28 outubro 2008

Teias Palacianas


(Palácio da Pena, Sintra)

26 outubro 2008

Sem vergonha no rosto


Sócrates em entrevista recente disse que Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas são rostos do passado associados a anteriores governos que fracassaram... Não foi precisamente Sócrates que pertenceu a um governo passado liderado (ou nem por isso) por Guterres e que não se pode dizer que tenha tido propriamente grandes sucessos, ainda para mais em "tempo de vacas gordas"!? É preciso não ter vergonha na cara, ou no rosto como preferirem. Isto já sem falar da subjectividade dos conceitos de sucesso ou fracasso políticos. Mas é inquestionável o pântano criado e que alegadamente Guterres com a sua demissão ainda julgava evitar. Logo pântano não me parece algo associável a sucesso, estou certo ou estou errado? E Sócrates estava nesse barco que estagnou, certo? Não é que não tem mesmo vergonha nenhuma!

23 setembro 2008

Há realidades intemporais...

"Mas os pedantes irritam-se sempre quando os outros sabem tão bem como eles o seu mesquinho ofício; tudo servia de pretexto para as suas observações maldosas; eu tinha mandado incluir no programas das escolas as obras excessivamente desdenhadas de Hesíodo e Énio; aqueles espíritos rotineiros atribuíram-me imediatamente a intenção de destronar Homero e o límpido Virgílio, que, todavia, eu citava constantemente. Não havia nada a fazer com aquela gente."




in YOURCENAR, Marguerite, "Memórias de Adriano", Ulisseia, p. 171

11 setembro 2008

O estado da Nação...

-Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode pôr um piercing.

- Um jovem de 18 anos recebe 200 € do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 € depois de toda uma vida do trabalho.

-Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.

-O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.

-Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2 000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.

-Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa á das causas sociais.

- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados. No Fórum Montijo o WC da Pizza Hut fica a 100mts e não tem local para lavar mãos.

- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).

- Nas prisões são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!

- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar chumbas o ano, o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por fax e é engenheiro.

- Um jovem de 14 mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!

- Uma família a quem a casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme podem. 6 presos que mataram e violaram idosos vivem numa sela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.

- Militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa de território nacional não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE.

- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem, não pagas as finanças a tempo e horas passado um dia já estas a pagar juros.
- Fechas a janela da tua varanda e estas a fazer uma obra ilegal, constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!

-Numa farmacia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosse drogado, não pagava nada!

Obrigado Portugal. Estamos orgulhosos.
Nota: recebido por e-mail

05 setembro 2008

A Festa do Avante

Inicia-se hoje mais uma edição da festa do Avante! Numa passagem rápida pelo site do PCP, poderemos constatar que entre os ilustres camaradas internacionais convidados e com direito a stand, encontramos:

o PC da China; o PC da Coreia do Norte; o PC de Cuba; etc.

Tudo expoentes maximos da democracia.

Todos amantes da Liberdade, seja ela política, de expressão ou qualquer outra.

Tudo boa gente, seguramente incapaz de fazer mal ao proximo, ainda que este último pense de maneira diferente.

E no fim da festa, não faltará o discurso do camarada Jerónimo, como sempre, em nome dos mais fracos e oprimidos, em nome das classes operárias e pasme-se dos direitos democráticos!

Enfim, teremos este fim de semana na Atalaia um dos momentos altos da hipocrisia e cinismo político do PCP. Nada aliás a que não estejemos habituados!

Valha-nos o facto de este ano não terem convidado organizações terroristas como as FARC (depois do episódio de libertação de Ingrid Bettencourt, seria arriscar demasiado!).

Teremos pois uma festa sem terroristas, mas cheia de representantes de ditaduras!

É assim mesmo! Avante Camaradas! Que o Sol brilhará para todos nós...

Está seguro disso?

