a monarquia ficar mais em conta! Não quero uma forma de governo em saldo!
A questão, afastado o acessório, é esta: a república leva o princípio democrático às últimas consequências porque o povo escolhe periodicamente o chefe de Estado; o poder de escolha exerce-se a cada 4, 5, 6 ou 7 anos, directamente ou através do Parlamento ou de um colégio eleitoral ad hoc e não é limitado por qualquer legitimidade a-democrática (como a tradição). Aquilo que os monárquicos não percebem ou admitem é que a monarquia, independentemente dos seus méritos, representa uma concessão da legitimidade democrática à legitimidade tradicional. Lamento, mas prefiro poder escolher para me representar o filho de um gasolineiro de Poço de Boliqueime a ser representado, sem poder escolher, por uma sucessão de reis da melhor linhagem Capeto.
Finalmente, nada há de mais anti-democrático do que o carácter supra-partidário que querem atribuir ao monarca. As ditaduras originam-se em indíviduos que afirmam ter uma melhor visão da verdade por estarem acima dos partidos, das facções, das parcialidades: são as visões absolutas (etimologicamente, soltas, desligadas), são as visões totalitárias. Quem é supra-partidário e tem uma visão mais abrangente não precisa de debater, de discutir, de participar do debate. Prefiro um presidente apoiado por um partido, por uma maioria, porque sei de onde vem, sei o que defendeu, o que pensou; tenho, suspensa sob a sua cabeça, a espada de Dâmocles da eleição, que o lembra, constantemente, de que não está acima dos seus concidadãos e que o seu poder é transitório.
É hora de terminar, que o post vai longo. Mas, meus amigos monárquicos, a culpa deste palavreado inútil foi exclusivamente vossa. Façamos depressa o referendo que vos vai reduzir à expressão mais simples e passemos a outro debate.

Cada tiro, cada melro II


A Senhora Ministra da Cultura decidiu reduzir as verbas atribuidas ao Centro Cultural de Belém em 7,5% (600.000 Eur.) Como resultado imediato, o presidente Mega Ferreira anunciou o fim da Festa da Música. O festival, um dos mais populares e bem conseguidos eventos produzidos anualmente pelo CCB, desaparece assim do cartaz de programação, cada vez mais reduzido.
A Sra. Pires de Lima prometeu, contudo, ao presidente do conselho de administação não subir o financiamento, mas também não o reduzir. Podemos descansar portanto!!
O fim da Festa da Música, que contava já com 8 edições, não fez acabar, apesar de tudo, com o protocolo entre o CCB e a CML, que prevêm como substituição a criação de um fim-de-semana cultural, denominado "Dias da música em Belém".
Não admira que a Sra. Ministra ande sem dinheiro, depois das reduções que o OE 2007 impôs ao seu ministério e que ela não soube defender. Apesar de tudo, sobram ainda 1.000.000 Eur para comprar umas peças para enriquecer a colecção da Fundação Berardo que deve estar a chegar a Belém, mais dia , menos dia.
O CCB que tinha ficado reduzido aos auditórios e aos foyers, pode, por este andar começar a pensar em alugá-los à Castelo Lopes ou à Lusomundo, porque não? A sigla até pode manter-se e não se estragam duas casas!
A Sra. Pires de Lima continua a fazer tiro ao alvo, cada vez com pior pontaria. Espera-se a todo o momento o efeito de ricochete.

