28 dezembro 2007

Al-Qaeda volta a matar...


"Quando se acredita numa causa, é preciso estar disposto a pagar o preço para a alcançar"
Benazir Bhutto (1953-2007)

27 dezembro 2007

Feliz 2008

Desejo a todos os gazeteiros, leitores e comentadores da Gazeta Lusitana um ano de 2008 cheio de participações bloguisticas! Se aproveitarem o ano novo para fazerem o favor de serem felizes melhor ainda.

25 dezembro 2007

Boas Festas!


12 dezembro 2007

Atentados em Argel (2)

O atentado já terá sido reivindicado pela Alqaeda Magreb. Nada que não se suspeitasse desde logo atendendo ao modus operandi.

Os danos materiais nos locais das explosões foram muito significativos. Pode ver imagens ciclando AQUI.

A manhã de hoje em Argel foi de pânico e confusão generalizada. Até à hora de almoço o barulho de sirenes de polícia, ambulâncias e bombeiros era permanente, bem como o dos inúmeros helicópteros que sobrevoavam as zonas atingidas. As ligações de telemóvel só ficaram restabelecidas totalmente já passavam das 15h00. Durante a tarde permaneciam ainda cortadas as principais ruas das zonas das Embaixadas, Organizações Internacionais, e Estado argelino. O trânsito esteve caótico.

Mas mais marcante ainda foi a tristeza, a angústia e a revolta de um povo, que na sua esmagadora maioria repudia estes atentados e não hesita em condenar firmemente quem os executa. Bastava olhar para eles na rua, falar com eles, para perceber.

Por cada atentado levado a cabo, aumenta ainda mais a já grande separação entre o povo argelino e o fundamentalismo islâmico...

11 dezembro 2007

Atentados em Argel

Argel voltou a ser palco de atentados hoje de manhã. Até ao momento das duas explosões já resultaram 57 mortos e dezenas de feridos.


A violência das explosões foi grande, sendo que pude perfeitamente ouvir uma delas, que ocorreu a cerca de 1 km do meu escritório.
A imagem que publico é dos destroços do Conseil Constitutionnel, um bonito edifício, recentemente inaugurado e que tinha demorado 6 anos a construir.

05 dezembro 2007

Este ano não há presépio...

Lamentamos mas:


- Os Reis Magos lançaram uma OPA sobre a manjedoura e esta foi retirada do estábulo até decisão governamental ;

- Os camelos estão no governo;

- Os cordeirinhos estão tão magros e tão feios que não podem ser exibidos;

- A vaca está louca e não se segura nas patas;

- O burro está na Escola Básica a dar aulas de substituição;

- Nossa Senhora e São José foram chamados à Escola Básica para avaliar o burro;

- A estrelinha de Belém perdeu o brilho porque o Menino Jesus não tem tempo para olhar para ela;

- O Menino Jesus está no Politeama em actividades de enriquecimento curricular e o tribunal de Coimbra ordenou a sua entrega imediata ao pai biológico;

- A ASAE fechou temporariamente o estábulo pela falta da manjedoura e, sobretudo, até serem corrigidas as péssimas condições higiénicas do estábulo, de acordo com as normas da UE.


NOTA: Recebido por e-mail

04 dezembro 2007

Afinal ainda há esperança...


Tive ontem oportunidade de jantar com um amigo sul-americano de viagem a Lisboa.
Ao inicio do jantar disse-me: «Hoje foi daqueles dias que me deu especial gozo despertar. Acordei em Londres às 6h30, apanhei um vôo para Lisboa no meio de um céu azul profundo, raro em Londres, e ao chegar a Portugal soube pelas notícias que Chávez tinha perdido o referendo à Constituição. Afinal, pensei, ainda existe esperança, e a Democracia e o Mundo, apesar das contrariedades lá vai avançando, devagar é verdade, mas a ritmo certo.»

27 novembro 2007

A tradição sindical ainda é o que era

Na próxima 6ª feira, dia 30 de Novembro, ocorre uma greve geral promovida pelos sindicatos portugueses. Mais uma. Mais do mesmo. Acredito que assim será. Estou certo disso. E não tive de enviar agentes da autoridade a sedes sindicais para controlar a situação e a informação. Assim tem sido. Não será certamente diferente agora. A começar pelos dirigentes sindicais que são os mesmos há anos a fio. As mesmas caras, as mesmas estratégias (ou ausência delas), as mesmas reivindicações (poderia ser um sinal que o poder político continua sem dar as devidas respostas aos problemas mas tal seria uma explicação demasiado redutora, não completamente falsa, mas redutora).