É inegável que existe no seio da sociedade portuguesa um sentimento de insegurança latente. É igualmente inegável que as estatísticas da criminalidade, em particular daquela de carácter mais violento, acompanham esse sentimento. Não se trata, portanto, de uma criação mediática (ainda que este tipo de ocorrência tenha grande eco nos meios de comunicação social) nem de uma argumentação falaciosa da oposição só para massacrar o governo. É a realidade e esta é dura. Sempre sujeita a interpretações é verdade. Mas neste caso não há margem para muitas. Nem para poucas. O retrato ainda não é dramático, embora grave, mas está a crescer a olhos vistos e pode tornar-se num cenário sem precedente no panorama nacional.
Como reage o governo por intermédio do Ministério da Administração Interna e das forças de segurança?

Mega operações stop, prisão preventiva para quem possua uma arma ilegal e mais? Não me estou a recordar. Falha de memória certamente. É verdade umas quantas pistolas para renovar o equipamento da PSP e GNR.

Não é por mega operações stop que se vai terminar a escalada de criminalidade violenta e com novos fenómenos criminais. Podem ser apanhados condutores com excesso de álcool ou drogas (e bem), excesso de velocidade (e bem, embora os 120 km nas A's sejam discutíveis), falta de documentos ou habilitação legal para conduzir (e bem), eventualmente algumas armas ilegais (e bem). Agora o tráfico de armas, de droga, assaltantes à mão armada e outros criminosos mais pesados não. É bom que se tenha noção clara disso. Por um lado existe um discurso que aponta no sentido da sobrelotação dos estabelecimentos prisionais, no excesso da aplicação da medida máxima de coação a prisão preventiva. Surge entretanto outro, igualmente oficial, a reforçar a prisão preventiva para todos os indivíduos que possuam uma arma ilegal. Irá funcionar, irão o Estado e as suas estruturas ter capacidade para dar uma resposta eficaz a tudo isto? Parece-me que não. Legislar a quente e em resultado de acontecimentos específicos dá sempre mau resultado. Não tenho formação jurídica mas sempre ouvir dizer isto e com confirmação na prática. É uma subversão daquilo que deve ser a racionalidade na concepção e criação legislativa.

Em termos da operacionalidade e articulação das forças de segurança o que está o goveno a fazer? No que diz respeito ao aumento efectivo de agentes no terreno a desenvolver policiamento de proximidade, altamente dissuasor da criminalidade, e ao desvio de elementos das forças de segurança de funções administrativas de gabinete para essas outras funções o que está a ser feito?
As próprias condições dos agentes e militares não favorecem em nada o seu empenho e profissionalismo, que já muito fazem uma vez que têm uma profissão de risco que não é plenamente assumidada pela tutela. Há certamente bons e maus profissionais como em todos os sectores mas nem todos se arriscam tanto a ver o seu salário reduzido (pagamento de certas despesas inerente ao trabalho policial) ou a serem sujeitos a julgamento, porventura com alguma frequência, simplesmente por cumprirem em condições a sua missão.

O governo acha que está a dar respostas adequadas. Sr. Primeiro-Ministro está mesmo seguro disso? Só esperemos que lhe saia o tiro pela culatra. Em sentido figurado claro.

30 junho 2008

Lisboa: de Costa à contra Costa

Começo na zona oriental da cidade.

Por deliberação da Câmara Municipal de Lisboa o rés-do-chão e cave do emblemático Palácio da Mitra vão ser arrendados à Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) por 350,00 € mensais enquanto as futuras instalações para a sua sede na zona das Olaias não estão prontas.
O edifício histórico na posse da autarquia lisboeta desde 1930 apesar de sofrer vários atropelos ao longo do seu caminho acaba por assumir um papel de dignidade municipal ao acolher o Museu da Cidade entre 1941 e 1973 (independentemente das opcções museológicas na época poderem ser hoje contestadas, sobretudo à luz da museologia contemporânea). Será que ao longo de todo este tempo não se pensou um pouco na melhor forma de valorizar tal palácio? Manifestamente não. O Palácio Pimenta no Campo Grande para onde se mudou o Museu da Cidade em 1973 apresenta sinais claros que a falta de prioridade atribuída à recuperação de edifícios históricos (e também a uma mais clara política museológica municipal) afecta o actual espaço museológico que conta a história de Lisboa (ainda que de forma incompleta). Se não existe forma de se avançar com a recuperação do actual museu quanto mais do edifício onde esteve sediado o antigo! Já não bastando esta falta de preservação e valorização do património arquitectónico urbano junta-se-lhe aquilo que a meu ver deve ser tido por uma gestão danosa do imóvel municipal. 350 € por mês e um período de carência de cinco anos! (na prática não há lugar ao pagamento de renda). Mais vale assumirem de vez que pretendem que o edifício caia de velho. Isso sim seria ainda mais grave do que gestão danosa.