Elogio da Poesia














Morreu este fim de semana um dos pais do Surrealismo português. Foi um dos primeiros, e o último a desaparecer. Mário Cesariny Vasconcelos deixou uma obra literária e e de pintura que marcaram uma época e uma geração. Nascido em 1923, foi sobretudo a partir de 1947 que juntamente com Alexandre O'Neill, António Pedro, Cruzeiro Seixas, Pedro Oom e António José Francisco iniciou aquilo que viria a ser um grupo dissidente da Escola António Arroio em Lisboa- Os Surrealistas.
A Liberdade, o Amor, a Poesia. Esta é a tríade do surrealismo que vem colocar-se ao lado, ou à frente, da Liberdade, Igualdade, Fraternidade, da Revolução Francesa.
A liberdade, sobretudo a liberdade! Para escrever, para pintar para dizer.
Nas palavras de Cesariny " ...a nossa descoberta do surrealismo não fez uma explosão, fez uma implosão. Também não era tempo de andar a falar alto. Íamos para a choça, o que não nos agradava muito. Os neo-realistas ficavam muito honrados quando iam presos. Nós não achávamos graça nenhuma..."
Poeta e pintor incómodo, viveu por pequenos períodos em Londres e Paris, nunca tendo abandonado Portugal ao contrário de muitos da sua geração. Fez publicar Corpo Vísivel (1950), Manual de Predestinação (1956), Pena Capital (1957) e Nobilíssima Visão (1959). Visitou regularmente as instalações da Policia Judiciária, suspeito de vagabundagem, durante os anos do Estado Novo. A partir de 1974, torna-se praticamente o único representante do movimento em Portugal, desfeito quer pela morte de alguns do seus membros, quer pelo afastamento de outros.
Com exposição patente em Alfama, na Perve Galeria, depois de uma retrospectiva apresentada no Circulo de Bellas Artes em Madrid, que encerrou dia 19, Cesariny despede-se assim aos 83 anos editando ainda um livro de poesia pintada; Timothy McVeigh- O Condenado à morte, que versa sobre a pena capital.

- O Mário pensa na morte?
Não muito. Penso mais nas doenças...
-Acredita na imortalidade?
Não sei. Quando lá chegar, eu telefono.
OE 2007, pela contra informação

Genial!
Star Wars, Ep V Empire strikes back

Continuando a recordar a saga...

26 novembro 2006

Nasceu o 31 da Armada

Já está on-line...

25 novembro 2006

Portugal, Novembro de 1975 (2)
Portugal, Novembro de 1975

A fabulosa entrevista do 1º Ministro do VI Governo Provisório.
Hoje é o dia da DEMOCRACIA em PORTUGAL.

25 de Novembro sempre, PREC's nunca mais!

24 novembro 2006

Portugal antes do 25 de Novembro...2

Ocupação de empresa.
Portugal antes do 25 de Novembro...

Cerco aos TLP, 1974
Novidades na Blogoesfera 2
CDS quer comemoração anual do 25 Novembro pelo Parlamento

Aqui está uma proposta que deve merecer o apoio de qualquer pessoa que preze a verdadeira democracia.
Eu iria até mais longe: se o 25 de Abril é feriado e pretende comemorar o dia da Liberdade, o 25 de Novembro também deveria ser feriado para comemorar o dia da Democracia.
Afinal de contas, foi só a partir dessa data que o país respirou de alívio e o perigo de uma ditadura comunista foi definitivamente arredado.

Gazeta 2007

Quando agora entrei no blog, o contador registava 2007 visitas.
Considero-o um número assinalável em menos de 3 meses de existência (do contador! O blog é ligeiramente mais velho).
Aos meus ilustres amigos e companheiros de postagens e a todos os nossos leitores e comentadores, muitos deles amigos também, o meu obrigado!

23 novembro 2006

Cada tiro, cada melro...


A Senhora Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, não pára de nos surpreender com notícias importantes para a cultura portuguesa e declarações cheias d'esprit!
Depois do anúncio da criação do Museu da Língua Portuguesa, essa grande obra socrática em prol da cultura nacional, eis que a senhora Pires de Lima vem acusar a Câmara Municipal do Porto de não investir na cultura!Claro que o Presidente da invicta deu a resposta que a senhora ministra merecia!
A senhora ministra, que anda sempre muito informada, deveria preocupar-se com os cortes orçamentais que o seu ministério, já de si depauperado, sofre com o OE 2007 apresentado pelo governo. Se o desejo desde há muitos anos era chegar ao 1% do OE para a Cultura, com este governo e esta ministra não chegamos sequer aos 0,5 %. Bravo!
Quanto ao Porto, a CMP têm investido sobretudo em áreas que são importantes e estruturais para a cultura do concelho, isto é, nos museus, bibliotecas e arquivos. A senhora Pires de Lima bem podia aprender qualquer coisa de novo e de salutar para a Cultura Portuguesa, e investir naquilo que são as bases estruturais de promoção, difusão e conservação dos bens culturais do país, isto é, os museus, as bibliotecas e os arquivos. Se assim fosse, o dinheiro era bem gasto e era útil. Claro que isso obrigaria a cortes em outras áreas e projectos, como o da criação de novos museus inúteis, ou no pagamento a juros de colecções privadas de gosto duvidoso.
Para que isto acontecesse seria necessário, contudo, que a senhora ministra estivesse mais bem informada e se dedicasse um pouco mais aos reais problemas do seu ministério. Seria também importante que tivesse um conhecimento mínimo sobre aquilo que se vai passando pelo país e quais as colecções, arquivos, artistas, livros e demais produções culturais que o país têm. Por fim, um pouco de amor a esse património inestimável também não ficaria mal.
Talvez assim, da próxima vez que perguntarem em entrevista à senhora Ministra que identifique os 10 museus e colecções de que mais gosta, ela se lembre de alguma colecção portuguesa, antes do 10º lugar, e já agora que acerte no local onde essa colecção se encontra.
Não há nada mais triste que ser ignorado pela própria tutela ignorante!
É que nem a colecção Berardo! Chiça!
Cada tiro cada melro...