É vulgar afirmar-se que o Mundo está em mudança. E está mesmo. Mudanças sempre houve ao longo da História da Humanidade, umas mais profundas do que outras, umas mais radicais do que outras, umas mais lentas, outras mais rápidas, mas os conceitos de continuidade e de ruptura fazem parte da própria essência da História. Agora os ritmos é que são mais acelerados do que nunca. Mudanças, como referi, sempre houve, mas nunca tão rápidas e a esta velocidade vertiginosa. Assim acontece com o universo laboral.

Já não faz qualquer sentido um sindicalismo com a configuração actual. Acções sindicais baseadas nas greves e não na via negocial. Deveriam evitar a todo o custo a visão maniqueísta (os patrões os maus e os trabalhadores os bons claro....) que muitas vezes inviabiliza logo de início qualquer crescimento da margem de negociação. Partem do princípio que o patronato é um bando desqualificado de exploradores das classes trabalhadores (o que em alguns casos não andará longe da verdade dos factos). Colocam-se numa posição de ter direito a tudo e mais alguma coisa mas em termos de deveres o prato da balança já não possui tanto peso, até parece que deveria ficar vazio segundo algumas opiniões...

Um sindicalista tradicionalista (parece contradição mas a esmagadora maioria é de facto tradicionalista) acredita que a tradição sindical ainda é o que era e assim deve continuar a ser. Não há verdadeiras negociações. Eles que são os maus só nos querem explorar, tramar e dificultar a vida, não vamos conseguir nada deles por isso partimos para a greve e mais nada!Poderia ser uma frase saída de uma reunião no sindicato (digo eu, embora nunca tenha participado em nenhuma...também seria difícil pois não estou sindicalizado e não me parece que venha a estar nos próximos tempos). Por isso a greve surge com facilidade e não como recurso extremo. O sentar à mesa das negociações é só uma formalidade que têm de cumprir. O barulho nas ruas, a confusão, os constrangimentos causados aos cidadãos em geral, o contributo para os baixos índices de produtividade parece ser a forma de luta de eleição. "Barulho não é argumento" diz muitas vezes o sr. primeiro-ministro no Parlamento. Tenho de reconhecer que tem razão.

Empregadores e empregados, patronato e trabalhadores, cada um tem o seu papel nos meios económico e social. Uma instituição, uma empresa só existe e só terá sucesso com uma boa articulação e o melhor entendimento possível entre as partes que compõem o todo. Se alguma peça da engrenagem falha toda a máquina pára ou funcionará de forma deficiente. Para que isso não suceda negociar deve ser o mote. Sem ruído, sem radicalismos, sem exigências desequilibradas e desajustadas das realidades contemporâneas, sem utopias desmesuradas. Com elevação, com educação, com pragmatismo, com inconformismo e espírito crítico mas também com a consciência plena do mundo actual, das suas exigências e limitações. Humanismo e Economia não devem e não podem ser inimigos. Muito pelo contrário, devem ser os melhores aliados. Há tradições que não podem continuar a ser o que têm sido.

17 novembro 2007

Por falar em números...

Sequence 1
Vídeo enviado por e5uf2

José Sócrates, na campanha eleitoral de 2005, diz que 7,1% de desemprego são a "marca de uma governação falhada" e de uma "economia mal conduzida". Em Outubro de 2007, com José Sócrates como primeiro-ministro, Portugal tem 8,3% de desempregados e, pela primeira vez em quase 30 anos, a taxa de desemprego é superior à de Espanha.

Ministro queixinhas

O ministro da saúde do governo português vai apresentar queixa junto do Ministério Público contra a Ordem dos Médicos por esta não alterar imediatamente alguns artigos do seu código deontológico referentes à interrupção voluntária da gravidez.
Insiste este membro do governo em querer interferir na esfera privada desta ordem profissional. A Ordem não pretende ter comportamentos ilegais nem tão pouco ser uma entidade colocada à margem da lei como é óbvio. Tem o direito a ter uma determinada deontologia profissional, um código de conduta interno que só deverá ser alterado se a maioria dos seus profissionais assim o entender e desejar. Se um médico desrespeitar a lei geral do país a justiça deve seguir o seu regular curso como é natural. A Ordem dos Médicos não pretende o contrário. É assim numa democracia adulta que cultiva a liberdade com responsabilidade, o pluralismo e a diversidade de opiniões e posições. Assim não o entende o titular da pasta da saúde. Atitude doentia diria eu...