Desembarque no Terreiro do Paço.

Outro episódio do périplo na selva lisboeta prende-se com a utilização do Terreiro do Paço aos Domingos (o tal dia em que é das pessoas...). O Pátio da Galé (ala ocidental) tem sido palco de vários acontecimentos organizados pela autarquia. O festival do peixe (aproveito para recordar também o dia da sopa no Palácio de S. Bento) entre outros marcaram presença no dito espaço. A qualidade e o bom gosto (que é sempre discutível...) não têm sido as tónicas dominantes. Agora podemos ver uma exposição sobre o Plano da Baixa (1758-2008). É uma reconversão do projecto de exposição que deveria ter sido inaugurada em 2005 por ocasião dos 250 anos do grande terramoto. Houve complicações de vária ordem e não abriu. Surge agora esta exposição.
O comissariado científico é da responsabilidade dos professores Ana Tostões e Walter Rossa cujas qualidades académicas e científicas são insuspeitas. No que diz respeito à organização e montagem já não serei tão peremptório. Neste momento o Pátio da Galé não oferece condições para uma exposição de qualidade. A sua requalificação está incompleta pois pretendeu-se começar a "casa pelo telhado". Programaram-se actividades para o local (programação também ela discutível) e depois logo se procederá (quando?!) à reabilitação do dito pátio. Apresenta ainda estruturas de telhados com chapas de zinco ou de plástico que para além do mau aspecto imediato (bem como as casas de banho existentes) provocam um grande aumento de temperatura no seu interior, o que não é agradável para os visitantes e sobretudo não é nada recomendável para os objectos expostos. O corredor de entrada com a sua passadeira encarnada engelhada e algo suja, umas esvoaçantes cortinas pretas dos lados e a sinalética inicial são manifestamente produtos de fabrico amador.
O circuito da exposição acaba por se tornar um pouco confuso acabando o visitante por se dispersar e perder, de alguma forma, o fio condutor. Outros aspectos criticáveis são o tratamento dado ao período entre 1756 e 1758 do qual existe informação histórica escassa e que foi tratado museograficamente com bastante exagero ao entrarmos numa quase câmara escura onde sobressaem umas luzes roxas; um outro é o terminar da exposição, já próximo da saída onde figura uma réplica branca em grande formato da estátua equestre de D. José I cujo original da autoria de Machado de Castro pode ser apreciado a dois passos bem no centro do Terreiro do Paço. Também o transporte da grande maqueta concebida pelo olissipógrafo Matos Sequeira do Campo Grande para o Terreiro do Paço não me parece o mais apropriado.

Gostei da diversificação da abordagem (ainda que não propriamente organizada da forma mais conviniente) pelos seguintes aspectos: Informação histórica geral e outra mais específica de carácter urbanístico, arquitectónico e de engenharia; apresentação ao início de acontecimentos semelhantes, numa perspectiva comparativa, ao terramoto de 1 de Novembro de 1755 que ocorreram anteriormente em Itália (na Sicília com a erupção do Etna) e no final uma visão de relance e de futuro da zona Baixa/Chiado e respectiva reabilitação (espero que não tão longínqua quanto isso apesar da criação da Sociedade de Reabilitação Urbana).

A exposição passa muito por temas de arquitectura e engenharia...não deveria a autarquia lisboeta saber que não se começa a fazer uma casa pelo telhado?