22 novembro 2006

Livros da semana II


Não sendo uma biografia, o livro de Mendo Castro Henriques apresentado recentemente - D. Duarte e a Democracia, é um interessante retrato da relação entre S.A.R. O Duque de Bragança e a política portuguesa.
Infelizmente, são pouco conhecidas as opiniões políticas do Chefe da Casa Real Portuguesa. A imprensa e os "opinion makers" reduzem bastas vezes o seu comentário a questões menores, ligadas à família ou à participação do Princípe em determinado tipo de eventos. Há uma visão por demais curiosa e côr-de-rosa em relação à personalidade e à matéria, e por de menos política, o que é lamentável.
Este livro contribui para que se conheça mais de perto aquilo que é a visão de D. Duarte sobre as grandes questões nacionais e da política internacional, assim como da sua intervenção ao longo de anos em matérias tão importantes como seja o caso de Timor-Leste.
Curioso é o facto de o livro ter sido apresentado em Lisboa por um destacado republicano, Manuel Alegre, e no Porto pelo presidene do maior banco privado do país, Paulo Teixeira Pinto.

19 novembro 2006

Novidades na Blogoesfera...
Entrevista Alberto João Jardim, by Gato Fedorento

18 novembro 2006

Mudam-se os tempos...

O Tribunal de Contas esclareceu hoje que o relatório de auditoria em que foi detectada uma desorçamentação de 374 milhões de euros nas contas públicas de 2005 foi aprovado por unanimidade por um conjunto de juízes, não expressando a posição individual do seu relator.

Pois é, assim se cumpre o défice, nas palavras de José Sócrates sem truques e artifícios!

Mas esta notícia não deu muito alarido vá-se lá saber porquê...

Se o episódio tivesse acontecido na vigência do anterior governo, seguramente que já tinham sido marcados 5 debates de urgência no Parlamento, os economistas da nossa praça já teriam ido a Belém, os comentadores do regime falariam na falta de credibilidade do Governo, a oposição já teria pedido a cabeça do Ministro das Finanças e o Presidente da República já teria dado sinais da sua inquietação face à governação do país!

Mudam-se os tempos...