16 novembro 2007

Números

Valem o que valem, certo? São pistas, indicadores, dados, que devem ser interpretados e analisados em um contexto mais vasto. Certo? Forço-me a pensar nestes termos enquanto vou digerindo as notícias sobre o crescimento da economia portuguesa (1,8% em 2007) e a captação de investimento directo estrangeiro em Portugal (aumentou 9,5% face a 2006).

O primeiro número é conseguido contra um clima de recessão e contra as previsões das instâncias internacionais (FMI e OCDE) e da União Europeia (passe a beliscadela no rigor, mas como eurofederalista convicto, não me resigno a designar a UE como mera organização internacional). E está em linha com as previsões do Governo e do Banco de Portugal.

Não nos enganemos. Crescer 1,8% ao ano não é, em absoluto, o melhor resultado possível. Mas, crescer 1,8% é a nossa melhor marca desde 2001 e é conseguida em contexto económico desfavorável: euro forte, crise dos mercados financeiros, concorrência muito forte no mercado do produto, abrandamento do crescimento económico na Europa. Estes 1,8% divergem da média europeia? Decerto que sim. Mas, caminham para a convergência a curto/médio prazo? Parece que sim.

O segundo número, que leio lado a lado com o primeiro, é sinal de que alguém anda a trabalhar bem (nomeadamente, Basílio Horta e a sua AICEP).

1,8 e 9,5% são apenas mil passos, tais como os mil passos a caminho da sociedade da informação, a que aludo no post anterior (já que falo nisso, o título do post foi gentilmente cedido por Alberto Caeiro). Mas, serão mil passos na direcção certa? Espero que sim.

13 novembro 2007

Mil passos que desse para isso eram só mil passos

O Programa e.escolas.net vai atingir amanhã (4ª feira) a simpática marca de 40.000 portáteis distribuídos, a preços reduzidos, a alunos do ensino secundário, professores e formandos da iniciativa Novas Oportunidades. Este programa é uma medida do Plano Tecnológico, e vai ser galardoado, também amanhã, com o "Best European Project Award", o mais elevado prémio de mérito conferido pela Toshiba.
Não me demoro em considerações sobre o impacte desta iniciativa no desenvolvimento da sociedade da informação em Portugal - é esse, aliás, o motivo do prémio. Seria ocioso realçar o que é por demais evidente. Porém, não será escusado lembrar que a generalização do acesso à internet de banda larga só se efectivará com a separação da PT e da PTM, da qual depende a criação de concorrência no sector.
Termino com uma pequena história, para me forçar a lembrar que esta iniciativa, posto que fundamental, é ainda e apenas um pequeno passo no longo caminho para a sociedade da informação. Um senhor que faz o favor de ser meu amigo, e que em 1982 estava colocado no Dubai, ao serviço de uma empresa portuguesa, tentou matricular o filho, com o 9º ano terminado em Portugal, no equivalente ao 10º ano de escolaridade. Qual não foi o seu espanto quando a direcção da escola o informou de que apenas podia matricular o filho no 8º ano! Questionando a escola, ouviu esta espantosa explicação: «Ele nem sequer sabe programar em Basic...».
Em que mundo nos deixámos ficar enquanto a História continuou o seu caminho?...

12 novembro 2007

08 novembro 2007

A viagem ao Chile.