Como as costas já vão largas e tenho margem para futuros "postes"deixo para uma outra oportunidade a reabilitação da frente ribeirinha que começa mal (pelo menos é um mau indício) com a saída mais do que prematura de José Miguel Júdice da sua direcção.

16 junho 2008

O Equivoco II


A Irlanda disse Não.

O Primeiro-ministro português toma a atitude dos irlandeses como uma afronta que pôe em causa o momento mais importante da sua carreira política.

Os politicos europeus, escudados nos seus parlamentos (que são nossos) consideravam que não tinham de explicar nada aos soberanos povos da Europa comunitária. Não fosse a Constituição irlandesa que obriga a referendar Tratados desta natureza e viveriamos todos cegos sob a égide de um Tratado ignorado.
Não tenho pena. Assim é a Democracia, e assim é a Europa.
Esperemos que alguém se dê ao trabalho de começar a explicar o Tratado aos cidadãos.
Quanto ao Primeiro-ministro de Portugal, não sei se lhe servirá de consolo afirmar que se devem contar pelos dedos de uma mão os irlandeses que sabem quem é José Sócrates Pinto de Sousa.

31 maio 2008

O Barba Laranja


O ódio como lhe chamou Vasco Pulido Valente... "(...)aquele senhor das barbas da Quadratura do Círculo(...)". Para os menos atentos estava Luís Filipe Menezes a referir-se a Pacheco Pereira e não a Lobo Xavier ou Carlos Andrade.

Fazer a diferença

Hoje consumam-se mais umas eleições directas para eleger o líder do PPD/PSD. Os seus militantes (com as cotas em dia e que forem votar obviamente) escolhem entre Manuela Ferreira Leite, Pedro Santana Lopes, Pedro Passos Coelhos e Patinha Antão. Independentemente do resultado (ainda que me pareça claro que Manuela Ferreira Leite está em vantagem) julgo que o panorama político não se alterará substancialmente e em meu entender tal mudança é aquilo que mais necessitamos para um avanço da nossa democracia participativa. Renovação estruturada e sólida dos actuais partidos portugueses que são a base da vida democrática. Tanto tempo em campanhas, debates, mediatismo e tudo ficará basicamente na mesma. Não se discute (pior não se trabalha em prol de, embora tenha de sublinhar a existência de honrosas excepções) o essencial, questões estruturantes e de fundo, projectos necessários e de qualidade que contribuam e marquem positivamente várias gerações, reformas de todo o sistema político a começar pelas próprias estruturas partidárias. Coisas que tenham a ver com a qualidade de vida, com o desenvolvimento integrado e sustentável, passam tantas e tantas vezes para um plano confrangedoramente secundário assim como egoísmos vários que atiram para esse mesmo plano o civismo, a cidadania, a riqueza da diversidade e do pluralismo. A democracia e as pessoas, enquanto indivíduos e cidadãos, merecem outro tratamento, outra consciência, outra ponderação e atitude. Por parte de todos e cada um de nós, em particular daqueles que exercem responsabilidades públicas. Para impulsionar tudo isto tenho insistido na renovação, na refundação partidária. Isso sim iria contribuir para fazer verdadeiramente a diferença. Estamos bastante cansados, saturados mesmo, de ouvir falar em reformas, mudança, etc, etc, inclusivamente alguns de nós (infelizmente poucos e nem todos assim tão bons...), tentamos dar o nosso contributo para que essas palavras e conceitos tenham expressão prática. Mas não basta mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. É preciso fazer melhor e fazer a diferença. Enquanto isso tentamos...um impulso à chamada ala liberal pode ser um começo. Deve ser um começo. Tem de ser um começo. Já começa a tardar...

25 maio 2008

Isto é um assalto !

Numa bomba de gasolina (longe da fronteira com Espanha pois essas estão às moscas):



- Mãos ao alto! Isto é um assalto! Não se mexam! Não digam nada! Não façam barulho!

-Ok... Ok... Pronto...Não nos façam mal. São 30 € de gasóleo por favor. Aceita cartão de crédito?

