
Depois de ter escrito um "post" no ínicio da campanha para as intercalares de Lisboa, volto agora a tecer alguns comentários sobre a matéria.
Não compreendo o silêncio dos vários gazeteiros sobre este tema, devo ser provavelmente o único que não tem militância política e simultâneamente o único a escrever sobre eleições! Mas cada um saberá da defesa que faz ou não faz dos projectos nos quais acredita.
Tal como previ há um mês, o discurso político sério foi praticamente inexistente.
Ao contrário do que afirmei há um mês também, excluo agora, ao parecer-me por demasiado evidente o irrealismo e a inacreditável falta de bom-senso e sentido de ética política, algumas das candidaturas por considerar que não devem merecer discussão pública, a saber: PNR, PPM, PND.
Quanto às restantes, gostaria de fazer uma nota acerca da candidatura do PCTP-MRPP e do MPT. Ainda que sejam pequenos partidos, distinguem-se dos demais seus pares pela coerência do discurso e pela apresentação de um programa eleitoral digno.
Ainda que o eterno candidato Garcia Pereira apresente propostas pouco realistas, a verdade é que soube fazer uma campanha honesta, sem ataques pessoais, sem polémicas inúteis e disponibilizando-se para o debate público sério. O mesmo se aplica ao MPT, que apesar de pequeno, é um partido que nos vem habituando desde sempre a um programa coerente, de propostas inovadoras e com utilidade, felicito por isso Pedro Quartim Santos pelo seu desempenho.
Quanto às «Magnas Candidaturas», a minha previsão não está longe da realidade.
Telmo Correia fez uma forte campanha, marcada por algumas polémicas, mas apresentando um programa equilibrado e saindo à rua na esperança de ser eleito. Não acredito que o seja, o que seguramente não agradará a Paulo Portas, que soma desta feita duas derrotas eleitorais desde que voltou para o Caldas.
O «Zé» fez o que sabe fazer, isto é, nada! Levantou mais meia-dúzia de suspeitas, fez algumas insinuações, apanhou por tabela, e acabou a choramingar apelando ao voto daqueles que lhe reconhecem o papel de «Zorro». Não me parece que seja eleito!
Ruben de Carvalho, em representação da CDU, surpreendeu pela positiva! O candidato revelou ser aquele que melhor conhece os dossiers da CML e impôs por diversas vezes a seriedade e a correcção dos números na mesa da discussão. Deverá conseguir um ou dois mandatos, assegurando assim o tradicional lugar para os comunistas.
Helena Roseta não surpreendeu. A sua imagem cândida, associada a um novo socialismo de faceta romântica é capaz de recolher bons votos, mas apresentou poucas propostas, e esqueceu-se que apelar ao consenso evitando a polémica nem sempre é a melhor estratégia política. Esteve bem no conhecimento das matérias e teve razão nos ataques que desferiu à comunicação social. O resultado que vai obter é uma incógnita, mas estou seguro que surpreenderá pela positiva.
O PSD cometeu suicídio. Depois de elouquecer, o maior partido português decidiu enverdar pela insanidade. Foi uma péssima prestação que terá resultados fatais para a actual liderança e para o partido no futuro. O tom da campanha de Fernando Negrão é insustentável do ponto de vista político. Não trouxe nenhuma solução positiva para os problemas da cidade e deixou-se levar de polémica em polémica em tom duvidoso. Negrão, o bem-quisto magistrado de Setúbal, acrescentou a isso um total desconhecimento das mais elementares realidades da Cidade de Lisboa, das suas instituições, das suas freguesias, dos seus problemas. Um total desastre, que prevejo traga ao PSD o seu pior resultado de sempre na CML depois do 25 de Abril.
António Costa sente-se bem. As sondagens são unânimes em conceder-lhe a vitória e soube evitar as polémicas. Apresentou um programa largo mas pouco coerente, uma lista de vereadores semi-consistente e um grupo de ilustres que o apoiam. Soube descolar-se das polémicas, mas as polémicas não se descolaram dele. Primeiro a OTA, depois Manuel Salgado, mais recentemente o mandatário Júdice. Entre fazer da Portela um Jardm, defender a intervenção do Governo na CML ou apresentar um Simplex em versão Costiniana, tudo valeu.
É bem capaz de ganhar as eleições, sem maioria, mas a tarefa vai pesar-lhe.
Por fim Carmona Rodrigues. O edil que foi obrigado a abandonar as suas funções a meio do mandato conduziu a candidatura ao seu estilo, sem nada dever a ninguém. Não entrou em polémicas, não falou dos outros candidatos, ninguém o viu a levantar suspeitas, nem a substimar adversários. Defendeu o seu programa, que poucas alterações teve relativamente a 2005, o que seria de esperar. Manteve-se coerente e apresentou uma equipa profissional. Quase não fez campanha de cartazes e foi melhor recebido pelos lisboetas do que se poderia imaginar.
As razões que levaram a que o PSD lhe retirasse a confiança politica começam a ser arquivadas pelos Tribunais, o que prova a sua razão!
Porque nunca o escondi, votarei no próximo domingo em Carmona Rodrigues. Fi-lo em 2005 e volto a fazê-lo conscientemente. Considero-o um homem íntegro, independente, e com um projecto para Lisboa, sem ambições políticas que ultrapassem esta candidatura. Considero ainda, que é de toda a justiça que possa terminar o seu mandato tranquilamente e responder perante o eleitorado em 2009 de acordo com as regras da Democracia. Foi um exemplo de seriedade política e de bom-senso durante a campanha eleitoral. Estou convencido de que terá um resultado surpreendente, que provará que a dignidade e a honestidade em política ainda compensam!