O Presidente da República iniciou ontem uma visita oficial ao Chile. Aproveitou a boleia da Cimeira Iberoamericana que este ano se realiza em Santiago, e resolveu responder ao convite da Presidente Chilena Michelle Bachelet. Fez bem. O Chile é um país com o qual Portugal começa a ter interessantes relações comerciais e a aproximação política a este emergente país da América Latina é uma boa novidade na já exaustiva relação Brasília-Lisboa.
Acompanhado de cerca de 100 empresários das mais diversas áreas, Cavaco Silva levou a La Moneda e à Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas a mensagem de que «para Portugal, torna-se particularmente claro que é hora de reafirmar a prioridade estratégica que a América latina deve representar para a União Europeia» e ainda «visto do lado europeu, e tendo em conta as afinidades e convergência de interesses dos países latino-americanos, parece existir um elevado potencial, ainda relativamente inexplorado, em matéria de cooperação e de integração económica regional. Este é, naturalmente, um desafio que cabe aos povos latino-americanos dar resposta», disse.
Sobre a primeira ideia resta-me a pergunta: E Portugal? Que faz Portugal relativamente à sua prioridade estratégica na Comunidade Iberoamericana de Nações da qual é membro fundador, para além de participar nas Cimeiras há mais de dezassete anos? Nada! Não fez nem me parece que esteja interessado em fazer. Para Portugal a Comunidade Iberoamericana é uma formalidade vazia de conteúdo. O único interesse de Portugal tem sido o Brasil com quem mantém uma excelente relação bilateral. Para quê então esta preocupação súbita? Obedece esta visita a alguma política delineada de aproximação de Portugal à América do Pacifico? Não me parece! Terão os nossos diplomatas ou os nossos economistas estudado e pensado uma nova política estratégica de aproximação a este bloco económico? Não me parece! Para quê então este discurso de preocupação ainda para mais em nome da União Europeia?
A segunda ideia conduz-me à dúvida sobre que interesses terá Cavaco Silva na união dos Sul Americanos, ou dos europeus por ele representados em Santiago! Mas provavelmente nem são necessárias grandes especulações.

No fundo, a razão das minhas interrogações e de alguma indignação, tem uma outra raíz. Esta é a terceira visita oficial de Cavaco Silva ao estrangeiro enquanto PR e mais uma vez, infelizmente, o PR não escolheu nenhum país da CPLP como destino. Escrevi o mesmo aquando da visita a Espanha e à Índia. Concluo que o interesse que Portugal dispensa à CPLP é o mesmo que dedica à Comunidade Iberoamericana de Nações. Passa a ir a umas reuniões anuais, integra uma fotos de família e por aí se fica.
Deixei de compreender as prioridades da política externa portuguesa e sobretudo deixei de ser crente nos discursos pró-lusofonia dos políticos portugueses. É tudo uma ilusão! O total non sense!

06 novembro 2007

Ao que isto chegou!

No Diário de Notícias de hoje (dia 6) li uma peça sobre o a preparação de Sócrates e Santana para o debate do Orçamento.
Li e não quis acreditar!
Numa parte da notícia diz então o seguinte:

"O primeiro-ministro preparou-se com afinco. Colaboradores seus andam há semanas a recolher material sobre Pedro Santana Lopes. O staff de Sócrates inclui especialistas em pesquisa de informação, como José Almeida Ribeiro, seu adjunto, quadro do SIS."

Pois é, há um quadro das secretas no gabinete do PM a fazer pesquisa sobre pessoas. Ao que chegou o Governo PS!
E ainda mais extraordinário é que o facto tenha passado despercebido.
Que bem que vai a Democracia Lusitana...

04 novembro 2007

Duas exposições em Lisboa a não perder !


A primeira destas duas a ser inaugurada foi a que está patente na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian desde o dia 28 de Setembro. A exposição intitulada "Os Gregos. Tesouros do Museu Benaki, Atenas" apresenta-nos mais de 150 objectos que ao estarem organizados de forma cronológica nos dão uma visão panorâmica do percurso deste povo, sobretudo em termos de Arte e Cultura, desde o Neolítico (6º milénio a.C.) até à criação do Estado Helénico em 1830. Não se limita, portanto, à Grécia da Antiguidade Clássica oferecendo uma visão mais extensa e completa (ainda que a visita não seja nada exaustiva, percorrendo-se o espaço de uma forma bastante agradável) com bons exemplares representativos de cada período abordado. A Grécia deu à Europa a sua matriz cultural (pelo menos parte substancial dela) em territórios tão vastos quanto a filosofia, a mitologia, o teatro, entre outras expressões artístico-culturais. Boa parceria luso-helénica (mais uma vez uma boa iniciativa cultural pela mão da Fundação Calouste Gulbenkian) a repetir mais vezes certamente e no sentido inverso também! Pode ser visitada até ao dia 6 de Janeiro de 2008.