21 maio 2008

História das Coisas

Um video para o fim de semana, simplista talvez, mas interessante como tema para reflectir.

20 maio 2008

A Guerra Civil


O PSD vai a eleições directas para eleger um novo líder no próximo dia 30.

Não deixo de me surpreender com o trajecto da anterior direcção. Luis Filipe Menezes e alguns dos que o rodearam na direcção do partido durante estes meses levaram anos a conspirar para obter aquele resultado. Conspiraram contra tudo e contra todos. Conseguiram trazer para as bases do PSD milhares de militantes sem qualquer capacidade política ou cívica mas que contribuiram durante anos para engrossar as fileiras dos seus apoiantes internos. Foi o caciquismo politico no seu pior!
Durante os meses que lideraram o PSD, e por essa via a oposição em Portugal, não produziram uma única ideia válida de que me recorde. A pergunta que me resta é: Para quê tantos anos de lutas, de debates, de caciquismo, de tempo, de talentos?? Era isto que tinham para dar ao país? Ao Partido? Estranha gente esta, e que desperdício!
Mas ao contrário do anterior confronto, que não produziu nada que interessasse ao país ou ao partido, os novos protagonistas representam ideias e projectos distintos e muito mais interessantes.
Pedro Santana Lopes é muito mais interessante politicamente que Menezes e Manuela Ferreira Leite é uma reserva dourada e antiga dos sociais democratas que não tem comparação com Mendes. Santana é um político nato, com tudo o que isso tem de bom e de mau. De bom tem o instinto e a inteligência, de mau tem o facto de ser um homem que precisa da política para sobreviver.
Santana tem, goste-se ou não, uma ideia de Portugal e dos portugueses. Sente o país e a política como poucos políticos portugueses da sua geração que temos visto passar ao longo dos últimos 30 anos. Ele não desiste, e isso não tem que ver com uma questão apenas de sobrevivência. Ele tem de facto propostas, e algumas bastante corajosas e interessantes e, ao contrário de outros também, nunca abandonou essa ideia que tem do país e que quer trazer para a política. Mas a sua teimosia pode ser também um sinal de debilidade.
Ao contrário de muitos, nunca achei Álvaro Cunhal um homem excepcionalmente inteligente. Culto, com uma capacidade de resistência fisica e mental notáveis, e uma capacidade de liderança ímpar; Sem dúvida! Mas retive-me sempre quando se defendia a sua inteligência e brilhantismo. Um homem que não muda nunca de opinião, mesmo sabendo que o modelo que defende ( no caso dele o soviético) não é válido, não é sinal de brilhantismo intelectual mas de teimosia intelectual. Orgulho talvez!
Se faço esta pequena divagação é porque Santana Lopes faz-me recordar esta situação.
Manuela Ferreira Leite é uma mulher inteligente e resistente. Surpreende-me pela audácia e pela capacidade de afirmar realidades, que apesar de aparentemente simples, são, na política portuguesa, raras. Fê-lo nas duas entrevistas que tive oportunidade de ler no Expresso e ver na SIC. Acho que daria uma boa Chefe de governo em Portugal, pela sua capacidade de liderança nata e pelo respeito, senão mesmo temor, que inspira a muitos. Em Portugal, e na política portuguesa, estas qualidades são mais importantes do que parecem. Não dará uma boa Presidente do PSD seguramente, mas isso é coisa que o país pode dispensar.
Não a temo, mas incomoda-me um pouco a sua frieza e visão economicista. A política precisa mais que rigor nas contas públicas e reformas económicas. Na verdade os portugueses estão um pouco cansados de economia e essa ciência ocupa quase todo o pensamento político de Ferreira Leite. Apesar disso, é, pelas qualidades que detém, o melhor anverso a Sócrates.
O PSD terá muito provavelmente uma Presidente pela primeira vez na sua história. A ser assim, é também muito provável que o país venha a ter, a breve trecho e pela segunda vez, uma Primeira- ministra.
A Política portuguesa transformar-se-à a partir de dia 30 de Maio inevitavelmente.

