
Integrada nas Comemorações dos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian, está patente até ao dia 14 de Janeiro de 2007 a exposição Amadeo de Souza-Cardoso - Diálogo de Vanguardas.
Trata-se de uma exposição notável, que reúne a maior mostra de pintura alguma vez realizada sobre o trabalho do pintor de Amarante, assim como de 36 artistas estrangeiros seus contemporâneos, com obras oriundas de inúmeros museus internacionais e colecções privadas, entre os quais Modigliani, Sonia e Robert Delaunay, Malévitch, Brancusi, Olga Rozanova ou Pablo Picasso.
A mostra que conta com 190 pinturas e desenhos do artista português, abrange todo o período de produção de Amadeo, entre 1908 e 1918, e conta com o Alto Patrocínio da Comissão Europeia.
Estão de parabéns os organizadores pela qualidade e quantidade de obras reunidas, algumas delas inéditas como é o caso dos 20 desenhos realizados em 1912 para o livro de Flaubert- La légende de Saint Julien l’Hospitalier.
A visita a esta exposição, considerada já a mais visitada de sempre, permite a compreensão do excepcional trabalho deste percursor do cubismo, que fez igualmente incurssões no impressionismo e no expressionismo, e que embora tardiamente reconhecido, é um dos mais notáveis pintores portugueses do Séc. XX e um dos mais emblemáticos modernistas europeus.
Nascido em 1887 , iniciou-se como caricaturista, partindo aos 19 anos para Paris onde reside até ao eclodir da Grande Guerra. Depois de participar numa exposição nos Estados Unidos, em 1913, voltou a Portugal, onde teve a ousadia de realizar duas exposições, respectivamente no Porto e em Lisboa, causando escândalo entre os seus compatriotas. Amadeo morre permaturamente aos 31 anos vítima de pneumonia, contudo, a sua produção, de apenas 10 anos, é hoje um legado inestimável. Fernando Pessoa e Almada Negreiros, seus contemporâneos, reconheceram-lhe cedo o talento e a mestria, afirmando que Amadeo era "a primeira descoberta dos portugueses no séc. XX" . Uma descoberta que nos cabe hoje redescobrir.Parabéns à Gulbenkian, na data do seu jubileu, por um contributo inegualável e ininterrupto de 50 anos à Cultura, à Língua, aos Artistas, à Arte e ao Património Português.
Bem hajam!