Uma outra exposição incontornável na actual oferta cultural lisboeta é a que pode ser visitada no espaço da Galeria de Pintura do Rei D. Luís I, na ala norte do Palácio Nacional da Ajuda. Inaugurada a 25 de Outubro, com a presença do presidente russo V. Putin, trouxe até Lisboa cerca de 600 objectos ilustrativos do que foi a Arte e a Cultura no Império Russo durante a dinastia imperial dos Romanov (parte do conjunto de cerca de três milhões de objectos que compõe o acervo do Museu Hermitage).
Organizada, também, de forma cronológica inunda a antiga galeria com arte russa (peso talvez excessivo de pintura, retratos em particular) que nos revela os rostos imperais desde Pedro, o Grande, passando por Catarina II, até Nicolau II. Muita pintura (em muito boas condições de conservação) mas não só... escultura, gravura, ourivesaria, mobiliário entre outras artes decorativas e até instrumentos ligados à ciência e técnica podem ser vistos e fruidos por todos (aqueles que quiserem e puderem pagar 6 €, pouco mais do que um bilhete de cinema vendo bem...) até 17 de Fevereiro de 2008. Esta exposição faz parte de um protocolo do Ministério da Cultura com o museu de São Petersburgo, envolvendo mais duas exposições (2008 e 2009) e a esperada instalação de um pólo em Lisboa daquela instituição museológica em 2010. Parece que desta vez o Ministério da Cultura está de parabéns...Boa iniciativa (é a maior exibição organizada pelo Hermitage no exterior) que vem enriquecer a vida cultural da cidade e do país e que nos deve encher de satisfação e orgulho.
Aproveito o facto do local escolhido ter sido o Palácio Nacional da Ajuda para relembrar a todos, muito particularmente ao Ministério da Cultura (que ainda para mais tem sede naquele edifício), a necessidade de requalificação do palácio em causa, em concreto a ala inacabada do lado da Calçada da Ajuda (poente), e toda a área envolvente. Pelas vicissitudes da História o projecto palaciano para a Ajuda ficou por concluir. Como tal não será certamente nenhuma fatalidade já é mais do que tempo para serem abandonados os lamentos, os esquecimentos e passar-se à acção (há projectos e tudo!).



03 novembro 2007

Jobs for the boys no MNE


Vivem-se dias agitados para os lados do MNE. O Governo prepara-se para alterar leis estruturais da carreira diplomática, numa lógica perversa e contraditória com a sua própria actuação.

Falo da questão dos Cônsules. Actualmente, estes lugares são desempenhados por diplomatas de carreira. E convenhamos, tem toda a lógica que assim seja.

Mas o Governo parece achar que não. Ao que se sabe, está em fase final de preparação um diploma que prevê que estes lugares passem a ser preenchidos por despacho ministerial, não tendo a pessoa designada que ser da carreira diplomática, nem sequer da função pública.
Ou seja, o PS prepara-se para criar nova legislação que o habilite a nomear amigos, camaradas e afins para o desempenho de importantes cargos de protecção de interesses e direitos fundamentais dos cidadãos portugueses no estrangeiro. Um verdadeiro escândalo.
Trata-se de politizar lugares que não o deveriam ser. Trata-se de colocar amigos em bons lugares, sem qualquer critério, mérito ou seja o que for.

Recorde-se que, actualmente, os lugares de cônsules são preenchidos por diplomatas, aquando do movimento ordinário desta carreira especial da Administração Pública. Tal colocação obedece a um processo, com regras, e no qual os “pares” reunidos em Conselho Diplomático após análise, debate e ponderação submetem uma proposta de colocações no estrangeiro ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, para que este a homologue.

Por outro lado, é incompreensível esta atitude do Governo quando no passado o ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros Freitas do Amaral, ministro deste mesmo Governo, declarou publicamente ser um escândalo a existência de lugares nas embaixadas (carreira do pessoal especializado) que careciam apenas de despacho ministerial para a colocação, e que mais não eram do que lugares de refúgio para diversos aparatchiks políticos.
Aliás, Freitas reduziu, enquanto Ministro, 1/3 desses lugares, e preparou legislação para criar regras claras e imparciais de acesso a esses lugares, através de concurso público. Infelizmente esse processo foi parado pelo actual MNE.
Hoje percebe-se porquê.

Além dos lugares de preenchimento político que já havia, o PS prepara-se para criar mais. Afinal de contas foram prometidos 150.000 empregos em campanha. Só não disseram era para quem…

26 outubro 2007

A Vitória Extraordinária!