16 maio 2008

03 maio 2008

Não ao novo acordo!


Descobri hoje uma petição on-line contra o novo acordo ortográfico.


Para aqueles que dele discordam, deixo aqui o link. Eu já assinei...

01 maio 2008

S. Pedro de Alcântara: Finalmente!


Outro dia passei no recém reinaugurado (reabriu em finais de Fevereiro deste ano) jardim do miradouro de S. Pedro de Alcântara. Esteve mais de dois anos - sim dois anos! - encerrado para obras de requalificação, apanhado na teia das atribulações que a autarquia lisboeta viveu e sofreu nos últimos tempos.
Este espaço é, na minha opinião, das mais interessantes, belas e completas panorâmicas das cidade de Lisboa. Fruto do século XIX (das minhas épocas preferidas), concretamente do período romântico, ao qual a cidade tanto deve a vários níveis, entre eles o histórico, urbanístico, arquitectónico, artístico, etc.

Foi requalificado (ainda subsistem, contudo, alguns pormenores a acertar, como por exemplo alguma informação histórica que não detectei, porventura existe algum daqueles marcos metálicos com dados dessa natureza mas que não vislumbrei por lá) o que implicou a remoção do degradado e desenquadrado campo de futebol do patamar superior e de uma construção abarracada no patamar inferior utilizada para actividades menos próprias e nada saudáveis. A estatuária foi restaurada (embora existam algumas colunas no patamar inferior onde faltam os bustos), desde os bustos de heróis e deuses da mitologia clássica e de heróis portuguesa da época das Descobertas (patamar inferior) até à estátua de Eduardo Coelho (fundador do Diário de Notícias) que domina o centro do patamar superior. O lago (que terá vindo dos jardins ou do paço da Bemposta) neste mesmo patamar foi também recuperado assim como a cascata existente no outro patamar. As espécies botânicas replantadas e os espaços verdes tratados.


Todo este conjunto, particularmente agradável e apetecível em dias luminosos e mornos (nos quais Lisboa se revela mais meditarrânica do que atlântica), é e deve continuar a ser parte integrante e vivida da urbe (e vivida com toda a urbanidade...). Vir do Chiado, do Bairro Alto ou ainda da Calçada da Glória (o elevador esteve encerrado um ano e cinco meses devido às obras do túnel do Rossio; reabriu a 18 de Setembro do ano passado) e entrar naquele miradouro ajardinado, distribuido por dois níveis o que lhe confere uma atmosfera própria, suscita-nos sensações particulares, um misto entre viagem no tempo, exaltação dos sentimentos, da criação, da imaginação, da reflexão e de uma fruição ímpar do esplendor da cidade. Olhar a cidade e o seu inseparável Tejo brilhando ao Sol mais ao fundo do lado direito. Contemplar os vales da Baixa Pombalina e o da Avenida da Liberdade (antigo Valverde e Passeio Público). Na colina fronteira o Jardim do Tourel (miradouro um tanto ou quanto esquecido ou ignorado... tenho de lá ir para apurar o estado da arte...), a cúpula do Coliseu dos Recreios mais abaixo. Faz-me pensar que me situo num local que é o centro de um conjunto significativo de teatros: S. Carlos, S. Luiz, Mário Viegas, Trindade, Cornucópia, o referido Coliseu, Politeama, D. Maria II, Tivoli e claro o ainda esquecido Parque Mayer com os seus Maria Vitória (único em actividade), Variedades, Capitólio e ABC, bem perto da mancha verde que é o Jardim Botânico.

É bom ser lisboeta. Mas nem sempre. Nem sempre é bom e nem sempre é fácil quando somos confrontados com a degradação urbana, arquitectónica e humana que ainda persiste. Por desinteresse, por irresponsabilidade, por distracção, por vandalismo, por falta de cultura de cidadania, civismo e urbanidade. No actual S. Pedro de Alcântara recupera-se forças e energias quando estas teimam em faltar para alimentar este amor (que nunca se extingue) por Lisboa.
Voltou a ser vivido pelos lisboetas, por quem trabalha na cidade e por quem a visita. Finalmente!