Sururu na Câmara de Lisboa


A SRU da BAIXA POMBALINA

O que mais tem feito apodrecer a partidocracia portuguesa, tem sido o monolitismo da sua vivência interna.Numa lógica neo salazarista, mesclada pelo nosso centralismo napoleónico, nos partidos, em todos eles, só conta o que pensa e decide o líder circunstancial e o seu iluminado séquito.Esta atitude é tanto mais grave, quanto é exactamente isto que também se verifica nos dois principais partidos do sistema.Ao longo dos anos, este percurso tem conduzido à desertificação e estirilização dos aparelhos partidários. Cada vez intelectualmente mais pobres, mais dependentes das mordomias da ocupação do poder, cada vez menos livres.
Ora, são episódios, como o que agora ocorreu, com a novela em curso, sobre a constituição da SRU da Baixa Pombalina, que mais colocam a nu este caminho.Portugal Gaspar, um qualificado quadro do PSD/Lisboa – e não mais um “boy”, foi convidado em Setembro, pelo próprio Presidente da Câmara, para participar na administração dessa mesma Sociedade de Reabilitação Urbana. Aceitou e ficou à espera da nomeação.
A proposta em apreço foi, com a designação dos nomes dos titulares, à reunião de Câmara de 2 de Novembro passado. Com uma desculpa circunstancial esfarrapada foi, à última hora, retirada da ordem de trabalhos.Nos dias subsequentes, a Presidência da Câmara comunicou a Portugal Gaspar, e a um grupo alargado de deputados municipais, que a proposta dificilmente poderia ser confirmada, porque tinha a oposição, pessoalmente formalizada, do líder do partido, bem como da presidente do PSD/Lisboa!!!
Assim, ontem, foi apresentada a reunião de Câmara, uma proposta “hemiplégica”, ou seja, somente com dois dos três membros do conselho, o que terá causado, entre outros motivos, o desmoronar da coligação PSD/CDS.
Como Presidente de uma Câmara, onde, em harmonia, lidero há dez anos uma coligação com estes dois partidos em permanente sintonia, lastimo que pequenas guerrilhas pouco responsáveis possam colocar em causa a estabilidade governativa na principal Câmara do País.
O PSD tem muitos e bons quadros na Câmara de Lisboa, mas também conheço sobejamente a competência e a honradez de Maria José Nogueira Pinto. Não foi certamente por esse lado que quebrou a corda. Um dia ainda havemos de ter um País onde, como em França, se realizam primárias, sem drama, para escolher um candidato presidencial ou, como, na Grã Bretanha, o primeiro Ministro se sujeita ao sufrágio anual do partido e do seu próprio grupo parlamentar.
Modernices, das sólidas e “velhas” democracias…

posted by Luís Filipe Menezes at 4:19 PM

17 novembro 2006

16 novembro 2006

In memoriam


Numa cerimónia presidida pelo Presidente norte-americano George W. Bush e pelo seu antecessor Bill Clinton, foi lançada, em Washington, a primeira pedra para a construção de um grande monumento de homenagem a Martin Luther King.
O memorial a Luther King ficará entre os mausoléus de Jefferson e Lincoln- "Luther King receberá o seu lugar legítimo entre os grandes americanos homenageados no Mall" referiu o Presidente norte-americano no seu discurso.
É uma homenagem muito justa, embora tardia, àquele que foi o maior defensor e activista dos direitos civis dos cidadãos norte-americanos no Séc.XX e um modelo inspirador para inúmeros movimentos de direitos humanos e civis espalhados pelo mundo.
Prémio Nobel da Paz em 1964, Luther King foi um defensor e um seguidor das ideias de desobediência civil não-violenta, preconizadas por Mahatma Gandhi, vindo a morrer prematuramente ao ser assassinado em 1968.
Não deixa de ser curioso, que Luther King seja homenageado de forma cimeira, numa altura em que o governo dos EUA é liderado por George W. Bush, defensor e seguidor das ideias de defesa preventiva.

15 novembro 2006

Livros da semana.


Esta semana o ex-Primeiro Ministro Pedro Santana Lopes fez editar o seu novo livro - Percepções e Realidade. Trata-se de um relato dos principais acontecimentos que conduziram à queda do seu governo em 2004, depois da decisão do então Presidente da República Jorge Sampaio, de dissolver a Assembleia da República.
Também esta semana é apresentada, na Universidade de Navarra em Pamplona, a tese de doutoramento do antigo Presidente da República Ramalho Eanes, com 1976 páginas - Sociedade civil e poder político em Portugal. A tese, escrita em forma de memórias políticas, faz um retrato dos 10 anos em que o General ocupou o Palácio de Belém.
Tratam-se de dois textos sobre a história recente da política portuguesa, necessáriamente muito diferentes quer no estilo quer no conteúdo, e que prometem trazer novas luzes sobre alguns assuntos polémicos que dominaram a vida política nacional.
Independentemente da qualidade dos textos, que ainda não li, é louvável que ambos saiam à luz do dia.
Em Portugal não existe a tradição das memórias políticas, assim como não há tradição na biografia e na autobiografia, política ou outra.
É sempre enriquecedor quando alguém que ocupou um lugar de destaque, como seja o lugar de PR ou de PM, deixe registado por escrito a sua experiência e a sua visão do país e dos assuntos públicos durante esse período.
A História agradece, e os cidadão também!