Por desafio de um comentador anónimo da Gazeta Lusitana que a propósito do entendimento entre os 27 Estados Membros da UE sobre o novo Tratado Europeu classificou o feito como «mais uma vitória extraordinária» do Primeiro- Ministro José Sócrates, e, considerando eu que o passo em frente, apesar de muito louvável, não só não é definitivo como está condicionado pelo processo de ratificação e, considerando igualmente o epíteto exagerado e fora de contexto, decidi responder através de um conjunto de «post» sobre outras «extraordinárias vitórias» do actual governo. Estes textos surgem como resposta ao desafio. Os temas elegidos são da sugestão do mesmo comentador anónimo que espero seja um participante activo na defesa/discussão da sua tese.

Dos temas propostos decidi começar pelo tema da "Reforma na Educação".
A Educação é um tema basilar para a discussão pública/política portuguesa. Em nenhum outro país da Europa Ocidental os desafios sobre esta matéria têm contornos tão preocupantes como em Portugal. País históricamente alheio à Escola e à formação, Portugal continua a sofrer os estigmas de uma educação insuficiente. Trabalhadores pouco qualificados, mão de obra barata, democracia deficitária, cultura cívica primária.
O problema da educação é transversal a toda a sociedade portuguesa e é-o também a todos os governos portugueses.
Não existe provavelmente matéria mais importante sobre a qual devesse haver Pactos de Regime do que esta.
Ao contrário do que afirma o nosso comentador, o actual governo não fez aprovar nenhuma Reforma da Educação. A última Reforma de que há memória e que se encontra em vigor é a do Eng. Roberto Carneiro, Ministro da Educação dos Governos de Cavaco Silva e que tem já mais de 15 anos.
O que o actual governo tem feito é tomar medidas governativas de gestão e a aprovação de determinados diplomas na AR. Isto é muito diferente de uma Proposta de Reforma. Para haver Reforma, seja onde for, é preciso saber em primeiro lugar o que se quer e qual o objectivo a atingir. Uma Reforma é um plano estruturado a longo prazo que obdece a determinados critérios previamente discutidos e aprovados em amplo consenso.
Ora, o que este governo tem tido em matéria de Educação é precisamente a falta de consenso. Dos professores, dos pais, dos alunos, das Instituições...Não existe nenhuma Reforma socialista da educação! O que existe, isso sim, é um descontentamento generalizado e transversal a todo o sistema de ensino. Mas se fosse apenas um problema de descontentamento, poderíamos alegar que as medidas não tinham consenso mas apresentavam resultados.
Vejamos os resultados: Ontem mesmo foi apresentado o Ranking anual das escolas portuguesas. No Top 20 da classificação apenas se encontra uma escola secundária de Coimbra. Tudo o resto é ensino privado. As escolas do ME são as que ocupam todos os lugares finais da escala.
Quanto a uma outra questão mais grave, que é a do abandono escolar, Portugal não sofreu praticamente alteração. De 1996 para 2006 apenas houve uma diminuição de 0,1%. Ou seja, passou-se de 40,1 % para 40% de abandono escolar no ensino secundário. Em termos comparativos, enquanto que toda a UE baixa este índice, Portugal vê-lo crescer ao ritmo de 3,6% ao ano. Os números, retirados do Eurostat, mostram, igualmente, que a percentagem de população adulta envolvida em acções de formação-educação diminuíram entre os anos 2000 e 2005ao contrário da tendência europeia.
A acrecentar a estes números assustadores, a actual política de restrição orçamental tem conduzido a um encerramento sistemático de escolas do ensino básico e secundário por todo o país. Razões economicistas fundamentam a decisão, que afecta sobretudo o interior do país, naquilo que se revela uma política desastrosa na manutenção das populações no interior.
É verdade que o Parque escolar em Portugal sofreu melhorias consideráveis nos últimos anos, mas isso em nada alterou os resultados.
Num país que brada que é de Doutores e Engenheiros, estamos muito longe de atingir a média de um qualquer país da UE. Anualmente, os índices da ONU sobre desenvolvimento e sustentabilidade apontam uma taxa de 80% (??) de iletrados em Portugal. Isto significa, que se no tempo do Estado Novo possuíamos uma vergonhosa taxa de analfabetismo, hoje, face a tais números, 80% dos portugueses, perante uma questão de carácter político, filosófico, religioso ou cientifico não sabe responder.
Não há Democracia que resista!
Esta é sem dúvida uma das «vitórias extraordinárias» do Eng. José Sócrates, o mesmo que faz o elogio do inglês no ensino básico mas que não fala inglês. O mesmo que defende o acesso ao Ensino Superior Público mas que apresenta uma duvidosa licenciatura ao país!