23 abril 2008

O equivoco.


A Assembleia da República votou hoje, com os votos favoráveis do PS, PSD e CDS/PP o Tratado de Lisboa.

Dizem que é um documento importante e que traz profundas alterações ao funcionamento da UE.

Alguém sabe do que se trata?

19 abril 2008

Não há partidos eternos

A não ser Roma e os diamantes nada mais é eterno. E mesmo estes já estiverem mais próximos do enquadramento perfeito no conceito de eternidade. Num mundo onde a globalização (nas suas várias vertentes e variantes) está em curso e em velocidade cruzeiro os acontecimentos sucedem-se muito rapidamente, sabemos de forma igualmente instantânea que as coisas aconteceram ou que vão acontecer e em muito mais sítos em simultâneo, assim como sabemos que outras deixaram de acontecer, outras de existir. Pode ser que seja nesta última moldura que têm lugar as forças políticas. Pelo menos nos modelos actuais. Todas, pelo menos em teoria. Os partidos políticos não são eternos, nem se devem tentar eternizar artificialmente através de plásticas de qualidade, no mínimo, duvidosa. Sabemos que neste mesmo mundo globalizado a imagem, o marketing e a comunicação assumem um papel cada vez mais activo (o que não tem de ser necessariamente mau se nas devidas proporções e no seu devido lugar na lista de prioridades). Para haver algo que deva e mereça ser mostrado, divulgado, comunicado é necessário que haja substância, conteúdo, não apenas uma bonita e moderna fachada com um interior a cair de podre, carcomido pela idade e não só...

Julgo que é neste contexto que se desenrola a recente (ou não tanto assim) crise do PPD/PSD. Mas não é o único que se tenta movimentar (mais do que crescer saudável e evoluir) no actual cenário, que não é exclusivamente nacional , sem um sucesso duradouro. O próprio PS irá, mais tarde ou mais cedo, perceber que está no mesmo barco e que enfrenta as mesmas tormentas, independentemente de maiorias, sejam absolutas ou não.

Social-democracia, democracia cristã, socialismo e comunismo marcam a história política internacional do pós II Grande Guerra. Será possível evoluirem sem se descaracterizarem e serem uma outra coisa? Julgo que, à partida, não. O que não deve ser necessariamente encarado como negativo ou catastrófico. Pode até gerar boas e perenes oportunidades e soluções. Reparem, poderemos considerar a chamada 3ª via de socialismo? Mesmo que seja um socialismo maquilhado com os epítetos de moderno, contemporâneo, democrático, etc, deixou de ser socialismo. E não é só uma questão semântica (o acordo ortográfico é uma outra história ou novela, como queiram). Aliás a semântica aqui só tem relevância no sentido em que é conveniente, a bem do desenvolvimento e do aperfeiçoamento da democracia, comunicar eficazmente estas modificações/alterações/evoluções/retrocessos.

O comunismo, por seu turno, sofreu poucas alterações doutrinárias, dito mais coerente. Acontece que a sua prática política há muito que já se afastou largamente daquilo que é em teoria. Logo, até amanhã coerência! O que é então o comunismo? A sua teoria? A sua prática? A contradição entre ambas? Ou ainda tudo isto em simultâneo? A meu ver a resposta parece-me bastante óbvia.