11 novembro 2006

Dívidas do Estado

Não posso deixar de elogiar este projecto de diploma do CDS. Nunca percebi porque razão o Estado se arroga no direito de publicar a lista daqueles que lhe devem dinheiro sem aplicar esse princípio a si próprio!
Afinal de contas, dívidas são dívidas, independentemente de quem seja o devedor. Ou será que o Estado tem algo a temer?
Tem-se por hábito dizer que o Estado é pessoa de bem, mas a realidade muitas vezes revela o contrário.
Partilho convosco uma pequena história de que tive conhecimento, por motivos profissionais, sobre dívidas ao Estado e do Estado:
Uma pequena clínica médica funcionava em exclusivo para diversos subsistemas de saúde públicos (militares, forças de segurança, ADSE, etc.). A certa altura essas entidades deixaram de pagar à clínica por falta de verbas. A situação foi se arrastando e degradando com o avolumar de serviços prestados sem o respectivo ressarcimento por parte das entidades públicas. Em determinado momento, e para evitar a falência, a clínica dispensou parte dos seus colaboradores e deixou de entregar ao Estado as retenções na fonte de IRS e segurança social. Pouco tempo depois, e invocando a falta de cumprimento das obrigações fiscais, o Estado penhorou os bens da clínica. E esta hein?

10 novembro 2006

Ainda as Scut's

Esta semana tenho tentado pôr a leitura de jornais e revistas em dia. Entre essas leituras encontra-se a revista Sábado do dia 26 de Outubro, e da qual não resisto a reproduzir uma parte do artigo de José Pacheco Pereira (JPP) a propósito das Scut's, que subscrevo na íntegra.
No artigo intitulado "o jogo perigoso das SCUT", depois de fazer a distinção entre não cumprir promessas eleitorais e tomar os portugueses por parvos, JPP diz o seguinte:
"Já ao tomar-nos por parvos o primeiro-ministro e o Governo correm mais riscos de terem um efeito "húngaro". É que estar a tentar dizer aos portugueses que acabar com algumas scut é "cumprir uma promessa eleitoral" é tomar-nos por parvos. Não adianta vir brandir uma alínea do programa eleitoral, que estipulava condições para algumas estradas perderem a qualidade de serem grátis para os utilizadores, condições essas que já se aplicavam à data das eleições de 2005, para fazer esquecer que a questão das scut é uma das que mais confrontações tem provocado entre Governo e Oposição e antes, em campanha, entre PS e PSD, e que ninguém percebeu que a posição do PS era acabar com elas ou com parte significativa delas. É que insistir na mentira atirando-nos aos olhos com as letrinhas pequeninas das apólices de seguro para não pagar o que é devido é que deu má fama às seguradoras. E pessoas defraudadas agem com muito mais raiva, na razão directa dos esforços para as convencer de que assinaram o contrário do que lhes foi dito de viva voz, por culpa delas."

09 novembro 2006

Os Portugueses II


Os portugueses, entretidos na classificação do seu passado, lá vão enterrando o futuro...
Não admira! Depois de elegerem Luis de Camões e António Salazar para o top + da nação pouco lhes resta senão o abandono do futuro.
Talvez nunca tenhamos lido, ou compreendido verdadeiramente, as palavras de António Vieira acerca da História " A história é importante para aprender com o passado, compreender o presente e projectar o futuro..." . Parece simples ...
Que seria de uma pessoa sem memória? Seria certamente como um recém nascido, viveria uma existência onde a experiência não tinha lugar. A experiência e o consequente conhecimento que advém desta, é construido com base na memória. Sem memória o mundo e os Homens nunca teriam evoluido, porque não teriam nunca adquirido o conhecimento que advém da experimentação. As nações não são diferentes das pessoas!
Esta pequena reflexão surge pelo conhecimento que tive do último relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Segundo este indicador elaborado pela ONU, Portugal desce em 2006 dois lugares consecutivos, do 27º para o 29º respectivamente. É espantoso como um país da Europa Ocidental, que recebe fundos estruturais há duas décadas para o seu desenvolvimento, e cujos governos fazem reformas sucessivas em todas as áreas da governação, desde a agricultura às finanças, da defesa à economia, da educação (quantas foram já??) à saúde; possa, em apenas 3 anos descer 4 lugares no ranking do desenvolvimento, ao ritmo assustador de um lugar por ano!
O mesmo país que não é capaz de se reformar e crescer ( não em termos económicos, mas sim em desenvolvimento humano) é o mesmo país saudoso de António de Oliveira Salazar.
Não se trata apenas de um problema de memória. É mais grave.
Trata-se, isso sim, de um problema de maturidade, um desejo absoluto de não querer crescer, de não querer lembrar. À mínima contrariedade recorre-se à autoridade do Pater, do comando invisível e exterior e, portanto, à desresponsabilização individual.
Portugal tem sindroma de Peter Pan!