24 outubro 2007

Assim se vê a democracia do PC! (2)

A luta continua! Ou o melhor os despejos continuam!

Aquele que se auto-intitula o campeão da liberdade, da democracia e das lutas por estas causas (leia-se o Partido Comunista) voltou a fazer das suas. Desta vez na Marinha Grande.

Decidiu o PCP, no seu alto critério, que o Presidente da Câmara da Marinha Grande, por si eleito em Outubro de 2005, deveria retirar-se e dar lugar a outro camarada. E as razões invocadas são estas:

O afastamento de Barros Duarte é visto pelo PCP como uma «necessidade» para a realização de «um trabalho mais articulado, mais dinâmico e mais colectivo por parte dos vereadores da CDU para dar um novo impulso à gestão autárquica com vista à concretização dos objectivos programáticos e à resolução mais célere dos problemas da população». (in Lusa).

Depois de Setúbal, a Marinha Grande. E amanhã camaradas?

Mais uma vez o PCP revela uma total falta de respeito, não só pelos seus autarcas, mas sobretudo pelos eleitores. Pelos vistos a vontade de um pequeno comité central prevalece sobre uma escolha legítima e democrática.

O eleitorado faz o seu julgamento de 4 em 4 anos nas autárquicas, mas o PC faz o seu quando quer e bem lhe apetece. Foi Setúbal ao fim de um ano, foi a Marinha Grande ao fim de 2. Serão seguramente resquicios de uma veia justicialista que conheceu o seu auge nos tristes e célebres "julgamentos de Moscovo".

Tendo em conta este cenário, que pelos vistos se vai repetindo em autarquias ganhas pelo PC, que confiança poderão merecer os candidatos a Presidente de Câmara apresentados por este partido político em 2009? Nenhuma!

E mais, de que servirá elegê-los? Para nada!

22 outubro 2007

O Jardim III




Termino esta pequena série de três "post" sobre alguns jardins lisboetas com o exemplo mais deplorável do que é a degradação do património histórico/natural na cidade de Lisboa.
Era meu objectivo ao escrever estes textos, não só dar a conhecer um pouco da realidade dos três mais importantes espaços verdes da capital (à excepção naturalmente de Monsanto e de alguns jardins de Bairro, sendo o mais significativo o da Estrela) que são muito pouco conhecidos e vividos pelos lisboetas.
Era também minha intenção mostrar que o discurso político é muitas vezes alheio à realidade do país. Só isso justifica que nas últimas eleições para a CML nenhum candidato, ao falar de espaços verdes mencionasse qualquer um destes lugares. Falam portanto de cor. Nenhum destes jardins está sob a tutela directa da CML é verdade; mas sendo que constituem os mais significativos espaços verdes da capital, e dado o seu estado de degradação, seria importante e necessária uma intervenção.
A Tapada das Necessidades é o mais notável jardim Lisboeta. É-o por várias razões. Porque está hoje no centro da cidade, porque constitui a maior propriedade murada do séc XVIII em Lisboa, porque foi construido como jardim adjacente ao Paço das Necessidades e por essa razão usufruido como Jardim Real, porque possuíu em tempos o maior conjunto de raridades botânicas e foi, ao tempo do rei D. Fernando II o laboratório onde nasceu o Parque Nacional da Pena. É notável ainda pelo conjunto de pavilhões, estatuária, fontes, lagos e estufas, todos eles do tempo em que o Palácio das Necessidades era o Palácio Real de Lisboa.
Quaisquer adjectivos seriam limitadores para classificar o estado de degradação deste espaço.
Quase nada está de pé, quase nada existe já com esplendor. Não há arruamentos decentes, não há água nos lagos ou nas fontes, não há preservação da flora, não há pessoas.
Aquele que foi em tempos o mais bonito, o mais importante e o mais simbólico jardim de Lisboa e provavelmente do país é hoje coisa nenhuma.
Não tenho memória de qualquer país da Europa Ocidental onde os jardins dos respectivos palácios reais não estejam arranjados, sejam utilizados e usufruidos pelos cidadãos!
Lisboa é uma excepção que envergonha todos os lisboetas!