Se continuarmos este tipo de análise por outras ideologias políticas verificamos que, umas mais outras menos, mas na sua globalidade há alterações significativas que apontam no sentido da descaracterização das ideologias tradicionais. A vida política continua marcada por dois grandes espaços políticos : um à direita e outro à esquerda. Aqui, as mudanças (pois de facto nada será eterno) serão mais lentas. Mas nas ideologias que mencionei a situação está já a colocar-se. São já peças do museu político, ou seja, continuam a ser muito úteis à sociedade e ao seu desenvolvimento e a fornecer referências precisosas, mas já não estão a cumprir com agilidade o essencial da missão para a qual foram concebidas. Já têm outra função. Tal como acontece nos objectos museológicos propriamente ditos, antes de possuirem essa carga detinham outras funções, utilitárias, decorativas, etc.
No meio deste panorâma, e voltando a pegar no PPD/PSD (é assim que este partido político se chama, não utilizo esta designação por uma qualquer proximidade ou afinidade política particular com o Dr. Santana Lopes), a direita da democracia portuguesa (desde o centro político até à direita defensora da democracia e da liberdade, isto é, extremismos à parte) devia repensar-se, devia refundar-se. Urgem reflexão, debate, projectos políticos que promovam a iniciativa privada, a sociedade civil e a cidadania, o mérito, um Estado mais pequeno, mais eficiente e eficaz, uma reorganização das prioridades políticas, que traduzam sínteses entre conservadorismo e liberalismo assentes nos pilares da Liberdade, do Humanismo, do Personalismo. Mal estaremos se PPD/PSD, CDS/PP entre outras forças políticas que se encontram na área política que mencionei não tiverem esse capital, ou não o tendo na integra não sejam suficientemente visionários para o procurarem com energia, determinação, bom-senso e espírito crítico. É não cruzar os braços e pensar que há maiorias que são sempre relativas, como tudo é relativo neste mundo e na humanidade; até os partidos políticos, até mesmo a própria política.

Deixo-vos para a dita reflexão este interessante conceito de eternidade:

"Muito longe nas plagas boreais, numa terra denominada Svithjod, eleva-se um penhasco inponente de cem milhas de altura e cem milhas de circunferência. De dez em dez séculos, um passarinho pousa nesse rochedo, para aguçar o bico.

Quando dêste modo a avezinha houver consumido a rocha, ter-se-á escoado um único dia da eternidade."


in VAN LOON, H., História da Humanidade, 1935

01 abril 2008

O poder e a autoridade.


A actual discussão na sociedade portuguesa sobre a violência nas escolas, os abusos de professores e alunos, a falta de rigor e de disciplina, a juntar a manifestações e protestos de professores de norte a sul do país é sinal de um grave diagnóstico da educação em Portugal.
As imagens publicadas na internet vindas do interior de uma sala de aula no Carolina Michaelis são apenas um exemplo do que acontece um pouco por todo o lado nas escolas públicas.
Fez bem o Procurador Geral da República em enviar para os competentes orgão judiciais a discussão e análise da matéria. Pode parecer um pouco exagerado e não faltaram protestos quer do Ministério da Educação quer até do bastonário da Ordem dos Advogados, mas a verdade é que é importante que este caso sirva de exemplo e sobretudo reforce a confiança dos professores na sala de aula.
Contudo, este caso é apenas um exemplo e mesmo que pontualmente a confiança seja restabelecida, dificilmente o problema estrutural se resolverá. O mais grave problema da educação em Portugal, ao nível da sala de aula, é um problema antigo e estrutural. Trata-se tão somente da definição e delimitação de uma fronteira ténue mas fundamental, que é aquela que separa o poder da autoridade. Infelizmente a grande maioria dos professores possuí o poder que a lei lhes permite mas não possuí a autoridade que o exemplo lhes concede. O poder é um mecanismo simples e um instrumento que se possuí ao serviço da legalidade, contudo, a autoridade advém de uma gama mais complexa de aptidões, indiscutivelmente pessoais, e que se revelam no carácter, no conhecimento, na atitude, e sobretudo na vocação, constituindo no seu todo um exemplo que implicitamente traz consigo o respeito e a consideração.
Não existe nada que nos conceda autoridade. A autoridade é ou não reconhecida no outro através de uma avaliação que não depende do próprio.
Poderia dar variados exemplos da minha vida de estudante de bons e maus professores, quer no ensino secundário, quer na universidade. De uma coisa estou seguro: nunca professor nenhum, a quem os alunos reconhecessem autoridade, alguma vez se prestou ao mínimo acto de desagravo para com um aluno ou vice-versa.