A barbárie em forma de propaganda...


Acordei eu hoje de manhã, num dos raros dias de sol que a semana nos proporciona, e eis que encontro a rua forrada de pequenos cartazes vermelhos. A panfletagem diz o seguinte: "Este Governo só corta onde nos dói" para logo acrescentar " O que vai acontecer à sua reforma?" e termina com um convite a uma palestra proferida pelo Dr. Louça...
Já não bastava aos lisboetas a desgraça que lavra por toda a capital de assinaturas feitas com sprays à laia de grafitis, temos agora também de levar pelos olhos dentro, com os convites do Dr. Louçã!!
Não há ninguém que mande prender esta gente? Sinceramente que não compreendo o que faz a CML ou os fiscais, que acredito devem existir, para punir este tipo de comportamentos.
Os grafitis que enojam toda a cidade proliferam, com acentuada manifestação no Bairro Alto, que depois de obras de reabilitação que levaram pelo menos uma década, e no momento em que está apresentável para o veraneio dos cidadãos, foi literalmente forrado de gatafunhos e bizarrias, sem que se tivesse notado qualquer operação de limpeza ou de punição de tais actos, para desespero dos proprietários e dos transeuntes.
Agora o Dr. Louçã e sus muchachos resolvem forrar ruas inteiras, caixotes do lixo, paragens de autocarro, vidrões e papelões e ninguém diz nada.
Para um partido com representação na Assembleia da República e na Assembleia Municipal de Lisboa não está mal.
Que pensará desta barbárie o vereador Sá Fernandes, sempre tão preocupado com as obras, os parques, o estacionamento, as contas e o raio que o parta??
Star Wars: Ep IV A New Hope


Enquanto decorre a exposição no museu da electricidade, aqui na Gazeta Lusitana, recordaremos os diversos episódios desta saga que conta com milhões de fãs por esse mundo fora.

08 novembro 2006

Dr. House de volta à TVI


A ironia, o sarcasmo, o humor negro do Dr. House estão de regresso à TVI, numa série a não perder.
Para quem não conhece, deixo este pequeno video para ficarem com uma ideia.

07 novembro 2006

OE 2007: a cereja em cima do bolo...

Défice público: Bruxelas duvida dos objectivos do Governo


A Comissão Europeia acredita que Portugal vai conseguir cumprir a meta do défice orçamental no corrente ano (4,6% do PIB), mas antecipa que o desequilíbrio será maior do que o previsto por Lisboa em 2007 e 2008.

Nas Previsões Económicas do Outono, hoje apresentadas, a Comissão Europeia prevê um défice de 4,0% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007 e de 3,9 em 2008, enquanto que as estimativas de Lisboa são, respectivamente, de 3,7 e 2,6%

Bruxelas afirma que as previsões já tomam em consideração as medidas correctivas implementadas recentemente, assim como a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2007.

OE 2007: um mau orçamento..(6)

Cada português vai pagar mais 271 euros ao fisco em 2007

No próximo ano cada português vai ter de pagar, em média, mais 271 euros ao Estado por força do aumento da carga fiscal. Mensalmente este aumento médio cifrar-se-á em mais 22,6 euros.
Contas feitas aos valores inscritos no Orçamento do Estado para 2007 conclui-se que 48% do aumento do PIB per capita no próximo ano destina-se a suportar o crescimento da carga fiscal. Deste modo, o PIB per capita deverá crescer 563 euros em 2007, enquanto os encargos fiscais e prestações efectivas, que englobam a Segurança Social, aumentarão 271 euros.
No próximo ano, a carga fiscal crescerá per capita 5,27%, enquanto o rendimento por habitante ficará pelos 3,91%.
Os contribuintes em geral, reconhecidos, agradecem ao Eng. Sócrates o cumprimento das suas promessas eleitorais!

06 novembro 2006

OE 2007: um mau orçamento..(5)

Outro aumento de impostos:

Uma ligeira alteração de redacção de um artigo do código do IRS vai resultar num agravamento fiscal para todos os contribuintes por conta própria que estão enquadrados no regime simplificado.
Até agora, para estes contribuintes, o Estado tributava 65% dos seus rendimentos. Com o Novo Orçamento, a percentagem do rendimento sujeito a tributação passa para os 70%.
Mais uma medida coerente de quem dizia em campanha que não aumentaria os impostos.
Os contribuintes enquadrados no regime simplificado, reconhecidos, agradecem ao governo socialista...

Os Portugueses....








Parece que o resultado do discutido concurso sobre os Grandes Portugueses é interessante!
Diz-se que em primeiro lugar ficou Luis Vaz de Camões, homem das letras e com biografia extensa e bem conhecida dos portugueses!
O segundo lugar é ocupado pelo antigo Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar! Ena, Ena!!
A confirmarem-se estes resultado, isto vai ser bonito!
Tanto falaram que se lixaram...
Aguardemos.

O regresso dos Sith...


O Papa Bento XVI abriu entre os católicos mais um interessante tema de reflexão e diálogo, em nome da unidade cristã. A 11 de Outubro p.p. o Sumo Pontífice admitiu a possibilidade de celebrações em latim "sem hever necessidade de autorização do Bispo da diocese". O Santo Padre "com benevolência pastoral", deseja que não seja coisa tão pouco importante a dividir os cristãos...
A origem deste anúncio inédito parece estar na desejada aproximação entre o Vaticano e a Fraternidade de S. Pio X, fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991).
O dito prelado, que em 1970 fundou na Suiça a nomeada Fraternidade, foi um intransigente opositor aos principios que nortearam o Concílilo Vaticano II ( o "aggiornamento" de João XXIII e Paulo VI). Chefe dilecto dos integristas, o Arcebispo de Dacar, liderou os defensores de um catolicismo "integral", sem concessões ao ecumenismo, à liberdade religiosa e à modernidade.
Depois de sucessivas declarações contra o diálogo inter-religioso, Lefebvre foi suspenso "a divinis" por Paulo VI em 1976. Ao ordenar quatro bispos em 1988, João Paulo II consumou a ruptura e excumungou o Arcebispo. O seus seguidores só celebram missa em latim.
Parece que o assunto é tema de conversa no Vaticano, sobretudo na Congregação para a Doutrina da Fé e para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.
Tudo indica que Bento XVI se prepara para divulgar uma Carta Apostólica em que, entre outras determinações, liberalize a celebração tradicional, segundo o missal de S. Pio V ( em latim).
Já agora, e nas palavras de D. Carlos Azevedo, porta-voz da Conferência Episcopal portuguesa "Para voltar às origens então que seja em grego!".
Pois sim! Eu até propunha mesmo o aramaico, já que andamos numa de coisas exóticas!
Já que os fiéis cada vez mais vão menos à missa, podia ser que assim, à moda de espectáculo, lá pusessem os pés, nem que fosse porque é fixe ouvir um tipo a dizer uma cenas numa língua que ninguém entende. É quase como ir ao cinema ver a Guerra das Estrelas e ouvir os andróides e outras criaturas da galáxia!
É ocasião para dizer, o Vaticano merece bem uma missa, em Latim!

04 novembro 2006

Star Wars em Portugal (2)

Para os interessados, aqui deixo mais algumas informações referentes à exposição que está patente no Museu da electricidade:
Horário:
Domingo a 5ª, das 10h00 às 20h00.
6ª e Sábado, das 10h00 às 22h00.
Encerra à 2ª feira.
Preço do bilhete: 10 €. Crianças até aos 6 anos não pagam.

Terroristas regressam a Portugal

Lisboa recebe VIII Encontro Partidos Comunistas em Novembro

Portugal recebe pela primeira vez o Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, entre 10 e 12 de Novembro, uma iniciativa que visa encontrar caminhos para o socialismo e discutir os «perigos do imperialismo».
Pelos vistos cá acolheremos novamente os camaradas dessas democracias de referência do séc. XXI, como Cuba e a Coreia do Norte. Provavelmente os amigos das FARC também.

03 novembro 2006

Star Wars em Portugal

Para os fãs desta saga, como eu, aqui fica a notícia: já abriu a exposição Star Wars no museu da electricidade. Até 14 de Janeiro.